Poucas alegrias há maiores que esta. Nada é comparável ao dom da vida. É de facto o milagre mais extraordinário ao qual assistimos e que raramente o vemos como tal. Que bom que é saber que ele é possível e real. Que bom que é depararmo-nos com momentos como este, que nos fazem esquecer desgraças e nos preenchem o coração de alegria e esperança.sexta-feira, dezembro 14, 2007
Momentos
Poucas alegrias há maiores que esta. Nada é comparável ao dom da vida. É de facto o milagre mais extraordinário ao qual assistimos e que raramente o vemos como tal. Que bom que é saber que ele é possível e real. Que bom que é depararmo-nos com momentos como este, que nos fazem esquecer desgraças e nos preenchem o coração de alegria e esperança.quarta-feira, dezembro 12, 2007
(Não) Viver (Não) Pensar

Não sei se pense, se viva. Se viva evitando pensar, se pense evitando viver. Se viva pensamendo ou pense vivendo. Se vivendo pense ou pensamento viva. Talvez seja possível pensar e viver, sem que uma anule a outra, ou quem sabe consiga o impossível de não fazer uma coisa ou outra. Uma coisa é certa: muito deixamos de fazer, muito deixamos de viver, muito deixamos de sentir ou impedimos que aconteça porque pensámos em demasia. Não sei se pior, mas pelo menos igualmente mau, muito sofremos por antecipação, que nunca sequer chegou a acontecer nem de perto, nem de longe, só porque pensámos e deixámos que este pensamento tomasse conta de nós acabando com a nossa paz interior. Contudo viver sem pensar, pode nem sempre ser a solução. Ocorre-nos sempre a ideia da desilusão, daquilo que não se conseguiu evitar porque não nos dedicámos o que devíamos ao assunto. Chego à conclusão do costume: não sei, mas também não estou demasiado preocupada com o assunto. A pouca experiência de vida que tenho trouxe-me já algumas certezas, uma delas é a e que no final tudo se resolve e o bom da fita ganha sempre como nos contam as histórias de encantar. A vitória do mau é sempre temporária, provisória, aparente.
terça-feira, dezembro 11, 2007
A fonte do saber

A fonte da sabedoria? Aquilo que detem todo o saber? O poço dos saberes? O cúmulo das ideias, interpretações e análises? A nascente de onde brotam as certezas absolutas e as verdades inquestionáveis? O livro da vida que explicita o culminar de toda uma experiência? A lucidez? A clareza? A exactidão? A génese? A origem?
Não sei onde está. Também não sei se quero saber. Gostava de me encontrar com quem me pudesse tocar com aquilo a que já sobreviveu, me abrisse os olhos no dia em que por vontade própria eu os deixasse fechar, me mandasse um encontrão quando eu fosse descaradamente pôr o pé na poça, me desse o estalo que me acalmasse no dia da esteria e do descontrolo. É bom termos quem nos abane. Sempre fui da opinião de que esta passagem por cá é mais difícil quando nos vemos sozinhos e isto porque há tanta coisa que nos passa ao lado e que alguém nos pode mostrar. Assim só podemos ser pessoas melhores. E esse livro dos insaciáveis também não é para mim. Quero que os meus olhos, que os meus lábios, que o meu corpo, que o meu tacto, que o meu pensamento sejam desafiados e desafiem. Só assim passarei dos livros à prática, da conversa ao acto, da teoria à vida.
Não sei onde está. Também não sei se quero saber. Gostava de me encontrar com quem me pudesse tocar com aquilo a que já sobreviveu, me abrisse os olhos no dia em que por vontade própria eu os deixasse fechar, me mandasse um encontrão quando eu fosse descaradamente pôr o pé na poça, me desse o estalo que me acalmasse no dia da esteria e do descontrolo. É bom termos quem nos abane. Sempre fui da opinião de que esta passagem por cá é mais difícil quando nos vemos sozinhos e isto porque há tanta coisa que nos passa ao lado e que alguém nos pode mostrar. Assim só podemos ser pessoas melhores. E esse livro dos insaciáveis também não é para mim. Quero que os meus olhos, que os meus lábios, que o meu corpo, que o meu tacto, que o meu pensamento sejam desafiados e desafiem. Só assim passarei dos livros à prática, da conversa ao acto, da teoria à vida.
segunda-feira, dezembro 10, 2007
Destacados
sexta-feira, dezembro 07, 2007
Linda
Olá boneca, bom dia. Estás mais deslumbrante do que nunca. Sei que os nossos olhos não vêem o mesmo, que os pormenores que me saltam à vista, passam-te ao lado, que não valorizamos as mesmas coisas. Mas hoje, pela primeira vez, falámos a mesma língua, sem sequer proferirmos palavra. Achaste-te perfeita e isso é o princípio de um futuro que certamente se avizinha risonho. E eu não quero deixar de estar ao lado. Nunca.
quinta-feira, dezembro 06, 2007
Dodói

Conheço uma pessoa que está de castigo. Não se portou mal, não foi mal educada, comeu a sopa toda, mas um jeito mal dado atirou-a para um sossego que ela não desejava. A vida correria, o tempo voava, os desafios aconteciam e ela sentia-se ali presa à dor que sentia que a impedia de correr atrás das borboletas, rodopiar sobre si mesma, saltar e pular o mais alto que podia. Diz o ditado que o que não tem remédio, remediado está. Abraçou o seu fiel companheiro e juntos foram para o sofá ver filmes, comer pipocas e rir até doer a barriga. Importa que cada segundo na vida seja vivido, com maior ou menor intensidade, como pudermos, mas sempre aproveitado.
quarta-feira, dezembro 05, 2007
Gestos

Há gestos falantes, marcados segredos que acabam em suspiros mansos. São calados desejos, minuciosamente pensados, mas raramente denunciados. Os trambolhões esquecidos já não nos visitam e, se o fazem, é às escondidas, na calada da noite, onde todos se abandonaram ao relaxe do corpo, ao descanso da mente. A timidez dos gestos revela a genuidade dos corações, a gratuidade dos passos, a frontalidade dos amantes. Quem ama só quer bem e, por isso, entrega ao outro tudo o que pode, marca a diferença de entre os comuns mortais porque ambos estão marcados pelo que de melhor há no mundo e são privilegiados porque se encontraram na hora certa, no sítio certo, na altura certa das suas vidas. As poucas coincidências e os nulos acasos da vida, que apesar de tudo por vezes nos tenta fazer crer que sim, que existem, que fazem parte do percurso, preparam-nos para o mais farto dos banquetes, o mais doce dos manjares, mas somente no dia em que estivermos preparados para o comermos e o apreciarmos como ele merece. Até lá trilhamos os caminhos tropeçados, sobrevivemos às areias movediças, deslizamos por pantanos lamacentos. Mas no final da caminhada vemo-nos sujos e mal cheirosos. É aí que nos cai sobre a testa a chuva intensa, mas revitalizadora que culmina num raiar de sol abrasador que nos seca num ápice e nos perfuma a primavera. Quando abrimos os olhos temos uma flor que nos é entregue com um sorriso. Lentamente estendemos a mão, ainda a medo, para a acolher e abrimos o coração para o der e vier.
segunda-feira, dezembro 03, 2007
domingo, dezembro 02, 2007
No final do dia

