sexta-feira, abril 11, 2008

Contadora de histórias


Quando for grande quero ser contadora de histórias. Quero entrar dentro de todas as cabeças que se voltarem para me ouvir e enchê-las de mundos criados por mim, de pessoas que na sua humanidade sejam capazes de marcar a diferença e fazer história. Não há nada pior que um pobre de espírito. A pobreza exterior é aquela que nos entra pelos olhos a dentro, a pobreza interior vai-nos directa ao coração e num ápice reflecte-se no aspecto. As minhas criaturas serão especiais, humildes de aspecto, mas milionárias por dentro. Quem me ouvir saberá que não passam de ideias que me invadem o pensamento, mas ninguém se importará com a minha meia verdade, todos sabem que ela é a verdade que todos desejam. Todos sabem que sou uma mera contadora de histórias.
Os meus finais serão felizes para quem merece, serão justos para quem fez por isso, serão o reflexo daquilo que cada um deu para construir o seu pedacinho de mundo. Este mundo que cada um ajudou a desenvolver é também o mundo dos outros: escrevemos, colorimos, rabiscamos e até somos capazes de apagar num mundo que não é só nosso. O meu palco é humilde. Sou eu quem dou cara e voz àqueles que nasceram dentro de mim. Sou eu que os conduzo onde quero. Sou a omnipresente e omnipotente que eles sabem que existe, mas insistem ignorá-la na esperança que os podres sejam esquecidos ou nem cheguem nunca a ser reconhecidos por alguém.

Ponho a mochila às costas deixo-me levar pelo sabor do vento. Onde ele me depositar aí me deixarei ficar até que a minha história acabe e eu possa dar início a uma nova. A um novo capítulo da minha telenovela e faça valer aquilo que sou: uma contadora de histórias.

quinta-feira, abril 10, 2008

Horas perdidas


Odeio a segurança social. Acho que já o tinha aqui comentado. Para grande infelicidade minha tive de lá ir hoje e numa hora e meia que lá estive à espera sabem o que consegui? Um papel! Uma hora e meia à espera de uma senhora que me entregaria um papel, mas que não mo podia receber porque para isso tenho de tirar uma senha às 9h da manhã porque elas esgotam pouco depois dessa hora. Comentava o segurança comigo que as pessoas passam o dia inteiro ali sentadas à espera da sua vez. Concordei que isso é muito bom para quem não faz nada na vida, mas para quem trabalha é impensável uma coisa dessas. A resposta dele foi: falta ao trabalho. Sinceramente, eu não posso ser deste mundo... E nem quero um mundo destes.

quarta-feira, abril 09, 2008

Nada nos separará


Porque valores maiores se levantam. E nós somos um valor mais alto.

terça-feira, abril 08, 2008

Em Portugal a aprender português


Comecei ontem mais um curso de português para estrangeiros. Desta vez tenho uma aluna inglesa ainda jovem.
- Porque veio para Portugal aprender português?
- Porque o meu namorado é português e quero falar com a família dele em português.
- Bonita razão... (depois de mais dois dedos de conversa em que falavamos de aspectos gerais nome, apelido, idade, eu pergunto-lhe:) Qual é o seu estado civil?
- Sou noiva. - não contive o sorriso pela espontaneidade com que dá esta resposta, esperava que me respondesse solteira depois de olharmos para os vários estados civis.
- Muito bem, então vão casar é isso?
- Sim, para o ano. Em Inglaterra programamos os casamentos com um ano e meio de antecedência. O meu namorado pediu-me em casamento aqui em Portugal e fez uma festa muito grande. Foi muito bonito e fiquei muito comovida. Agora percebo porque me apaixonei à primeira vista por ele. Só podia ser português. Só ele para me fazer assim feliz.

segunda-feira, abril 07, 2008

My pet


Pareço eu cada vez que vejo um pássaro à minha frente.

domingo, abril 06, 2008

Liberdade


Mão cheia de nada.

