Há algum tempo já aqui tinha manifestado vontade de experimentar fazer dança oriental (comummente chamada dança do ventre). Eis que apareceu uma proposta bem simpática e eu nem pensei duas vezes. Um curso de um mês, duas vezes por semana só para ficar com umas bases. Comecei mal o dia, mas acabei bem com a minha primeira aula. Foi muito giro, diverti-me imenso e nunca pensei que cansasse tanto... Naturalmente alturas houve em a minha dança se aproximava de kisomba ou ao bailinho da Madeira, longe daquilo que a rapariga fazia, mas mesmo assim, acho que estive à altura do desafio. Quero crer que os problemas que senti derivam do facto de (ainda) não ter daqueles lenços à cintura cheios de medalhinhas que cantam conforme a anca rebola ora para um lado, ora para o outro. Disse ainda porque estou decidida que será a minha próxima aquisição. Quero ter tudo a que tenho direito (como se costuma dizer). Depois desta primeira aula aconselho vivamente a experiência.terça-feira, julho 08, 2008
Belly dance
Há algum tempo já aqui tinha manifestado vontade de experimentar fazer dança oriental (comummente chamada dança do ventre). Eis que apareceu uma proposta bem simpática e eu nem pensei duas vezes. Um curso de um mês, duas vezes por semana só para ficar com umas bases. Comecei mal o dia, mas acabei bem com a minha primeira aula. Foi muito giro, diverti-me imenso e nunca pensei que cansasse tanto... Naturalmente alturas houve em a minha dança se aproximava de kisomba ou ao bailinho da Madeira, longe daquilo que a rapariga fazia, mas mesmo assim, acho que estive à altura do desafio. Quero crer que os problemas que senti derivam do facto de (ainda) não ter daqueles lenços à cintura cheios de medalhinhas que cantam conforme a anca rebola ora para um lado, ora para o outro. Disse ainda porque estou decidida que será a minha próxima aquisição. Quero ter tudo a que tenho direito (como se costuma dizer). Depois desta primeira aula aconselho vivamente a experiência.Bom dia (ou não)
Hoje de manhã acordo e a primeira notícia que recebo é que a miúda que estive a ajudar a preparar para exame de inglês chumba. A história é mais ou menos esta: no 10º ano ela chumba com 6 a inglês e fica impedida de se inscrever no 11º. Opta por fazer um exame (realizado pela escola) no final do 11º ano com matéria dos dois anos. Não assiste a aulas, mas estuda e prepara-se em casa. Este exame tem uma componente oral e escrita. Na escrita conseguiu 12 (que não acho nada mau para quem estava tão fraquinho). Na oral tira 5... Ao que parece ela tinha de falar sobre a clonagem de pessoas e animais, dizendo se concordava ou não e porquê. Ela nem em português tinha falado sobre o assunto ou tinha sequer pensado sobre isso, resultado: nem opinião formada tinha. Eu sou professora de inglês e não me lembro de, até à data, alguma vez ter discutido o caso da ovelha Dolly em inglês. Parece-me também importante lembrar que esta ovelha nasceu em 1996 (há 12 anos) e estes miúdos têm 16. Não assistiram à discussão nem à polémica como nós. Quero eu com isto dizer que, na minha humilde opinião, este tipo de temas apresentados a alunos com tantas dificuldades são à partida meio caminho andado para os chumbar. Levá-los a falar sobre eles, depois apresentar uma problemática próxima das suas realidades (o impacto das novas tecnologias nas novas gerações, o problema dos combustíveis, sei lá) e pedir que falem dos prós e contras e exprimam uma opinião é completamente diferente. Até em termos de vocabulário que é necessário porque de facto a clonagem parece-me levar-nos para um campo lexical nada acessível. Enfim... Não sei mesmo. Numa altura em que se fala de novas oportunidades, de uma escola que educa para a sociedade e para a sobrevivência em sociedade parece-me incongruente que se ande a empatar a vida a miúdos que até se esforçam colocando-os perante rasteiras para as quais eles não estão preparados.segunda-feira, julho 07, 2008
Cântico ao amor

O amor é paciente, é prestável;
O amor não é invejoso,
Não é arrogante,
Não é orgulhoso,
Não age com baixeza,
Não procura o seu próprio interesse.
O amor não se deixa levar pala ira;
Esquece e perdoa as ofensas.
Nunca se alegra com a injustiça
E rejubila sempre com a verdade.
O amor tudo desculpa, tudo crê,
Tudo espera e tudo suporta.
1º Epístola de São Paulo aos Corintios
sábado, julho 05, 2008
Promessas

Ontem entre amigas falávamos de promessas. Joelhos esfolhados e caminhadas a pé. É natural que a conversa da religião seja muitas vezes inevitável porque não escondo a minha fé e a minha ligação à Igreja. Uma vez um padre disse-me "sabes, é muito mais fácil para as pessoas oferecerem o sofrimento do seu corpo, do que oferecerem uma conversão sincera do coração e a mudança daquilo que está mal nas suas vidas, dão o corpo ao sofrimento, não entregam a alma ao que vale a pena e pensam que desta maneira conseguem enganar a Deus."
quinta-feira, julho 03, 2008
Em jogo

Hoje fui chamada para uma entrevista de trabalho num colégio pelo qual tenho consideração. É verdade que é só uma entrevista, mas já é qualquer coisa. Não é que não tenha trabalho ou perspectivas de vir a trabalhar, é que nesta altura do ano é sempre a corrida do costume para antecipar o ano lectivo que se aproxima, na procura do melhor lugar possível. O problema é que raro tem sido o ano em que em Setembro/Outubro tudo não mude radicalmente. Surgem sempre novos desafios e ando sempre às aranhas sem saber o que fazer. Sabe quem me conhece que é enorme o aperto que sinto porque não há nada pior que uma indecisão e um coração dividido. Correu bem a entrevista, mas as entrevistas cansam-me. Sei que não posso fugir a elas e chegar a entrevista já não é nada mau, mas esta necessidade de falar de mim enquanto profissional, o que faço, o que sou, o que quero, o que espero, esgota-me. É rara a entrevista em que não saio com dor de cabeça. Esta certeza de estar a ser avaliada pelo que digo, pela forma como me visto, como olho, como ajo, como respondo é terrível, mas insisto, bem sei que é um mal necessário e saio sempre de lá com a sensação de ter passado por mais uma experiência e sair enriquecida de lá. Pode ser a minha mania de encontrar sempre um lado positivo de tudo o que acontece, mas vida para mim é encarada com este espírito. Nestes mundos de empregos e entrevistas o meu jogo é limpo, ponho todas as cartas na mesa à partida para que todos saibam com o que podem contar e saibam também aquilo que quero, assim nunca me poderão acusar do que quer que seja porque fui verdadeira e sincera. Não recorro a truques ou batotas porque se há coisa que não vendo ou entrego é a minha alma e a fidelidade aos meus princípios.
terça-feira, julho 01, 2008
Olha, onde é que estás?

