És o ícone da noite, és influencia nas nossas vidas, ditas as marés e marinheiros, prendes os nossos olhares, delicias os nossos serões, espantas pela forma como te apresentas, deixas saudade quando não te encontramos, inspiras os amantes, és de tantos confidente, de outros tantos conselheira, de muitos outros motor de vida ou de morte. Não há quem nunca tenha parado só para te admirar: nos eclipses fixas atenções, cheia iluminas as noites escuras, transparente desafias-nos à tua procura. Não és indiferente a ninguém. Não és estranha. És a companheira fiel de todas as noites.
Há dias que nos reservam alegrias, sorrisos, boa disposição. Outros reservam-nos filas de trânsito intermináveis, semáforos vermelhos e condutores com pouca educação. Noutros o trabalho corre lindamente, noutros é só assim-assim, noutros então nada corre nada bem e só desejamos que acabe o mais depressa possível. Noutros dias estamos sozinhos no banco triste que também estava sozinho. Noutros dias há quem partilhe o banco connosco. Nuns dias as nossas mãos abraçam-se uma à outra sozinhas, noutras abraçam a mão que desejam abraçar. De manhã quando o despertador toca nunca sonhamos para o que estamos reservados. O dia hoje reservou-me uma chuva de sorrisos e boa disposição, um trânsito fluente e sem problemas, uma praia cheia de gente, uma mão bem abraçada, a melhor companhia do mundo e a alegria de um dia sereno e tranquilo porque é esta a vida que quero para mim. Tranquila, serena e contigo.
Descobri esta série da RTP há algum tempo e confesso a simpatia que sinto por ela. É uma série que representa a sociedade portuguesa em 1969 e, tanto quanto pude apurar, trouxemos a ideia de uma versão espanhola. O conceito é engraçado e a execução não fica atrás. Gosto particularmente do miúdo mais novo e das teorias daquela criança Da altura que tenta gerir o que vê, com a vida familiar, com a pressão da escola e natural influência da igreja e dos seus ensinamentos (e privações). Deixo um excerto do episódio.
Dança, dança bailarina que os pés escrevem poemas quando te deixas embalar pela música que toca na tua cabeça. Desenhas serpentinas nos teus suaves movimentos. Rasgas sorrisos e despertas invejas de quem queria voar como tu brincar como tu ser livre como tu és livre quando calças as tuas sapatilhas e te deixas levar pela música que toca na tua cabeça.
Ouvi esta música no rádio e não queria acreditar nesta letra. Só se lembram de passar ideias estúpidas. Fez-me lembrar os Morangos com Açucar que vi esta semana. É raro, mas uma vez no ano e sempre nas férias (porque será?) vejo para ficar com noção do que lá se passa. Esta semana uma rapariga raptou o rapaz e queria engravidar dele. Enfim, conhecidos e reconhecidos os problemas de gravidezes na adolescência e sabida a vulnerabilidade destas idades e a intensidade das paixões que vivem (e a dificuldade em medirem as consequências reais daquilo que fazem) dão estes exemplos. Não podia deixar de aqui comentar a minha preocupação. Deixo a música e a letra.
This was never the way I planned Not my intention I got so brave, drink in hand Lost my discretion It's not what, I'm used to Just wanna try you on I'm curious for you Caught my attention
I kissed a girl and I liked it The taste of her cherry chapstick I kissed a girl just to try it I hope my boyfriend don't mind it It felt so wrong It felt so right Don't mean I'm in love tonight I kissed a girl and I liked it I liked it
No, I don't even know your name It doesn't matter Your my experimental game Just human nature It's not what good girls do Not how they should behave My head gets so confused Hard to obey
I kissed a girl and I liked it The taste of her cherry chapstick I kissed a girl just to try it I hope my boyfriend don't mind it It felt so wrong It felt so right Don't mean I'm in love tonight I kissed a girl and I liked it I liked it
Us girls we are so magical Soft skin, red lips, so kissable Hard to resist so touchable Too good to deny it Ain't no big deal, it's innocent
I kissed a girl and I liked it The taste of her cherry chapstick I kissed a girl just to try it I hope my boyfriend don't mind it It felt so wrong It felt so right Don't mean I'm in love tonight I kissed a girl and I liked it I liked it
O dia hoje foi mais uma vez para mim. Dediquei-me às mais femininas acções da depilação à unha pintada até ao desfile por casa de vestido e salto alto. Amanhã é dia de festa.
Há lá imagem mais feliz e mais doce que a de uma criança que descobre o mundo, explora o espaço, interpreta as imagens, cria o que vê e o que sente e se multiplica em ternura e inocência. Nós que vemos, somos invadidos e contagiados por elas. Somos crianças outra vez.
Parece que estou de volta outra vez. Queria ter aqui anunciado a minha ausência para umas férias merecidas. Na verdade foram só uns dias fora, uma ida até terras algarvias. A verdade é que o "nosso" cantinho no Algarve é calmo, mesmo nesta altura de congestionamento. Os dias foram muito bem passados, a praia estava excelente e o coração cheio de coisas boas. A cabeça ficou limpa, sem nada, exactamente como eu queria. Estou de volta e em mim carrego uma paz indescritível. Sim, outro momento de paz. Que bom encontrar-me e reencontrar-me comigo e com a paz com que desejo viver. Estou irremediavelmente feliz.