Um dia perfeito. Conversas amenas. Luzes de Natal. Uma paz inexplicável. Um jantar a gosto. Um abraço quente. Uma palavra sincera. Um beijo de boa noite. Um regresso a casa. Um sorriso nos lábios. Uma doce sensação que nos embala até à cama com uma terna certeza de que tudo valeu a pena. E que bom que foi.
sábado, dezembro 01, 2007
quinta-feira, novembro 29, 2007
Enquanto dormias

Olhei-te séria enquanto dormias. Estavas tão lindo que quis eternizar o momento. A tranquilidade que transmitias nessa posição em que abandonaste o nosso mundo presente para te entregares aos sonhos cor-de-rosa. Mereces estar nesse bocadinho de paraíso, onde todos os desejos se concretizam e onde ninguém nos faz mal. Como sei que não te encontras no meio de um pesadelo a preto e branco? É fácil. Nenhum monstro mau se atreveria a meter-se com uma criança tão querida quanto tu e nem eu o deixaria. Eu filtro os teus visitantes nocturnos, como a um bom porteiro compete.
- Onde vai? O que deseja? O que traz consigo?
E só dou autorização de passagem às mais belas fadas madrinhas, ursos de peluche, bolas de algodão doce e gominhass gelatinosas que te dão os mais saborosos beijos melados. O teu ligeiro sorrido denuncia as maravilhas que estás a viver. É por isso que tiro esta fotografia, para que amanhã, já homem feito, a possas recordar e, por breves instantes, revivas o quanto foste feliz enquanto dormias...
- Onde vai? O que deseja? O que traz consigo?
E só dou autorização de passagem às mais belas fadas madrinhas, ursos de peluche, bolas de algodão doce e gominhass gelatinosas que te dão os mais saborosos beijos melados. O teu ligeiro sorrido denuncia as maravilhas que estás a viver. É por isso que tiro esta fotografia, para que amanhã, já homem feito, a possas recordar e, por breves instantes, revivas o quanto foste feliz enquanto dormias...
quarta-feira, novembro 28, 2007
O MEU MARIDO

A expressão o meu marido, se analisada com cuidado, não só daria para uma excelente reflexão, como bem trabalhadinha até para uma qualquer tese sobre o assunto. A frase é a mesma, não muda, não tem de mudar, nem tem como mudar. Muda, e muito, é a entoação com que esta é proferida, as vezes em que é feita, os motivos que a evocam e o público alvo. Com naturalidade numa conversa trazemos aqueles que nos são mais queridos por variadíssimas razões, temos prazer e orgulho em falarmos sobre eles. A diferença reside em dizer-se no outro dia o meu marido chegou atrasado ao emprego ou o meu marido ligou-me para saber se eu estava bem porque passei mal a noite e dizer-se no outro dia O MEU MARIDO ligou-me porque passei mal a noite, ou ainda, O mEu MaRiDo fez isto e aquilo, o MeU mArIdO, o MEU marido, O meu MARIDO e por aí em diante. Nalguns casos mais gritantes os olhares femininos cruzam-se de imediato, nalgum tom de crítica, muito subtil como é costumes entre senhoras. A feliz contemplada com UM MARIDO fê-lo saber, a alto e bom som, para que não restassem dúvidas entre as presentes, as que por acaso passavam, as que estavam no corredor e as do andar de cima. Aquela senhora era uma premiada, foi importante sabê-lo.
Outros casos, não menos interessantes, são os daquelas que, por alguma razão, não viram oficializado o seu enlace e, por isso, estão juntas, amantizadas, em união de facto, ainda em fase de namoro prolongado, mas por acaso já a partilhar a vida. São várias as formas existentes para descrever a situação actual do casal, eu gosto particularmente do sou junta, não sou casada. Uma vez não tendo sido proferidas sobre as suas cabeças as palavras declaro-vos marido e mulher, principalmente a mulher, vê-se um bocado às aranhas quando se quer referir à sua cara metade. Ele não é meu marido porque não casámos, defendem-se algumas quando se nos escapa um então, como está o teu marido? Nestes casos são também curiosos os nomes por que são chamados: o meu companheiro, o meu namorado, o meu parceiro, qualquer coisa menos o meu marido.
Os homens para além de não complicarem tanto por Natureza neste tipo de coisas, têm a vida duplamente facilitada porque a minha mulher para aqui, a minha mulher para ali não ofende a ninguém e está o assunto resolvido. E é muito interessante porque não me recordo de nenhum episódio em que A MINHA MULHER alguma vez tenha sido efectivamente dito, com a intenção com que uma mulher o pode dizer.
São, de facto, dois mundos muito diferentes nalgumas coisas. Acho que parceiro, marido ou namorado importa é que as pessoas sejam felizes. Se se encontraram, que façam por perpectuar os compromissos que assumiram, com lealdade e, também, um pouco de humildade.
Outros casos, não menos interessantes, são os daquelas que, por alguma razão, não viram oficializado o seu enlace e, por isso, estão juntas, amantizadas, em união de facto, ainda em fase de namoro prolongado, mas por acaso já a partilhar a vida. São várias as formas existentes para descrever a situação actual do casal, eu gosto particularmente do sou junta, não sou casada. Uma vez não tendo sido proferidas sobre as suas cabeças as palavras declaro-vos marido e mulher, principalmente a mulher, vê-se um bocado às aranhas quando se quer referir à sua cara metade. Ele não é meu marido porque não casámos, defendem-se algumas quando se nos escapa um então, como está o teu marido? Nestes casos são também curiosos os nomes por que são chamados: o meu companheiro, o meu namorado, o meu parceiro, qualquer coisa menos o meu marido.
Os homens para além de não complicarem tanto por Natureza neste tipo de coisas, têm a vida duplamente facilitada porque a minha mulher para aqui, a minha mulher para ali não ofende a ninguém e está o assunto resolvido. E é muito interessante porque não me recordo de nenhum episódio em que A MINHA MULHER alguma vez tenha sido efectivamente dito, com a intenção com que uma mulher o pode dizer.
São, de facto, dois mundos muito diferentes nalgumas coisas. Acho que parceiro, marido ou namorado importa é que as pessoas sejam felizes. Se se encontraram, que façam por perpectuar os compromissos que assumiram, com lealdade e, também, um pouco de humildade.
segunda-feira, novembro 26, 2007
Jantar
domingo, novembro 25, 2007
Perspectivas II
- Quando olho para esta imagem realça-me logo a bonita pulseira que ela traz. Acho um pormenor fenomenal, não concordas?- Sim, claro.
- Acho muito importante a cor dos olhos e o cabelo esticado. Assim, caído sobre os ombros fica muito bem, o que dizes?
- Sim, pois...
- Está um bonito retrato, ela certamente ficou muito satisfeita com o resultado final. É uma fotografia da qual se deve orgulhar, não achas?
- Sim, acho.
- E tu? Não dizes nada? Não comentas? Só concordas?
- Sinceramente? Vejo uma gaja boa, um olhar provocador e um fio dental. Não consigo ver muito mais do que isto. E só tenho pena que não seja tua amiga porque faria muito gosto em fazer parte do seu círculo de amizades. Desculpa se estou a ser demasiado redutor, mas tu é que perguntaste.
sexta-feira, novembro 23, 2007
Vá lá

