sexta-feira, maio 30, 2008

Gajas


É sabido e reconhecido que as mulheres por norma são observadoras e atentas aos pormenores. Sei também que desenvolvi pouco esta competência feminina e reparo apenas naquilo que está gritantemente diferente. Ontem assisti a este episódio hilariante.
- Uau rapariga! Estás tão bonita - dizia uma colega da escola para uma aluna. Eu olhei de imediato para a rapariga, loucamente à procura desta diferença merecedora de tamanha exclamação, mas de facto a miúda estava exactamente igual a todos os dias (achava eu).
- Obrigada, professora. - respondeu ela com um sorriso tímido. Se ela confirmava a afirmação é porque certamente ela tinha alguma coisa nova, eu só não conseguia perceber o quê!
- Onde é que arranjaste a sobrancelhas? - as sobrancelhas?? A sério? Não chegava mesmo lá, mas eu não noto nada (pensei de imediato).
- Fui à cabeleireira.
- Estão muito bonitas, parabéns - rematou a minha colega. Eu sorri e acenei que sim, só numa de concordar.

quinta-feira, maio 29, 2008

Estás aí?


A existência de algo superior não é e (creio) nunca será consensual. Uns acreditam, outros nem por isso, mas a ideia da Sua existência não deixa de incomodar muita gente, principalmente àqueles que não o assumem como real. Para muitos que não crêem é a possibilidade de existir algo ou alguém que nos conhece de trás para a frente e nos sabe como ninguém. Sabe todos os nossos passos e, pior ou melhor ainda, sabe as nossas intenções. Para quem o assume é um apoio que se procura, é a certeza que se Ele é Pai, só quererá o melhor para os seus filhos e, nunca interferindo na liberdade humana que um dia nos concedeu, encaminha-nos no sentido da felicidade. Já muitos passaram por esta situação, num mau ou num bom momento (por norma nos maus porque quando estamos bem não precisamos de mais nada) ou apenas num momento em que nos deixamos questionar. "Estás aí?"

terça-feira, maio 27, 2008

O caminho mais fácil


Sempre me incomodou a ideia que o caminho mais fácil é sempre o pior. Que tudo o que se constrói de bom é, à partida menos tentador. Eu compreendo a aplicação desta regra se pensarmos naqueles que optam por estudar, entrar numa faculdade e fazer um curso superior. Sim, compreendo que seja uma ideia que assuste, que as pessoas não queiram dispender dos seus fins-de-semana e que, consequentemente, seja mais aliciante deixar a escola e começar a trabalhar. A ideia da independência e de um ordenado no final do mês é um argumento muitas vezes complicado de combater. Não compreendo a aplicação desta regra a uma opção de vida com drogas e excessos de alcool e tabaco. Não vejo de que forma possa esta ser uma opção mais tentadora. Será pela necessidade de pertença a um determinado grupo? Será pelas aparentes sensações que estas drogas prometem? Não consigo ver esta opção de vida como "a mais fácil" como tantas vezes se diz. É sabido que a sociedade enfrenta uma grave crise social e que todos os problemas que se sentem a vários níveis advêm deste problema social onde se perdeu a noção de valor ou responsabilidade. É uma situação que se começa a sentir agora, mas estou certa agudizar-se-á com o tempo porque, de facto, poucas pessoas há que se empenham para ultrapassar esta situação. Não sei qual é o caminho mais fácil ou mais difícil. Acredito que este julgamento deverá ser feito tendo em consideração todas as variáveis implicadas e não só aquelas que saltam primeira à vista. Agrada-me uma perspectiva de vida feliz a curto, médio e longo prazo. Parece-me, claramente, "a mais fácil" e a mais aliciante. Só temos de a descobrir.

segunda-feira, maio 26, 2008

Intervalo


Já há algum tempo ouvia esta música na rádio e só ontem a consegui encontrar. Fica no ouvido, gosto muito dela, por isso não posso deixar de a aqui partilhar. Per7ume e Rui Veloso:

Vida em câmara lenta,
Oito ou oitenta,
Sinto que vou emergir,
Já sei de cor todas as canções de amor,
Para a conquista partir.

Diz que tenho sal,
Não me deixes mal,
Não me deixes…

No livro que eu não li,
No filme que eu não vi,
Na foto onde eu não entrei,
Notícia do jornal
O quadro minimal… Sou eu…

Vida à média rés,
Levanta os pés
Não vás em futebois, apesar…
Do intervalo, que é quando eu falo,
Para não me incomodar.