Mão livre de tudo.

sábado, abril 05, 2008

Acordar para a vida


Conversava com uma colega e sem que eu estivesse à espera ela pergunta-me "tu não sabes o que queres para ti?". Foi inesperada a intervenção dela e senti-a como uma chapada que nos dão na cara quando nos deixamos adormecer. Literalmente acordei para a vida naquele momento. Rapidamente respondi-lhe "sim, sei, claro". E sei de facto.

sexta-feira, abril 04, 2008

No final da semana

Estava por aqui entretida a ouvir uma meia dúzia de músicas que me dizem qualquer coisa e estava a pensar na semana que tive. Uma semana linda com um sol enorme e quente que brilhou para nós todos os dias. Somos de facto muito sensíveis à forma como o tempo se apresenta. Eu mal acordava e me deparava com um cenário de sol sentia-me com outra disposição para fazer fosse o que fosse. Foi uma semana intensa de trabalho, muitas coisas para fazer, a tese (ainda) em reformulação e a necessidade de responder a outros desafios profissionais que felizmente vão aparecendo e que muito me têm enriquecido a nível pessoal e profissional. Marcou-me muito ter iniciado a semana com uma série de acidentes rodoviários graves e muito graves. Desta semana ficam-me ainda duas conversas interessantíssimas com dois colegas de escola. Ambos seguramente da mesma idade (cinquentas e qualquer coisa), um homem e uma mulher com percursos mais ou semelhantes e mais ou menos sem nada a ver e que não se conhecem. Gosto muito deste olhar materno e paterno que estes colegas têm para connosco e da forma como nos tentam alertar para isto e para aquilo numa atitude de acolhimento brilhante e absolutamente calorosa. Ouço-os sempre com muita atenção, sei que têm muito para me ensinar, sei que gostariam que evitassemos os erros que cometeram no passado, que gostavam que não dessemos certas cabeçadas que custam a curar. Gosto tanto de saber que me cruzei com estas pessoas e que saí/sairei positivamente marcada por elas. É bom, muito bom.

Gosto muito da letra da música que deixo. Estava por aqui entretida a ouvi-la vezes sem conta. Sinto que se adequa ao tema. Já uma vez deixei num post uma frase desta música. Não deixo o videoclip porque ele não existe, mas fica pelo menos a música.

quinta-feira, abril 03, 2008

Key to my heart


I've lost my key. Can you help me finding the key to my heart?

segunda-feira, março 31, 2008

Acidentes na estrada


Hoje foi um dia para esquecer de acidentes. Saí de casa, quinhentos metros depois apanhei um atropelamento de um peão numa passadeira. A ambulância tinha acabado de chegar, ainda vi o senhor num sofrimento enorme deitado no chão. Um quilómetro depois apanho a IC19 cheia de trânsito, tinha acabado de se dar um acidente com uma mota, estavam duas faixas cortadas, a polícia tinha acabado de chegar quando eu por lá passei. O condutor da mota estava num estado indescritível, bem como a mota. Fiquei muito incomodada com tanta desgraça em tão pouco tempo, num espaço tão curto. De volta a casa apanho mais um toque dos habituais, sem qualquer gravidade, felizmente... Custou-me ver tanta desgraça. Dá que pensar...

domingo, março 30, 2008

sábado, março 29, 2008

A vida num retrato


Se pudesse pôr em exposição os episódios mais marcantes da minha e que valem a pena certamente seria um momento interessante de se ver. Ontem andei de volta das minhas fotografias. Achei que lhes estava a dar pouca atenção, estavam ao abandono e não mereciam. Afinal, estão a tornar-me eterna, estão a tornar eternos aqueles que comigo partilharam aqueles momentos. As nossas caras ali permanecem como estavam. Com o tempo envelhecem, ganham novas formas, novas marcas que a vida se encarrega de nos trazer. É uma espécie de maquilhagem permanente que ganhamos por cá andarmos e cá continuarmos. Por isso comprei uns albuns, dei-lhes uns mimos e tratei de guardá-las. Estão agora com o destaque que merecem e com a dignidade que lhes é devida. Se pudesse forrava as paredes do meu quarto com as fotografias mais marcantes, faria deste espaço uma homenagem a tudo o que já passei e que faz de mim o que sou hoje: uma pessoa dita "normal". Mas não posso... Escolhi algumas e destaquei-as em espaços próprias comumente chamados de molduras e arranjei um quadro de iman que pus na parede e que, claro está, se encontra repleto de pessoas especiais. As outras mil que não puderam ter este destaque moram mesmo ao lado destas privilegiadas, mas numa estante e coladinhas umas às outras e olharem-se literalmente olhos nos olhos. Agora que as teno organizadas sei que as procurarei mais. Sei que mais vezes verão a luz do dia e far-me-ão sorrir de felicidade por tudo o que já passei.

