terça-feira, janeiro 08, 2008

Sê-lo e parecê-lo


Pena que não estejam todos igualmente denunciados.

segunda-feira, janeiro 07, 2008

Vergonha


A consciência traz a vergonha, o medo e a dificuldade em enfrentar os factos. Parece um beco sem saída, sem luz. A casa esvazia-se, o corpo desnuda-se, a alma está em mil pedaços. São tantas as peças do puzzle que dificilmente seremos capazes de encontrarmos todas e refazermos o cenário com exactidão. Se a solução é o retiro, mesmo que temporário, que seja, importa que ele revigore, que o próprio se deixe libertar das malhas do pecado às quais se deixou prender. Se há alguma coisa que nos envergonha, se nos sentimos mal com determinada atitude, então é porque claramente pecámos. Tantas vezes nos sentimos na dúvida sobre de que lado nos encontramos e este é dos testes mais fiéis que podemos fazer: se nos incomoda, se bem lá no fundo sentimos que é uma coisa feia que nos entristece, então é porque certamente não veio das mãos de Deus porque os Seus laivos de inspiração só nos trazem coisas boas e das quais nos orgulhamos. A boa notícia é que não temos de ficar presos àquilo que nos humilha por dentro, que nos faz olharmos para nós como monstros insensíveis e cruéis. Uma conversa amiga e sincera, um pedido de perdão que nos sai do coração e a certeza de que este será aceite, faz de nós homens e mulheres novos que não precisam de se esconder do mundo, não tapam a cara, nem se camuflam por nada nem ninguém. Isto sim é ser-se verdadeiramente livre.

domingo, janeiro 06, 2008

sábado, janeiro 05, 2008

Dia cinzento

Às vezes é bem mais fácil enfiar o carapuço na cabeça e abancar num beco qualquer. São várias as razões que despontam esta vontade - fuga, medo, desilusão. A esta atitude se chama bater no fundo. Às vezes é preciso cairmos redondamente para sermos capazes de nos levantarmos e tomarmos uma atitude, mudarmos o que está mal, o que nos impede de sermos verdadeiramente felizes. Estes dias mais cinzentos atiram-nos para este tipo de depressão solitária, é comum que as pessoas se sintam mais em baixo e que ressuscitem o que mais as atormenta. A mim? Só me apetece dormir.

quinta-feira, janeiro 03, 2008

Condenados



Estamos todos condenados à felicidade.

quarta-feira, janeiro 02, 2008

Em carta



Olá, como estás? A carta que escrevo é para ti. É para quem agarrou na minha mão e me ensinou como se escrevem as primeiras palavras de amor com lápis de carvão. Depois de algumas horas de prática ajudaste-me a escrever a caneta. Escrevi o teu nome, escrevi o meu, progressivamente comecei a escrever todas as palavras do mundo que me faziam lembrar o teu perfume. Eu ensinei-te a desenhar. Tinhas medo, mas peguei na tua mão, entreguei-te os meus lápis de cera e suavemente fomos traçando aqui e ali até o teu desenho começar a ganhar forma. Dizias sempre não ter jeito, mas quem visse as tuas obras de arte nunca o diria. Pareces um mestre. Em pouco tempo quiseste-te aventurar às canetas de feltro. Os bonecos ficaram com cores mais fortes, qualquer pessoa ao longe recebia a mensagem que querias transmitir. Foi uma bonita caminhada a nossa. Já me aventuro a escrever a caneta sozinha e tu pegas nos meus escritos e ilustras o que escrevi. O trabalho que desenvolvemos fica digno de publicação. Não é isso que desejamos, não ambicionamos que o que criamos corra mundo fora, de mão em mão, não nos importamos que tudo morra em nós, entre nós. Não são segredos, são intimidades, são confianças: é a nossa vida que todos os dias escreve mais uma página, anexa mais um desenho e vira para o dia seguinte. Assim vamos contando o tempo que passa e, quando a saudade nos aperta, depressa desfolhamos o nosso livro e encontramos o que procuramos. Assim nada passará despercebido ou cairá no esquecimento. É um trabalho que não custa, não nos faz perder tempo. A carta que escrevo é para ti. Não sei se já o tinha feito, julgo que não. Mas nunca nada é tarde demais. Toma, recebe-a, junta-a às folhas que vais guardando dentro do teu coração.