Está bem, não peças mais que não a pena, já me convenceste. Sabes que acho deliciosa a forma como levas a água ao teu moinho. Acho incrível a maneira como me deixo seduzir por ti, mas tem valido muito a pena, fá-lo-ei sempre e todos os dias porque só para ter o teu sorriso rasgado, tudo é válido. Pede que eu dou, mas com carinho...
quinta-feira, novembro 22, 2007
quarta-feira, novembro 21, 2007
Leva-me daqui

Esta noite sonhei que me levavam para bem longe daqui. Não sei para onde me levavam, não sei quem me levava, só sei que sentia uma enorme confiança, sentia-me segura. Não fiz perguntas, não inventei desculpas ou me precipitei em disparates. Deixei que a oportunidade tomasse conta de mim e que a sensação de aventura me guiasse a um lugar desconhecido que eu pressentia confortável. Deixei que o vento batesse suavemente no meu rosto, as minhas tranças pretas voavam como os pássaros, ondulavam ligeiramente ao sabor da brisa. Sei que a expressão da minha cara era feliz, sentia-me cheia por dentro, nada mais cabia dentro do meu peito, acho que é esta a sensação de realização. Momentaneamente sentimos que nada nos fará mais felizes do que aquilo: temos tudo. Era isso que sentia nesta pequena viagem.
Sentia-me como num conto de fadas, talvez porque tenha lido muitas histórias encantadas em miúda ou me tenha deixado influenciar pelos desenhos animados e as suas histórias com finais felizes. Adoro finais felizes. Mas este passeio acabou mal. Levada por vários balões de cores garridas vi aproximar-se lentamente um pássaro azul. Sorri-lhe de imediato, queria-o comigo nesta etapa. Assobiei-lhe e ele aproximou-se. Um a um picou todos os meus balões, caí desamparada no chão. Nesta aflicção acordo com o despertador mal disposto. Malvado, foi ele que me estragou o sonho, todos os dias acorda rabugento e é em mim que descarrega. Calei-o, mas desta vez não lhe dei o murro do costume. Silenciei-o só, pode ser que amanhã ele se lembre e me acorde com outros modos.
Sentia-me como num conto de fadas, talvez porque tenha lido muitas histórias encantadas em miúda ou me tenha deixado influenciar pelos desenhos animados e as suas histórias com finais felizes. Adoro finais felizes. Mas este passeio acabou mal. Levada por vários balões de cores garridas vi aproximar-se lentamente um pássaro azul. Sorri-lhe de imediato, queria-o comigo nesta etapa. Assobiei-lhe e ele aproximou-se. Um a um picou todos os meus balões, caí desamparada no chão. Nesta aflicção acordo com o despertador mal disposto. Malvado, foi ele que me estragou o sonho, todos os dias acorda rabugento e é em mim que descarrega. Calei-o, mas desta vez não lhe dei o murro do costume. Silenciei-o só, pode ser que amanhã ele se lembre e me acorde com outros modos.
terça-feira, novembro 20, 2007
Páginas a preto e branco

Quando no livro da tua vida encontrares uma página a preto e branco vai àquela gaveta que nunca abres, onde depositaste os lápis de côr gastos de tanto afiar, as canetas de feltro que já só borram, os restos de lápis de cera partidos que sobraram e os guaches secos e apertados e atribui-lhes as cores que mais gostares, aquelas que queres que marquem aquele dia específico que, por alguma razão, saiu descolorado. Se precisares de ajuda procura quem te dê uma mãozinha para cumprires esta tarefa com sucesso, importa que seja alguém especial, alguém que naturalmente já te ilumina só pela sua presença. A dois para além da nova côr, poder-lhe-ás dar outro sabor, outra luz. Um novo perfume à página seca do livro da tua vida.
segunda-feira, novembro 19, 2007
Tiro eu ou tiras tu?

Tiro eu ou tiras tu?
Quando se cumpre a promessa há muito feita, mas nunca dita.
Quando a vontade se instala e o momento acontece.
Tiro eu ou tiras tu?
Talvez nem seja uma pergunta relevante ou até o seja.
Talvez não seja o momento mais apropriado ou até o seja.
Tiro eu ou tiras tu?
Não esperavas a pergunta, nestas situações não se pensa.
Não sabendo o que haverias de responder, tiraste e ficou o problema resolvido.
sábado, novembro 17, 2007
Chegado o Outono

Começamos a sentir o Outono mais a sério. Começa o frio e os dias cinzentos, cada vez mais curtos, às 17h30 é de noite e a vontade de nos aconchegarmos começa cedo. As bebidas frescas são trocadas por chávenas de chás aromáticos, cafés cada vez mais sofisticados ou canecas de chocolate quente que não só nos confortam por dentro, como nos maravilham pelo seu sabor forte e intenso. Quando penso nestes serões vejo-os serenos. Na rua as pessoas caminham encolhidas, evitam parar porque quietas arrefecem muito facilmente. Aglomeram-se para que o calor que exista se concentre, procuram quem as acolha num abraço que se quer eterno. Em casa as mantas são fiéis companheiras, uma lareira acesa, uma televisão, um filme que não cansa, uma caneca na mão que apertamos com força, uma sala a meia luz, um nariz gelado. Nos meses frios do ano são momentos como estes que naturalmente procuramos, que inevitavelmente passam a fazer parte do quotidiano.
sexta-feira, novembro 16, 2007
Doce e cremosa

Hoje estavas linda. Olhava para ti e sentia-te cremosa e aveludada. És um doce raro de encontrar, és um ternura de pessoa, uma pérola cobiçada. É uma alegria ver-te passar porque a tua côr espalha-se por onde passas e a tua aura é capaz de tocar até do mais distraído. A luz que te cobre, não é muito intensa, não fere a vista ou ilumina o caminho, mas é uma luz que nos aquece por dentro, que nos conforta o coração. A tua presença é sempre desejada e por todos querida.
Estranhei que abriste a mala, olhaste lá para dentro e deixaste apagar a tua luz. Percebi que não encontraras o que desejaras. Sentiste-te sozinha e nem a multidão sorridente que te rodeava chegava para suprimir aquela falha. Largaste a mala, abriste as mãos e viste-las vazias. O terror da frieza invadia-te aos poucos e o gelo era insuportável para ti. A pastilha que mascavas perdera o sabor, o teu nariz deixara se sentir o aroma das coisas. Tudo em ti perdia o valor normal das coisas, perdias o rumo. Todos percebemos a tua angústia, um estendeu-te a mão e depositou-te no canto em que a verdade acontece e o amanhã recebe uma nova vida. É o corte com aquilo que não queres, para te reencontares com a pessoa que és e sempre serás e com o futuro com que sempre sonhaste.
Estranhei que abriste a mala, olhaste lá para dentro e deixaste apagar a tua luz. Percebi que não encontraras o que desejaras. Sentiste-te sozinha e nem a multidão sorridente que te rodeava chegava para suprimir aquela falha. Largaste a mala, abriste as mãos e viste-las vazias. O terror da frieza invadia-te aos poucos e o gelo era insuportável para ti. A pastilha que mascavas perdera o sabor, o teu nariz deixara se sentir o aroma das coisas. Tudo em ti perdia o valor normal das coisas, perdias o rumo. Todos percebemos a tua angústia, um estendeu-te a mão e depositou-te no canto em que a verdade acontece e o amanhã recebe uma nova vida. É o corte com aquilo que não queres, para te reencontares com a pessoa que és e sempre serás e com o futuro com que sempre sonhaste.
quinta-feira, novembro 15, 2007
quarta-feira, novembro 14, 2007
Gajas há muitas