sexta-feira, março 28, 2008

O corpo com prazer

Vinha como é habitual na minha volta de carro a ouvir aquilo que o rádio decidir que será justo passar. Nem sempre isto me acontece, mas tenho alturas em que me dá para tomar atenção à letra das músicas, para pelo menos saber o que estou a cantarolar. Na maioria das vezes preferia nunca ter tomado atenção porque acabo por me desiludir com a falta de sentido, lógica e conteúdo que as letras têm. Procuram que o som culmate a falta de originalidade daquele que se lembrou de musicar uma meia dúzia de frases sem nexo. Já me tinha dado conta desta letra. Hoje voltei a cruzar-me com ela e não resisti a colocá-la aqui. Deixo o video e a letra da música. Certamente dar-me-ia muito que pensar e reflectir, mas prefiro deixá-la somente assim para que cada um conclua aquilo que quiser...

Tocas no rosto enquanto o ar não sai
Inspiro sem medo do acto que te vem
Envolvo os pés com as mãos
Do toque nasce a nossa ilusão

Desenhas os risos de um novo medo
Que o peito demonstra sem qualquer sossego
Faz tempo que a culpa se foi
Ficámos de pensar só depois
Do erro.

Já pouco nos resta fechar os olhos
Escondemos actos sem qualquer receio ou angústia
Que nos prende a vontade de sentir

Rasgas-me a roupa sem qualquer pudor
Enquanto buscas o ar pela boca
Passeias o teu cheiro no meu corpo
Por entre os braços misturo tudo
Após o prazer ficaremos mudos
Sem saber
Que é por uma noite

Grito o teu nome sem saber
Como será o amanhã
Foi um sonho real
Por uma noite

quinta-feira, março 27, 2008

Half of me

Metade de mim está aqui em frente a um ecrã, a consultar emails, a verificar as últimas notícias, a ver quem aparece pelo messenger e mete conversa. A outra metade de mim está bem longe, com quem mais quero, a fazer o que mais aprecio. Quem pode, pode...

quarta-feira, março 26, 2008

terça-feira, março 25, 2008

Pára, escuta e olha


Pára, escuta e olha.
Tantas vezes somos apanhados de surpresa porque não parámos, não escutámos e/ou não olhámos quando ainda tinhamos tempo.

segunda-feira, março 24, 2008

Poema de amor


O meu amor é doce como fruta madura
Ele é quente como algumas noites de verão
É firme, é um amor que perdura

O meu coração é seu porque eu quero
Ele é seu porque ele o conquistou
É seu porque é tudo o que quero e espero

O meu olhar é terno quando o vejo
Ele é seu e a si pertence
É tão bom porque ele é tudo o que desejo

A minha canção de amor não traz novidade
É tonta como todas e mais algumas
Espelha a alegria dos amantes que amam com vontade

domingo, março 23, 2008

Elegância


Elegância não é fazer notar, mas fazer recordar...

sábado, março 22, 2008

Imagens

Um fim aparente.
O princípio de uma vida eterna.

sexta-feira, março 21, 2008

Dias calada

Dias de silêncio. Dias de recolha. Dias de retiro.