O post de hoje foi sugerido por dois amigos (e por isso é-lhes dedicado). Neste site temos a possibilidade de escrever uma carta que será guardada pelo site e posteriormente ser-nos-á enviada na data que desejarmos (um ano depois, 2, 3... Enfim, a data limite é 2037). A ideia é de recebermos algo escrito por nós próprios, numa altura em que já nem nos lembravamos que o tinhamos feito e somos surpreendidos por nós próprios, por aquilo que éramos, pelo que fazíamos, tudo dependerá do conteúdo da nossa carta. A experiência parece interessante, apesar de poder acarretar alguns problemas se, por exemplo, formos muito pormenorizados ou entrarmos em detalhes expectativas para o futuro e desejos que, anos(s) mais tarde quando recebemos, percebemos que não se concretizaram causando alguma frustração ou desânimo. Fica a sugestão para quem se quiser aventurar e a divulgação do site que nunca é demais saber o que a Internet tem para nos oferecer: http://www.futureme.org/
As discussões entre pessoas que se amam são das mais dolorosas que há. A razão é simples, as trocas de palavras e argumentos magoam efectivamente muito porque as pessoas são especiais e dizem-nos muito. A mesma conversa da boca de um estranho ser-nos-ia indiferente, dita por este alguém dói, ofende e custa muito a perdoar. Esta é uma situação igualmente complicada de gerir porque há pessoas que tendo consciência disto aproveitam-se para magoarem ainda mais. É eu ter uma pedra na mão e saber que se a atirar à cabeça de uma pessoa com quanta força tenho que de certeza o deixarei muito mal tratado e ainda assim o faço consciente e com intenção. O resultado é naturalmente o pior possível por isso não sei se vale a pena entrar neste tipo de jogo em nada produtivo (bem pelo contrário) e tão desgastante para ambas as partes.
Passamos um ano inteiro a sonhar com o verão. Suspiramos pelos dias quentes, pelas noites que apetecem, pelos gelados de três andares, pelas roupas frescas, por tudo aquilo que só o verão nos consegue trazer. E que bom. É finalmente verão, o último dia do mês de Julho e questionava-me agora como o tempo voa. Dentro de pouco tempo encher-se-ão de livros, cadernos e dicionários as prateleiras das papelarias e dos hipermercados. Há tempos reparei que as lojas já estão cheias de novas colecções de Outono que me causaram um misto de arrepio e de vontade de sair a correr porque a última coisa que me apetece ver neste momento é casacos, mangas compridas e calças de bombazine. Somos de facto um pouco o produto do comércio e das lojas que viciam o tempo e as nossas vidas desta forma. No fim de semana passado as lojas encheram-se de Outono e Inverno, numa altura em que provavelmente metade da população portuguesa ainda nem sequer entrou de férias quanto mais pensar em dias frios e folhas caídas. Tenho pena que nos acelerem o tempo desta forma quando ele naturalmente já nos foge tantas vezes de controlo porque andamos empenhados nas nossas tarefas e só damos conta do tempo que passa quando uma criança que não vemos há algum tempo se aproxima, em conversas de longa data de acontecimentos passados que afinal já lá vão 5 ou 10 anos e não 1 ou 2 como o tempo psicológico nos fazia crer. É a sociedade do amanhã em que estamos porque o ontem já passou e o hoje já foi programado ontem, importa de facto o dia de amanhã que amanhã será somente o dia do dia anterior num carrocel de anos, meses e semanas que faço para que sejam, pelo menos, muito felizes.
Ela sabia-se preparada para o momento que se seguia. Olhava a janela com precisão como que em busca da concentração que precisava. Enquanto se perdia em pensamentos remexia levemente a saia rodada que tinha. Esperava-o. Ele chega em passos breves e mansos, quase sem se fazer notar. Ela sente apenas a respiração que sacode os seus cabelos e de imediato fecha os olhos para apurar todos os outros sentidos e deixar-se levar. Deixar-se sentir. Ele coloca uma mão no seu ombro e outro na sua cintura e lentamente volta-a para si. Nesse momento abrem-se os olhos e começa a música. Já nasceram com a coreografia decorada, só tinham de a deixar fluir. No final, acabada a música e com ela deitada a um palmo do chão, nos braços de quem a tinha atirado para aquela aventura, põe-se fim ao momento com um terno e apaixonado beijo que entregam um ao outro. Ouvem-se as palmas exageradas e entusiastas que brindam aquele enlace e pedem por mais.