- Olá, bom dia! Bem disposto?
- Sim, sempre. Quer dizer... Nem por isso - percebi que não estava bem.
- Então? Algum problema?
- Não, nada que não se resolva. A minha namorada, com quem estava há três anos e meio, traiu-me.
- Epa, que chatice. - não sabia o que dizer, sentia que nada havia a dizer, nestes momentos acho que o próprio nem deseja que nada seja acrescentado. Ele quer somente desabafar o que o atormenta, largar a dor que trás.
- Acreditava que tinha a minha vida encaminhada, os planos para o futuro eram mais que muitos, a partilha da vida era já uma realidade. Tudo em vão, para acabar assim. Mas não lhe guardo qualquer rancor, é ela quem fica a perder, ela sabe disso, as suas lágrimas são só o resultado do remorso que sente pelo tudo que pôs a perder por umas horas de prazer.
- Compreendo-te bem, sabes que tenho como mote na minha vida que importa sempre a nossa consciência, nada mais, porque é com ela que teremos de viver para sempre.
- Sim, concordo. Fiz tudo o que podia, dava-lhe tudo, planeava pelo Natal oferecer-lhe o carro que ela tanto desejava ter, estava a poupar para lhe fazer essa surpresa. É estúpido não olhar para mim agora como um palhaço. Outra beneficiará do que tenho, da pessoa que sou.
- Pela forma como falas suponho que tenhas terminado a relação.
- Sim, claro. Não podia continuar com uma pessoa em quem não confio minimamente. Participei numa competição no estrangeiro e nessa temporada em que estive fora ela envolveu-se com outro homem. Na altura estranhei o seu comportamento incómodo, estranhei-a como pessoa, não te sei explicar, essas coisas sentem-se.
- Claro, entendo.
- Ela acabou por não suportar a pressão e contou-me o que se tinha passado. Estou bem e estou mal ao mesmo tempo, sinto-me esquisito.
- A tua vida mudou: mudou a tua rotina, mudaram os teus hábitos. Aquela peça certa e presente na tua vida desapareceu e com ela vai uma boa parte da tua vida, tens de te readaptar ao facto de agora estares sozinho.
- Sim, é isso mesmo. É essa a falta que sinto. Sempre soube pôr as pessoas nos seus devidos lugares, nunca dei confianças às mulheres que se aproximavam por muito irresistíveis que fossem, os meus princípios estavam e estarão sempre acima de tudo e eu acreditava que a pessoa que tinha comigo estava comigo nesta verdade. Doi-me isso. Eu sei que fraquezas, falhas todos temos e cometemos, mas não posso deixar passar uma coisa destas sob pena de pôr em causa a minha vida toda, a minha felicidade. É porque não era ela a pessoa certa para mim ou até era, não sei, nem nunca o saberei porque aquele é um capítulo terminado na minha vida. Sempre fui um livro aberto, ela tinha acesso a tudo o que era meu, sem segredos, nem tabús. Não imagino uma vida a dois com meias coisas: ou é tudo ou não é nada e ela tinha tudo meu. Dei-lhe um cartão multibanco da minha conta, ela era quem andava com o meu carro, dei-lhe uma cópia da chave da minha casa, no fim desabarmos como casal por um capricho dela. Não há nada na minha casa que não tenha sido escolhido pelos dois, prevalecendo sempre a opinião dela sobre a minha, seria também um dia a sua casa e queria que ela estivesse feliz, que sentisse que aquele espaço era tão seu quanto meu. Nada era meu, tudo era nosso. Pergunto-me se terá valido a pena.
- Entendo-te e, se me permites digo-te, valeu a pena, muito a pena, na medida em que o fazias porque amavas e nada que seja feito de amor sincero perde valor, pelo menos para o próprio, por muito mal que ele se sinta. Perde quem não valorizou o que fizeste.
- Não me assusta pensar namorar outra pessoa, só me assusta pensar e quem? Gajas há por aí com fartura, fúteis, plásticas, exuberantes. Quilos de tinta, horas de cabeleireiro, para fazerem realçar as únicas qualidades que têm. Ocas de cabeça, deslumbrantes à vista. Sabem que só nos conquistarão pelo aspecto e nisso são mestras. Não quero ninguém assim para mim, prefiro estar sozinho a deixar-me iludir por aquilo. Quero uma mulher a sério, alguém que assuma um compromisso, que me respeite e se dê ao respeito. Alguém com objectivos, metas, ambições, valores. No fundo procuro uma igual, particular na sua diferença, é certo, mas uma igual naquilo que deve de ser. Julgava tê-la encontrado. Nunca conhecemos verdadeiramente ninguém, nunca saberemos do que elas serão realmente capazes de fazer, sobre que pretextos, que razões, com que interesses. Sei que não é missão fácil, resta-me esperar.
- E vais conseguir.
Andei o dia todo a remoer cada palavra que trocámos, cada expressão do seu olhar, cada gesto. É das pessoas mais transparentes que conheço, custou-me, como acho que custa sempre um episódio destes.
- Epa, que chatice. - não sabia o que dizer, sentia que nada havia a dizer, nestes momentos acho que o próprio nem deseja que nada seja acrescentado. Ele quer somente desabafar o que o atormenta, largar a dor que trás.
- Acreditava que tinha a minha vida encaminhada, os planos para o futuro eram mais que muitos, a partilha da vida era já uma realidade. Tudo em vão, para acabar assim. Mas não lhe guardo qualquer rancor, é ela quem fica a perder, ela sabe disso, as suas lágrimas são só o resultado do remorso que sente pelo tudo que pôs a perder por umas horas de prazer.
- Compreendo-te bem, sabes que tenho como mote na minha vida que importa sempre a nossa consciência, nada mais, porque é com ela que teremos de viver para sempre.
- Sim, concordo. Fiz tudo o que podia, dava-lhe tudo, planeava pelo Natal oferecer-lhe o carro que ela tanto desejava ter, estava a poupar para lhe fazer essa surpresa. É estúpido não olhar para mim agora como um palhaço. Outra beneficiará do que tenho, da pessoa que sou.
- Pela forma como falas suponho que tenhas terminado a relação.
- Sim, claro. Não podia continuar com uma pessoa em quem não confio minimamente. Participei numa competição no estrangeiro e nessa temporada em que estive fora ela envolveu-se com outro homem. Na altura estranhei o seu comportamento incómodo, estranhei-a como pessoa, não te sei explicar, essas coisas sentem-se.
- Claro, entendo.
- Ela acabou por não suportar a pressão e contou-me o que se tinha passado. Estou bem e estou mal ao mesmo tempo, sinto-me esquisito.
- A tua vida mudou: mudou a tua rotina, mudaram os teus hábitos. Aquela peça certa e presente na tua vida desapareceu e com ela vai uma boa parte da tua vida, tens de te readaptar ao facto de agora estares sozinho.
- Sim, é isso mesmo. É essa a falta que sinto. Sempre soube pôr as pessoas nos seus devidos lugares, nunca dei confianças às mulheres que se aproximavam por muito irresistíveis que fossem, os meus princípios estavam e estarão sempre acima de tudo e eu acreditava que a pessoa que tinha comigo estava comigo nesta verdade. Doi-me isso. Eu sei que fraquezas, falhas todos temos e cometemos, mas não posso deixar passar uma coisa destas sob pena de pôr em causa a minha vida toda, a minha felicidade. É porque não era ela a pessoa certa para mim ou até era, não sei, nem nunca o saberei porque aquele é um capítulo terminado na minha vida. Sempre fui um livro aberto, ela tinha acesso a tudo o que era meu, sem segredos, nem tabús. Não imagino uma vida a dois com meias coisas: ou é tudo ou não é nada e ela tinha tudo meu. Dei-lhe um cartão multibanco da minha conta, ela era quem andava com o meu carro, dei-lhe uma cópia da chave da minha casa, no fim desabarmos como casal por um capricho dela. Não há nada na minha casa que não tenha sido escolhido pelos dois, prevalecendo sempre a opinião dela sobre a minha, seria também um dia a sua casa e queria que ela estivesse feliz, que sentisse que aquele espaço era tão seu quanto meu. Nada era meu, tudo era nosso. Pergunto-me se terá valido a pena.
- Entendo-te e, se me permites digo-te, valeu a pena, muito a pena, na medida em que o fazias porque amavas e nada que seja feito de amor sincero perde valor, pelo menos para o próprio, por muito mal que ele se sinta. Perde quem não valorizou o que fizeste.
- Não me assusta pensar namorar outra pessoa, só me assusta pensar e quem? Gajas há por aí com fartura, fúteis, plásticas, exuberantes. Quilos de tinta, horas de cabeleireiro, para fazerem realçar as únicas qualidades que têm. Ocas de cabeça, deslumbrantes à vista. Sabem que só nos conquistarão pelo aspecto e nisso são mestras. Não quero ninguém assim para mim, prefiro estar sozinho a deixar-me iludir por aquilo. Quero uma mulher a sério, alguém que assuma um compromisso, que me respeite e se dê ao respeito. Alguém com objectivos, metas, ambições, valores. No fundo procuro uma igual, particular na sua diferença, é certo, mas uma igual naquilo que deve de ser. Julgava tê-la encontrado. Nunca conhecemos verdadeiramente ninguém, nunca saberemos do que elas serão realmente capazes de fazer, sobre que pretextos, que razões, com que interesses. Sei que não é missão fácil, resta-me esperar.
- E vais conseguir.
Andei o dia todo a remoer cada palavra que trocámos, cada expressão do seu olhar, cada gesto. É das pessoas mais transparentes que conheço, custou-me, como acho que custa sempre um episódio destes.
terça-feira, novembro 13, 2007
Inveja é coisa feia