terça-feira, março 18, 2008

segunda-feira, março 17, 2008

O amor acontece


Certo dia certa história de amor aconteceu quando a Maria Rabia e o Manuel Papel foram inventados por uma certa caneta perneta. O princípio desta assolapada paixão começou no primeiro traço. Cores garridas e berrantes que foram tomando formas arredondadas e que culminariam na impossibilidade de ambos resistirem a tanto charme. Com um piscar de olho ele se denunciou, com um beijo carnudo ela retribuiu a simpatia. As páginas tantas que se seguiram ficam para os próximos capítulos, mas só se os protagonistas consentirem e se os episódios puderem ser publicados.

domingo, março 16, 2008

A contar carneirinhos

Nas noites de maior insónia, em anos que já lá vão, não resisti a contar carneirinhos na esperança de que estes me embalassem até à chegada do João Pestana. Como gosto das coisas a rigor fechei os olhos, imaginei um vasto pasto verde e tratei de arranjar uma bonita cerca para que pudessem alegremente saltar de um lado para o outro. Criado o cenário só faltavam as personagens principais: os carneirinhos. Em pouco tempo chegavam e começavam a saltitar. Eram gordos e tinham um ar simpático. Era chegada a minha hora de os contar. Um carneirinho, dois carneirinhos, três carneirinhos... O sono não chegava. Começava a sentir que estas humildes criaturas, ao invés de me ajudarem a adormecer, faziam precisamente o efeito contrário: desviavam a minha atenção do essencial. Às páginas tantas um dos carneirinhos num ataque de rebeldia, lembra-se de contornar a cerca em vez de a saltar. Fiquei danada com aquela atitude. Que fazia eu com ele? Contava-o na mesma? Desclassificava-o por não cumprir as regras do jogo? Ignorava? Outro igualmente com a mania de ser diferente foge, logo de seguida um recusa-se a saltar a fica estático em frente à cerca proporcionando um enorme engarrafamento de carneirinhos. Eu já estava irritadíssima. Decidi acabar com aquela palhaçada e fazer desaparecer aquele cenário que já estava mais negro que outra coisa. Limpo da minha cabeça o prato verde, a cerca e os animais da quinta que são chamados para esta história e reparo como estava ainda mais desperta e, pior, bem mais irritada. Não voltei a repetir o feito sob pena de ainda me deparar com greves ou manifestações contra a exploração nocturna de carneirinhos ou as consequências do esforço físico dos animais de terem de saltar tal cerca. Ou quem sabe ser visitada pelo pastor e pelo seu fiel amigo cão que me tratariam da saúde porque estava a desviar os carneiros do caminho que devem seguir. Nem pensar! Não queria tal responsabilidade nos meus ombros. Virei-me para o outro lado e adormeci.

sexta-feira, março 14, 2008

Diamonds are a girl's best friend

What do I want as a present? I don't want something I need. I want something I want - something pretty.

quinta-feira, março 13, 2008

Às cegas

Tira a venda. Se estás às escuras é porque queres. Sabes qual é a diferença entre ver e olhar? Ver é aquilo que faço com a televisão, que faço no trânsito, que faço na rua. Vejo pessoas, vejo publicidade, vejo cenas tristes e outras mais alegres. Vejo muita coisa. Olhar é aquilo que faço quando reparo em alguém ou alguma coisa especial. Olhar é mais profundo, é mais intenso. Um olhar toca, mexe, transforma. Porque continuas com essa cortina que te impede de olhares para a vida como ela merece? Aceita o desafio, tira a venda e atreve-te a olhar para aquilo que merece a tua atenção.

quarta-feira, março 12, 2008

terça-feira, março 11, 2008

Pézinhos de cinderela


Quando for grande quero ser pequenina outra vez.

domingo, março 09, 2008

Manifesto anti-ministra


Deixo a minha homenagem a este momento que ficará na história da nossa educação.

sábado, março 08, 2008

Dia da mulher

Em dia da mulher estava o presidente da junta desta freguesia no centro da cidade a distribuir cravos vermelhos às senhoras e meninas que passavam com os cumprimentos da junta. Bonito gesto, agradável, amável, simpático e cordeal. Mas o que realmente me impressionaria e marcaria este dia pela positiva era uma meia dúzia de metros de alcatrão numa das principais ruas de acesso à cidade. Isso sim era uma atitude de valor e um dinheiro bem gasto porque é uma vergonha uma estrada num estado daqueles. Prioridades!!!