Diz que tenho sal,
Não me deixes mal,
Não me deixes…

No livro que eu não li,
No filme que eu não vi,
Na foto onde eu não entrei,
Notícia do jornal
O quadro minimal… Sou eu…

Não me deixes já
A história que não terminou
Não me deixes…

No livro que eu não li,
No filme que eu não vi,
Na foto onde eu não entrei,
Notícia do jornal

O quadro minimal… Sou eu…
No livro que eu não li,
No filme que eu não vi,
Na foto onde eu não entrei,
Noticia do jornal
O quadro minimal… Sou eu…

domingo, maio 25, 2008

Expressão

Se a felicidade tivesse um rosto certamente seria este teu. Se pudesse catalogar e emoldurar a expressão de realização, não escolheria outra que não esta. O estado feliz de alma, o que vai de verdadeiro no coração, espelha-se desta maneira tão espectacular que é impossível não contagiar quem para ela olha. É como um virús bom que invade as pessoas que coisas positivas e esperanças. Haja alguém que dê bom testemunho que mostre abertamente que a felicidade existe e é experimentada.

sábado, maio 24, 2008

Hoje


Hoje se pudesse cruzar-me-ia apenas com gente gira e interessante. Com sorrisos sinceros e pessoas que transmitissem energias positivas. O respeito imperava entre todos, ninguém se chateava ou mal interpretava o próximo, todos conseguiam ver mais além. Este não seria mais um dia como tantos outros, mas o dia em que a tolerância e a simpatia eram palavras de ordem. O amor era espelhado e transmitido sem medos ou limites. Hoje se pudesse saia como é hábito à rua, mas com a certeza que tudo é bom e vale a pena. Que nada há a temer.

sexta-feira, maio 23, 2008

Chuva de ideias


Penso, logo existo.
Porque há momentos de profunda reflexão.

quinta-feira, maio 22, 2008

terça-feira, maio 20, 2008

Corpos de sonho


Gosto da companhia do rádio ligado (por norma na comercial) quando ando de carro. Distrai-me ouvir música variada. Não suporto nesta altura do ano a quantidade de anúncios de produtos dietéticos e anti isto e aquilo e que fazem emagrecer dia e noite e sei lá eu mais o quê. São imensos e cada vez que passam publicidade repetem duas vezes cada um dos milhentos produtos que fariam as delícias de muitos homens e mulheres. Chateia-me profundamente, mas fazer o quê? Mudo de estação de rádio e volto cinco minutos depois. Nesse entretanto meto à boca mais um quadrado de chocolate porque tenho uma linha a preservar.

segunda-feira, maio 19, 2008

Amo

Que bom que é saber que ninguém é perfeito. Amo a imagem da mulher que estava para ser apedrejada até à morte e a quem lhe foi salva a vida depois da frase "quem nunca errou que atire a primeira pedra". Temos todos episódios, frases, gestos, pensamentos ou atitudes que preferíamos que nunca tivessem acontecido, mas aconteceram. Umas reveladoras de quem somos, outras mal contextualizadas ou que saíram sem maldade ou que sairam por maldade num momento em que não se contém a impulsividade. Amo quando julgo e amanhã estou eu a cair naquele erro e que se calhar até nem era erro nenhum, mas eu julgava-o como tal. Amo quando quem julga engole em seco quando não conseguiu ser melhor que o comum mortal. Amo porque o outro tem uma pestana no olho e eu não vejo a venda que tenho a tapar os meus. Amo e vou continuar a amar enquanto eu continuar a julgar e enquanto os outros continuarem a julgar.

domingo, maio 18, 2008

Casados


Ontem foi o casamento. Um dia cheio de coisas boas, de pessoas bonitas, de boa disposição e de alegria. Assistíamos ao início de mais uma família na qual acreditamos e depositamos muita da nossa confiança. Dizia-me uma colega de trabalho esta semana "precisamos de famílias que valham a pena" e sei que aqueles dois amantes certamente farão a diferença pelas escolhas de vida que têm feito e continuarão a fazer. Um dia que certamente não sairá das nossas memórias tão cedo. Uma energia encontrada junto daquelas pessoas que desejo que sejam muito felizes. E felizes para sempre.