terça-feira, janeiro 01, 2008

Fumo? Não, obrigado



Nova lei do tabaco entra em vigor a partir do dia de hoje. Dei uma volta por aí. Os sinais a relembrarem esta proibição são muitos, as pessoas olham-se atentas à procura de um infractor, os pulmões enchem-se de ar estejamos onde estivermos. Entrei e saí de cafés sem me sentir incomodada, sem ficar a cheirar a tabaco. Senti-me bem, senti-me aliviada, o ar que nos envolve está indiscutivelmente mais limpo e isso deixa-nos inevitavelmente melhores, mais bem dispostos e, até, menos irritadiços. É uma medida libertadora, que defende quem optou por viver sem a nicotina, livre de vícios e se via obrigado a partilhar do fumo dos outros, mesmo sem o desejar.

segunda-feira, dezembro 31, 2007

A queimar os últimos cartuchos I


A contagem decrescente já começou, queimamos os últimos cartuchos de 2007. Depois do balanço e da definição de projectos segue-se a inevitável preparação daquele segundo que fará toda a diferença na nossa vida a curto prazo, ou seja, no momento da passagem crê-se que tudo dependerá da côr da cueca ou da nota de 500 euros no bolso. Eis as superstições pelas quais tantos milhares se deixam influenciar:
- fazer barulho - o ano deve ser recebido com enorme alarido;
- para um ano cheio de amor - estrear umas cuecas, vestir vermelho (atraente de paixões) e dar o primeiro beijo do novo ano a uma pessoa do sexo oposto. Se comer ostras terá um ano cheio de sexo;
- para o emprego - vestir castanho;
- para ter dinheiro - uma peça de roupa amarela, uma nota no sapato, atirar moedas e notas ao ar. Se sentir comichão na mão direita é porque vai ser um ano endinheirado, se não tiver, fica para o ano. Deve evitar roupas apertadas porque dificultará a entrada de dinheiro nos bolsos. Coma chocolate , diz que atrai riqueza. Chupar sete sementes de romã e guardá-lhas num guardanapo e pô-las na carteira o ano todo ou pôr folhas de louro na carteira, diz que também nos abonará de carcanhol do bom.
- para ter sorte - deve evitar ter rasgões, falta de botões e outros sinónimos... Comer ervilhas e repolho verde trará sorte. Dar três pulinhos com uma taça de champanhe na mão e atirá-lo para trás das costas é deitar o azar fora.
- coma doze passas, uma em cada badalada e peça os seus desejos.

Este ano estou decidida! Se encontrar alguém com cueca nova vermelha, roupa larga amarela e castanha, com um andar esquisito por causa do avantajado maço de notas nos sapatos, com os cantos da boca cheios de chocolate, cascas de ervilhas nos dentes e, claro está, de repolho verde, a chupar sementes de romã, enquanto engole passas, com hálito de ostras, com folhas de louro na carteira, a dar pulinhos com champanhe na mão, a atirar notas e moedas e a coçar a mão direita no joelho porque já não tem mais mãos disponíveis, já sei o que fazer: corro para trás dele, bebo o champanhe que ele despejar e apanho o dinheiro que ele espalhar. No meio de tanta palhaçada alguém precisa de ter algum bom senso e fazer alguma coisa normal. Entretanto chamo o 112 e peço que o internem.

