quarta-feira, fevereiro 27, 2008

Por detrás da cortina


Se o futuro te permitisse desvendar o que te reserva caias na tentação de lhe dar ouvidos?

terça-feira, fevereiro 26, 2008

Adoro finais felizes


Cheguei agora a casa cansada de mais um dia/noite de trabalho. Vinha disposta a cair redonda na cama e desta forma esperar pelo dia de amanhã e por aquilo que ele me reserva. Quando chego a casa tenho uma notícia à minha espera: o convite para o casamento de um casal amigo. Senti um misto de "já estava à espera, mas já?" difícil de explicar, mas possível de sentir. Nada os impedia de dar este passo, reunem todas as condições para darem este "sim" e têm em si a principal: o facto de se amarem. Fiquei feliz com o convite porque os amigos que escolhemos são como membros que gostaríamos que fizessem parte da nossa família e é das coisas mais gratificantes que pode haver, partilhar este momento de intensa verdade com quem importa. Contínuo a deitar-me cansada, mas deito-me mais feliz.

segunda-feira, fevereiro 25, 2008

domingo, fevereiro 24, 2008

Partido

O copo partiu quando de um momento para o outro foi atingido sem quase se aperceber. O fino e caro cristal cedeu. Deixa de fazer parte da colecção da família, abandona os seus colegas de prateleira, diz "adeus" aos jantares demorados e às marcas de baton. Com uma pequena vassoura foi varrido e deitado ao lixo. Rapidamente caíra no esquecimento de todos e fora substituído. Uma mão cheia de anos ao dispôr, sem mancha, sem risco, sem reclamações... Em vão.

sábado, fevereiro 23, 2008

Sensualidades


Há bocas que prometem. Outras há que concretizam.

sexta-feira, fevereiro 22, 2008

Coisa ruim



Um retrato da mentalidade fechada portuguesa. Entre Deus e o diabo: a crença e a superstição Um filme que aconselho. Fica a dica para, ao que parece, um fim de semana chuvoso.

Momento


Conta-me uma história, dá-me uma rosa e enrola-me no teu abraço. Assusta que eterna possa ser só essa história que me contas porque a rosa pouco durará e dentro em breve murchará de velhice, fome ou sede. O teu abraço durará enquanto durar o momento. O perfume que me deixares durará uma meia dúzia de horas. O calor do teu corpo durará até eu arrefecer. Quando virares costas comigo ficará para sempre a história que partilhaste, ficará a recordação de mais um momento de entrega ao teu lado e ficará tudo o que sinto por ti.

quinta-feira, fevereiro 21, 2008

Visitada durante a noite


A meio da noite ela desejou ser visitada sorrateiramente por alguém que sem proferir palavra a conseguisse possuir só com o poder do olhar. Preparou-se com poupa e circunstância, afinal não é todos os dias que se espera receber alguém assim. Pôs-se como veio ao mundo, esticou-se para o poder receber e ali ficou à espera da sua chegada. À espera da sua visita. A janela ficara entreaberta para evitar qualquer obstáculo à sua vinda: tudo estava pronto, principalmente ela, que se colocara numa posição de total disponibilidade como nunca havia feito. Algum tempo depois ele chegou. Ela sabia que ele viria. Sentiu pela ventania repentina que a arrepiara de frio, era o momento da sua entrada. Sentiu a janela encostar novamente e abriu os olhos para os poder cruzar com os seus num momento que jamais podia esquecer. Voltou a fecha-los e entregou-se aos prazeres que lhe estavam reservados. Uma cama cheia de ofertas irrecusáveis. E ela não quis deixar de provar uma só que fosse.

quarta-feira, fevereiro 20, 2008

Emaranhada

Detesto deixar coisas importantes para a última da hora, trabalhar sobre stress. Sai sempre qualquer coisa meia esquisita e às três pancadas, que olhamos com desprezo e da à qual não damos qualquer valor. Detesto que se brinque com o esforço e o empenho dos outros. Detesto que cada um não cumpra com aquilo que lhe compete. Há sempre alguém que sai prejudicado com isso.
Sinto-me emaranhada em tudo isto que detesto e não sei como sair daqui ilesa. Porque afinal, a culpa não é minha.