Calhou em conversa o "fuma como um cavalo" e esta expressão aguçou-me a curiosidade de pesquisar a sua origem. Encontrei estas que não resisto a postar aqui hoje:
- No tempo da Maria Cachucha - A cachucha era uma dança espanhola a três tempos, em que o dançarino, ao som das castanholas, começava a dança num movimento moderado, que ia acelerando, até terminar num vivo volteio. Esta dança teve uma certa voga em França, quando uma célebre dançarina, Fanny Elssler, a dançou na Ópera de Paris. Em Portugal, a popular cantiga Maria Cachucha (ao som da qual, no séc. XIX, era usual as pessoas do povo dançarem) era uma adaptação da cachucha espanhola, com uma letra bastante gracejadora, zombeteira. - À grande e à francesa -Relativa aos modos luxuosos do general Jean Andoche Junot, auxiliar de Napoleão que chegou a Portugal na primeira invasão francesa, e dos seus acompanhantes, que se passeavam vestidos de gala pela capital. - Coisas do arco da velha - A expressão tem origem no Antigo Testamento; arco-da-velha é o arco-íris, ou arco-celeste, e foi o sinal do pacto que Deus fez com Noé: "Estando o arco nas nuvens, Eu ao vê-lo recordar-Me-ei da aliança eterna concluída entre Deus e todos os seres vivos de toda a espécie que há na terra." (Génesis 9:16) - Memória de elefante - O elefante fixa tudo aquilo que aprende, por isso é uma das principais atracções do circo . - Lágrimas de crocodilo - O crocodilo, quando ingere um alimento, faz forte pressão contra o céu da boca, comprimindo as glândulas lacrimais. Assim, ele chora enquanto devora a vítima. - Fila indiana - Forma de caminhar dos índios da América que, deste modo, tapavam as pegadas dos que iam na frente. - Não entender patavina - Alguns estudiosos dão como explicação o facto de os portugueses terem dificuldade em entender os mercadores e os frades franciscanos patavinos, isto é, originários de Pádua (italiano Padova, latim, Patavium). Mas não encontrei aquela que procurava...
Estive uns dias em silêncio por estas bandas. Uns dias sem computador ou Internet, desligada destes mundos. Também faz falta. Volto com a pele ligeiramente mais amorenada, com o coração cheio de amor e com um grande sorriso nos lábios. Sinto sossego, sinto calma e paz. É óptimo sentir-me assim tranquila. Limpar a alma e enchê-la de tudo o que importa. Refrescar a cabeça e encher os pulmões, suspirar de felicidade. Estes são, de certeza, os momentos da vida que realmente valem a pena. Os momentos da minha vida.
Terminado o ano lectivo é tempo de ser chamada à escola para tomar conhecimento da minha primeira avaliação enquanto professora. Pois bem, chegada à sala do conselho executivo para a dita reunião tomo conhecimento que, segundo os parâmetros estabelecidos, a minha avaliação é de.... Excelente! - Ena pah, melhor impossível, consegui o máximo, que sorte, que maravilha, que bom (e sinónimos afins) - penso para mim. - Pois é minha querida - adianta-se a xô presidenta - mas como estas coisas são por quotas, o máximo que te podemos dar é bom de avaliação final porque vamos guardar as melhores notas para os professores efectivos, uma vez que és contratada e nunca sabes onde vais parar, não vale a pena dar-te mais do que bom porque é o mínimo para progredires na carreira. Vês, assim não sais prejudicada. Palavras para quê....
No dia dos meus anos lembro as festas de miúda, as brincadeiras de quarto escuro, as bochechas coradas do calor, os sumos que se bebiam e tinham outro sabor, as caras ainda jovens, a minha ainda infantil. Estava meses a pensar e preparar aquele dia. Hoje o dia acontece como há uns anos atrás, praticamente com as mesmas caras, mas mais marcadas pelo tempo que teima em correr ao invés de apenas passar. Continuo a reunir aqueles que importam, faço questão de estejam comigo e continuem a partilhar comigo esta data. O dia dos meus anos é e sempre foi um dia feliz, muito feliz. Hoje é um dia feliz, muito feliz.
Hoje deixo uma música que me tem ficado no ouvido. Confesso que tive imensa dificuldade em perceber o que ela cantava, por isso decidi pesquisar a letra para poder cantarolar qualquer coisa porque me via apenas a emitir uns sons algo descoordenados porque, de facto, não entendia nada. Fica a música (e a letra) no final de mais um lindo dia de verão, quente, quente, muito quente.
ll of these lines across my face Tell you the story of who I am So many stories of where I've been And how I got to where I am But these stories don't mean anything When you've got no one to tell them to It's true...I was made for you I climbed across the mountain tops Swam all across the ocean blue I crossed all the lines and I broke all the rules But baby I broke them all for you Because even when I was flat broke You made me feel like a million bucks You do I was made for you You see the smile that's on my mouth It's hiding the words that don't come out And all of my friends who think that I'm blessed They don't know my head is a mess No, they don't know who I really am And they don't know what I've been through like you do And I was made for you... All of these lines across my face Tell you the story of who I am So many stories of where I've been And how I got to where I am But these stories don't mean anything When you've got no one to tell them to It's true...I was made for you
Há lá lugar mais sossegado e sensação de porto mais seguro que o abraço a um peito em que se consome o seu perfume, se sente o seu calor e se cobre de beijos? Há lá encher de pulmões mais completo do que um inspirar profundo agarrado àquele coração que bate e bate por ti? Há lá pergunta mais perturbante que a dúvida de não poder ali permanecer para sempre, naquele ninho protector, naquela cama quente e fofa, naquela pessoa que um dia por ti se cruzou e aninhou a ti.