sexta-feira, maio 16, 2008

Coisas de gaja


Sou daquelas mulheres que feliz ou infelizmente acredita que consegue fazer quase tudo. Leio sobre os assuntos, observo quem sabe o que faz e experimento fazer sozinha. Só não corto o cabelo em casa por razões que me parecem óbvias, de resto atrevo-me a tratar de mim. Diz o calendário que amanhã tenho um casamento e resolvi tirar o dia para me entregar a profissionais. Nunca me tinha metido nestas coisas de manicures e pedicures, mas há sempre uma primeira e eu achei que esta seria uma boa altura para o experimentar. Em dia de folga pus-me desportiva de ténis e roupa larga e lá fui eu decidida.
- Bom dia menina, diga.
- Bom dia, quero fazer manicure.
- Agora?
- Sim, agora.
Lá me sentei confortável e esperei que tratassem de mim como mereço. Olhei triste para o reflexo dos meus nervosismos. Quem acaba sempre por pagar são as minhas mãos, não necessariamente as minhas unhas, mas encontro peles onde elas não existem e só faço asneiras com os dentes. Fiz um momento de mea culpa e pensei "definitivamente tenho de acabar com este mau hábito". Enquanto ela observava atenta as minhas mãos senti um misto de sensações: por um lado um orgulho das minhas mãos bonitas, por outro uma enorme desilusão porque as estrago quando as meto na boca quando as preocupações apertam. A solução? Tenho de me ver livre de todas as preocupações da minha vida (lol).
- Como quer pintar?
- Uma coisa discreta, com a ponta da unha em branco.
- Quer uma francesinha. Muito bem. - a francesinha dispenso, fico-me só pela manicure. Estes diminutivos ficam engraçados.
E lá estive perto de uma hora com ela a olhar para mim. Terminado o trabalho é hora de deixar secar.
- Esta é a parte pior - comenta ela - o verniz demora a secar, está com muita pressa?
- Não, nada (tirei o dia para isto, pensei para comigo.)
- O verniz só fica definitivamente seco ao fim de duas horas.
DUAS HORAS? Pensei eu... Andava mesmo a leste destas coisas. Fiquei uma meia hora de dedinhos estendidos.
- Cuidado - alertava a rapariga - não se esqueça que não pode tocar em nada porque ainda não está definitivamente seco.
- Sim, obrigada. Serei prudente. - saí com um sorriso e com os dedos todos afastados uns dos outros e de gestos controlados não me fosse (literalmente) saltar o verniz.
(Umas horas mais tarde estava na hora da pedicure. Sim, sim, hoje foi mesmo tudo a rigor)
- Boa tarde, era para fazer a pedicure.
- Sim, claro, sente-se nesta cadeirinha - adoro estes diminutivos, é o segundo do dia, ficam sempre bem.
Sentei-me e pus os pézinhos de molho, lá andou de volta de mim: uma para aqui, pele para ali, uma massagem e outra e pronto. Uma hora e qualquer coisa depois estava despachada e também precisei de uma meia hora para deixar secar o verniz. Este foi mesmo um dia para isto. Foi engraçada a experiência e o resultado.

quinta-feira, maio 15, 2008

Sem medo


De consciência tranquila. Sem medo do hoje ou do amanhã ou do ontem que não se evitou. Sem medo de errar porque errar é humano e é através do erro e da reformulação que crescemos, nos tornamos mais fortes e podemos um dia chegar bem perto da perfeição. Sem medo dos gestos e das palavras que saem por amor verdadeiro, gratuito e sem maldade. Sem medo de expressar o que vai na alma porque para a verdade tem de haver sempre espaço. Sem medo de bater a porta quando a solução é esta e não outra porque a vida fez-nos livres e quer-nos felizes e está nas nossas mãos a construção desta felicidade e contribuirmos positivamente para a realização daqueles que partilham as suas vidas connosco. Sem medo de expressar um sentimento nobre através de palavras e gestos, de revelar a dificuldade de uma perda, de pedir ajuda quando nos falta o ar ou pedir que alguém acenda uma luz quando as trevas e a escuridão nos impede a coerência. Sem medo de assumir um fracasso fruto das nossas próprias mãos ou vítima de uma conjuntura desfavorável. Sem medo. Sem medo. Sem medo.

quarta-feira, maio 14, 2008

terça-feira, maio 13, 2008

Cama

A cama que faço é a cama em que me deito, diz o ditado e muito bem. A cama que escolhi é doce e macia. Trato-a com cuidado e tenho-a sempre em ordem. Tudo faço para que seja perfeita, se mantenha ordenada e organizada. Quando me deito nela espero encontrar sossego porque é sossego que lhe dou. Quando me enrolo nela é conforto, consolo e verdade que procuro. Ela tem a forma daquilo que move a minha vida e quero para o meu amanhã. De tudo poderei abdicar menos da fidelidade ao meu coração e do seu desejo sincero de ser tudo em tudo o que faz, de dar tudo ao que encontra e ama, com inteligência e bom senso. Não quero dar só valor àquilo que perco. Quero todos os dias preparar a cama mais confortável que conseguir para pautar a minha vida de tranquilidade e relaxe e quando nela me deitar, adormecer com um sorriso quando reviver o que fiz e o que fui e perceber que tenho na medida desmesurada em que dei.

segunda-feira, maio 12, 2008

Amarelo


Esta noite perdi mais um fiel companheiro. Este nunca foi muito dado a proximidades, gostava de ficar na sua e quanto menos dessemos por ele, mais feliz ele ficava. Mas já fazia parte da casa e da nossa rotina, depois de partilhados quase dez anos connosco. É uma perda que sinto.

domingo, maio 11, 2008

Detalhes


Há detalhes que marcam. Há pormenores que transparecem algum requinte e bom gosto. Mas para conseguir reunir este conjunto que separará o vulgar do extraordinário não basta só querer, é preciso ser. A diferença faz-se na reunião e não na unidade.

sábado, maio 10, 2008

Broken heart


Todo o amor é eterno até ao dia em que acaba.
Apesar de eu não acreditar nisto.

sexta-feira, maio 09, 2008

E para a menina?