sexta-feira, março 07, 2008

The reason why


"Olhemo-nos bem fundo, olhos nos olhos, e procuremos a razão pela qual um dia nos juntámos e faz com que hoje permaneçamos juntos."
Poucos, muito poucos casais são capazes de responder a esta pergunta.

quinta-feira, março 06, 2008

My sweetest thing

O amor é a coisa mais doce que conheço.

quarta-feira, março 05, 2008

Vive comigo e dentro de mim


O que me importa é a verdade. Tudo o que a vida dá será influenciado por esta fidelidade e transparência. A vida sabe da nossa culpa ou da nossa desculpa. Porque nada lhe conseguimos esconder. E que bom é sabê-lo. Porque sei que a verdade sairá sempre vencedora. Ela merece.

segunda-feira, março 03, 2008

366 dias depois


Associo o número um a coisas boas. Um faz-me pensar em unidade, em único, em primeiro. Todos desejamos o primeiro lugar e na contagem decrescente quando chegamos ao um estamos numa enorme ansiedade e excitação na expectativa do que vem a seguir. Tantas expressões se referem ao um como o fundamental: por um se ganha, por um se perde. Por outro lado o número um é sempre o princípio de uma contagem: do zero sem valor, entramos na caminhada que nos levará ao um e ao dois e ao três e por aí fora. Pode parecer um número pequeno ou fraco, mas carrega em si a força e a energia dos fortes, todos têm de passar por ele para atingirem os seguintes. Por todas estas e muitas outras razões vejo neste primeiro aniversário o resultado de uma caminhada de doze meses, o investimento feito nestes 366 dias, o tempo dedicado ao longo de 8784 horas. Um primeiro marco atingido. O princípio de uma contagem que se deseja duradoura.

Momento kodak


Alguém chamou?

domingo, março 02, 2008

Encontrei indefeso


Apanhei indefeso e desprotegido por mero acaso. Fiquei na dúvida se o devia agarrar ou não, afinal todos tememos magoar uma coisa frágil à partida. Tomei-o nas minhas mãos e senti que começou a bater assustado, tremia ligeiramente. Despachei-me a acalmá-lo, disse-lhe que era uma pessoa de boas intenções, princípios e valores e que nunca lhe faria mal. Continuou descrente nas minhas palavras e batia aflito. Encostei-o ao meu peito em sinal de carinho e protecção na esperança que sentisse a verdade do meu coração. Neste acolhimento senti que suspirou e aliviou ligeiramente a tensão que sentia, apesar da atitude de desconfiança ser ainda uma realidade. Levei-o para casa comigo e ainda hoje o guardo numa pequena almoçada branca de veludo. Ele hoje dorme mais tranquilo, bate mais sereno e entrega-se nas minhas mãos.

sexta-feira, fevereiro 29, 2008

Avisos


E dos humanos? Ninguém alerta?

quinta-feira, fevereiro 28, 2008

Eu fui!


Caiste na tentação e quiseste desvendar os segredos que o futuro tem para ti. Bateste com o nariz na porta. Ele estava e está lá à tua espera, mas não te podia dizer o que encontrarás e o que viverás porque nem ele próprio sabe. Sabe somente que tudo dependerá de ti e das opções que fizeres na vida. Dependerá da tua verdade, da tua teimosia, da tua capacidade de selecção, da aparente sorte e azar que usamos para caracterizar tantos momentos da nossa vida. Não há destino. Há caminho, há desafio, há investimento. Existes tu e aquilo que quiseres para ti.

quarta-feira, fevereiro 27, 2008

Por detrás da cortina


Se o futuro te permitisse desvendar o que te reserva caias na tentação de lhe dar ouvidos?