terça-feira, fevereiro 19, 2008

A enxurrada levou o meu trabalho de casa


Ontem entrei numa sala de aula e a professora da turma pediu-me dois minutos para terminar a tarefa que havia começado. Naturalmente de imediato lhe disse que estivesse à vontade e agarrei-me às minhas coisas para pôr em ordem aquilo que tinha para fazer. A professora pedia os trabalhos de casa aos alunos e perante uma aluna que não tinha para entregar desata numa chuva de insultos à crianças. Nestes casos, se eu pudesse, desaparecia. Não gosto de me meter no trabalho dos colegas, ainda para mais com quarenta anos a mais de serviço que eu. Num instante a criança diz tinha a minha prima em casa e não fiz os trabalhos. Pior a emenda que o soneto. Duplicou a carga de porrada psicológica. Baixei o volume, concentrei-me no que eu tinha para fazer e fiquei a conversar com os meus botões enquanto a cena não terminava. Nós temos sempre desculpa para tudo. Poucas são as coisas (ou as pessoas) que assumem que não fazem ou que não querem só porque esta é a sua vontade ou porque não se organizaram como era suposto para dar resposta a todos os desafios que aparecem. Um dos maiores problemas é mesmo a desorganização pessoal e má gestão do tempo. Os pais desculpam-se com os filhos, os filhos com os pais e com os cães que comem o trabalho de casa. As pessoas desculpam-se com a bebida ou com a droga que vicia. Com o mau e com o bom amigo. Com os olhos azuis da rapariga ou com o matulão que piscou o olho. Atiram-se as culpas ao vizinho de baixo ou à publicidade enganosa, à Igreja e a Deus. Todos têm culpa, menos nós, que nascemos à partida ilibados. É uma verdade que muita coisa não depende de nós e que somos vítimas de injustiças, mas nas outras tantas vezes somos nós os responsáveis e só não viramos as costas se não pudermos. A senhora professora até tinha razão: a miúda teve um fim de semana inteiro para fazer face à sua tarefa (Sexta, Sábado e Domingo), perdeu-a pela forma abrutalhada e desordenada com que a chamou a atenção e pelas ofensas pessoais que proferiu. Começamos cedo com desculpas mais ou menos esfarrapadas. Elas surgem na esperança da consequência à nossa falha ser minorada e, quem sabe, perdoada depois de explicarmos o nosso porquê. Aterrei novamente naquela sala de aula quando a professora me diz faça favor, obrigada. Sorri-lhe e agarrei no meu material. Os ombros encolhidos endireitaram-se, levantaram-se os bracitos que queriam participar. Começou a aula.

segunda-feira, fevereiro 18, 2008

domingo, fevereiro 17, 2008

A perfeiçao


Se a perfeição existe? É claro que sim, isso nem se pergunta. A perfeição existe num momento, existe numa pessoa, existe numa qualidade ou num gesto que apreciamos, existe na medida em que temos definido um determinado critério e nos encontramos com aquilo que temos como maior. É natural que o que é perfeito para mim não o seja para ti e ainda bem que assim é. É da maneira que todos nos encontramos com o que consideramos perfeito e aos poucos nos realizamos de formas diferentes, em campos diversos, em espaços variados e com as pessoas certas. Muitos, com medo de se encontrarem com esta perfeição, impõe critérios altíssimos, efectivamente impossíveis de atingir. Esses carregam o vazio dos infelizes que por medo e só por medo tratam de criar barreiras intransponíveis e se fecham ao que de melhor a vida nos pode dar. Faz tudo o que puderes para que tudo em que tocas e por onde quer que passes seja perfeito. Aplica a tranquilidade necessária, evita a ambição desmedida. Sê razoável. Sê perfeito.

sexta-feira, fevereiro 15, 2008

É pegar ou largar


Ontem dizia-me uma voz ligeiramente mais sábia e mais vivida que a minha: para a maioria das pessoas o problema das opções tomadas não está na opção que fizeram (como poderão argumentar ou poder-se-ão iludir nesse sentido), mas reside naquilo que deixaram de lado e desconhecem. É isso que realmente as atormenta porque sabem pelo que se decidiram, mas não sabem o que à partida recusaram com aquela opção.

quinta-feira, fevereiro 14, 2008

Dia de São Valentim


Valentim era um sacerdote cristão contemporâneo do imperador Cláudio II. Cláudio queria constituir um exército romano grande e forte; não conseguindo levar muitos romanos a alistarem-se, acreditou que tal sucedia porque os homens não se dispunham a abandonar as suas mulheres e famílias para partirem para a guerra. E a solução que encontrou… foi proibir os casamentos dos jovens! Valentim ter-se-á revoltado contra a ordem do imperador e, ajudado por S. Mário, terá casado muitos casais em segredo. Quando foi descoberto, foi preso, torturado e decapitado a 14 de Fevereiro.

http://web.educom.pt/paulaperna/s_valentim.htm

Deixo a lenda por detrás de mais um dia especial. O dia dos namorados, como já referi, é todos os dias que dedicam com fidelidade um ao outro. Prendas, programas especiais ou palavras e frases guardadas para este dia são inúteis se esta não for a norma, a regra pela qual os amantes se deixam reger. Naturalmente desejo a todos os que se querem bem um dia muito feliz, como o desejo para todos os dias das suas vidas. Já dizia santo Agostinho e muito bem ama e faz o que quiseres porque quem ama de verdade dificilmente fará mal...

terça-feira, fevereiro 12, 2008

Quando for grande


Quando for grande quero ser como as personagens das telenovelas: trabalho pouco ou nada, ganho muito (ou pelo menos o suficiente para fazer uma vidaça daquelas, vestir-me assim e assado e andar no último grito da moda) e poder gritar com o patrão sem que ele me despeça. Os patrões perdoam tudo e relativizam tudo. Cada um faz mais ou menos aquilo que quer: entra e sai à hora que bem lhe apetecer. A vida flui e eles trazem uma estranha certeza de que tudo vai correr bem e de que conseguirão tudo aquilo com que sonham. As pessoas más trazem-no escarrapachado na testa, o que nos facilita imenso a tarefa de percebermos em quem podemos ou não confiar. O inimigo vem devidamente identificado e só nos aproximamos dele se formos verdadeiramente parvos. Essa é a parte intrigante nas telenovelas: há quem se aproxime destas personagens declaradamente más. Nestas alturas não consigo ter pena deles, estão mesmo a pedi-las. Alguns homens e algumas mulheres aparecem idealizados, bem como alguns relacionamentos e dia-a-dias que nada têm a ver com a realidade. Poder-me-ão dizer e com alguma razão: vá, não sejas assim, isto é uma ficção. Certíssimo, estamos plenamente de acordo, mas ainda não perdi a esperança de que no dia em que eu for grande a vida vai ser realmente assim. Talvez para quebrar esta tendência amorosa temos agora os Casos da Vida que pretendem precisamente retratar (neste caso de uma forma exagerada para o mau) supostas situações da vida real, menos felizes. Não se entende de facto. Por um lado querem fazer-nos sonhar com histórias ideais, por outro derretem-nos de tristeza com as desgraças alheias. Mas entre uma e outra continuo a querer ser uma aquelas pessoas a quem tudo acaba por correr sempre bem. Está decidido: é isso mesmo que eu quero ser quando for grande.