É um café cheio e com natas, por favor.

quinta-feira, maio 08, 2008

Rotina


Querido dono, olá, como estás? Escrevo-te este bilhete porque não posso verbalmente comunicar contigo. Quero agradecer-te pela rotina que partilhas comigo. À semelhança do que nos dizia o Principezinho, quando se aproxima a hora de me levares à rua já nem suporto a ansiedade que sinto. Sou-te grato e fiel, bem o sabes, mas coisas há que nunca são demais salientar e esta é uma delas. Tratas de mim, preocupas-te comigo e eu gosto de sentir o teu carinho. Estou agarrado a ti como a mais ninguém. Posso até aceitar satisfeito as festas de um estranho, brincar com mais alguém que se aproxima, mostrar-me irrequieto com a chegada de um familiar, mas ninguém nunca ocupará o lugar que te reservo. Devo-te tudo. Protejo-te sem que dês por isso. Na tua casa não entram pessoas indesejadas, tenho todos os movimentos controlados, nada me escapa. É o mínimo que posso fazer por ti depois de tudo o que fazes por mim. Obrigado por tudo e até logo. À hora que chegas do trabalho e que estou à porta à tua espera, em que pousas a pasta que trazes e agarras na minha trela e juntos vamos aos sítios de sempre, mas que não me cansam porque me basta a tua companhia e a concretização da nossa rotina.

quarta-feira, maio 07, 2008

terça-feira, maio 06, 2008

Doces sensações

Atreves-te a uma chuva de sensações granuladas e coloridas? Ela tem para te oferecer esta doce e estimulante experiência, desejando que seja tão bom para ti quanto para ela.

segunda-feira, maio 05, 2008

Sonhar


Muitos marcados e magoados pela vida questionarão se vale a pena sonhar. A desilusão por que já passaram impede-os de construir castelos no ar porque sabem que ventos inesperados farão cair por terra os sonhos que construiram. Sonha-se com um emprego ideal, com um salário razoável, um carro potente, uma casa vistosa, um melhor amigo sempre presente que não cobra e não julga, um companheiro/a que nos complete e seja eterno. Um amor que seja eterno. Uma relação eternamente feliz. Sonhar faz com que nos sintamos vivos. O sonho move o homem na concretização dos seus objectivos, é no sonho que carrega forças e energias que o impedem de desistir. É na realidade da impossibilidade de atingir estes sonhos que se reavaliam os critérios, as premissas e as exigências e nos tornamos mais flexíveis, mais conformistas, na verdade, mais realistas. Contudo, é no sonho que tudo começa e esse ninguém nos tira. Mesmo nunca o alcançando ele vive dentro de nós, é um motor que não devemos deixar ir a baixo.

domingo, maio 04, 2008

Maternidade



Em dia que se diz da mãe deixo um episódio curioso. Uma colega de escola sempre disse que planeava ter cinco filhos. Tinha tudo programado: pretendia deixar de trabalhar porque o marido felizmente tem um bom ordenado, capaz de sustentar uma família numerosa. Casaram e são, tanto quanto sei, um casal muito feliz. Há tempo encontrei-a e uma vez que já passa dos trinta anos e já está casada há algum tempo a conversa da descendência foi inevitável. Ela olhou-me muito séria e disse:
- Eu gostava, mas cada vez que penso em tudo aquilo que tenho de abdicar para ter um filho, questiono se valerá a pena. - Não esperava esta resposta depois de tantos planos e planos ambiciosos. Eu acho que vale sempre e vale muito a pena.

quinta-feira, maio 01, 2008

Sunshine


O sol quando nasce, nasce para todos.
Ele quando brilha, brilha para todos.
Ele sorri para quem lhe sorri também
porque os outros nem repararam que ele estava lá.