A inveja é uma coisa feia, mas invejo a tua forma alegre de estar na vida, o teu sorriso sempre pronto e a tua expressão satisfeita. Até nem estou a ser grande invejosa, há piores. Invejo também o teu ar saudável, a tua firmeza ao encarares o futuro e ao lembrares o passado. Bom ou mau não sei, mas vidas perfeitas ninguém as tem e a tua parece sê-lo e isso não me agrada. Invejo as tuas cores luminosas, transmitem-me vida e fazem-me pensar em vidas cor-de-rosa. Invejar é a pior coisa do mundo, Deus nos livre de tal sentimento e de tais gentes. São pessoas amarguradas, marcadas pelo ódio, incapazes de dar valor ao que têm ou conquistaram, os outros é que são bons, têm coisas boas. Até me arrepio só de pensar neste assunto. Eu não o sou, nem nunca o fui, mas esse teu olhar simpático irrita-me, gostava de ter um assim também. Escreve o que eu te digo, quando te cruzares com um invejoso já sabes, foge dele a sete pés antes que olhe para ti com o ar de cobiça com que eu te olho.
segunda-feira, novembro 12, 2007
Buzinão

Fica a questão: a buzina do carro esgota? Se no trânsito a pressionar afincadamente como se não houvesse amanhã e não a largasse mais, ela acabaria alguma vez? Avariava? Pedia férias ou reforma antecipada? Ela alguma vez perde o pio?
domingo, novembro 11, 2007
Adivinhos
sábado, novembro 10, 2007
Onde? Porquê? Para quê? Quando?
Não sei a quem já a entregaste, se já o fizeste, se já o ouviste, quantas vezes, com que frequência, porque razão, em que circunstância, como o sentiste, como o viveste, o que fizeste, como o fizeste, qual a sua consequência...Não sei porque para alguns é tão querida e para outros tão insignificante. Uma coisa é certa: não lhe somos (acho que não podemos ser) indiferentes, sabemos que por trás desta palavra está a declaração de quem (em princípio), de coração sincero e aberto manifesta o que de mais belo e puro pode existir - o amor. Cada um que o diga de sua justiça, mas para mim é das melhores coisas do mundo.
sexta-feira, novembro 09, 2007
smoke

Se o teu perfume tivesse uma côr estou certo de que seria vermelho, cheiraria a doces morangos e enfeitiçaria quem por ti se cruzasse. Mas isso não acontece, sei que passas por mim e despertas a minha atenção e o meu desejo, somente porque passas e me tocas com a tua naturalidade. Nada em ti é artificial, tudo é único e genuíno e é na tua inocente criatividade que reside o teu segredo. Não precisas deste perfume que te queria oferecer, já o trazes contigo desde o dia em que nasceste.
quinta-feira, novembro 08, 2007
Quedas

Ontem ia a passar quando tropeço numa pedra e espalho-me ao comprido. Naturalmente entre a dor ainda mal suportada e o instinto de me refazer do susto, olho em volta na esperança de que este momento humilhante tenha sido só meu e que ninguém se tenha apercebido da minha triste sorte. Uma meia dúzia olhava-me de lado, mas sem grande intuição para me dar a mão, puxar-me para cima. Observavam a ave rara que se estendera ao comprido no meio da via pública e que, por esse razão, se não se despachara a levantar, não tarda estaria a impedir a normal circulação de transeuntes. Sentei-me no chão, olhei para as minhas calças e levanto-as na esperança de não me ter aleijado muito. Um joelho esfolado. Bem, podia sempre ser bem pior. Sentia um enorme ardor nesse joelho, já nem me lembrava do que isto era. Em miúda era hábito e sintia-me novamente como uma criança que cai ao chão e corre para os braços de alguém em busca de auxílio. Trinta anos depois a diferença é que eu não tinha a quem recorrer neste momento de aflição. Foi com alguma pena que constactei isso, é tão confortável termos um colo a que podemos recorrer para chorar, que ele absorverá cada lágrima nossa a transforma-la-á em força para suportarmos as próximas adversidades. É um bonito gesto de amor. Sozinha lá me apoiei ao que encontrei e com algum custo pus-me de pé para prosseguir o meu caminho depois desta pequena interrupção. Meia coxa lá fui convencendo o meu joelho de que magoado ou não, ele tinha mesmo de fazer esta viagem. Quando chegasse a casa lá lhe daria o tratamento necessário e a atenção merecida, mas até lá pouco ou nada mais podia fazer...
quarta-feira, novembro 07, 2007
Tu estás aí?