terça-feira, fevereiro 26, 2008

Adoro finais felizes


Cheguei agora a casa cansada de mais um dia/noite de trabalho. Vinha disposta a cair redonda na cama e desta forma esperar pelo dia de amanhã e por aquilo que ele me reserva. Quando chego a casa tenho uma notícia à minha espera: o convite para o casamento de um casal amigo. Senti um misto de "já estava à espera, mas já?" difícil de explicar, mas possível de sentir. Nada os impedia de dar este passo, reunem todas as condições para darem este "sim" e têm em si a principal: o facto de se amarem. Fiquei feliz com o convite porque os amigos que escolhemos são como membros que gostaríamos que fizessem parte da nossa família e é das coisas mais gratificantes que pode haver, partilhar este momento de intensa verdade com quem importa. Contínuo a deitar-me cansada, mas deito-me mais feliz.

segunda-feira, fevereiro 25, 2008

domingo, fevereiro 24, 2008

Partido

O copo partiu quando de um momento para o outro foi atingido sem quase se aperceber. O fino e caro cristal cedeu. Deixa de fazer parte da colecção da família, abandona os seus colegas de prateleira, diz "adeus" aos jantares demorados e às marcas de baton. Com uma pequena vassoura foi varrido e deitado ao lixo. Rapidamente caíra no esquecimento de todos e fora substituído. Uma mão cheia de anos ao dispôr, sem mancha, sem risco, sem reclamações... Em vão.

sábado, fevereiro 23, 2008

Sensualidades


Há bocas que prometem. Outras há que concretizam.

sexta-feira, fevereiro 22, 2008

Coisa ruim



Um retrato da mentalidade fechada portuguesa. Entre Deus e o diabo: a crença e a superstição Um filme que aconselho. Fica a dica para, ao que parece, um fim de semana chuvoso.

Momento


Conta-me uma história, dá-me uma rosa e enrola-me no teu abraço. Assusta que eterna possa ser só essa história que me contas porque a rosa pouco durará e dentro em breve murchará de velhice, fome ou sede. O teu abraço durará enquanto durar o momento. O perfume que me deixares durará uma meia dúzia de horas. O calor do teu corpo durará até eu arrefecer. Quando virares costas comigo ficará para sempre a história que partilhaste, ficará a recordação de mais um momento de entrega ao teu lado e ficará tudo o que sinto por ti.

quinta-feira, fevereiro 21, 2008

Visitada durante a noite


A meio da noite ela desejou ser visitada sorrateiramente por alguém que sem proferir palavra a conseguisse possuir só com o poder do olhar. Preparou-se com poupa e circunstância, afinal não é todos os dias que se espera receber alguém assim. Pôs-se como veio ao mundo, esticou-se para o poder receber e ali ficou à espera da sua chegada. À espera da sua visita. A janela ficara entreaberta para evitar qualquer obstáculo à sua vinda: tudo estava pronto, principalmente ela, que se colocara numa posição de total disponibilidade como nunca havia feito. Algum tempo depois ele chegou. Ela sabia que ele viria. Sentiu pela ventania repentina que a arrepiara de frio, era o momento da sua entrada. Sentiu a janela encostar novamente e abriu os olhos para os poder cruzar com os seus num momento que jamais podia esquecer. Voltou a fecha-los e entregou-se aos prazeres que lhe estavam reservados. Uma cama cheia de ofertas irrecusáveis. E ela não quis deixar de provar uma só que fosse.

quarta-feira, fevereiro 20, 2008

Emaranhada

Detesto deixar coisas importantes para a última da hora, trabalhar sobre stress. Sai sempre qualquer coisa meia esquisita e às três pancadas, que olhamos com desprezo e da à qual não damos qualquer valor. Detesto que se brinque com o esforço e o empenho dos outros. Detesto que cada um não cumpra com aquilo que lhe compete. Há sempre alguém que sai prejudicado com isso.
Sinto-me emaranhada em tudo isto que detesto e não sei como sair daqui ilesa. Porque afinal, a culpa não é minha.