Este ano na escola onde estava tinham o péssimo hábito de cada vez que ligavam para alguém perguntarem sempre "olha, onde é que estás?". Não só acontecia constantemente comigo, como vi fazerem a outros colegas. Eu detestava que me perguntassem isto porque de facto eu não tinha de lhes dizer por onde andava. Cumpria o meu horário, nunca faltei com uma responsabilidade e por isso irritava-me que estranhos me fizessem essa pergunta, apesar de saber que não era feita com maldade, mas não gostava. Dou contas da minha vida e quem eu quero e a quem faz sentido, daí que ter uma pessoa com a qual não tenho confiança com frequência a perguntar-me por onde ando me faça alguma confusão. Naturalmente a minha vontade era de responder "não tens nada a ver com isso" (e não tinha de facto), mas engolia sempre em seco e respondia com outra pergunta "mas o que se passa? Precisam da minha ajuda?" e assim contornava esta questão que me chateava tanto. Qualquer pessoa do meu círculo de confiança pode-me fazer essa pergunta, mas neste contexto ultrapassa-me parece-me despropositada. Quando hoje vejo uma chamada da escola no telefone e me dizem "olha, onde é que estás?" pensei para comigo, "já tenho post para hoje".
segunda-feira, junho 30, 2008
Um novo acordar

Amanhã como é habitual o despertador tocará à hora que eu mandar. Mas amanhã quero que ele ao invés de me berrar aos ouvidos e me sobressaltar quando ainda mal consigo abrir os olhos porque estava certamente bem acompanhada entre o sono e um sonho, sei que me sussurrará palavras de incentivo e louvor. Qualquer coisa do género "sim, eu sei que estava a ser bom, mas tens um pequeno-almoço à tua espera, uma banheira com água quentinha, uma escova de dentes e uma pasta de mentol deliciosas. Já pensaste que bom que é ter trabalho e passares o dia inteiro em tarefas interessantes? Os teus colegas têm um sorriso para ti e o conselho executivo já te avaliou senhora professora e deu-te pelo menos "bom" de certeza. Neste dia encontrarás ainda o teu amor, não há trânsito e o rádio programou as tuas músicas preferidas. Anda daí que a vida lá fora reservou coisas bem melhores". Assim vou decididamente saltar da cama cheia de vontade de começar mais um dia. Sei que não há outra hipótese, mas não gosto nada de ser acordada por um despertador. Não há nada melhor do que acordarmos por nós próprios quando o nosso corpo acha que já descansou o que precisava. Sem stresses nem pressas. O dia começa ao nosso ritmo e mediante a nossa necessidade. Sei que não o ofendo o despertador se o chamar desumano, mas sei também que ele é um mal necessário...
domingo, junho 29, 2008
Na discoteca Tamariz
Ontem à noite fui até à discoteca do Tamariz. Já lá tinha ido há uns cinco anos atrás e há algum tempo que desejava lá voltar. Só está aberta nos meses de Verão e ontem a noite só fazia apetecer qualquer coisa daquele género e lá fomos nós. Chegámos cedíssimo (por volta da meia-noite mais coisa menos coisa), mas decidimos entrar e fazer tempo por lá. Como é colada à praia a vista é muito interessante e passámos um bom momento ali sentadinhos na varanda. Quando nos apercebemos as filas para entrar eram enormes e aos poucos o espaço enchia-se de gente de todas as maneiras e feitios. A noite foi para dançar e descontrair. Às 3h30 deram as badaladas da ciderela quando as pessoas praticamente já não se mexiam de tão atolado que estava o espaço. É o único problema que ponho porque de facto era um exagero de pessoas, já para não falar nas filas intermináveis que a essa hora ainda aguardavam entrada. Viemos embora com uma boa sensação de um bocado bem passado. Valeu muito a pena!sábado, junho 28, 2008
Doces sensações
quinta-feira, junho 26, 2008
Liberdade
terça-feira, junho 24, 2008
Último dia de aulas

Hoje foi um dia particularmente cansativo para mim. Foi o último dia de aulas. Pela primeira vez estive com crianças durante o dia e adultos à noite. São universos completamente diferentes, mas igualmente desafiantes. Adorei este ano lectivo. Os adultos sabem que para o ano não estaremos juntos outra vez, criaram-se laços, partilharam-se experiências e medos. Na "hora do adeus" todos sabemos que aquelas pessoas que já faziam parte da rotina desaparecerão. As lágrimas corriam pelos rostos de todos e os abraços manifestavam o carinho e respeito que se criaram entre as pessoas. Saí destas salas com a sensação que alguns nunca mais me esquecerão como eu não esquecerei aquelas pessoas que me ensinaram tanta coisa. Adultos com idade dos meus pais e avós que voltaram à escola e que me mostraram que nunca é tarde para realizar um sonho, concretizar um desejo. Sei também que a vida dá oportunidades a quem merece. Muitos iam cansados, doentes, deixavam os maridos/esposas e filhos em casa com muito custo, mas não deixaram de acreditar e de me motivar a mim a dar tudo o tenho porque eles mereciam e precisavam. Sinto que aprendi muito este ano, estou muito mais rica. Foi a profissão que escolhi, amo o que faço e adoraria fazê-lo enquanto sentir que esta é também a minha missão e é aqui que me realizo profissionalmente, mas de facto custa muito esta entrada e saída de pessoas na minha vida. Apego-me às pessoas e nem quero que de outra maneira seja porque a vida é para ser vivida com intensidade. Não sei ensinar de outra maneira que não a de tentar cativar as pessoas para mim e sentir-me cativada por elas. Tive 130 alunos este ano, por todos tenho uma enorme estima e todos deixar-me-ão uma enorme saudade. Hoje trago comigo alguns momentos e algumas palavras difíceis de esquecer. Uma aluna disse-me que fui a professora mais feliz que ela já alguma vez teve, que em todas as aulas tinha um enorme sorriso para lhes oferecer e que isso à partida já os motivava para continuarem comigo. Recordo o abraço apertado de uma avó e os olhos inchados de uma plateia. Trouxe comigo uma rosa que me é dada acompanhada da frase "para que a professora nunca mais se esqueça de mim".
segunda-feira, junho 23, 2008
domingo, junho 22, 2008
Doce