Travessia do deserto

Às vezes a vida reserva-nos autênticas travessias no deserto: sem água, sem comida, quase sem companhia e sem esperaça. Sentimos o corpo desfalecer a cada minuto que passa, desesperamos com cada miragem e com cada montanha que finalmente atravessamos, mas deparamo-nos com o mesmo amontoado de areia quente que não nos mostra o final desta caminhada. Já outros povos se viram nestas travessias e se desejaram para se encontrarem. Sim, porque o problema não é sermos encontrados, porque isso já fomos há muito tempo, o problema é encontrarmo-nos.

segunda-feira, fevereiro 11, 2008

Porque todos os dias são dias dos namorados


Um tributo aos que se amam porque o amor não escolhe dias, horas, idades ou nacionalidades. Sem datas ou ocasiões predefinidas, fica aqui uma homenagem aos que se amam e se querem bem e assumiram um compromisso bonito que a ambos orgulhe e realize.

domingo, fevereiro 10, 2008

sábado, fevereiro 09, 2008

No baú das memórias


Hoje estava de volta das limpezas aqui no quarto e encontrei a minha pasta de finalista. Talvez porque a minha irmã também esteja quase a terminar o curso, não resisti a abri-la e a recordar cada palavra e cada pessoa que naquela altura fazia parte da minha vida e partilhou aquele momento comigo. Eram palavras de esperança, de coragem perante o futuro próximo que se aproximava, eram palavras de alegria e satisfação porque via concretizado um sonho. E foi de facto um momento de realização pessoal, de alegria extrema. Lembro-me que chorei nesse dia, lembro-me que até o meu pai chorou! Olhou para mim e virou costas para que eu não visse como estava comovido. Foi um dia em cheio. Cheio de emoções e cheio de sorrisos. Marcou o final de uma etapa sofrida e de privações. Marcou o princípio de uma vida de trabalho que até à data tem corrido bem e me tem realizado como pessoa e como profissional. Na vida vamos acumulando conquistas e derrotas, alegrias, desilusões, paixões, perdas... Um sem número de coisas que nos vai ocupando a mente e o coração. É sinal que estamos vivos e que vivemos com intensidade. É sinal que temos coisas e pessoas que amamos e que nos marcam, que deixámos que nos marcassem. A forma como vivemos estas coisas e estas pessoas depende do espaço e da importância que lhes demos ou que lhes damos na nossa vida. Muitas pessoas já desapareceram entretanto da minha vida, mas as suas palavras permancerão eternas naquelas fitas. As pessoas que ficaram são as que interessam e as que gostava que continuassem. São engraçadas e muitas vezes dolorosas as voltas da vida. Hoje não resisti a abrir a minha capa de finalista, sacudir o pó e olhar para o dia que marcou o princípio da minha vida como professora.

quinta-feira, fevereiro 07, 2008

Espera que encontras


Valerá sempre a pena porque um dia ela virá. Pensa-se que esse alguém só nos trará certezas, o que é um engano. As dúvidas existem sempre, mas serão passageiras, serão conversadas e desmistificadas. Importa que fique sempre o essencial: o balanço entre a emoção e a razão. Importa que o verdadeiro amor vencerá sempre e com ele virá a realização de uma vida.

quarta-feira, fevereiro 06, 2008

Caminhos


- Olá, boa tarde, desculpe o incómodo.
- Diga menina, em que posso ajudá-la?
- Eu acho que estou perdida. Sabe, procurei em todos os mapas onde ficaria o fim do mundo e não encontrei a referência em nenhum. Como sou dada às novas tecnologias comprei um GPS e lá lhe pedi que me levasse até à terra do nunca e ele amavelmente foi-me dando indicações ora para a direita, ora para esquerda e tenho andado nesta vida. A verdade é que nunca mais chego ao destino e já me estou a aborrecer com isso a sério. Liguei a uma amiga em que confio, é hospedeira de bordo e ocorreu-me de imediato que ela seria a solução deste meu problema. Quando questionada sobre a precisa localização da terra prometida também ela entrou num jogo de gaguejos soluçados e acabou por encalhar num boa pergunta, não faço ideia. E nisto ficou de questionar o piloto mais experiente que conhecia. Ele deu meia dúzia de gargalhadas, mas deixou-se ficar por ali também, sem resposta... Como sou persistente e estou convicta que chegarei ao meu destino, não desisti ainda de pisar essa terra que a poucos está acessível, por isso é que ninguém nunca lá esteve.
- Difícil tarefa a sua, mas não é impossível.
- A sério? Acredita mesmo? Eu sabia que alguém me levaria até lá. Por favor, oriente-me.
- É mais fácil do que parece. Largue o GPS, desligue o telémovel, queime os mapas e siga somente as indicações que eu lhe dou: deixe-se levar lentamente pelo caminho que o seu coração quiser percorrer, vire nas ruas que ele pedir, espreite atenta os becos e ruelas que lhe pareçam mais perigosos, mas retire deles apenas o que lhe interessar. Nos casos de dúvida deixe-se aconselhar pela razão, que normalmente traz uma opinião ponderada. Na sua caminhada seja sempre fiel à sua consciência e à sua vontade, evite pisos incertos. Quando menos esperar dará por si na terra prometida ou terra do nunca, mas que ao contrário do que pensa não fica no fim do mundo, ficará no centro do seu mundo.