quarta-feira, abril 30, 2008

terça-feira, abril 29, 2008

Mãos II


Mãos que denunciam a idade, que não aceitam plásticas e incapazes de disfarçar o tempo que já passou. Cicatrizes que contam histórias de momentos vividos, de tempos que já lá vão. Mãos com linhas definidas para muitos reveladoras de destinos, para tantos apenas mais uma marca do tempo que as teima em vincar. Mãos secas pelo tempo que as atacou sem dó nem piedade. Mãos que se orgulham de por onde já passaram, do que ajudaram a crescer e do que fizeram. Mãos que não se cansam de amar. Passem os anos que passarem a vontade de se abraçarem permanece como há setenta anos atrás. Tudo mudou, menos isto.

segunda-feira, abril 28, 2008

Mãos

Mãos que mexem, experimentam e exploram. Mãos que percorrem livros, escrevem versos e sentem texturas. Mãos que limpam, arrumam e lavam. Mãos que agarram, abraçam e acariciam. Mãos que se tratam, que se cuidam e se hidratam. Mãos que aplaudem, escondem a vergonha e castigam. Mãos que se multiplicam em gestos, que comunicam e que dão a entender. Mãos que seguram, que suportam e atiram. Mãos que falam por si porque as mãos não têm mãos a medir.

domingo, abril 27, 2008

Primeiro dia de praia


O sol estava quente e apetecia. As notícias mostravam as praias cheias de gente deserta de sentir o calor na pele e banhar os pés no mar. Foi hoje o meu primeiro dia de praia. Por um lado a cabeça estranhava ainda estar em Abril e já de bikini vestido, por outro os factos não permitiam argumentos e a verdade é que se estava muito bem de toalha estendida. O sol tem este poder de nos redobrar energias e regar de boa disposição. Cheira a Primavera, mas já sabe a Verão. Começo uma nova semana (igualmente reduzida) com uma cara nova e um sorriso reforçado. Comecei muito bem esta época balnear.

sábado, abril 26, 2008

Até ao fim do fim


Ontem tomei alguma atenção à letra desta música. É qualquer coisa de extraodinária, mas triste. A Ana Moura, que tem uma voz lindíssima, canta o amor que acaba. Eu não podia deixar de a partilhar aqui. O vídeo tem a letra (peço que seja dado o devido desconto aos erros ou a algumas das imagens, mas importava-me mesmo era pô-la aqui e divulgá-la porque acho que ela merece e não há um video oficial). Transcrevo a letra para quem queira ler o poema.
Então está tudo dito meu amor
Por favor não penses mais em mim
O que é eterno acabou connosco
É este é o principio do fim
Então está tudo dito meu amor
Por favor não penses mais em mim
O que é eterno acabou connosco
E este é o princípio do fim
Mas sempre que te vir eu vou sofrer
E sempre que te ouvir eu vou calar
Cada vez que chegares eu vou fugir
Mas mesmo assim amor eu vou-te amar
Até ao fim do fim eu vou-te amar
Até ao fim do fim eu vou-te amar
Então está tudo dito meu amor
Acaba aqui o que não tinha fim
P'ra ser eterno tudo o que pensamos
Precisava que pensasses mais em mim
P'ra ti pensar a dois é uma prisão
P'ra mim é a única forma de voar
Precisas de agradar a muita gente
Eu por mim só a ti queria agradar
Mas sempre que te vir eu vou sofrer
E sempre que te ouvir eu vou calar
Cada vez que chegares eu vou fugir
Mas mesmo assim amor eu vou-te amar
Até ao fim do fim eu vou-te amar
Até ao fim do fim eu vou-te amar
Mas mesmo assim amor eu vou-te amar
Até ao fim do fim eu vou-te amar
Até ao fim do fim eu vou-te amar

sexta-feira, abril 25, 2008

quinta-feira, abril 24, 2008

Todo o amor do mundo


Queres saber o quanto gosto de ti, meu amor? Multiplica as gotas do mar, pelos grãos de areia da terra. Soma-lhe as estrelas do céu, planetas e cometas do universo e volta a multiplicar este resultado pelas folhas que as árvores da terra choram em cada Outono. Desculpa a humildade do meu sentimento. Quero ainda que acrescentes as pétalas de cada flor, todos os animais habitantes do planeta terra e voltes a multiplicar pelo número de beijos trocados em cada ano que passa, por cada palavra proferida pela boca dos justo porque da boca dos impuros saem conversas vazias e mentirosas. Importam-me ainda todas as palavras escritas e as fotografias tiradas. Faz estas somas e estas multiplicações e ficarás com uma pequena ideia daquilo que sinto por ti. O meu amor é brilhante como as estrelas, fino como a areia, colorido como as flores, repleto de palavras e sonoridades, imenso como só o universo o sabe ser. Talvez assim seja todo o amor. Eu só conheço aquele que me mostraste e ensinaste. Este que assim to apresento.

quarta-feira, abril 23, 2008

Entre o sonho e a realidade


É nos sonhos que muitas vezes nos deparamos com o que não resolvemos na nossa vida. As pessoas aparecem nas mais variadas formas e as situações em que se encontram parecem não fazer qualquer sentido. No fundo é apenas o nosso inconsciente pouco satisfeito com o rumo que as coisas levaram que nos faz ressuscitar estes mortos. São aspectos da nossa vida que queríamos esquecidos, mas teimam em nos visitar de tempos a tempos sem aparente explicação.

terça-feira, abril 22, 2008

Shuack!