Doce sabor o teu que provo e saboreio até ao fim, sempre que um pedaço de ti, ser humano escolhido para o meu coração amar, é acolhido pelos meus lábios. Quente abraço que o teu corpo oferece que me embrulha noutra doce sensação. Quatro braços cheios de tudo e dois corações realizados numa perfeita combinação de momentos. É a alegria de amar e de, com intensidade, viver e partilhar a vida que é mais doce porque tu existes. Que é mais especial com a tua presença. Que tem outro sabor porque, naturalmente, adoças tudo o que tocas.
quinta-feira, junho 19, 2008
El Crimen del Padre Amaro
Hoje deixo a sugestão de um filme que já vi por duas vezes. É qualquer coisa de extraordinária. Como o nome indica é uma adaptação do Crime do Padre Amaro, em nada semelhante à versão portuguesa, tão conhecida, polémica e duvidosa... Há todo um jogo entre o lado humano destas personagens, a tentação em que se encontram e o oposto: aquilo que supostamente defendem e pregam pela opção de vida religiosa que fizeram. A ligação ao lado espiritual chega a arrepiar de tão bem feito e tão bem conseguido que está. Aconselho vivamente.
quarta-feira, junho 18, 2008
Formação de professores

Três dias depois e estou de volta. Uma acção de formação levou-me até Évora. Lamento não ter aprendido mais, as expectativas nestas alturas costumam sair furadas. O tema é interessante, importante e muito actual. A maneira como o abordaram infelizmente não trouxe grande novidade para quem já anda mais ou menos metido nestas andanças de Novas Oportunidades. Fica sempre qualquer coisa, para além da pasta com documentos e do certificado no final. É ainda de lamentar que estes três dias de formação, praticante de carácter obrigatório para quem trabalha com este público, não sejam reconhecidos a nível de acreditação para efeitos de concurso, progressão na carreira e consequente avaliação de professores (onde um dos critérios de avaliados é a participação em acções de formação acreditadas). Não se compreende como é que uma coisa destas pedida e "exigida" pelas entidades responsáveis, dada pelo núcleo de formação contínua da Faculdade de Évora, não seja reconhecida pelo Ministério. Ficou, naturalmente, o desagrado de todos os presentes e o registo da reclamação. Apesar de tudo vale (e muito) pelo papel que me certifica ter estes conhecimentos. Nos dias que correm tudo tem de ser justificado e provado. Não que não soubesse muito do que ouvi, mas precisava sempre disto claramente descriminado num papel. Mais um a juntar aos que cá tenho. É uma pasta cheia de micas que progressivamente engorda, à medida em que vou bebendo aqui e ali, numa busca constante de respostas aos desafios do ensino actual em Portugal. Para quê? Nem eu sei bem muitas vezes. Só sei que continuo teimosa nesta profissão que me apaixona, apesar de tantos amargos de boca e dissabores. Não sei até quando, só sei que enquanto continuar a acreditar que vale a pena, continuarei teimosa na tentativa de construção de uma educação que valha que orgulhe a todos.
domingo, junho 15, 2008
Umbigo

Esta morada sem número de porta ou nome de rua definida é certamente uma propriedade privada para uma certa elite que só através da passagem por duras provas e testes pesados, provará ser merecedora de tamanha iguaria. Um umbigo perfeito, em formas perfeitas, num corpo perfeito de uma pessoa que se tem como perfeita. Uma irregularidade naquele caminho que se percorre de beijos de uma ponta à outra. Um umbigo que esconde um ventre ansioso. Este é um pedaço de corpo, uma porção de pele que se aprecia e apetece. É uma almofada nas horas mortas e um aperitivo de entrada nos momentos a dois. Duas curvas que se abraçam e apertam, um umbigo que se sente contra o peito. Definitivamente, um pedaço de ti, um momento perfeito.
sábado, junho 14, 2008
Refrescante
quinta-feira, junho 12, 2008
Segredos