A maior ou menor sorte do ano dependerá de nós e só de nós: da forma como levamos a nossa vida, como nos comportamos, como conduzimos os passos que damos. Azares acontecem, mas isso ninguém os prevê e raramente os consegue evitar porque são imprevisíveis. Sou contra qualquer tipo de superstição porque sei que quem se deixa limitar por coisas como estas, para além de correr o risco de fazer uma figura triste, é, antes de mais, uma pessoa limitada na sua liberdade. Comer passas por tradição, fazer barulho por piada, estrear roupa porque temos brio nessa noite e queremo-la especial, é uma coisa, mas cairmos na tentação de julgar a sorte de, neste caso, 366 dias da nossa vida no repolho verde que comemos, na cueca vermelha ou nas sementes de romã que apodrecem na nossa carteira parece-me excessivo e triste. O dinheiro ganha-se trabalhando e poupando. O amor é cuidando e tratando de nós e dos outros. Entrem cheios de alegria, mas entrem livres, mesmo que cumprindo tradições, mas livres.
Bom ano de 2008 =)

domingo, dezembro 30, 2007

A queimar os últimos cartuchos II



Depois da paragem para balanço vem a lista de desejos e projectos a concretizar no ano que nos espera. Uns prometem não voltar a fumar, outros comprometem-se a estudar mais, a trabalhar mais, a beber menos, a ganhar juízo, a deixar a vida boémia, a prestar mais atenção aos filhos ou a fazer a cama todos os dias. O simples facto de admitirmos que há coisas que não estão bem nas nossas vidas já é um excelente princípio, é porque temos consciência deles e portanto estamos no bom caminho para limarmos as nossas arestas e nos esforçarmos por um amanhã do qual nos orgulhemos cada vez mais. O problema são as promessas que caem por terra mal passa o ano. A ressaca trata de pôr o cérebro na estaca zero e a amnésia é tal que ainda nem acabou a dor de cabeça e já andamos nas asneiradas outra vez. Projectos: sim, desejos: sim, mas concretos. Devemos pensar nestas coisas com realidade, com os pés na terra, só assim chegaremos a bom porto. Poucas coisas há mais doces que a realização de qualquer coisa que tenhamos idealizado, a concretização de um sonho ou colaborarmos na concretização do sonho de alguém. Nas doze badaladas, não se se um, se dois, se três, se doze desejos, não importa a quantidade, importa aquilo que cada desejo trará de bom se realizado.

Há tempos comentava optimista que o próximo ano só pode ser bom, é um ano especial que nos dá mais um dia que os habituais por ser bisexto. Mais um dia para viver. Respondia-me esta pessoa que só temia que este fosse mais um dia para sofrer. Não sabemos o que nos espera, mas porque não vale nunca a pena sofrer por antecipação, há que passar o ano com um sorriso enorme e contagiante e com o pensamento firme de que ele nos reserva o melhor que nunca antes nenhum outro nos reservou.

sábado, dezembro 29, 2007

A queimar os últimos cartuchos III


O calendário não poupa ninguém e o tempo voa a uma velocidade estonteante. Quando menos esperamos já as semanas se sobrepuseram aos meses e estes acabam dando lugar aos anos. É normal e bom sinal: andamos entretidos na nossa vida, a fazer por ela e isso não tem nada de mal, bem pelo contrário. A contagem decrescente até ao final do ano leva-nos à reflexão. Muitos gostam de fazer o balanço do ano, pesam os pontos altos e baixos, o que pode ser melhorado, o que não tem (aparentemente) solução e porquê. Uns procuram resolver os assuntos que deixaram pendentes, os bancos atulham-se de pessoas que querem saber a quantas andam, quanto lhes rendeu o ano, que plafon têm disponível para as loucuras da noite 31. A cabeça enche-se de pensamentos quando nos abstraímos de tudo, acho que esta época festiva é das poucas alturas em que nos permitimos parar. Às vezes andamos à deriva, sem rumo, sabemo-lo e deixamos andar. É mais confortável enfiarmos a carapuça até ao umbigo do que arregaçarmos as mãos e mexermos naquilo que não está bem nas nossas vidas. Mas esta altura é diferente. Por superstição ou por outra razão qualquer, ninguém deseja começar um novo ano sem saber muito bem para onde vai ou para onde deseja ir. Este é um passo fundamental, é o princípio de uma mudança que há muito se adiava por falta de coragem ou por comodismo.