Escolhi para hoje dois anúncio que certamente já viram na televisão a alertar para o problema da sida. Eles agradam-me particularmente porque pela primeira vez (se não estou em erro) procura-se alertar para outro tipo de riscos que se correm. Já encontrámos anúncios que alertam para as relações temporários/espontâneas de verão. O primeiro anúncio chama a atenção para os núcleos familiares que se têm como fiéis e onde ambos estão (aparentemente) protegidos de contaminações indesejadas porque vivem em verdade enquanto casal. O segundo anúncio (que eu ainda não vi na televisão) começa a alertar para as relações desprotegidas noutras faixas etárias em que, até à data, quase nada se falava e, como eu já tinha referido num post anterior, tem-se revelado preocupante a quantidade de pessoas infectadas com sida com mais de 50 anos. Acho mesmo que não há idade para amar e não há certamente nada melhor que amar e amar com intensidade, mas amar com responsabilidade também porque nos tempos que correm um gesto, uma atitude irreflectida pode pôr termo a uma (ou mais) vidas.
Só tenho receio que a mensagem não se faça entender para todos. Ontem olhava atenta para o anúncio e quando ele acaba a minha mãe comenta "não percebi". Naquele momento percebi que infelizmente nem toda a gente atingirá o que se quer passar. Contudo, para mim não deixam de ser duas importantes chamadas de atenção.
Belo é o momento em que dois olhares se cruzam e se penetram, em que duas bocas se apressam a se juntarem, em que quatro braços se confundem, em que dois corações se colam e se sentem, em que duas respirações se sussurram ao ouvido, em que uma lágrima escorre de felicidade, em que dois corpos se apertam um contra o outro, em que o amor se revela e manifesta quando juntou dois seres humanos para se amarem e serem felizes
Estive silenciosa nos últimos dias. Raramente vim à Internet, foi um tempo mais dedicado à família. Da tal entrevista que falei aqui, fui seleccionada e fiquei de até amanhã decidir sobre o meu futuro para, pelo menos, este ano lectivo. Não contava que me dessem tantas condições, saí de lá muito indecisa. Ainda não me decidi, acredito que a almofada será boa conselheira esta noite.
Hoje entreguei (finalmente) a minha tese. Sinto um misto de alívio, de medo, de cansaço, sei lá. Sinto-me muito cansada. Não é o fim, ainda a terei de defender se estiver à altura disso. Tenho também medo das burocracias da faculdade que já me deram uns amargos de boca. Pelo menos durante uma temporada espero não me preocupar mais com teses e revisões e pesquisas e tanto mais. Agora é tempo para parar.
Há algum tempo já aqui tinha manifestado vontade de experimentar fazer dança oriental (comummente chamada dança do ventre). Eis que apareceu uma proposta bem simpática e eu nem pensei duas vezes. Um curso de um mês, duas vezes por semana só para ficar com umas bases. Comecei mal o dia, mas acabei bem com a minha primeira aula. Foi muito giro, diverti-me imenso e nunca pensei que cansasse tanto... Naturalmente alturas houve em a minha dança se aproximava de kisomba ou ao bailinho da Madeira, longe daquilo que a rapariga fazia, mas mesmo assim, acho que estive à altura do desafio. Quero crer que os problemas que senti derivam do facto de (ainda) não ter daqueles lenços à cintura cheios de medalhinhas que cantam conforme a anca rebola ora para um lado, ora para o outro. Disse ainda porque estou decidida que será a minha próxima aquisição. Quero ter tudo a que tenho direito (como se costuma dizer). Depois desta primeira aula aconselho vivamente a experiência.
Hoje de manhã acordo e a primeira notícia que recebo é que a miúda que estive a ajudar a preparar para exame de inglês chumba. A história é mais ou menos esta: no 10º ano ela chumba com 6 a inglês e fica impedida de se inscrever no 11º. Opta por fazer um exame (realizado pela escola) no final do 11º ano com matéria dos dois anos. Não assiste a aulas, mas estuda e prepara-se em casa. Este exame tem uma componente oral e escrita. Na escrita conseguiu 12 (que não acho nada mau para quem estava tão fraquinho). Na oral tira 5... Ao que parece ela tinha de falar sobre a clonagem de pessoas e animais, dizendo se concordava ou não e porquê. Ela nem em português tinha falado sobre o assunto ou tinha sequer pensado sobre isso, resultado: nem opinião formada tinha. Eu sou professora de inglês e não me lembro de, até à data, alguma vez ter discutido o caso da ovelha Dolly em inglês. Parece-me também importante lembrar que esta ovelha nasceu em 1996 (há 12 anos) e estes miúdos têm 16. Não assistiram à discussão nem à polémica como nós. Quero eu com isto dizer que, na minha humilde opinião, este tipo de temas apresentados a alunos com tantas dificuldades são à partida meio caminho andado para os chumbar. Levá-los a falar sobre eles, depois apresentar uma problemática próxima das suas realidades (o impacto das novas tecnologias nas novas gerações, o problema dos combustíveis, sei lá) e pedir que falem dos prós e contras e exprimam uma opinião é completamente diferente. Até em termos de vocabulário que é necessário porque de facto a clonagem parece-me levar-nos para um campo lexical nada acessível. Enfim... Não sei mesmo. Numa altura em que se fala de novas oportunidades, de uma escola que educa para a sociedade e para a sobrevivência em sociedade parece-me incongruente que se ande a empatar a vida a miúdos que até se esforçam colocando-os perante rasteiras para as quais eles não estão preparados.