A palavra segredada. O arrepio daquela boca que comunica e toca quase sem se aperceber. O ombro que se encolhe instintivamente, num gesto inquieto de quem se incomoda com aquela presença tão próxima e tão quente. A reacção de um corpo inteiro movido pela sensibilidade daquele leve sopro que faz fechar os olhos e encolher a cabeça, mas que se quer entregar cada vez mais num delírio de sensações e momentos. Que a carícia da palavra se multiplique em beijos e desejos inconfessáveis. Segredos partilhados à média luz que abrem o banquete dos amantes numa das mais perfeitas partilhas humanas.
quarta-feira, junho 11, 2008
Habitual sonho invulgar
Uma menina bonita deita-se e dorme. Não adormece na esperança de ser acordada pelo seu princípe, sabe que ele existe e já o encontrou. Adormece sim na esperança de sonhar com ele e de, assim, prolongar por mais um pouco a sua presença na sua vida. Dia e noite consigo, acordada ou adormecida. Entra no sono profundo, começa a cabeça a trabalhar o sonho que se queria doce e terno. Não precisava de grandes floreados, a companhia estava escolhida, o local era pormenor. Assim começou o seu sonho, a caminho de quem mais desejava. Entra no carro e inicia viagem. No rádio ouvia o relato do jogo de Portugal e lá mandava umas buzinadelas para festejar os golos que se seguiam. A estrada pouca gente tinha, camiões então, nem vê-los. Repara que o combustível que tem talvez não chegue para a levar ao destino desejado, procura um posto de abastecimento. Para seu espanto a fila de quase mil quilómetros trazia-lhe a triste nova de não chegar para a sua vez. Mas nada impede uma mulher apaixonada. Aproxima-se de uma, de outra e mais outra e nenhuma a conseguia abastecer. Daí à reserva foi um instante. O rádio mudara depressa de assunto e relatava a fome que já se fazia sentir devido à escassez de alimentos com a paralização. Decide desligar o rádio para não se deixar influenciar por notícias pessimistas. Pega no telemovel para dizer ao seu mais-que-tudo que está atrasada, mas, como disse anteriormente, nada impede uma mulher apaixonada. A meio da chamada o telefone acusa falta de bateria e desliga-se. Estava agora também incontactável. Entre voltas e mais voltas vê-se efectivamente sem combustível, longe de tudo e sem telefone, mas cheia de moral. Os táxis passam a velocidades estonteantes e apinhados de gente. "Há dias com ligeiras complicações" pensou para si. Suspirou e decidiu levantar dinheiro. Não podia pedir ajuda sem dinheiro. Abre a carteira e descobre que está repleta de notas. Afinal nem tudo corre mal. Já não se lembrava que tinha emprestado dinheiro a uma amiga que lho dera há pouco tempo de volta. Decide pedir ajuda às pessoas que encontra. Uma boleia, um pouco de combustível, qualquer coisa que lhe devolvesse a possibilidade de concretizar o seu sonho feliz. Um homem gentilmente entrega-lhe um garrafão de gasolina a troco do preço justo que pagou por ela. A menina bonita não cabe em si de contente. Leva-o a correr até ao carro. Para seu espanto encontra-o vandalizado. Esquecera-se do radio lá e os larápios não contiveram a tentação de o levar. Nada detinha a nossa princesa. "O meu amor, espera por mim". Metade por fora, metade dentro, lá safou um ou dois litros que lhe permitiam, pelo menos, chegar ao destino. Limpou os vidros do banco e compôs os rasgões nos estofos e meteu-se a caminho sempre convicta que há males que vêm por bem. Chegou com cinco minutos de atraso. É uma mulher por norma prevenida e para além de quatro rodas suplentes, saía sempre com uma hora de antecedência, para dar sempre espaço a emprevistos. Lembrou-se entretanto da bateria extra que guarda na sua mala. "Cabeça tonta a minha". Os minutos foram-se multiplicando no local combinado. De minutos a quartos de hora, a meias horas a horas completas. Decide trocar a bateria e telefonar. Ninguém atende. Acorda aflita e cansada, sente que pouco ou nada descansou nesta noite. Tem consigo uma sensação estranha. Olha para o telemovel e tem uma mensagem do seu rapaz. "Bom dia menina bonita, ligaste-me?"terça-feira, junho 10, 2008
Amor

Meu amor, nenhuma palavra que te possa dirigir expressa a verdade do meu coração ou a transparência do meu olhar. A tua existência é só por si uma alegria para mim, a tua permanência na minha vida, uma constante experiência de felicidade e de vivência do amor a dois. Não há segredos, não há tabus. Existes tu e existo eu. Existe o amor que nos une.
domingo, junho 08, 2008
Uma tarde na praia

Hoje a tarde foi pela praia. O sol apetecia, mas o vento, num tom de inveja, teimava em interromper o calor que se queria instalar. Já sentia falta de uma tarde entregue à preguiça total, em que a única preocupação da cabeça é se devo virar para a direita ou para a esquerda para evitar o escaldão que, no meu caso, é fácil de acontecer. As conversas derretiam-se em sorrisos e boa disposição. Brincadeiras e jogos de palavras de dão cor e sabor à vida. Na melhor companhia. Na companhia de quem mais se deseja. Na tua companhia.
sábado, junho 07, 2008
Infidelidade

Continuo às voltas e mais voltas com esta questão da infidelidade. Pesquisei uma meia dúzia de tópicos relacionados com o tema na internet, não sei se na esperança de encontrar uma desculpabilização para tão depravada atitude, se de facto existe uma razão que a perdoe, se é normal, enfim, nem sei bem do que ando à procura, mas sei que preciso de alguma coisa com uma máxima urgência. Sou uma tremenda defensora da fidelidade. Acho que existe o direito das pessoas não estarem bem e para isso existe o diálogo que levará o casal à solução que precisam: a separação ou o reencontro. É certo que estas conversas não são fáceis, mas não admito a hipótese da infidelidade e espero nunca vir a aceitar. Por outro lado não sei lidar quando me deparo com um caso deste género. Entre as várias conclusões que encontrei na minha pesquisa saliento três que me marcaram particularmente:
- a sida aumentou 200% em pessoas com mais de 50 anos devido a comportamentos de risco e muitos deles (alguns já idosos) morrem em lares sem condições porque as famílias não os querem. Conheço um caso destes. A esposa (naturalmente) abandonou o marido e ele está de facto a morrer a cada dia que passa, numa enorme solidão. Compreendo-a perfeitamente, eu jamais aceitaria uma situação destas.
- a infidelidade nas mulheres é considerada mais perigosa porque justificam que nos homens as relações são carnais ao contrário, nas mulheres, persiste o mito da necessidade de um sentimento que as envolva (digo mito porque acreditem que conheço muitas que estão-se nas tintas e chegam a preferir homens pelos quais não sentem rigorosamente nada, a estarem com alguém que não lhes seja indiferente pelo medo de se apegarem sentimentalmente).
- os homens procuram outras mulheres quando têm elevados níveis de testosterona.
Não sei o que diga. Não sei o que pense. Não sei o que faça.
- a sida aumentou 200% em pessoas com mais de 50 anos devido a comportamentos de risco e muitos deles (alguns já idosos) morrem em lares sem condições porque as famílias não os querem. Conheço um caso destes. A esposa (naturalmente) abandonou o marido e ele está de facto a morrer a cada dia que passa, numa enorme solidão. Compreendo-a perfeitamente, eu jamais aceitaria uma situação destas.
- a infidelidade nas mulheres é considerada mais perigosa porque justificam que nos homens as relações são carnais ao contrário, nas mulheres, persiste o mito da necessidade de um sentimento que as envolva (digo mito porque acreditem que conheço muitas que estão-se nas tintas e chegam a preferir homens pelos quais não sentem rigorosamente nada, a estarem com alguém que não lhes seja indiferente pelo medo de se apegarem sentimentalmente).
- os homens procuram outras mulheres quando têm elevados níveis de testosterona.
Não sei o que diga. Não sei o que pense. Não sei o que faça.
sexta-feira, junho 06, 2008
Dias de sol