Posso mentir aos homens, contar-lhes aventuras, exagerar nos pormenores, oferecer promessas fáceis de dizer, mas difíceis de cumprir. Posso tudo isto e muito mais porque ninguém calará a minha boca, me amordaçará ou prenderá. Com convicção vendo as mais fantásticas estórias. Contudo não me consigo enganar a mim, nem a Deus. Somos os únicos que não nos deixamos cair na fantasia das minhas palavras. Talvez por isso a fuga à Sua existência seja bem mais confortável do que assumir a Sua omnipresença. É duro saber que o segredo das nossas fragilidades não permanece somente connosco.
terça-feira, novembro 06, 2007
Menina

Menina bonita, do olhar prometedor, não sabes o quanto me deixas sem hipótese de fuga quando de mim te aproximas.
Postura terna e tentadora, apareceste sem que desse conta e hoje não me sais do pensamento.
Palavras meias ditas, pensamentos diluídos e questões por colocar, não sei se temo a tua resposta por ser afirmativa ou negativa. Sinto-me novamente um cobarde, hoje diante da tua presença.
Postura terna e tentadora, apareceste sem que desse conta e hoje não me sais do pensamento.
Palavras meias ditas, pensamentos diluídos e questões por colocar, não sei se temo a tua resposta por ser afirmativa ou negativa. Sinto-me novamente um cobarde, hoje diante da tua presença.
segunda-feira, novembro 05, 2007
Oportunidades
domingo, novembro 04, 2007
Quatro dias depois




Quatro dias depois fica um pequeno espreitar sobre o muito que vi e vivi. É difícil de descrever o misto de coisas que se sentem. Numa única frase afirmo que valeu muito a pena. Foi bom sair da rotina e temporariamente cortar com o mesmo acordar para acordar para um novo olhar sobre a vida e sobre o mundo.quarta-feira, outubro 31, 2007
Vou fugir

Vou fugir. Apanho boleia, parto depressa. Vou-me embora. Arrumo as malas, preparo-me. Parto. Conto os dias, oriento as coisas. Apresso-me. Não sei ao que vou, mas confio. Acredito na palavra, por isso agarro na mão forte e aperto-a o quanto posso. Olho cuidadosamente e sorrio sem pensar. Este meu sorriso que não se canso de se rasgar, este meu melhor amigo que contagia quem por ele se deixa tocar. A oportunidade desta viagem foi única, mas sofrida. Para que o amanhã fosse mais leve, teve o hoje de ser mais pesado. Reconheço-o, admiro-o. Vou contente porque vou com quem quero, porque vou leve e desafogada. Vou na esperança de encontrar um outro lado da vida raras vezes visitado e, talvez por isso, muito apreciado. Comigo vão também as boas recordações do hoje, o essencial depois do dia filtrado. Ficam muitas coisas e coisas boas: as minhas crianças, os abraços apertados que demos, os beijos com sabor a iogurte de morango; os meus adultos, as risadas descontraídas, as brincadeiras apropriadas; os meus colegas e a graça de termos ao nosso lado quem fale a mesma língua que nós, quem nos compreenda.
- Por que te ris de mim?
- Já te disse que não me rio de ti. Apenas sorrio para ti.
Quando menos esperarem estarei de volta, inevitavelmente tocada pela minha fuga.
terça-feira, outubro 30, 2007
Como uma criança

É tão bonita a alegria das crianças. A descoberta do mundo é uma coisa fantástica, tudo nos fascina, tudo nos encanta, tudo é motivo de curiosidade e por isso razão para experimentação. Com o tempo tudo habitua, deixa de trazer novidade, passa a fazer parte da rotina. Acho que o nosso maior desafio é este: conseguirmos no dia a dia, naquilo que já passou a fazer parte de nós, reencontrarmos formas diferentes de valorizarmos o simples facto de termos uma mesa farta, uma cama fofa, uma palavra amiga, uma cara metade. Fazer de todos os dias um novo acordar para o mundo que nos acolheu para sermos felizes.
segunda-feira, outubro 29, 2007
domingo, outubro 28, 2007
Perfeito

Hoje apetece-me dizer-te que és linda. Quero mostrar-te que te acho perfeita, que, apesar das arestas que tens a limar, nenhuma delas é impeditora ou condicionadora ao amor que sinto por ti. Tudo fica diminuído perante o todo que és. Porque estou certo do que sinto e da opinião que já formei sobre ti, deixo-o aqui imortalizado, como uma espécie de hino que te podia cantar, que só a ti dedico.
sexta-feira, outubro 26, 2007
Pieces of me
quinta-feira, outubro 25, 2007
Só damos valor quando perdemos
Eu já sabia disto, mas cada vez me convenço mais da sua veracidade: só damos valor às pessoas quando as perdemos. Mais ainda me assusta pensar naquelas que são incapazes de serem superiores ao seu próprio orgulho, sob pena de perderem quem realmente pode valer a pena. Sou e sempre fui da opinião que as coisas são para serem vividas quando têm de ser, quando nos sentimos capazes e conscientes e as pessoas de serem estimadas e de fazermos por as perpectuarmos na nossa vida se, de facto, valem a pena.
A experiência de trabalhar com adultos tem mexido um bocado comigo, sinto-me uma esponja a absorver cada gota de água que se lhe é salpicada, sinto-me desafiada. É normal, faz parte do habitual percurso da paixão, da novidade, neste caso adaptado à minha actual situação profissional. Com o tempo virão os problemas e as adversidades, o cansaço, a rotina e a habituação às pessoas e aos espaços. O que hoje é imprevisível, amanhã é só mais uma confirmação, é mais um item a acrescentar à ideia que já formei em relação àquelas pessoas. Que isto faz parte da vida já todos sabemos e que muitas são as pessoas que entram e saem e poucas são as que permanecem, também não é novidade para ninguém, mas assusta-me a ideia de perdermos apenas porque as não soubemos estimar na altura certa. E depois do adeus esforçamo-nos para que o sentimento de culpa nos abandone para podermos continuar a viver bem connosco próprios. A semana passada dizia-me uma pessoa que o fracasso dos nossos projectos é culpa de uma só pessoa: nossa. E não vale a pena estarmos a arranjar outras desculpas, nem a culpar terceiros. Eu percebi o que ele me disse. A culpa é e será sempre nossa na medida em que não fizemos como devia de ser a parte que nos competia. Falhámos, fracassámos. Por isso, fica o conselho para mim e para todos porque é muito desagradável um amargo de boca destes...
A experiência de trabalhar com adultos tem mexido um bocado comigo, sinto-me uma esponja a absorver cada gota de água que se lhe é salpicada, sinto-me desafiada. É normal, faz parte do habitual percurso da paixão, da novidade, neste caso adaptado à minha actual situação profissional. Com o tempo virão os problemas e as adversidades, o cansaço, a rotina e a habituação às pessoas e aos espaços. O que hoje é imprevisível, amanhã é só mais uma confirmação, é mais um item a acrescentar à ideia que já formei em relação àquelas pessoas. Que isto faz parte da vida já todos sabemos e que muitas são as pessoas que entram e saem e poucas são as que permanecem, também não é novidade para ninguém, mas assusta-me a ideia de perdermos apenas porque as não soubemos estimar na altura certa. E depois do adeus esforçamo-nos para que o sentimento de culpa nos abandone para podermos continuar a viver bem connosco próprios. A semana passada dizia-me uma pessoa que o fracasso dos nossos projectos é culpa de uma só pessoa: nossa. E não vale a pena estarmos a arranjar outras desculpas, nem a culpar terceiros. Eu percebi o que ele me disse. A culpa é e será sempre nossa na medida em que não fizemos como devia de ser a parte que nos competia. Falhámos, fracassámos. Por isso, fica o conselho para mim e para todos porque é muito desagradável um amargo de boca destes...
quarta-feira, outubro 24, 2007
terça-feira, outubro 23, 2007
Talks