Ontem entre amigas falávamos de promessas. Joelhos esfolhados e caminhadas a pé. É natural que a conversa da religião seja muitas vezes inevitável porque não escondo a minha fé e a minha ligação à Igreja. Uma vez um padre disse-me "sabes, é muito mais fácil para as pessoas oferecerem o sofrimento do seu corpo, do que oferecerem uma conversão sincera do coração e a mudança daquilo que está mal nas suas vidas, dão o corpo ao sofrimento, não entregam a alma ao que vale a pena e pensam que desta maneira conseguem enganar a Deus."
Hoje fui chamada para uma entrevista de trabalho num colégio pelo qual tenho consideração. É verdade que é só uma entrevista, mas já é qualquer coisa. Não é que não tenha trabalho ou perspectivas de vir a trabalhar, é que nesta altura do ano é sempre a corrida do costume para antecipar o ano lectivo que se aproxima, na procura do melhor lugar possível. O problema é que raro tem sido o ano em que em Setembro/Outubro tudo não mude radicalmente. Surgem sempre novos desafios e ando sempre às aranhas sem saber o que fazer. Sabe quem me conhece que é enorme o aperto que sinto porque não há nada pior que uma indecisão e um coração dividido. Correu bem a entrevista, mas as entrevistas cansam-me. Sei que não posso fugir a elas e chegar a entrevista já não é nada mau, mas esta necessidade de falar de mim enquanto profissional, o que faço, o que sou, o que quero, o que espero, esgota-me. É rara a entrevista em que não saio com dor de cabeça. Esta certeza de estar a ser avaliada pelo que digo, pela forma como me visto, como olho, como ajo, como respondo é terrível, mas insisto, bem sei que é um mal necessário e saio sempre de lá com a sensação de ter passado por mais uma experiência e sair enriquecida de lá. Pode ser a minha mania de encontrar sempre um lado positivo de tudo o que acontece, mas vida para mim é encarada com este espírito. Nestes mundos de empregos e entrevistas o meu jogo é limpo, ponho todas as cartas na mesa à partida para que todos saibam com o que podem contar e saibam também aquilo que quero, assim nunca me poderão acusar do que quer que seja porque fui verdadeira e sincera. Não recorro a truques ou batotas porque se há coisa que não vendo ou entrego é a minha alma e a fidelidade aos meus princípios.
Este ano na escola onde estava tinham o péssimo hábito de cada vez que ligavam para alguém perguntarem sempre "olha, onde é que estás?". Não só acontecia constantemente comigo, como vi fazerem a outros colegas. Eu detestava que me perguntassem isto porque de facto eu não tinha de lhes dizer por onde andava. Cumpria o meu horário, nunca faltei com uma responsabilidade e por isso irritava-me que estranhos me fizessem essa pergunta, apesar de saber que não era feita com maldade, mas não gostava. Dou contas da minha vida e quem eu quero e a quem faz sentido, daí que ter uma pessoa com a qual não tenho confiança com frequência a perguntar-me por onde ando me faça alguma confusão. Naturalmente a minha vontade era de responder "não tens nada a ver com isso" (e não tinha de facto), mas engolia sempre em seco e respondia com outra pergunta "mas o que se passa? Precisam da minha ajuda?" e assim contornava esta questão que me chateava tanto. Qualquer pessoa do meu círculo de confiança pode-me fazer essa pergunta, mas neste contexto ultrapassa-me parece-me despropositada. Quando hoje vejo uma chamada da escola no telefone e me dizem "olha, onde é que estás?" pensei para comigo, "já tenho post para hoje".
Amanhã como é habitual o despertador tocará à hora que eu mandar. Mas amanhã quero que ele ao invés de me berrar aos ouvidos e me sobressaltar quando ainda mal consigo abrir os olhos porque estava certamente bem acompanhada entre o sono e um sonho, sei que me sussurrará palavras de incentivo e louvor. Qualquer coisa do género "sim, eu sei que estava a ser bom, mas tens um pequeno-almoço à tua espera, uma banheira com água quentinha, uma escova de dentes e uma pasta de mentol deliciosas. Já pensaste que bom que é ter trabalho e passares o dia inteiro em tarefas interessantes? Os teus colegas têm um sorriso para ti e o conselho executivo já te avaliou senhora professora e deu-te pelo menos "bom" de certeza. Neste dia encontrarás ainda o teu amor, não há trânsito e o rádio programou as tuas músicas preferidas. Anda daí que a vida lá fora reservou coisas bem melhores". Assim vou decididamente saltar da cama cheia de vontade de começar mais um dia. Sei que não há outra hipótese, mas não gosto nada de ser acordada por um despertador. Não há nada melhor do que acordarmos por nós próprios quando o nosso corpo acha que já descansou o que precisava. Sem stresses nem pressas. O dia começa ao nosso ritmo e mediante a nossa necessidade. Sei que não o ofendo o despertador se o chamar desumano, mas sei também que ele é um mal necessário...