Em dias bonitos e primaveris reduz-se o comprimento das mangas e guardam-se as meias na gaveta. Os corpos preparam-se para se mostrarem ao sol. Já apetecia a vinda de dias quentes, de esplanadas sorridentes, de ambientes simpáticos e cheios de gente gira e com ar saudável. Fica o sincero desejo que o vento nos esqueça por uma temporada boa e nos deixe disfrutar aproveitar este país caracterizado pelo bom tempo apetecível. Acredito nas boas vibrações e energias que estes dias nos trazem. Depois de mais um ano de trabalho. Depois de mais um ano lectivo.
quinta-feira, junho 05, 2008
Traição
terça-feira, junho 03, 2008
Love me not
O "não" está sempre garantido. Levei algum tempo a perceber esta máxima. Precisei de compreender a sua essência e lidar com este "não, que não é um "não" qualquer ou sem importância, é um "não" que, na maioria das vezes, custa a ouvir quando há um sentimento por trás. Por outro lado este "não" é o princípio de uma viragem. É a garantia que tudo foi feito e dito e que, por isso, mais vale seguir com a vida em frente e partir para outra. São muitos os medos que pautam as atitudes das pessoas. As razões que as fazem permanecerem com os seus companheiros ou sujeitarem-se a maus tratos, por exemplo. Soube ontem que pelo menos duas alunas minhas à noite são vitímas disso. É algo que custa a aceitar e dói pensar que há quem passe por isso em silêncio. O "não" que poderá ter várias formas e vertentes, não é necessariamente mau. Pode ser a barreira que impede uma desilusão. Pode ser a porta aberta para uma vida livre de compromissos infelizes e castradores.
segunda-feira, junho 02, 2008
Cusquices

Sou por norma uma optimista sensata. Optimista porque acredito que no final tudo acaba bem, que os bons são recompensados, os maus castigados e que o amor vence sempre. Optimista porque acredito estarmos destinados à felicidade, optimista porque mortos não haverão, feridos só ligeiros e no fim safam-se aqueles que merecem. Optimista porque acredito nas oportunidades que a vida nos dará. Tenho isto como certo e aquilo que corre mal terá a sua razão: ou é porque não tinha de ser por ali ou porque temos uma lição para tirar e, portanto, cresceremos como seres humanos e poderemos ajudar outros a crescer connosco. Nestas caminhadas muitas são as vozes que se levantam concordantes, discordantes e opinantes sobre o que é certo e errado, sobre as opções de vida que se fazem. Nenhuma destas vozes será verdadeiramente capaz de ler nas entrelinhas, de perceber o fundo de cada um e entender o que o move. E nem esta certeza os impede de julgar. Só amanhã será aberto o jogo. Amanhã, esse dia incerto que não sabemos o que nos reserva, mas que será bom de certeza.
domingo, junho 01, 2008
Cura de sono

Há dias em que me apetece adormecer para não mais acordar. Dormir para sempre ou dormir até ao dia em que ao acordar tenha na cabeceira da minha cama a resposta a todas as perguntas que inquietam ou que acorde apenas com certezas absolutas na cabeça. Talvez sejam estas incertezas que nos movam e nos obriguem a procurar mais e a questionar. São também as incertezas da vida que nos esgotam a energia e nos fazem não desejar nada mais que não dormir e dormir e dormir porque durante o sono nada sentimos e por momentos morremos para o mundo.
sexta-feira, maio 30, 2008
Gajas

É sabido e reconhecido que as mulheres por norma são observadoras e atentas aos pormenores. Sei também que desenvolvi pouco esta competência feminina e reparo apenas naquilo que está gritantemente diferente. Ontem assisti a este episódio hilariante.
- Uau rapariga! Estás tão bonita - dizia uma colega da escola para uma aluna. Eu olhei de imediato para a rapariga, loucamente à procura desta diferença merecedora de tamanha exclamação, mas de facto a miúda estava exactamente igual a todos os dias (achava eu).
- Obrigada, professora. - respondeu ela com um sorriso tímido. Se ela confirmava a afirmação é porque certamente ela tinha alguma coisa nova, eu só não conseguia perceber o quê!
- Onde é que arranjaste a sobrancelhas? - as sobrancelhas?? A sério? Não chegava mesmo lá, mas eu não noto nada (pensei de imediato).
- Fui à cabeleireira.
- Estão muito bonitas, parabéns - rematou a minha colega. Eu sorri e acenei que sim, só numa de concordar.
- Uau rapariga! Estás tão bonita - dizia uma colega da escola para uma aluna. Eu olhei de imediato para a rapariga, loucamente à procura desta diferença merecedora de tamanha exclamação, mas de facto a miúda estava exactamente igual a todos os dias (achava eu).
- Obrigada, professora. - respondeu ela com um sorriso tímido. Se ela confirmava a afirmação é porque certamente ela tinha alguma coisa nova, eu só não conseguia perceber o quê!
- Onde é que arranjaste a sobrancelhas? - as sobrancelhas?? A sério? Não chegava mesmo lá, mas eu não noto nada (pensei de imediato).
- Fui à cabeleireira.
- Estão muito bonitas, parabéns - rematou a minha colega. Eu sorri e acenei que sim, só numa de concordar.
quinta-feira, maio 29, 2008
Estás aí?