- Olá minha querida. Que bom encontrar-te por aqui. Ainda não me deste um beijinho hoje. Então, como correu o teu fim de semana? Esperava que me ligasses, não o fizeste. Fico feliz por saber que estás bem, mas isso não compensa a falta que me fizeste, a saudade que senti.
- Não te procurei, de facto, mas não quero com isso dizer que não me tenha lembrado de ti. Peço-te encarecidamente um favor. Pára com essa atenção, pára com essa doçura, não quero e não posso continuar a ouvir as tuas palavras ternas, a sentir o calor do teu olhar. Mede a consequência dos teus actos. Em parte não tens culpa, a minha revolta não é contigo ou por tua causa. Vens somente ressuscitar o que sou e o que tento que à viva força desapareça da minha vida. Portanto, e porque sei que me estimas muito, farás o que te peço.
- É um erro o que me pedes, mas fá-lo-ei por ti. Derreto-me com a tua inocente forma de estar, com a gentileza do teu gesto e o teu sorriso incomparável. Estás a voltar as costas à delícia de pessoa em te tornaste, em prol de um muito pouco. Olho-te porque te admiro, porque não consigo conter a alegria de te conhecer. Dou-te o espaço que me pedes, mas sei que o tempo falará por si e, nesse dia, sabes quem vais procurar.
- Não te procurei, de facto, mas não quero com isso dizer que não me tenha lembrado de ti. Peço-te encarecidamente um favor. Pára com essa atenção, pára com essa doçura, não quero e não posso continuar a ouvir as tuas palavras ternas, a sentir o calor do teu olhar. Mede a consequência dos teus actos. Em parte não tens culpa, a minha revolta não é contigo ou por tua causa. Vens somente ressuscitar o que sou e o que tento que à viva força desapareça da minha vida. Portanto, e porque sei que me estimas muito, farás o que te peço.
- É um erro o que me pedes, mas fá-lo-ei por ti. Derreto-me com a tua inocente forma de estar, com a gentileza do teu gesto e o teu sorriso incomparável. Estás a voltar as costas à delícia de pessoa em te tornaste, em prol de um muito pouco. Olho-te porque te admiro, porque não consigo conter a alegria de te conhecer. Dou-te o espaço que me pedes, mas sei que o tempo falará por si e, nesse dia, sabes quem vais procurar.
segunda-feira, outubro 22, 2007
Qualidades e defeitos II

- Então diga-me lá o que é que a senhora ganha pelo facto de ser uma mulher humilde, trabalhadora e honesta?
- Bem, acho que as pessoas confiam mais em mim. Sou uma pessoa em quem se pode confiar.
- Muito bem. E agora diga-me de que forma é que pode moderar estes seus defeitos? Como é que a senhora pode ser melhor? Menos impulsiva ou teimosa?
- Eu? Como é que eu posso mudar os meus defeitos? Só conheço uma maneira. Pedindo a Deus, só Ele pode-me ajudar, mais ninguém. É a Ele que eu recorro para ser uma pessoa melhor.
- Bem, acho que as pessoas confiam mais em mim. Sou uma pessoa em quem se pode confiar.
- Muito bem. E agora diga-me de que forma é que pode moderar estes seus defeitos? Como é que a senhora pode ser melhor? Menos impulsiva ou teimosa?
- Eu? Como é que eu posso mudar os meus defeitos? Só conheço uma maneira. Pedindo a Deus, só Ele pode-me ajudar, mais ninguém. É a Ele que eu recorro para ser uma pessoa melhor.
domingo, outubro 21, 2007
Qualidades e defeitos

Esta semana estava com os meus alunos e tinha de os levar à reflexão sobre os defeitos e as qualidades. Dividimos o quadro a meio e conforme lhes vinham à ideia íamos distribuindo as características ora numa, ora noutra coluna.
- Mentiroso, ladrão, invejoso, orgulhoso, impulsivo.
Aos poucos a coluna dos defeitos atingiu uma proporção significativa. Achei o episódio curioso, não pude deixar de os chamar a atenção para aquilo.
- Meus amigos, temos dez defeitos e três qualidades. Não acham isto interessante? - isto é o reflexo da nossa sociedade. Nós somos assim: capazes de encontrar uma infinidade de defeitos, incapazes de muitas vezes admitirmos as qualidades que apreciamos nos outros. Na hora da discórdia saem-nos pela boca fora tudo o que pensamos de mal, tudo o que odiamos naquela pessoa. Raras vezes somos capazes de a procurar para lhe dizermos como é inteligente, aplicada ou trabalhadora. Humilde, carinhosa ou admirável. Pior ainda quando nos referiamos às pessoas com quem vivemos todos os dias, com quem temos de partilhar este que é o mistério da vida. A rotina e o hábito de coabitarmos impedem-nos de termos gestos e palavras de apreço, mas levam-nos com facilidade ao insulto e ao ataque quando, por alguma razão, alguma coisa mal. - Todos os meus alunos olhavam-me firmes e fixos. Todos abanavam a cabeça, como que a manifestar que concordavam comigo, que este é o retrato das suas vidas, é o filme que vivem e sabem de cór. Eu não falava necessariamente deles, deixei-me levar pelo fenómeno que tinha à minha frente, via-os enumerar defeitos e quando eu pedia qualidades parece que pedia uma coisa difícil, parece que era estranho estar a pedir uma lista de coisas boas, de coisas das quais nos deveríamos orgulhar.
Não sei que diga. De facto não sei. A impressão que tenho é a de que as pessoas têm vergonha de expressar o que sentem, têm medo de parecerem ridículas porque admitem que amam, porque reconhecem que a pessoa tal tem esta qualidade, porque elogiam um filho, uma esposa, um companheiro. Mas na hora do disparate não nos poupamos ao insulto, cegos pelo momento, dizemos o que queremos e o que não queremos.
É a história de tantas vidas.
- Mentiroso, ladrão, invejoso, orgulhoso, impulsivo.
Aos poucos a coluna dos defeitos atingiu uma proporção significativa. Achei o episódio curioso, não pude deixar de os chamar a atenção para aquilo.
- Meus amigos, temos dez defeitos e três qualidades. Não acham isto interessante? - isto é o reflexo da nossa sociedade. Nós somos assim: capazes de encontrar uma infinidade de defeitos, incapazes de muitas vezes admitirmos as qualidades que apreciamos nos outros. Na hora da discórdia saem-nos pela boca fora tudo o que pensamos de mal, tudo o que odiamos naquela pessoa. Raras vezes somos capazes de a procurar para lhe dizermos como é inteligente, aplicada ou trabalhadora. Humilde, carinhosa ou admirável. Pior ainda quando nos referiamos às pessoas com quem vivemos todos os dias, com quem temos de partilhar este que é o mistério da vida. A rotina e o hábito de coabitarmos impedem-nos de termos gestos e palavras de apreço, mas levam-nos com facilidade ao insulto e ao ataque quando, por alguma razão, alguma coisa mal. - Todos os meus alunos olhavam-me firmes e fixos. Todos abanavam a cabeça, como que a manifestar que concordavam comigo, que este é o retrato das suas vidas, é o filme que vivem e sabem de cór. Eu não falava necessariamente deles, deixei-me levar pelo fenómeno que tinha à minha frente, via-os enumerar defeitos e quando eu pedia qualidades parece que pedia uma coisa difícil, parece que era estranho estar a pedir uma lista de coisas boas, de coisas das quais nos deveríamos orgulhar.
Não sei que diga. De facto não sei. A impressão que tenho é a de que as pessoas têm vergonha de expressar o que sentem, têm medo de parecerem ridículas porque admitem que amam, porque reconhecem que a pessoa tal tem esta qualidade, porque elogiam um filho, uma esposa, um companheiro. Mas na hora do disparate não nos poupamos ao insulto, cegos pelo momento, dizemos o que queremos e o que não queremos.
É a história de tantas vidas.
sábado, outubro 20, 2007
Gestos que marcam