terça-feira, fevereiro 05, 2008

Alegria e bem-estar


porque há finais de dia perfeitos...

segunda-feira, fevereiro 04, 2008

Prende-me a ti

A raposa calou-se e ficou a olhar durante muito tempo para o principezinho.
- Por favor... Prende-me a ti! - acabou finalmente por dizer.
- Eu bem gostava - respondeu o principezinho - mas não tenho muito tempo. Tenho amigos para descobrir e uma data de coisas para conhecer...
- Só conhecemos as coisas que prendemos a nós - disse a raposa - Os homens, agora, já não têm tempo para conhecer nada. Compram as coisas já feitas nos vendedores. Mas como não há vendedores de amigos, os homens já não têm amigos. Se queres um amigo, prende-me a ti!
- E o que é que é preciso fazer? - perguntou o principezinho.
- É preciso muita paciência.
Exupéry

domingo, fevereiro 03, 2008

Ninguém leva a mal


Quis o calendário que o Carnaval este ano chegasse tão depressa. Fui então ontem brincar aos mascarados. Numa época sem tabus, as ruas foram-se enchendo de crianças, jovens e menos jovens que vinham de todos os lados fielmente apetrechados. Desde o fato mais caro, à calça a cheirar a naftalina, à meia rota e à barriguinha de fora com um frio de rachar, importava era estar a rigor e a gosto. Dançava-se, bebia-se e sorria-se. Por um dia, por uma noite, homens e mulheres assumiam identidades que não são, por norma, as suas e deliciavam-se com a oportunidade. Foi um serão muito engraçado, onde se multiplicavam as graças e as brincadeiras. Sem medos e sem pudores, com mais ou menos glamour festejei com todos os que encontrei o meu carnaval. Para o ano há mais =)

sábado, fevereiro 02, 2008

Cores e sabores

O sal e a pimenta que dão outro sabor à comida.
Tu e eu que damos outro sabor à vida.

sexta-feira, fevereiro 01, 2008

A vida não pára

Hoje ouvia esta música enquanto regressava a casa. Há uma meia dúzia de frases mais sonantes que me ficaram no ouvido e me ficaram, naturalmente, na cabeça. Vim a pensar para comigo este será o meu post de hoje. Partilho a música e a letra. É a ideia da velocidade estonteante com que a vida corre, é a ideia de até nos podermos alhear a isso, mas que isso não faz com que o tempo espere por nós só porque decidimos fazer de conta que estamos à espera da resposta dos males da sociedade. É a nossa necessidade de encontrarmos algum travão, de encontrarmos alguma calma, do próprio corpo que pede algum alimento interior que valha realmente a pena no meio de tanta correria, mas nem mesmo aqui, conseguimos que o tempo nos dê esse espaço. Assusta-me a frase Será que temos esse tempo pra perder porque levanta a questão do tempo desperdiçado, que é das coisas pelas quais mais lutamos para que não aconteça. É a ideia de que podemos estar a desperdiçar mais tempo do que aquele que desejaríamos ou de que teríamos consciência, tempo esse que efectivamente não temos. Não sei se a vida é rara, sei que é passageira, sei que está cheia de quês, porquês, senãos e se sesins e que seguramente mais de metade não sabe o que anda aqui a fazer. Fica mais este desabafo a juntar a tantos outros...


Mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma,
Até quando o corpo pede um pouco mais de alma,
A vida não pára...
E quando o tempo acelera e pede pressa
Eu recuso, faço hora e vou na valsa,
A vida é tão rara...
Enquanto todo mundo espera a cura do mal,
E a loucura finge que isso é normal,
Eu finjo ter paciência...
O mundo vai girando cada vez nais veloz,
A gente espera do mundo e o mundo espera de nós
Um pouco mais de paciência...
Será que é tempo que lhe falta pra perceber,
Será que temos esse tempo pra perder,
E quem quer saber?!
A vida é tão rara... tão rara...
Mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma,
Até quando o corpo pede um pouco mais de alma,
A vida não pára...
A vida não pára nao...
Será que é tempo que lhe falta pra perceber,
Será que temos esse tempo pra perder,
E quem quer saber?!
A vida é tão rara... tão rara...
A vida é tão rara.
Mafalda Veiga e João Pedro Pais

quinta-feira, janeiro 31, 2008

A lei das coisas


Alguém um dia me dizia: Principezinha, esta é a ordem e estas são as fases do amor. Só não sei se da esquerda para a direita, se da direita para a esquerda.