A existência de algo superior não é e (creio) nunca será consensual. Uns acreditam, outros nem por isso, mas a ideia da Sua existência não deixa de incomodar muita gente, principalmente àqueles que não o assumem como real. Para muitos que não crêem é a possibilidade de existir algo ou alguém que nos conhece de trás para a frente e nos sabe como ninguém. Sabe todos os nossos passos e, pior ou melhor ainda, sabe as nossas intenções. Para quem o assume é um apoio que se procura, é a certeza que se Ele é Pai, só quererá o melhor para os seus filhos e, nunca interferindo na liberdade humana que um dia nos concedeu, encaminha-nos no sentido da felicidade. Já muitos passaram por esta situação, num mau ou num bom momento (por norma nos maus porque quando estamos bem não precisamos de mais nada) ou apenas num momento em que nos deixamos questionar. "Estás aí?"
terça-feira, maio 27, 2008
O caminho mais fácil

Sempre me incomodou a ideia que o caminho mais fácil é sempre o pior. Que tudo o que se constrói de bom é, à partida menos tentador. Eu compreendo a aplicação desta regra se pensarmos naqueles que optam por estudar, entrar numa faculdade e fazer um curso superior. Sim, compreendo que seja uma ideia que assuste, que as pessoas não queiram dispender dos seus fins-de-semana e que, consequentemente, seja mais aliciante deixar a escola e começar a trabalhar. A ideia da independência e de um ordenado no final do mês é um argumento muitas vezes complicado de combater. Não compreendo a aplicação desta regra a uma opção de vida com drogas e excessos de alcool e tabaco. Não vejo de que forma possa esta ser uma opção mais tentadora. Será pela necessidade de pertença a um determinado grupo? Será pelas aparentes sensações que estas drogas prometem? Não consigo ver esta opção de vida como "a mais fácil" como tantas vezes se diz. É sabido que a sociedade enfrenta uma grave crise social e que todos os problemas que se sentem a vários níveis advêm deste problema social onde se perdeu a noção de valor ou responsabilidade. É uma situação que se começa a sentir agora, mas estou certa agudizar-se-á com o tempo porque, de facto, poucas pessoas há que se empenham para ultrapassar esta situação. Não sei qual é o caminho mais fácil ou mais difícil. Acredito que este julgamento deverá ser feito tendo em consideração todas as variáveis implicadas e não só aquelas que saltam primeira à vista. Agrada-me uma perspectiva de vida feliz a curto, médio e longo prazo. Parece-me, claramente, "a mais fácil" e a mais aliciante. Só temos de a descobrir.
segunda-feira, maio 26, 2008
Intervalo
Já há algum tempo ouvia esta música na rádio e só ontem a consegui encontrar. Fica no ouvido, gosto muito dela, por isso não posso deixar de a aqui partilhar. Per7ume e Rui Veloso:
Vida em câmara lenta,
Oito ou oitenta,
Sinto que vou emergir,
Já sei de cor todas as canções de amor,
Para a conquista partir.
Diz que tenho sal,
Não me deixes mal,
Não me deixes…
No livro que eu não li,
No filme que eu não vi,
Na foto onde eu não entrei,
Notícia do jornal
O quadro minimal… Sou eu…
Vida à média rés,
Levanta os pés
Não vás em futebois, apesar…
Do intervalo, que é quando eu falo,
Para não me incomodar.
Diz que tenho sal,
Não me deixes mal,
Não me deixes…
No livro que eu não li,
No filme que eu não vi,
Na foto onde eu não entrei,
Notícia do jornal
O quadro minimal… Sou eu…
Não me deixes já
A história que não terminou
Não me deixes…
No livro que eu não li,
No filme que eu não vi,
Na foto onde eu não entrei,
Notícia do jornal
O quadro minimal… Sou eu…
No livro que eu não li,
No filme que eu não vi,
Na foto onde eu não entrei,
Noticia do jornal
O quadro minimal… Sou eu…
domingo, maio 25, 2008
Expressão
Se a felicidade tivesse um rosto certamente seria este teu. Se pudesse catalogar e emoldurar a expressão de realização, não escolheria outra que não esta. O estado feliz de alma, o que vai de verdadeiro no coração, espelha-se desta maneira tão espectacular que é impossível não contagiar quem para ela olha. É como um virús bom que invade as pessoas que coisas positivas e esperanças. Haja alguém que dê bom testemunho que mostre abertamente que a felicidade existe e é experimentada.sábado, maio 24, 2008
Hoje

Hoje se pudesse cruzar-me-ia apenas com gente gira e interessante. Com sorrisos sinceros e pessoas que transmitissem energias positivas. O respeito imperava entre todos, ninguém se chateava ou mal interpretava o próximo, todos conseguiam ver mais além. Este não seria mais um dia como tantos outros, mas o dia em que a tolerância e a simpatia eram palavras de ordem. O amor era espelhado e transmitido sem medos ou limites. Hoje se pudesse saia como é hábito à rua, mas com a certeza que tudo é bom e vale a pena. Que nada há a temer.
sexta-feira, maio 23, 2008
quinta-feira, maio 22, 2008
terça-feira, maio 20, 2008
Corpos de sonho

Gosto da companhia do rádio ligado (por norma na comercial) quando ando de carro. Distrai-me ouvir música variada. Não suporto nesta altura do ano a quantidade de anúncios de produtos dietéticos e anti isto e aquilo e que fazem emagrecer dia e noite e sei lá eu mais o quê. São imensos e cada vez que passam publicidade repetem duas vezes cada um dos milhentos produtos que fariam as delícias de muitos homens e mulheres. Chateia-me profundamente, mas fazer o quê? Mudo de estação de rádio e volto cinco minutos depois. Nesse entretanto meto à boca mais um quadrado de chocolate porque tenho uma linha a preservar.
segunda-feira, maio 19, 2008
Amo
Que bom que é saber que ninguém é perfeito. Amo a imagem da mulher que estava para ser apedrejada até à morte e a quem lhe foi salva a vida depois da frase "quem nunca errou que atire a primeira pedra". Temos todos episódios, frases, gestos, pensamentos ou atitudes que preferíamos que nunca tivessem acontecido, mas aconteceram. Umas reveladoras de quem somos, outras mal contextualizadas ou que saíram sem maldade ou que sairam por maldade num momento em que não se contém a impulsividade. Amo quando julgo e amanhã estou eu a cair naquele erro e que se calhar até nem era erro nenhum, mas eu julgava-o como tal. Amo quando quem julga engole em seco quando não conseguiu ser melhor que o comum mortal. Amo porque o outro tem uma pestana no olho e eu não vejo a venda que tenho a tapar os meus. Amo e vou continuar a amar enquanto eu continuar a julgar e enquanto os outros continuarem a julgar.domingo, maio 18, 2008
Casados