terça-feira, fevereiro 19, 2008

A enxurrada levou o meu trabalho de casa


Ontem entrei numa sala de aula e a professora da turma pediu-me dois minutos para terminar a tarefa que havia começado. Naturalmente de imediato lhe disse que estivesse à vontade e agarrei-me às minhas coisas para pôr em ordem aquilo que tinha para fazer. A professora pedia os trabalhos de casa aos alunos e perante uma aluna que não tinha para entregar desata numa chuva de insultos à crianças. Nestes casos, se eu pudesse, desaparecia. Não gosto de me meter no trabalho dos colegas, ainda para mais com quarenta anos a mais de serviço que eu. Num instante a criança diz tinha a minha prima em casa e não fiz os trabalhos. Pior a emenda que o soneto. Duplicou a carga de porrada psicológica. Baixei o volume, concentrei-me no que eu tinha para fazer e fiquei a conversar com os meus botões enquanto a cena não terminava. Nós temos sempre desculpa para tudo. Poucas são as coisas (ou as pessoas) que assumem que não fazem ou que não querem só porque esta é a sua vontade ou porque não se organizaram como era suposto para dar resposta a todos os desafios que aparecem. Um dos maiores problemas é mesmo a desorganização pessoal e má gestão do tempo. Os pais desculpam-se com os filhos, os filhos com os pais e com os cães que comem o trabalho de casa. As pessoas desculpam-se com a bebida ou com a droga que vicia. Com o mau e com o bom amigo. Com os olhos azuis da rapariga ou com o matulão que piscou o olho. Atiram-se as culpas ao vizinho de baixo ou à publicidade enganosa, à Igreja e a Deus. Todos têm culpa, menos nós, que nascemos à partida ilibados. É uma verdade que muita coisa não depende de nós e que somos vítimas de injustiças, mas nas outras tantas vezes somos nós os responsáveis e só não viramos as costas se não pudermos. A senhora professora até tinha razão: a miúda teve um fim de semana inteiro para fazer face à sua tarefa (Sexta, Sábado e Domingo), perdeu-a pela forma abrutalhada e desordenada com que a chamou a atenção e pelas ofensas pessoais que proferiu. Começamos cedo com desculpas mais ou menos esfarrapadas. Elas surgem na esperança da consequência à nossa falha ser minorada e, quem sabe, perdoada depois de explicarmos o nosso porquê. Aterrei novamente naquela sala de aula quando a professora me diz faça favor, obrigada. Sorri-lhe e agarrei no meu material. Os ombros encolhidos endireitaram-se, levantaram-se os bracitos que queriam participar. Começou a aula.

segunda-feira, fevereiro 18, 2008

domingo, fevereiro 17, 2008

A perfeiçao


Se a perfeição existe? É claro que sim, isso nem se pergunta. A perfeição existe num momento, existe numa pessoa, existe numa qualidade ou num gesto que apreciamos, existe na medida em que temos definido um determinado critério e nos encontramos com aquilo que temos como maior. É natural que o que é perfeito para mim não o seja para ti e ainda bem que assim é. É da maneira que todos nos encontramos com o que consideramos perfeito e aos poucos nos realizamos de formas diferentes, em campos diversos, em espaços variados e com as pessoas certas. Muitos, com medo de se encontrarem com esta perfeição, impõe critérios altíssimos, efectivamente impossíveis de atingir. Esses carregam o vazio dos infelizes que por medo e só por medo tratam de criar barreiras intransponíveis e se fecham ao que de melhor a vida nos pode dar. Faz tudo o que puderes para que tudo em que tocas e por onde quer que passes seja perfeito. Aplica a tranquilidade necessária, evita a ambição desmedida. Sê razoável. Sê perfeito.

sexta-feira, fevereiro 15, 2008

É pegar ou largar


Ontem dizia-me uma voz ligeiramente mais sábia e mais vivida que a minha: para a maioria das pessoas o problema das opções tomadas não está na opção que fizeram (como poderão argumentar ou poder-se-ão iludir nesse sentido), mas reside naquilo que deixaram de lado e desconhecem. É isso que realmente as atormenta porque sabem pelo que se decidiram, mas não sabem o que à partida recusaram com aquela opção.