quarta-feira, janeiro 30, 2008

Miopias e estigmatismos


Os óculos podem culmatar aquilo que os olhos já perderam. Com os anos aumenta a graduação, com o tempo e o esforço as lentes engordam e aumenta o receio das lentes fundo de garrafa. Que importa? Sem eles somos um pouco menos de metade nós. Quando o mundo nos parece mais turvo, não há nada que um bom par de óculos não remedeie. Fossem eles a solução para todas as nossas faltas de visão.

terça-feira, janeiro 29, 2008

No tempo em que galinhas tinham dentes

Era uma vez um menino que foi convidado para ir trabalhar para muito loooooooooonge. Como a proposta era aliciante lá foi ele, sentia que não podia desperdiçar a oportunidade. Para trás deixava as pessoas que sempre lhe foram queridas e deixava também metade do seu coraçãozinho com uma menina muito bonita. Ela prometeu-lhe que cá ficaria à espera e que não deixaria que ninguém se aproximasse dela. O seu coração estaria frio para essas segundas intenções e ela não gostava dessas confianças. Cada macaquinho no seu galhinho, dizia ela entre risos. O pobre trabalhador também deixara uma meia dúzia de promessas de amor eterno e que nada nem ninguém os separaria. Trocaram-se abraços apertados e beijos apaixonados na hora da partida. Deixaram-se cair lágrimas de saudade e de incerteza perante o futuro próximo. Passava um mês, dois, três. Nenhum se habituara à distância que os separava. Nenhum conseguia ser verdadeira feliz sem o outro. Apesar dos investimentos estrangeiros de outros meninos e outras meninas todos muito bem intencionados, já se sabe, oferencendo ombros de consolo, nenhum se deixara iludir, nem influenciar. Mantiveram-se sempre fieis ao compromisso que assumiram. Certo dia estava a menina em casa de volta das suas coisas quando ouve tocar à campainha. Corre até à porta, espreita e estranha não ver ninguém. A medo abre a porta e repara que tem um papel dobrado por cima do tapete. Apanha-o e abre-o. Encontra uma mensagem que lhe faz disparar o coração de imediato. Quando levanta os olhos do papel, encontra o olhar da sua vida e ambos deixam-se derreter nos braços um do outro para todo o sempre. Vitória, vitória, acabou-se a história.
O fim!

segunda-feira, janeiro 28, 2008

Belos adormecidos


para a vida porque ela já acordou para ti.

domingo, janeiro 27, 2008

Adoeci


Tinha dormido mal. Uma súbita má disposição impediu-me do descanço que merecia. Cheguei a casa com uma estranha sensação no corpo. Tomei banho, pus o termómetro e este acusou-me 38º de febre. Sentia frio, agazalhei-me. Trouxe o aquecedor para junto de mim, aninhei-me e liguei o computador para verificar o meu email e escrever mais uma meia dúzia de frases com mais ou menos sentido. Hoje o tema é dedicado a mim e à fragilidade do meu corpo que adoece pela primeira este ano. E espero que pela última também. Ontem a minha mãe dizia-me olha que se calhar estás adoentada. Não, respondi-lhe eu aprontadamente, não tenho tempo para essas coisas. Mal podia eu esperar que estas coisas não se deixam reger por tempos, horário ou vontades. Hoje tocou-me a mim. Depois de terminadas as tarefas no computador, que acabaram por ser mais breves do que aquilo que pensava, desligo-o. Arrumo a minha cama, aqueço um saco de água para culmatar a minha incapacidade de me manter quente e deito-me. Num ápice o comprimido faz efeito e adormeço finalmente... Na fase entre o sono e o sonho passam-me pela memória flashes do meu dia, da minha semana. És tu quem mais os domina, é o teu sorriso, é a tua alegria que me deixa adormecer ainda mais tranquila e claramente feliz porque não é a minha fraqueza humana que me vai impedir de recordar mais um dia ao teu lado como um dia inesquecivelmente especial.

sábado, janeiro 26, 2008

Smile and wave

Certamente todos estarão recordados do filme Madagascar e dos caricatos pinguins que fazem as graças de quem os vê. O segredo destas personagens reside na postura que adoptam: smile and wave estão sempre a lembrar-se uns aos outros de qual deverá ser a sua atitude perante as pessoas que olham para eles. Tudo isto porque guardam dentro de si uma enorme capacidade de projectarem os esquemas mais impressionantes possível. A fachada que sustentam de pinguins simpáticos, esconde os esquemas que armam e a esperteza que têm. Lembro-me muito deste episódio e acho que no fundo, no fundo, até nos deixa uma bela dica, não necessariamente no sentido de ser usada para fins menos próprios, mas há alturas em que dá muito jeito. Na hora H just smile and wave, boys. Smile and wave.

quinta-feira, janeiro 24, 2008

A meio caminho do fim


Professores à beira de um ataque de nervos com as políticas dos nossos digníssimos.

terça-feira, janeiro 22, 2008

segunda-feira, janeiro 21, 2008

Imprevistos


Tenho aqui um cabelo. Importas-te de mo tirar?

domingo, janeiro 20, 2008

Virada do avesso


Pudesse tudo correr como desejamos. Pudesse tudo depender de nós e só de nós. É que aquilo que depende só de nós, é por norma aquilo que nos corre melhor: a prestação nos testes, o resultado nos exames, o bom desempenho do nosso serviço na nossa profissão. Já aquilo que depende dos outros também pode-nos colocar na corda bamba. Eu cumpro com a minha parte, mas alguém tera também de cumprir com a sua para que as coisas resultem. Assim estou eu neste momento: desejava entregar já o meu projecto de mestrado, ao qual dediquei todo o tempo que tinha disponível para, lá está, cumprir a minha parte do dever e vejo-me agora dependente de terceiros que, menos cumpridores que eu, me obrigam a atrasar aquilo que desejava despachar já. É daqueles sapos que realmente custam a engolir...

sexta-feira, janeiro 18, 2008

E para sobremesa?