E tu? Já deste um beijinho hoje?

segunda-feira, abril 21, 2008

A morte do artista


A tentação pode ser a morte do artista.
No princípio: uma palavra gabada, um gesto irreflectido ou uma ilusão.
No final um arrependimento.

domingo, abril 20, 2008

Amo porque quero


Principezinha, quem te disse que o amor é um sentimento, enganou-te. O amor é uma vontade. As pessoas amam-se porque querem amar-se porque se reconhecem uma na outra e porque vêem nela aquilo que querem para si. É por isso que se procura aceitar o outro como ele é porque é a nossa vontade aceitá-lo como é. Quem não aceita, não ama. Todos os homens e mulheres são ideais na medida em que tu fazes delas pessoas ideais, julga-las ideais para ti e te deixas enamorar. Sabes que essa pessoa te fará feliz por isto e por aquilo, mas também sabes que terás de aceitar e viver com o facto de ela ser assim e assado. Importa a tua atitude. O verdadeiro amor não é mais que a procura do verdadeiro/a companheiro/a para a vida. A pessoa em quem depositarás a tua confiança e que arriscará contigo a partilha de tudo. A paixão todos sabemos é um estado de alma passageiro e fugaz que serve para alimentar emoções fortes e nos faz sentir que a vida existe. O amor transporta a serenidade da companhia que até poderá ser silenciosa, mas é a tua companhia em todos os teus momentos. O amor da tua vida está contigo porque te escolheu e tu a ele por isso não tens dificuldade alguma em explicar o porquê da sua permanência na sua vida. Tu sabes perfeitamente aquilo que move o teu coração e a razão de ele um dia te ter sussurrado, é ele, estima-o. Nem todos os casais conseguem este comum "acordo" de vontades e as relações vêm e vão como as andorinhas da primavera. São umas vontades convictas associadas a necessidades temporárias de paixão intensa que naturalmente acabam mal para quem se deixou amar, prender. Dentro de ti certamente pensarás que estou a racionalizar os sentimentos, a menosprezar o aperto que se sente no coração, a saudade que nos atormenta, mas não estou. Tudo isso e muito mais do que possas imaginar acontece, mas acontece porque a tua vontade de amar uniu-te de tal forma a este alguém que ele passa a fazer verdadeiramente parte de ti. Ninguém pode temer o amor. Todos o temos como algo de superior e bom. É talvez o primeiro e único "sentimento" que nos venha à lembrança como o melhor do mundo. Não temas quem ama, teme quem faz de conta que ama.

sábado, abril 19, 2008

Actos perfeitos


Quando o corpo inquieto se procura conhecer numa busca calma e intensa, não há espaço para medos ou pudores, limites ou questões. A verdade nua do corpo destapado e sem vergonha num acto de amor só pode ser qualquer coisa de infinitamente e inquestionavelmente perfeita. A experiência partilhada dos amantes sem tabus, que se entregam ao que a Natureza lhes deu de melhor. Uma vez encontrados homem e mulher numa união de esforços que só os realiza e fortalece construam o caminho da felicidade.

quinta-feira, abril 17, 2008

Ponho o carro, tiro o carro à hora que ela quiser


Ausência minha derivada a problemas que me ultrapassam...
Conto a peripécia de hoje: noite de tempestade, a escola já inundava, os alunos estavam todos molhados e pediram para sair mais cedo porque não estavam de facto no espírito e eram tão poucos e em tão mau estado de conservação que queriam era ir para casa. Concordei e lá vim para casa, deserta para calçar umas pantufas. Quando vou para meter o carro na garagem tenho um carro a tapar a entrada. Não havia um único lugar para o deixar, lá tive de esperar. Entretando a polícia foi chamada ao local. Como seria de esperar o senhor polícia disse que não havia nada a fazer senão esperar que o dono chegasse, nem que isso implicasse ficar ali plantada até de manhã. Como se não bastasse dada a agitação sentida as pessoas começaram a vir à janela e a dona do carro denuncia-se. Desce com arrogância e carregada de razões como a uma boa condutora portuguesa compete. Falo eu que sou mulher, encartada e muito uso faço à minha carta de condução: envergonha-me ter de assistir a coisas destas. Choca-me a falta de educação e respeito que reina entre as pessoas que sem razão, sem enchem de razões.