Ontem foi o casamento. Um dia cheio de coisas boas, de pessoas bonitas, de boa disposição e de alegria. Assistíamos ao início de mais uma família na qual acreditamos e depositamos muita da nossa confiança. Dizia-me uma colega de trabalho esta semana "precisamos de famílias que valham a pena" e sei que aqueles dois amantes certamente farão a diferença pelas escolhas de vida que têm feito e continuarão a fazer. Um dia que certamente não sairá das nossas memórias tão cedo. Uma energia encontrada junto daquelas pessoas que desejo que sejam muito felizes. E felizes para sempre.
sexta-feira, maio 16, 2008
Coisas de gaja

Sou daquelas mulheres que feliz ou infelizmente acredita que consegue fazer quase tudo. Leio sobre os assuntos, observo quem sabe o que faz e experimento fazer sozinha. Só não corto o cabelo em casa por razões que me parecem óbvias, de resto atrevo-me a tratar de mim. Diz o calendário que amanhã tenho um casamento e resolvi tirar o dia para me entregar a profissionais. Nunca me tinha metido nestas coisas de manicures e pedicures, mas há sempre uma primeira e eu achei que esta seria uma boa altura para o experimentar. Em dia de folga pus-me desportiva de ténis e roupa larga e lá fui eu decidida.
- Bom dia menina, diga.
- Bom dia, quero fazer manicure.
- Agora?
- Sim, agora.
Lá me sentei confortável e esperei que tratassem de mim como mereço. Olhei triste para o reflexo dos meus nervosismos. Quem acaba sempre por pagar são as minhas mãos, não necessariamente as minhas unhas, mas encontro peles onde elas não existem e só faço asneiras com os dentes. Fiz um momento de mea culpa e pensei "definitivamente tenho de acabar com este mau hábito". Enquanto ela observava atenta as minhas mãos senti um misto de sensações: por um lado um orgulho das minhas mãos bonitas, por outro uma enorme desilusão porque as estrago quando as meto na boca quando as preocupações apertam. A solução? Tenho de me ver livre de todas as preocupações da minha vida (lol).
- Como quer pintar?
- Uma coisa discreta, com a ponta da unha em branco.
- Quer uma francesinha. Muito bem. - a francesinha dispenso, fico-me só pela manicure. Estes diminutivos ficam engraçados.
E lá estive perto de uma hora com ela a olhar para mim. Terminado o trabalho é hora de deixar secar.
- Esta é a parte pior - comenta ela - o verniz demora a secar, está com muita pressa?
- Não, nada (tirei o dia para isto, pensei para comigo.)
- O verniz só fica definitivamente seco ao fim de duas horas.
DUAS HORAS? Pensei eu... Andava mesmo a leste destas coisas. Fiquei uma meia hora de dedinhos estendidos.
- Cuidado - alertava a rapariga - não se esqueça que não pode tocar em nada porque ainda não está definitivamente seco.
- Sim, obrigada. Serei prudente. - saí com um sorriso e com os dedos todos afastados uns dos outros e de gestos controlados não me fosse (literalmente) saltar o verniz.
(Umas horas mais tarde estava na hora da pedicure. Sim, sim, hoje foi mesmo tudo a rigor)
- Boa tarde, era para fazer a pedicure.
- Sim, claro, sente-se nesta cadeirinha - adoro estes diminutivos, é o segundo do dia, ficam sempre bem.
Sentei-me e pus os pézinhos de molho, lá andou de volta de mim: uma para aqui, pele para ali, uma massagem e outra e pronto. Uma hora e qualquer coisa depois estava despachada e também precisei de uma meia hora para deixar secar o verniz. Este foi mesmo um dia para isto. Foi engraçada a experiência e o resultado.
- Bom dia menina, diga.
- Bom dia, quero fazer manicure.
- Agora?
- Sim, agora.
Lá me sentei confortável e esperei que tratassem de mim como mereço. Olhei triste para o reflexo dos meus nervosismos. Quem acaba sempre por pagar são as minhas mãos, não necessariamente as minhas unhas, mas encontro peles onde elas não existem e só faço asneiras com os dentes. Fiz um momento de mea culpa e pensei "definitivamente tenho de acabar com este mau hábito". Enquanto ela observava atenta as minhas mãos senti um misto de sensações: por um lado um orgulho das minhas mãos bonitas, por outro uma enorme desilusão porque as estrago quando as meto na boca quando as preocupações apertam. A solução? Tenho de me ver livre de todas as preocupações da minha vida (lol).
- Como quer pintar?
- Uma coisa discreta, com a ponta da unha em branco.
- Quer uma francesinha. Muito bem. - a francesinha dispenso, fico-me só pela manicure. Estes diminutivos ficam engraçados.
E lá estive perto de uma hora com ela a olhar para mim. Terminado o trabalho é hora de deixar secar.
- Esta é a parte pior - comenta ela - o verniz demora a secar, está com muita pressa?
- Não, nada (tirei o dia para isto, pensei para comigo.)
- O verniz só fica definitivamente seco ao fim de duas horas.
DUAS HORAS? Pensei eu... Andava mesmo a leste destas coisas. Fiquei uma meia hora de dedinhos estendidos.
- Cuidado - alertava a rapariga - não se esqueça que não pode tocar em nada porque ainda não está definitivamente seco.
- Sim, obrigada. Serei prudente. - saí com um sorriso e com os dedos todos afastados uns dos outros e de gestos controlados não me fosse (literalmente) saltar o verniz.
(Umas horas mais tarde estava na hora da pedicure. Sim, sim, hoje foi mesmo tudo a rigor)
- Boa tarde, era para fazer a pedicure.
- Sim, claro, sente-se nesta cadeirinha - adoro estes diminutivos, é o segundo do dia, ficam sempre bem.
Sentei-me e pus os pézinhos de molho, lá andou de volta de mim: uma para aqui, pele para ali, uma massagem e outra e pronto. Uma hora e qualquer coisa depois estava despachada e também precisei de uma meia hora para deixar secar o verniz. Este foi mesmo um dia para isto. Foi engraçada a experiência e o resultado.
quinta-feira, maio 15, 2008
Sem medo