quinta-feira, fevereiro 14, 2008

Dia de São Valentim


Valentim era um sacerdote cristão contemporâneo do imperador Cláudio II. Cláudio queria constituir um exército romano grande e forte; não conseguindo levar muitos romanos a alistarem-se, acreditou que tal sucedia porque os homens não se dispunham a abandonar as suas mulheres e famílias para partirem para a guerra. E a solução que encontrou… foi proibir os casamentos dos jovens! Valentim ter-se-á revoltado contra a ordem do imperador e, ajudado por S. Mário, terá casado muitos casais em segredo. Quando foi descoberto, foi preso, torturado e decapitado a 14 de Fevereiro.

http://web.educom.pt/paulaperna/s_valentim.htm

Deixo a lenda por detrás de mais um dia especial. O dia dos namorados, como já referi, é todos os dias que dedicam com fidelidade um ao outro. Prendas, programas especiais ou palavras e frases guardadas para este dia são inúteis se esta não for a norma, a regra pela qual os amantes se deixam reger. Naturalmente desejo a todos os que se querem bem um dia muito feliz, como o desejo para todos os dias das suas vidas. Já dizia santo Agostinho e muito bem ama e faz o que quiseres porque quem ama de verdade dificilmente fará mal...

terça-feira, fevereiro 12, 2008

Quando for grande


Quando for grande quero ser como as personagens das telenovelas: trabalho pouco ou nada, ganho muito (ou pelo menos o suficiente para fazer uma vidaça daquelas, vestir-me assim e assado e andar no último grito da moda) e poder gritar com o patrão sem que ele me despeça. Os patrões perdoam tudo e relativizam tudo. Cada um faz mais ou menos aquilo que quer: entra e sai à hora que bem lhe apetecer. A vida flui e eles trazem uma estranha certeza de que tudo vai correr bem e de que conseguirão tudo aquilo com que sonham. As pessoas más trazem-no escarrapachado na testa, o que nos facilita imenso a tarefa de percebermos em quem podemos ou não confiar. O inimigo vem devidamente identificado e só nos aproximamos dele se formos verdadeiramente parvos. Essa é a parte intrigante nas telenovelas: há quem se aproxime destas personagens declaradamente más. Nestas alturas não consigo ter pena deles, estão mesmo a pedi-las. Alguns homens e algumas mulheres aparecem idealizados, bem como alguns relacionamentos e dia-a-dias que nada têm a ver com a realidade. Poder-me-ão dizer e com alguma razão: vá, não sejas assim, isto é uma ficção. Certíssimo, estamos plenamente de acordo, mas ainda não perdi a esperança de que no dia em que eu for grande a vida vai ser realmente assim. Talvez para quebrar esta tendência amorosa temos agora os Casos da Vida que pretendem precisamente retratar (neste caso de uma forma exagerada para o mau) supostas situações da vida real, menos felizes. Não se entende de facto. Por um lado querem fazer-nos sonhar com histórias ideais, por outro derretem-nos de tristeza com as desgraças alheias. Mas entre uma e outra continuo a querer ser uma aquelas pessoas a quem tudo acaba por correr sempre bem. Está decidido: é isso mesmo que eu quero ser quando for grande.

Travessia do deserto

Às vezes a vida reserva-nos autênticas travessias no deserto: sem água, sem comida, quase sem companhia e sem esperaça. Sentimos o corpo desfalecer a cada minuto que passa, desesperamos com cada miragem e com cada montanha que finalmente atravessamos, mas deparamo-nos com o mesmo amontoado de areia quente que não nos mostra o final desta caminhada. Já outros povos se viram nestas travessias e se desejaram para se encontrarem. Sim, porque o problema não é sermos encontrados, porque isso já fomos há muito tempo, o problema é encontrarmo-nos.

segunda-feira, fevereiro 11, 2008

Porque todos os dias são dias dos namorados


Um tributo aos que se amam porque o amor não escolhe dias, horas, idades ou nacionalidades. Sem datas ou ocasiões predefinidas, fica aqui uma homenagem aos que se amam e se querem bem e assumiram um compromisso bonito que a ambos orgulhe e realize.