terça-feira, abril 15, 2008

Uma relação feita a dois


Uma relação faz-se a dois. É no amor que ambos sentem um pelo outro que tudo ganha sentido à medida que o tempo avança e que é de livre e espontânea vontade que ambos continuam um com o outro na construção de uma vida mais feliz, mais plena, mais bela e mais doce. Quem crê que o amor e a vontade de um chega e sobra pelos dois, cai num erro grave que lhe trará um amargo de boca mais cedo ou mais tarde. Há espaço para os dois intervenientes e cada um tem o seu papel e tem o seu contributo. Acredito ainda que aqueles que se querem bem devem-se estimar. É na verdade das palavras e na transparência com que as pessoas se apresentam que o amor pode crescer saudável. Tudo isto numa relação a dois.

segunda-feira, abril 14, 2008

Podia ser um dia como tantos outros



O céu para mim hoje estava branco e as nuvens que o coloriam eram cor-de-rosa, amarelas e cor-de-laranja. O dia tinha a cor do sorriso de uma criança e comida assemelhava-se a uma mistura de gelado de morango com chantili e gomas no topo. O sol aquecia como nos dias de verão e as pessoas não andavam atarefadas ou com cara de segunda-feira. Todas expressavam no rosto a alegria do Domingo solarengo com promessa de praia e boa companhia numa esplanada interessante. Os pássaros pousavam no meu ombro e sussurravam-me palavras de bom dia. Contavam-me também como é engraçada a vista do cimo de uma árvore. Troquei meia dúzia de gargalhadas com estas suas confidências a que poucos têm acesso. A estrada não tinha buracos ou trânsito, todos circulavam pacificamente e sem pressas. Os condutores cediam passagens e sorriam para os aprendizes que estão sempre denunciados pelos carros carregados de publicidade das escolas de condução e pela companhia algo suspeita que alguém que os acompanha com cara de instrutor. Não enganam ninguém. Quando cheguei a casa procurei um cobertor e adormeci quente agarrada a ele. Na televisão noticiavam as maravilhas e as alegrias do nosso mundo. As pessoas transmitiam as razões das suas felicidades, os políticos anunciavam as melhorias já sentidas por todos e os jornalistas sentiam-se especiais porque não continham em si a alegria de espalhar tanta coisa boa. O sol pôs-se como de costume, era chegada a hora de mais alguém voltar para casa. Fui acordada pelo beijo doce daquele com quem sonhava. Deitou-se ao meu lado e adormecemos os dois.

domingo, abril 13, 2008

Amor verdadeiro


Amor verdadeiro, verdadeiro amor,
pessoa que me lê nas entrelinhas
aquele a quem sempre me apresento transparente
com quem divido as esperanças minhas
e que me rasga de contente
porque sei que existe e está comigo
porque experimento a felicidade e estou contigo

sábado, abril 12, 2008

Falar chinês


Falamos decididamente e definitivamente línguas diferentes. A diferença entre os casais é que uns esforçam-se para que a comunicação aconteça e desdobram-se para se fazer entender e entender o próximo e outros preferem julgar porque as mulheres são isto e aquilo e porque os homens são assim e assado. Parece complicado, mas a complicação está toda nas pessoas.

sexta-feira, abril 11, 2008

Contadora de histórias


Quando for grande quero ser contadora de histórias. Quero entrar dentro de todas as cabeças que se voltarem para me ouvir e enchê-las de mundos criados por mim, de pessoas que na sua humanidade sejam capazes de marcar a diferença e fazer história. Não há nada pior que um pobre de espírito. A pobreza exterior é aquela que nos entra pelos olhos a dentro, a pobreza interior vai-nos directa ao coração e num ápice reflecte-se no aspecto. As minhas criaturas serão especiais, humildes de aspecto, mas milionárias por dentro. Quem me ouvir saberá que não passam de ideias que me invadem o pensamento, mas ninguém se importará com a minha meia verdade, todos sabem que ela é a verdade que todos desejam. Todos sabem que sou uma mera contadora de histórias.
Os meus finais serão felizes para quem merece, serão justos para quem fez por isso, serão o reflexo daquilo que cada um deu para construir o seu pedacinho de mundo. Este mundo que cada um ajudou a desenvolver é também o mundo dos outros: escrevemos, colorimos, rabiscamos e até somos capazes de apagar num mundo que não é só nosso. O meu palco é humilde. Sou eu quem dou cara e voz àqueles que nasceram dentro de mim. Sou eu que os conduzo onde quero. Sou a omnipresente e omnipotente que eles sabem que existe, mas insistem ignorá-la na esperança que os podres sejam esquecidos ou nem cheguem nunca a ser reconhecidos por alguém.