Não sou excepção. Também eu já fiz a retrospectiva do meu ano e resumo-o a quatro acontecimentos que marcaram 2007 para mim. Na história da minha vida, na minha cronologia, 2007 é o ano de dois acontecimentos muito maus e dois excelentes. A perda de dois elementos por quem nutria um enorme carinho e a conquista de duas das melhores coisas da minha vida: a minha cara metade e o emprego dos meus sonhos. Se me sinto hoje tão feliz e realizada é em muito graças a estas duas surpresas que trouxeram uma nova cor e um outro sabor aos meus dias. Termino o ano de sorriso rasgado e com o coração cheio de esperança.

sexta-feira, dezembro 28, 2007

Retratos II


As fotografias imortalizam momentos. Nelas impedimos que a ideia de que tudo é efémero e que acaba por cair no esquecimento seja verdade. As caras mantêm-se jovens, bonitas, os sorrisos não abdicam de ficarem estampados nem por nada, os olhares brilhantes contagiam-nos quando os revemos. Hoje com a fotografia digital enchemos cartões, cds, dvds com estes instantes da vida. Tiramos centenas de fotografias de todas as maneiras e feitios à procura daquela que nos tocará de uma maneira especial e que achemos seja merecedora de uma moldura, mereça sair da máquina, do cd que a prende, do cartão que a atrofia e possa respirar no mundo dos vivos, no mundo dos que para ela todos os dias olharão porque ela fará questão de marcar a sua presença no nosso quotidiano. Nessa troca de olhares entre a fotografia e aquele que por ela se cruzou dão-se uns milésimos de segundo de silêncio e contemplação que só a eles pertence. As imagens que passam como flashs sintetizam o essencial. Terminado este momento com um sorriso nada forçado, cada um segue com a sua vida, sabendo que no final do dia voltarão a cruzar-se. É bom deixarmo-nos encantar por aquela caixinha mágica que nos agarra sempre que quisermos e agarrará os que nos são mais queridos. Dias, meses, anos, décadas mais tarde nada é demais, tudo parece pouco para nos ajudar a retratar o que já vivemos com a máxima fidelidade, quem o partilhou connosco, como éramos, como nos vestíamos, como nos penteávamos, a história que estava por detrás de cada ruga, de cada sorriso, de cara cicatriz. É impossível não olharmos para as fotografias mais antigas sem nos vermos invadidos por tudo o que já fomos. Algumas trarão algum sofrimento, alguma tristeza, mas não deixam de ser marcos que fizeram de nós o que somos actualmente. Estamos, vivemos marcados por elas. Uma fotografia, um retrato: uma compactada miniatura de sentimentos e o tornarmos imortal o que julgamos fugaz.

quinta-feira, dezembro 27, 2007

Piropos


És tudo o que uma mãe pode desejar para o seu filho.

quarta-feira, dezembro 26, 2007

Retrato


Mulher de perfil, com atitude firme, revela personalidade forte e marcada. Olhos fechados que me fazem pensar naquilo que poderá estar a passar pela sua cabeça, que memórias esconde por detrás das suas pálpebras, que verdades esconde esse olhar que viu e registou. Boca semi-aberta, mas totalmente irresistível, aquilo que ela promete não lembra a ninguém, nem ao mais audaz, ao mais criativo ou ao mais atrevido. É enorme o caminho que distancia o pensamento da sensação e não há nada que substitua o arrepio que esses lábios provocam ao suavemente percorrerem a minha pele. O pescoço meio nú, meio vestido pelos seus cabelos soltos é uma arca de tesouros inesgotável. Todos os dias se encontram novas peças de arte, diamantes brutos que me cabem a mim lapidar, domar, dar a forma que melhor se adapte àquele pescoço que merece os mais belos e diversos ornamentos. Todos os momentos agarrado a ele são uma lufada de ar fresco, seguida de um corte de respiração que necessariamente culmina numa respiração boca a boca. Adoro a medicina tradicional. Do pescoço ao peito é um pulinho. Sem dar conta já o tomei nas minhas mãos e sinto-me tentado a desejar tê-lo para sempre, quero adoptá-lo como confidente nos dias maus, encosto no cansaço e amparo no desespero. Como um melhor amigo que se tem e se preserva, assim os quero na minha vida. A cintura fina é abraçada fortemente pelos meus braços que a esborracham contra mim. Num ápice sinto o onda de calor que me atropela, alivio o abraço, mas torno a apertá-la como se assim a pudesse prender para a eternidade. Posso ser hoje dono daquela que me invadiu por dentro e por fora, pode ser ela hoje a certeza do meu amanhã, mas isso só é possível porque o queremos e porque no pleno uso das nossas faculdades mentais e livres de tudo o que nos possa limitar, percebemos e decidimos que juntos a vida será aquilo que fizermos dela. Dir-me-ão que com uma mulher assim tudo é fácil e todo o homem se imagina feliz com tal parceira. É bem verdade o que dizem, só que este é o retrato que melhor exprime aquilo que ela é por dentro.