Ontem à noite fui até à discoteca do Tamariz. Já lá tinha ido há uns cinco anos atrás e há algum tempo que desejava lá voltar. Só está aberta nos meses de Verão e ontem a noite só fazia apetecer qualquer coisa daquele género e lá fomos nós. Chegámos cedíssimo (por volta da meia-noite mais coisa menos coisa), mas decidimos entrar e fazer tempo por lá. Como é colada à praia a vista é muito interessante e passámos um bom momento ali sentadinhos na varanda. Quando nos apercebemos as filas para entrar eram enormes e aos poucos o espaço enchia-se de gente de todas as maneiras e feitios. A noite foi para dançar e descontrair. Às 3h30 deram as badaladas da ciderela quando as pessoas praticamente já não se mexiam de tão atolado que estava o espaço. É o único problema que ponho porque de facto era um exagero de pessoas, já para não falar nas filas intermináveis que a essa hora ainda aguardavam entrada. Viemos embora com uma boa sensação de um bocado bem passado. Valeu muito a pena!
Há mergulhos perfumados em que se trocam sabores e se invadem vontades. São mares calmos e quentes onde apetece ficar para sempre. Deixamo-nos envolver lentamente pelo melaço que vai cobrindo e acariciando a pele. É um banho de caldos de açúcar e mel, doces, muito doces e muito nossos.
Há lá coincidência mais deliciosa que a liberdade de dois humanos livremente os unir num amor liberto e feliz. O acaso destes dois amantes se cruzarem em momentos oportunos que livremente os ligou a um amor, que em liberdade sustentam e que se quer libertador.
Hoje foi um dia particularmente cansativo para mim. Foi o último dia de aulas. Pela primeira vez estive com crianças durante o dia e adultos à noite. São universos completamente diferentes, mas igualmente desafiantes. Adorei este ano lectivo. Os adultos sabem que para o ano não estaremos juntos outra vez, criaram-se laços, partilharam-se experiências e medos. Na "hora do adeus" todos sabemos que aquelas pessoas que já faziam parte da rotina desaparecerão. As lágrimas corriam pelos rostos de todos e os abraços manifestavam o carinho e respeito que se criaram entre as pessoas. Saí destas salas com a sensação que alguns nunca mais me esquecerão como eu não esquecerei aquelas pessoas que me ensinaram tanta coisa. Adultos com idade dos meus pais e avós que voltaram à escola e que me mostraram que nunca é tarde para realizar um sonho, concretizar um desejo. Sei também que a vida dá oportunidades a quem merece. Muitos iam cansados, doentes, deixavam os maridos/esposas e filhos em casa com muito custo, mas não deixaram de acreditar e de me motivar a mim a dar tudo o tenho porque eles mereciam e precisavam. Sinto que aprendi muito este ano, estou muito mais rica. Foi a profissão que escolhi, amo o que faço e adoraria fazê-lo enquanto sentir que esta é também a minha missão e é aqui que me realizo profissionalmente, mas de facto custa muito esta entrada e saída de pessoas na minha vida. Apego-me às pessoas e nem quero que de outra maneira seja porque a vida é para ser vivida com intensidade. Não sei ensinar de outra maneira que não a de tentar cativar as pessoas para mim e sentir-me cativada por elas. Tive 130 alunos este ano, por todos tenho uma enorme estima e todos deixar-me-ão uma enorme saudade. Hoje trago comigo alguns momentos e algumas palavras difíceis de esquecer. Uma aluna disse-me que fui a professora mais feliz que ela já alguma vez teve, que em todas as aulas tinha um enorme sorriso para lhes oferecer e que isso à partida já os motivava para continuarem comigo. Recordo o abraço apertado de uma avó e os olhos inchados de uma plateia. Trouxe comigo uma rosa que me é dada acompanhada da frase "para que a professora nunca mais se esqueça de mim".
Doce sabor o teu que provo e saboreio até ao fim, sempre que um pedaço de ti, ser humano escolhido para o meu coração amar, é acolhido pelos meus lábios. Quente abraço que o teu corpo oferece que me embrulha noutra doce sensação. Quatro braços cheios de tudo e dois corações realizados numa perfeita combinação de momentos. É a alegria de amar e de, com intensidade, viver e partilhar a vida que é mais doce porque tu existes. Que é mais especial com a tua presença. Que tem outro sabor porque, naturalmente, adoças tudo o que tocas.
Hoje deixo a sugestão de um filme que já vi por duas vezes. É qualquer coisa de extraordinária. Como o nome indica é uma adaptação do Crime do Padre Amaro, em nada semelhante à versão portuguesa, tão conhecida, polémica e duvidosa... Há todo um jogo entre o lado humano destas personagens, a tentação em que se encontram e o oposto: aquilo que supostamente defendem e pregam pela opção de vida religiosa que fizeram. A ligação ao lado espiritual chega a arrepiar de tão bem feito e tão bem conseguido que está. Aconselho vivamente.