Ponho a mochila às costas deixo-me levar pelo sabor do vento. Onde ele me depositar aí me deixarei ficar até que a minha história acabe e eu possa dar início a uma nova. A um novo capítulo da minha telenovela e faça valer aquilo que sou: uma contadora de histórias.

quinta-feira, abril 10, 2008

Horas perdidas


Odeio a segurança social. Acho que já o tinha aqui comentado. Para grande infelicidade minha tive de lá ir hoje e numa hora e meia que lá estive à espera sabem o que consegui? Um papel! Uma hora e meia à espera de uma senhora que me entregaria um papel, mas que não mo podia receber porque para isso tenho de tirar uma senha às 9h da manhã porque elas esgotam pouco depois dessa hora. Comentava o segurança comigo que as pessoas passam o dia inteiro ali sentadas à espera da sua vez. Concordei que isso é muito bom para quem não faz nada na vida, mas para quem trabalha é impensável uma coisa dessas. A resposta dele foi: falta ao trabalho. Sinceramente, eu não posso ser deste mundo... E nem quero um mundo destes.

quarta-feira, abril 09, 2008

Nada nos separará


Porque valores maiores se levantam. E nós somos um valor mais alto.

terça-feira, abril 08, 2008

Em Portugal a aprender português


Comecei ontem mais um curso de português para estrangeiros. Desta vez tenho uma aluna inglesa ainda jovem.
- Porque veio para Portugal aprender português?
- Porque o meu namorado é português e quero falar com a família dele em português.
- Bonita razão... (depois de mais dois dedos de conversa em que falavamos de aspectos gerais nome, apelido, idade, eu pergunto-lhe:) Qual é o seu estado civil?
- Sou noiva. - não contive o sorriso pela espontaneidade com que dá esta resposta, esperava que me respondesse solteira depois de olharmos para os vários estados civis.
- Muito bem, então vão casar é isso?
- Sim, para o ano. Em Inglaterra programamos os casamentos com um ano e meio de antecedência. O meu namorado pediu-me em casamento aqui em Portugal e fez uma festa muito grande. Foi muito bonito e fiquei muito comovida. Agora percebo porque me apaixonei à primeira vista por ele. Só podia ser português. Só ele para me fazer assim feliz.

segunda-feira, abril 07, 2008

My pet


Pareço eu cada vez que vejo um pássaro à minha frente.

domingo, abril 06, 2008

Liberdade


Mão cheia de nada.

Mão livre de tudo.

sábado, abril 05, 2008

Acordar para a vida


Conversava com uma colega e sem que eu estivesse à espera ela pergunta-me "tu não sabes o que queres para ti?". Foi inesperada a intervenção dela e senti-a como uma chapada que nos dão na cara quando nos deixamos adormecer. Literalmente acordei para a vida naquele momento. Rapidamente respondi-lhe "sim, sei, claro". E sei de facto.

sexta-feira, abril 04, 2008

No final da semana

Estava por aqui entretida a ouvir uma meia dúzia de músicas que me dizem qualquer coisa e estava a pensar na semana que tive. Uma semana linda com um sol enorme e quente que brilhou para nós todos os dias. Somos de facto muito sensíveis à forma como o tempo se apresenta. Eu mal acordava e me deparava com um cenário de sol sentia-me com outra disposição para fazer fosse o que fosse. Foi uma semana intensa de trabalho, muitas coisas para fazer, a tese (ainda) em reformulação e a necessidade de responder a outros desafios profissionais que felizmente vão aparecendo e que muito me têm enriquecido a nível pessoal e profissional. Marcou-me muito ter iniciado a semana com uma série de acidentes rodoviários graves e muito graves. Desta semana ficam-me ainda duas conversas interessantíssimas com dois colegas de escola. Ambos seguramente da mesma idade (cinquentas e qualquer coisa), um homem e uma mulher com percursos mais ou semelhantes e mais ou menos sem nada a ver e que não se conhecem. Gosto muito deste olhar materno e paterno que estes colegas têm para connosco e da forma como nos tentam alertar para isto e para aquilo numa atitude de acolhimento brilhante e absolutamente calorosa. Ouço-os sempre com muita atenção, sei que têm muito para me ensinar, sei que gostariam que evitassemos os erros que cometeram no passado, que gostavam que não dessemos certas cabeçadas que custam a curar. Gosto tanto de saber que me cruzei com estas pessoas e que saí/sairei positivamente marcada por elas. É bom, muito bom.

Gosto muito da letra da música que deixo. Estava por aqui entretida a ouvi-la vezes sem conta. Sinto que se adequa ao tema. Já uma vez deixei num post uma frase desta música. Não deixo o videoclip porque ele não existe, mas fica pelo menos a música.

quinta-feira, abril 03, 2008

Key to my heart


I've lost my key. Can you help me finding the key to my heart?