Meti o garfo à boca lentamente, fechei os olhos segurei com os dentes a batata frita e ela deixou-se mastigar por mim. Abri os olhos, espalhei mais dois sorrisos, limpei o canto da boca e voltei a acolher o guardanapo de pano no meu colo. Estendi-o bem, não o queria amarrotado. Agarro no copo com delicadeza, molho os lábios só para poder suave e discretamente passar com a minha língua sobre o meu baton novo que me ofereceram e me fica tão bem. A conversa mantem-se amena, ao meu redor as pessoas permanecem civilizadas e agradáveis, multiplicam-se as conversas interessantes, transbordam-se os penteados e os vestidos caros. As pessoas naturalmente olham-se de cima a baixo e deitam-se a divinhar a origem de tanto glamour. Já nasceu comigo diz uma em tom de brincadeira, mas já a demarcar-se do resto da multidão. Outra não menos espirituosa deixa escapar um Que sorte, ninguém diria, generalizando a gargalhada forçada e aumentanto a expectativa e para com os próximos capítulos desta saga no feminino. Nunca a novela estivera tão quente. Ali ninguém deixa partir o verniz, as bocas têm classe, os rostos carregam quilos de base e as cicatrizes escondem os anos que se tentaram atirar para um contentor de uma clínica de estética. As máscaras não caem, ninguém se desmancha, muita coisa está em jogo e para vencedores natos, nada pior que uma derrota pública. Continuamos a consumir aqueles pratos caros que ninguém consegue pronunciar porque o chefe faz questão de os colocar em francês e nós fazemos questão de ir precisamente a estes mesmos sítios. Ninguém dá o braço a torcer, apontamos para a lista e vemos o nosso problema de expressão resolvido num abrir e piscar de olhos e, novamente, sem darmos parte fraca. Os empregados escolhidos a dedo já sabem o que a casa gasta e já foram treinados para nos pouparem a tal tarefa. Olho por cima dos óculos para a dama que se encontra mesmo à minha frente. Nem a minha elevada miopia me impediria de reparar nos olhinhos bonitos que fazia ao rapaz que a servia. Esta gente adora sentir-se superior e entrar nestes jogos de escravidão. Acho que as excita. Este é o papel que gosto de assumir quando sou obrigada a estar com esta gente: observadora. O meu QI não se assemelha ao deles e não consigo fazer de conta que somos todos igualmente burros e básicos, não temos temas em comum, não são pessoas em quem confie ou que me ajudem a ser uma pessoa melhor, logo, não há ali nada mais que possa fazer. Mantenho-me firme e inegavelmente irresistível, mas todos sabem que jamais me tocarão e nem a isso se atrevem. Sou uma personagem estranha que ninguém conhece e que ninguém sabe porque ali continua a ir. A comida que se queria requintada, tem-me um sabor a requentado que me impede de poder tirar o seu melhor partido. Mas nunca o demostro, sou discreta. No final da refeição, depois de entregues os já conhecidos e treinados sorrisos e olhares da ocasião, levanto-me, despeço-me calmamente e propositadamente deixo cair a minha encharpe sobre a minha cadeira. Ainda não tinha atravessado a porta de saída, estava já o empregado engasgado a tentar devolver-me tão delicada peça. Amavelmente agradeço a sua preocupação, mas sem que ele esperasse envolvo-o na minha encharpe e aperto-o contra mim. Sussuro-lhe um boa noite que de imediato o acordou para a vida e faço questão de lhe deixar a marca do meu baton na cara como recordação. O que aconteceu depois não poderei jurar, mas aposto que aterrou de raiva e inveja as criaturas do sexo feminino daquela mesa. Eu? Cheguei a casa, despi-me e deitei-me satisfeita. Tinha a noite ganha. Tinha finalmente o sorriso que desejava.

quarta-feira, janeiro 16, 2008

Respiro o teu corpo


Respiro o teu corpo
Respiro o teu corpo:
sabe a lua-de-água
ao amanhecer,
sabe a cal molhada,
sabe a luz mordida,
sabe a brisa nua,
ao sangue dos rios,
sabe a rosa louca,
ao cair da noite
sabe a pedra amarga,
sabe à minha boca.
Eugénio de Andrade

terça-feira, janeiro 15, 2008

segunda-feira, janeiro 14, 2008

A vida de uma prostituta


- E és feliz?
- Não, mas queres saber de uma coisa? Prefiro ser infeliz ao volante do meu Audi, do que infeliz num banco de autocarro.