Obrigada por esta flor que me dás. Obrigada pelas palavras bonitas e sinceras que me dizes. Obrigada por todos os dias te importares com aquilo que sinto. Obrigada por te esforçares por perceberes quem sou, o que quero, espero e desejo. Obrigada pelo gesto meigo com que tocas a minha face e me apertas o rosto. Obrigada pelo beijo que me mandas num sinal de carinho. Obrigada pelo braço que pões sobre o meu ombro quando me falas e que permite que não apenas comuniquemos através do diálogo, através do olhar, como através do próprio corpo. Obrigada.
sexta-feira, outubro 19, 2007
Procurado e ainda não achado

Procura-se homem, por dentro e por fora. Sincero, honesto, fiel, companheiro, carinhoso, humilde, atencioso, trabalhador, educado, cumpridor dos seus deveres, conhecedor dos seus direitos, exigente, nobre, forte, inteligente, romântico, interessante, culto, meigo, amigo, confiante, respeitador, sensível, bom comunicador, bom ouvinte, bom coração, efectivamente bom, com sentido de justiça e de crítica. Atento ao mundo, à actualidade e às necessidades de uma mulher. Apreciamos também que seja dinânico, criativo, irresistível imaginativo, imprevisível (no bom sentido da palavra), atento, observador e másculo.
Se acredita reunir estas condições ou conhece algum detentor de tais virtudes, faça o favor de entrar urgentemente em contacto connosco. O sexo feminino está claramente à sua espera há anos para o colocarmos no Livro do Guiness ou o impormos num qualquer pedestal envolto numa redoma de cristal para que todas o possam apreciar e sonhar consigo, mas nenhuma lhe possa chegar. Qual David, com um Homem como o senhor! Não hesite porque você é uma espécie única, rara e é um desperdício andar por aí perdido. Vamos encontrar um espaço quentinho e acolhedor, que esteja à sua altura e onde possa ficar. Esperamos por si, apresse-se que já se faz tarde. Obrigada.
Se acredita reunir estas condições ou conhece algum detentor de tais virtudes, faça o favor de entrar urgentemente em contacto connosco. O sexo feminino está claramente à sua espera há anos para o colocarmos no Livro do Guiness ou o impormos num qualquer pedestal envolto numa redoma de cristal para que todas o possam apreciar e sonhar consigo, mas nenhuma lhe possa chegar. Qual David, com um Homem como o senhor! Não hesite porque você é uma espécie única, rara e é um desperdício andar por aí perdido. Vamos encontrar um espaço quentinho e acolhedor, que esteja à sua altura e onde possa ficar. Esperamos por si, apresse-se que já se faz tarde. Obrigada.
quinta-feira, outubro 18, 2007
Parabéns
Num certo dia

Certo dia, numa certa praia, num certo lugar, numa certa esplanada estava eu certamente a olhar para o horizonte quando reparo que uma certa rapariga não tirava os olhos de cima de mim. Senti-me observado a certa altura e não descansei enquanto não percebia a razão de tal desconforto. Lá estava ela, sentada, sozinha, sempre fixa no meu olhar, na forma como estava. Incomoda-me saber que alguém reparou em mim. Discretamente olhei à minha volta na esperança de encontrar um modelo humano de cortar a respiração, alguém que merecesse tal admiração, mas não encontrei. Aquele olhar era mesmo meu. Naturalmente desviei o olhar e fixei-me na fantástica paisagem que tinha à minha frente: o mar, a areia, o sol que me encadeava, as pessoas que partilhavam a mesma vista que eu, umas sentadas, outras passeavam-se à beira mar. Não conseguia tirar da ideia o facto de ter uma pessoa que me observava. Eu que estava tão sossegado a organizar a minha vida, a estabelecer as minhas prioridades, os próximos passos que darei, tinha agora o meu pensamente invadido por uma estranha qualquer que se estava a intrometer na minha paz interior, sem que eu lhe tivesse dado ordem para tal. Achei uma invasão de privacidade. Volto a procurá-la com o olhar e ela continua firme na sua missão. Leva à boa o copo de sumo que tem à sua frente, agarra a palhinha com os dentes e faz questão que eu assista ao espectáculo de borla. Refresca-se e pousa o copo com cuidado. Sorri-me. Mantenho a minha cara séria, de quem não está a aprovar nem um bocadinho aquele tipo de comportamento e volto-me com frieza sem lhe dar qualquer tipo de confiança. Estava-me a irritar aquela mulher, mas a verdade é que não parava de pensar que ela continuava ali. Fechei os olhos e concentrei-me no calor que sentia na minha cara, fruto do sol quente que me abraçava ternamente. Neste momento vem-me à cabeça a imagem daquela mulher nua. Assustei-me com este pensamento, abri os olhos perturbado e olho-a novamente. Continuava a tentar-me, ela sabia que conseguiria o que queria. Detesto esta certeza que as mulheres têm: a certeza da nossa fraqueza, a certeza de que farão de nós o que quiserem, desde que o saibam fazer. Se pudesse mudava esta minha natureza fraca, humana. Se pudesse firmava a minha posição e ignorava o facto dela existir, mas não consigo. Diz o ditado que se não os podes vencer, junta-te a eles. Já me sentia envolto naquela situação que não queria e, de cada vez que pestanejava, já a encontrava com menos uma peça de roupa. Eu já pestanejava compulsivamente só para a encontrar novamente mais nua, mais despita, mais irresistível. Isto era só o princípio de algo que se viria a revelar muito interessante. O tempo passou e eu nem dei conta. Abandonei o projecto de organizar a minha vida, para me entregar à fantasia de uma estranha que me penetrou sem ordem, violou o meu pensamento e me conduziu a espaços inacreditáveis onde tudo é possível, sem pudor. Fui interrompido pelo telefonema que me lembrou um compromisso para o qual já estava atrasado. Desculpa, vou já, atrasei-me. Chamei o empregado, paguei o café e o bolo que tinha pedido. Passei por ela, parei à sua frente e sorri-lhe pela primeira vez. Ela retribuiu o sorriso. Percebi que vivemos um momento inesquecível sem que sequer nos tivéssemos tocado, sem termos trocado uma única palavra. Com o olhar agradeci-lhe o momento. Levei-a comigo. Foi dentro da minha cabeça, foi na recordação de uma tarde bem passada, numa certa esplanada, num certo lugar, numa certa praia, num certo dia em que eu certamente olhava para o horizonte.
quarta-feira, outubro 17, 2007
In manus tuas Pater
Quando o ritmo de absorver e sentes que não és capaz de responder com razoabilidade às rasteiras e aos desafios que a vida te traz: entrega-te às mãos daquEle que pode fazer alguma coisa por ti. AquEle que não te abandona.
segunda-feira, outubro 15, 2007
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