Três dias depois e estou de volta. Uma acção de formação levou-me até Évora. Lamento não ter aprendido mais, as expectativas nestas alturas costumam sair furadas. O tema é interessante, importante e muito actual. A maneira como o abordaram infelizmente não trouxe grande novidade para quem já anda mais ou menos metido nestas andanças de Novas Oportunidades. Fica sempre qualquer coisa, para além da pasta com documentos e do certificado no final. É ainda de lamentar que estes três dias de formação, praticante de carácter obrigatório para quem trabalha com este público, não sejam reconhecidos a nível de acreditação para efeitos de concurso, progressão na carreira e consequente avaliação de professores (onde um dos critérios de avaliados é a participação em acções de formação acreditadas). Não se compreende como é que uma coisa destas pedida e "exigida" pelas entidades responsáveis, dada pelo núcleo de formação contínua da Faculdade de Évora, não seja reconhecida pelo Ministério. Ficou, naturalmente, o desagrado de todos os presentes e o registo da reclamação. Apesar de tudo vale (e muito) pelo papel que me certifica ter estes conhecimentos. Nos dias que correm tudo tem de ser justificado e provado. Não que não soubesse muito do que ouvi, mas precisava sempre disto claramente descriminado num papel. Mais um a juntar aos que cá tenho. É uma pasta cheia de micas que progressivamente engorda, à medida em que vou bebendo aqui e ali, numa busca constante de respostas aos desafios do ensino actual em Portugal. Para quê? Nem eu sei bem muitas vezes. Só sei que continuo teimosa nesta profissão que me apaixona, apesar de tantos amargos de boca e dissabores. Não sei até quando, só sei que enquanto continuar a acreditar que vale a pena, continuarei teimosa na tentativa de construção de uma educação que valha que orgulhe a todos.
Esta morada sem número de porta ou nome de rua definida é certamente uma propriedade privada para uma certa elite que só através da passagem por duras provas e testes pesados, provará ser merecedora de tamanha iguaria. Um umbigo perfeito, em formas perfeitas, num corpo perfeito de uma pessoa que se tem como perfeita. Uma irregularidade naquele caminho que se percorre de beijos de uma ponta à outra. Um umbigo que esconde um ventre ansioso. Este é um pedaço de corpo, uma porção de pele que se aprecia e apetece. É uma almofada nas horas mortas e um aperitivo de entrada nos momentos a dois. Duas curvas que se abraçam e apertam, um umbigo que se sente contra o peito. Definitivamente, um pedaço de ti, um momento perfeito.
Imagens frescas em dias quentes. Mergulhos revitalizantes em paisagens apetecíveis. Companhias escolhidas a dedo que em abraços indescritíveis renovam e enamoram. Assim se desejam os dias primaveris
A palavra segredada. O arrepio daquela boca que comunica e toca quase sem se aperceber. O ombro que se encolhe instintivamente, num gesto inquieto de quem se incomoda com aquela presença tão próxima e tão quente. A reacção de um corpo inteiro movido pela sensibilidade daquele leve sopro que faz fechar os olhos e encolher a cabeça, mas que se quer entregar cada vez mais num delírio de sensações e momentos. Que a carícia da palavra se multiplique em beijos e desejos inconfessáveis. Segredos partilhados à média luz que abrem o banquete dos amantes numa das mais perfeitas partilhas humanas.
Uma menina bonita deita-se e dorme. Não adormece na esperança de ser acordada pelo seu princípe, sabe que ele existe e já o encontrou. Adormece sim na esperança de sonhar com ele e de, assim, prolongar por mais um pouco a sua presença na sua vida. Dia e noite consigo, acordada ou adormecida. Entra no sono profundo, começa a cabeça a trabalhar o sonho que se queria doce e terno. Não precisava de grandes floreados, a companhia estava escolhida, o local era pormenor. Assim começou o seu sonho, a caminho de quem mais desejava. Entra no carro e inicia viagem. No rádio ouvia o relato do jogo de Portugal e lá mandava umas buzinadelas para festejar os golos que se seguiam. A estrada pouca gente tinha, camiões então, nem vê-los. Repara que o combustível que tem talvez não chegue para a levar ao destino desejado, procura um posto de abastecimento. Para seu espanto a fila de quase mil quilómetros trazia-lhe a triste nova de não chegar para a sua vez. Mas nada impede uma mulher apaixonada. Aproxima-se de uma, de outra e mais outra e nenhuma a conseguia abastecer. Daí à reserva foi um instante. O rádio mudara depressa de assunto e relatava a fome que já se fazia sentir devido à escassez de alimentos com a paralização. Decide desligar o rádio para não se deixar influenciar por notícias pessimistas. Pega no telemovel para dizer ao seu mais-que-tudo que está atrasada, mas, como disse anteriormente, nada impede uma mulher apaixonada. A meio da chamada o telefone acusa falta de bateria e desliga-se. Estava agora também incontactável. Entre voltas e mais voltas vê-se efectivamente sem combustível, longe de tudo e sem telefone, mas cheia de moral. Os táxis passam a velocidades estonteantes e apinhados de gente. "Há dias com ligeiras complicações" pensou para si. Suspirou e decidiu levantar dinheiro. Não podia pedir ajuda sem dinheiro. Abre a carteira e descobre que está repleta de notas. Afinal nem tudo corre mal. Já não se lembrava que tinha emprestado dinheiro a uma amiga que lho dera há pouco tempo de volta. Decide pedir ajuda às pessoas que encontra. Uma boleia, um pouco de combustível, qualquer coisa que lhe devolvesse a possibilidade de concretizar o seu sonho feliz. Um homem gentilmente entrega-lhe um garrafão de gasolina a troco do preço justo que pagou por ela. A menina bonita não cabe em si de contente. Leva-o a correr até ao carro. Para seu espanto encontra-o vandalizado. Esquecera-se do radio lá e os larápios não contiveram a tentação de o levar. Nada detinha a nossa princesa. "O meu amor, espera por mim". Metade por fora, metade dentro, lá safou um ou dois litros que lhe permitiam, pelo menos, chegar ao destino. Limpou os vidros do banco e compôs os rasgões nos estofos e meteu-se a caminho sempre convicta que há males que vêm por bem. Chegou com cinco minutos de atraso. É uma mulher por norma prevenida e para além de quatro rodas suplentes, saía sempre com uma hora de antecedência, para dar sempre espaço a emprevistos. Lembrou-se entretanto da bateria extra que guarda na sua mala. "Cabeça tonta a minha". Os minutos foram-se multiplicando no local combinado. De minutos a quartos de hora, a meias horas a horas completas. Decide trocar a bateria e telefonar. Ninguém atende. Acorda aflita e cansada, sente que pouco ou nada descansou nesta noite. Tem consigo uma sensação estranha. Olha para o telemovel e tem uma mensagem do seu rapaz. "Bom dia menina bonita, ligaste-me?"