domingo, janeiro 13, 2008

Abraços


O teu abraço é a coisa mais doce, mais confortante e mais querida que tenho. Um abraço quentinho numa noite fria é a certeza de que o sorriso não me sairá tão cedo do rosto. Sinto-me fluar caindo suavemente sobre nuvens de algodão doce e deixo-me finalmente mergulhar numa enorme taça de chantili com ursinhos goma que me deixam deliciosamente irresistível. Fiquemos todos com um abracinho bem apertado neste princípio de semana...

sábado, janeiro 12, 2008

(In)Decisões


As fases mais difíceis são as fases de decisão: quando vamos para o ensino secundário e estamos na dúvida sobre a área que devemos escolher, se será mais benéfico um ensino regular, se um mais profissional. Depois vem a altura da entrada para a faculdade: que curso, que faculdade, que exames, que requisitos necessários... Passamos horas em pesquisas sobre aquilo que será melhor para nós. Terminada a faculdade é tempo de arregaçar as mangas e ir à luta com o canudo na mão. Bater de porta em porta à procura de oportunidade de emprego que desejamos que seja compensatória e realizadora. Nisto vão passando uns anos e com isto esperamos conseguir a estabilidade necessária para um dia podermos fazer a nossa própria vida. A essas escolhas juntam-se outras, a escolha das pessoas que interessam na nossa vida, que queremos que permaneçam para sempre. Para muitos também a escolha de um parceiro para a vida. Nunca gostei muito daquela coisa do relógio biológico, achava estranha a conversa, talvez porque eu não a compreendia. Hoje sei o que isso é. Mas nem tudo está ao alcance de uma vontade ou de um estalar de dedos. Estas decisões, estes passos não podem ser dados ou planeados de cabeça quente, sob pena de nos trazer um amargo de boca difícil de curar.

Nestas fases que implicam decisões para a vida ficamos sem sono, só sonhamos com o assunto, dói-nos a barriga, não temos um minuto de paz. Mas uma vez tomada a decisão, temos de apagar da memória todas as outras hipóteses e concentrarmos os nossos esforços naquilo que optámos. Teimosos, sim, mas só naquilo que realmente valer a pena.

sexta-feira, janeiro 11, 2008

Coincidências curiosas

Difícil de acreditar, mas verídico. Acabo de postar o texto anterior, começa no rádio o Bed of Roses dos Bon Jovi. Nada é de facto... por acaso... =)

Bed of roses


Toca-me suavemente. Convida-me discretamente à nossa aventura carnal com o silêncio do teu coração que palpita por mim. Massaja cada ponto do meu corpo porque ele é bom de tocar, porque ele é suave e porque a cada carícia das tuas mãos ele responderá com um arrepio que também tu sentirás. Perfuma-me de aromas estimulantes: não importa se são caros ou se são raros, importa que eles nos preparam para o banquete que só a nós pertence. Das tuas mãos brotam iguarias que me ofereces em troca de nada, alimentas o meu corpo, revigoras o meu espírito e preenches o meu coração. Mantem-te fiel à rota que traçaste de procurar e explorar em mim tudo aquilo com que a Mãe Natureza me brindou e que cremos infinito. Sem tempo contado, sem medos pendentes, sem ninguém que nos procure ou interrompe, o momento é nosso e nós nos pertence. Não serão proferidas palavras, o que dissermos quando o olhar se cruzar, porque os olhos distraídos deixaram-se abrir para soltar uma lágrima, será mais profundo e mais sincero do que qualquer palavra que exista no mais completo dos dicionários. É a nossa linguagem, o nosso código, a nossa verdade. Esta entrega durará o tempo da eternidade do momento. Só possível porque entre amantes tudo será possível.

quinta-feira, janeiro 10, 2008

Não sei, mas gostava de saber



Não sei se diga que as pessoas mudam, se diga que as pessoas revelam-se.

quarta-feira, janeiro 09, 2008

O meu lado lunar


Detesto:
- sentir que estou a mais - só me apetece desaparecer.
- o justo ser injustiçado - ele não merece, é uma pessoa boa. Ninguém devia magoar as pessoas boas porque essas mágoas podem torná-las naquilo que elas não são e não querem ser, umas infelizes como a maioria que por aí deambula.
- ocupar um lugar que não seja meu - entrego-o logo a quem o pertence.
- sentir que me estão a fazer um favor - ou fazem de coração sincero, ou prefiro que digam que não.
- que tenham pena de mim - não me tenho como uma coitada...
- que me mintam - nunca me opus à verdade, nem a impedi que acontecesse.
- desconfortos - sinto logo arrepios na espinha.
- que gritem comigo - não sou surda, só levanto a voz aos meus alunos e quando estes me faltam ao respeito.
- que me empatem - a vida só tem um sentido: é para frente portanto libertem o caminho para quem quer andar e entretenham-se encalhados noutro lado qualquer.
- faltas de respeito - é daquelas coisas que me obriga a respirar fundo 1592863434273902928365353427293020883672564376789328904874896 vezes e a mudar imediatamente o rumo do meu pensamento para não perder a cabeça.
- a segurança social - não há paciência para aquilo.
- recibos verdes - são uma vergonha...
- vacinas - são um mal necessário, só lamento que não possam ser tomadas em comprimido ou xarope, facilitavam-me muito a vida.
- detestar tanta e tão pouca coisa - tanta porque me irrita pensar que há coisas que me chateiam, tão pouca porque sinto que aquilo que realmente me aborrece (e isso exclui as agulhas das vacinas) é de facto aquilo que importa na vida e é aquilo a que aos poucos nos vamos habituando e não devíamos. É tudo o que tem a ver com o respeito e pelo amor ao próximo e por nós próprios. São atitudes e situações destas que ressuscitam o meu lado lunar, mas afinal... Quem o não tem?