De consciência tranquila. Sem medo do hoje ou do amanhã ou do ontem que não se evitou. Sem medo de errar porque errar é humano e é através do erro e da reformulação que crescemos, nos tornamos mais fortes e podemos um dia chegar bem perto da perfeição. Sem medo dos gestos e das palavras que saem por amor verdadeiro, gratuito e sem maldade. Sem medo de expressar o que vai na alma porque para a verdade tem de haver sempre espaço. Sem medo de bater a porta quando a solução é esta e não outra porque a vida fez-nos livres e quer-nos felizes e está nas nossas mãos a construção desta felicidade e contribuirmos positivamente para a realização daqueles que partilham as suas vidas connosco. Sem medo de expressar um sentimento nobre através de palavras e gestos, de revelar a dificuldade de uma perda, de pedir ajuda quando nos falta o ar ou pedir que alguém acenda uma luz quando as trevas e a escuridão nos impede a coerência. Sem medo de assumir um fracasso fruto das nossas próprias mãos ou vítima de uma conjuntura desfavorável. Sem medo. Sem medo. Sem medo.
quarta-feira, maio 14, 2008
terça-feira, maio 13, 2008
Cama
A cama que faço é a cama em que me deito, diz o ditado e muito bem. A cama que escolhi é doce e macia. Trato-a com cuidado e tenho-a sempre em ordem. Tudo faço para que seja perfeita, se mantenha ordenada e organizada. Quando me deito nela espero encontrar sossego porque é sossego que lhe dou. Quando me enrolo nela é conforto, consolo e verdade que procuro. Ela tem a forma daquilo que move a minha vida e quero para o meu amanhã. De tudo poderei abdicar menos da fidelidade ao meu coração e do seu desejo sincero de ser tudo em tudo o que faz, de dar tudo ao que encontra e ama, com inteligência e bom senso. Não quero dar só valor àquilo que perco. Quero todos os dias preparar a cama mais confortável que conseguir para pautar a minha vida de tranquilidade e relaxe e quando nela me deitar, adormecer com um sorriso quando reviver o que fiz e o que fui e perceber que tenho na medida desmesurada em que dei.segunda-feira, maio 12, 2008
Amarelo
domingo, maio 11, 2008
Detalhes
sábado, maio 10, 2008
sexta-feira, maio 09, 2008
quinta-feira, maio 08, 2008
Rotina

Querido dono, olá, como estás? Escrevo-te este bilhete porque não posso verbalmente comunicar contigo. Quero agradecer-te pela rotina que partilhas comigo. À semelhança do que nos dizia o Principezinho, quando se aproxima a hora de me levares à rua já nem suporto a ansiedade que sinto. Sou-te grato e fiel, bem o sabes, mas coisas há que nunca são demais salientar e esta é uma delas. Tratas de mim, preocupas-te comigo e eu gosto de sentir o teu carinho. Estou agarrado a ti como a mais ninguém. Posso até aceitar satisfeito as festas de um estranho, brincar com mais alguém que se aproxima, mostrar-me irrequieto com a chegada de um familiar, mas ninguém nunca ocupará o lugar que te reservo. Devo-te tudo. Protejo-te sem que dês por isso. Na tua casa não entram pessoas indesejadas, tenho todos os movimentos controlados, nada me escapa. É o mínimo que posso fazer por ti depois de tudo o que fazes por mim. Obrigado por tudo e até logo. À hora que chegas do trabalho e que estou à porta à tua espera, em que pousas a pasta que trazes e agarras na minha trela e juntos vamos aos sítios de sempre, mas que não me cansam porque me basta a tua companhia e a concretização da nossa rotina.
quarta-feira, maio 07, 2008
terça-feira, maio 06, 2008
segunda-feira, maio 05, 2008
Sonhar

Muitos marcados e magoados pela vida questionarão se vale a pena sonhar. A desilusão por que já passaram impede-os de construir castelos no ar porque sabem que ventos inesperados farão cair por terra os sonhos que construiram. Sonha-se com um emprego ideal, com um salário razoável, um carro potente, uma casa vistosa, um melhor amigo sempre presente que não cobra e não julga, um companheiro/a que nos complete e seja eterno. Um amor que seja eterno. Uma relação eternamente feliz. Sonhar faz com que nos sintamos vivos. O sonho move o homem na concretização dos seus objectivos, é no sonho que carrega forças e energias que o impedem de desistir. É na realidade da impossibilidade de atingir estes sonhos que se reavaliam os critérios, as premissas e as exigências e nos tornamos mais flexíveis, mais conformistas, na verdade, mais realistas. Contudo, é no sonho que tudo começa e esse ninguém nos tira. Mesmo nunca o alcançando ele vive dentro de nós, é um motor que não devemos deixar ir a baixo.
domingo, maio 04, 2008
Maternidade


Em dia que se diz da mãe deixo um episódio curioso. Uma colega de escola sempre disse que planeava ter cinco filhos. Tinha tudo programado: pretendia deixar de trabalhar porque o marido felizmente tem um bom ordenado, capaz de sustentar uma família numerosa. Casaram e são, tanto quanto sei, um casal muito feliz. Há tempo encontrei-a e uma vez que já passa dos trinta anos e já está casada há algum tempo a conversa da descendência foi inevitável. Ela olhou-me muito séria e disse:- Eu gostava, mas cada vez que penso em tudo aquilo que tenho de abdicar para ter um filho, questiono se valerá a pena. - Não esperava esta resposta depois de tantos planos e planos ambiciosos. Eu acho que vale sempre e vale muito a pena.
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