Meu amor, nenhuma palavra que te possa dirigir expressa a verdade do meu coração ou a transparência do meu olhar. A tua existência é só por si uma alegria para mim, a tua permanência na minha vida, uma constante experiência de felicidade e de vivência do amor a dois. Não há segredos, não há tabus. Existes tu e existo eu. Existe o amor que nos une.
Hoje a tarde foi pela praia. O sol apetecia, mas o vento, num tom de inveja, teimava em interromper o calor que se queria instalar. Já sentia falta de uma tarde entregue à preguiça total, em que a única preocupação da cabeça é se devo virar para a direita ou para a esquerda para evitar o escaldão que, no meu caso, é fácil de acontecer. As conversas derretiam-se em sorrisos e boa disposição. Brincadeiras e jogos de palavras de dão cor e sabor à vida. Na melhor companhia. Na companhia de quem mais se deseja. Na tua companhia.
Continuo às voltas e mais voltas com esta questão da infidelidade. Pesquisei uma meia dúzia de tópicos relacionados com o tema na internet, não sei se na esperança de encontrar uma desculpabilização para tão depravada atitude, se de facto existe uma razão que a perdoe, se é normal, enfim, nem sei bem do que ando à procura, mas sei que preciso de alguma coisa com uma máxima urgência. Sou uma tremenda defensora da fidelidade. Acho que existe o direito das pessoas não estarem bem e para isso existe o diálogo que levará o casal à solução que precisam: a separação ou o reencontro. É certo que estas conversas não são fáceis, mas não admito a hipótese da infidelidade e espero nunca vir a aceitar. Por outro lado não sei lidar quando me deparo com um caso deste género. Entre as várias conclusões que encontrei na minha pesquisa saliento três que me marcaram particularmente: - a sida aumentou 200% em pessoas com mais de 50 anos devido a comportamentos de risco e muitos deles (alguns já idosos) morrem em lares sem condições porque as famílias não os querem. Conheço um caso destes. A esposa (naturalmente) abandonou o marido e ele está de facto a morrer a cada dia que passa, numa enorme solidão. Compreendo-a perfeitamente, eu jamais aceitaria uma situação destas. - a infidelidade nas mulheres é considerada mais perigosa porque justificam que nos homens as relações são carnais ao contrário, nas mulheres, persiste o mito da necessidade de um sentimento que as envolva (digo mito porque acreditem que conheço muitas que estão-se nas tintas e chegam a preferir homens pelos quais não sentem rigorosamente nada, a estarem com alguém que não lhes seja indiferente pelo medo de se apegarem sentimentalmente). - os homens procuram outras mulheres quando têm elevados níveis de testosterona. Não sei o que diga. Não sei o que pense. Não sei o que faça.
Em dias bonitos e primaveris reduz-se o comprimento das mangas e guardam-se as meias na gaveta. Os corpos preparam-se para se mostrarem ao sol. Já apetecia a vinda de dias quentes, de esplanadas sorridentes, de ambientes simpáticos e cheios de gente gira e com ar saudável. Fica o sincero desejo que o vento nos esqueça por uma temporada boa e nos deixe disfrutar aproveitar este país caracterizado pelo bom tempo apetecível. Acredito nas boas vibrações e energias que estes dias nos trazem. Depois de mais um ano de trabalho. Depois de mais um ano lectivo.
O "não" está sempre garantido. Levei algum tempo a perceber esta máxima. Precisei de compreender a sua essência e lidar com este "não, que não é um "não" qualquer ou sem importância, é um "não" que, na maioria das vezes, custa a ouvir quando há um sentimento por trás. Por outro lado este "não" é o princípio de uma viragem. É a garantia que tudo foi feito e dito e que, por isso, mais vale seguir com a vida em frente e partir para outra. São muitos os medos que pautam as atitudes das pessoas. As razões que as fazem permanecerem com os seus companheiros ou sujeitarem-se a maus tratos, por exemplo. Soube ontem que pelo menos duas alunas minhas à noite são vitímas disso. É algo que custa a aceitar e dói pensar que há quem passe por isso em silêncio. O "não" que poderá ter várias formas e vertentes, não é necessariamente mau. Pode ser a barreira que impede uma desilusão. Pode ser a porta aberta para uma vida livre de compromissos infelizes e castradores.