terça-feira, janeiro 08, 2008

Sê-lo e parecê-lo


Pena que não estejam todos igualmente denunciados.

segunda-feira, janeiro 07, 2008

Vergonha


A consciência traz a vergonha, o medo e a dificuldade em enfrentar os factos. Parece um beco sem saída, sem luz. A casa esvazia-se, o corpo desnuda-se, a alma está em mil pedaços. São tantas as peças do puzzle que dificilmente seremos capazes de encontrarmos todas e refazermos o cenário com exactidão. Se a solução é o retiro, mesmo que temporário, que seja, importa que ele revigore, que o próprio se deixe libertar das malhas do pecado às quais se deixou prender. Se há alguma coisa que nos envergonha, se nos sentimos mal com determinada atitude, então é porque claramente pecámos. Tantas vezes nos sentimos na dúvida sobre de que lado nos encontramos e este é dos testes mais fiéis que podemos fazer: se nos incomoda, se bem lá no fundo sentimos que é uma coisa feia que nos entristece, então é porque certamente não veio das mãos de Deus porque os Seus laivos de inspiração só nos trazem coisas boas e das quais nos orgulhamos. A boa notícia é que não temos de ficar presos àquilo que nos humilha por dentro, que nos faz olharmos para nós como monstros insensíveis e cruéis. Uma conversa amiga e sincera, um pedido de perdão que nos sai do coração e a certeza de que este será aceite, faz de nós homens e mulheres novos que não precisam de se esconder do mundo, não tapam a cara, nem se camuflam por nada nem ninguém. Isto sim é ser-se verdadeiramente livre.

domingo, janeiro 06, 2008

sábado, janeiro 05, 2008

Dia cinzento

Às vezes é bem mais fácil enfiar o carapuço na cabeça e abancar num beco qualquer. São várias as razões que despontam esta vontade - fuga, medo, desilusão. A esta atitude se chama bater no fundo. Às vezes é preciso cairmos redondamente para sermos capazes de nos levantarmos e tomarmos uma atitude, mudarmos o que está mal, o que nos impede de sermos verdadeiramente felizes. Estes dias mais cinzentos atiram-nos para este tipo de depressão solitária, é comum que as pessoas se sintam mais em baixo e que ressuscitem o que mais as atormenta. A mim? Só me apetece dormir.

quinta-feira, janeiro 03, 2008

Condenados



Estamos todos condenados à felicidade.

quarta-feira, janeiro 02, 2008

Em carta



Olá, como estás? A carta que escrevo é para ti. É para quem agarrou na minha mão e me ensinou como se escrevem as primeiras palavras de amor com lápis de carvão. Depois de algumas horas de prática ajudaste-me a escrever a caneta. Escrevi o teu nome, escrevi o meu, progressivamente comecei a escrever todas as palavras do mundo que me faziam lembrar o teu perfume. Eu ensinei-te a desenhar. Tinhas medo, mas peguei na tua mão, entreguei-te os meus lápis de cera e suavemente fomos traçando aqui e ali até o teu desenho começar a ganhar forma. Dizias sempre não ter jeito, mas quem visse as tuas obras de arte nunca o diria. Pareces um mestre. Em pouco tempo quiseste-te aventurar às canetas de feltro. Os bonecos ficaram com cores mais fortes, qualquer pessoa ao longe recebia a mensagem que querias transmitir. Foi uma bonita caminhada a nossa. Já me aventuro a escrever a caneta sozinha e tu pegas nos meus escritos e ilustras o que escrevi. O trabalho que desenvolvemos fica digno de publicação. Não é isso que desejamos, não ambicionamos que o que criamos corra mundo fora, de mão em mão, não nos importamos que tudo morra em nós, entre nós. Não são segredos, são intimidades, são confianças: é a nossa vida que todos os dias escreve mais uma página, anexa mais um desenho e vira para o dia seguinte. Assim vamos contando o tempo que passa e, quando a saudade nos aperta, depressa desfolhamos o nosso livro e encontramos o que procuramos. Assim nada passará despercebido ou cairá no esquecimento. É um trabalho que não custa, não nos faz perder tempo. A carta que escrevo é para ti. Não sei se já o tinha feito, julgo que não. Mas nunca nada é tarde demais. Toma, recebe-a, junta-a às folhas que vais guardando dentro do teu coração.

terça-feira, janeiro 01, 2008

Fumo? Não, obrigado



Nova lei do tabaco entra em vigor a partir do dia de hoje. Dei uma volta por aí. Os sinais a relembrarem esta proibição são muitos, as pessoas olham-se atentas à procura de um infractor, os pulmões enchem-se de ar estejamos onde estivermos. Entrei e saí de cafés sem me sentir incomodada, sem ficar a cheirar a tabaco. Senti-me bem, senti-me aliviada, o ar que nos envolve está indiscutivelmente mais limpo e isso deixa-nos inevitavelmente melhores, mais bem dispostos e, até, menos irritadiços. É uma medida libertadora, que defende quem optou por viver sem a nicotina, livre de vícios e se via obrigado a partilhar do fumo dos outros, mesmo sem o desejar.