segunda-feira, dezembro 24, 2007

At Christmas you tell the truth


Sei que já postei este video, mas não resisto a fazê-lo novamente por razões que acredito compreensíveis. A propósito fica o desafio: o filme vai passar amanhã na televisão portuguesa, escusado será dizer que acho que vale o investimento...

All I want for Christmas is everything I have


São conhecidos e mais do que batidos os vários desejos de boas festas que são desejados nesta época. Naturalmente subscrevo todos, mas apetece-me acrescentar mais uma meia dúzia. Espero que a concórdia e a verdade sejam uma realidade durante todos os dias das vossas vidas. Quero que o Natal não seja uma data de obrigatoriedades e fretes, mas apenas o confirmar daquilo que se construiu durante um ano inteiro. Acredito que as prendas que se compram são a pensar nas pessoas que escolhemos para prendar e não apenas um cumprir de uma tradição inútil e sem sentido. Eu assim o fiz. Fiz por estar com aqueles que me são mais especiais pessoalmente, presenteei os que me são mais próximos e mais amo, com aquilo que sentia que os faria mais felizes e hoje e amanhã estou com a família mais próxima. Sinto-me privilegiada porque passo um Natal com tudo o que mais desejo: saúde, uma casa cheia, um coração realizado, uma árvore farta, uma mesa cheia e um Menino Jesus que me deu isto tudo e muito mais e que, mais uma vez, espero permitir que nasça dentro de mim! Feliz Natal para todos...

domingo, dezembro 23, 2007

sábado, dezembro 22, 2007

Saber o que se quer


- Só as crianças é que sabem do que andam à procura - disse o principezinho. - São capazes de perder tempo com uma boneca de trapos que, por isso, passa a ser muito importante para elas. Se alguém lha tira, desatam a chorar...
- Que sorte que as crianças têm! - disse o agulheiro.
Antoine de Saint-Exupéry

sexta-feira, dezembro 21, 2007

Escultura


Esculpida pelo melhor escultor do mundo esta interessante peça de arte rara, e a poucos acessível, encontra-se estranhamente disponível a um preço acessível a qualquer bolsa. Pela módica quantia de uma promessa de bom tratamento, de uma intensa dedicação de carícias e de uma jura de amor eterno, esta relíquia pode ser sua. Naturalmente vários virão ao encontro deste achado, por isso os interessados serão sujeitos a intensos testes de averiguação das verdades que proferirem, para que a mais conceituada e exigente das juízas possa dar o seu parecer e possa disponibilizar aquilo que tanto desejam.

Estas formas foram cuidadosamente desenhadas e posteriormente esculpidas. A matéria de que é feita é suave e macia, agradável ao toque e sensível ao toque. Pode despertar outras sensações e apetites, não menos interessantes.

Se se sente interessado não deixe escapar esta oportunidade única. Aposte naquilo que vale a pena e ainda se habilita à possibilidade de uma vida duradoura e feliz ao lado daquela que pode ter sido criada para si.
*Concurso disponível para indivíduos do sexo masculino, solteiros e bons rapazes.

quinta-feira, dezembro 20, 2007

Merry Christmas!!!

Enquanto não há amanhã

Esta noite fui visitado por uma fada madrinha que me disse que a mulher ideal existe. Fiquei estupefacto a olhar para ela, não a queria julgar, muito menos queria duvidar da sua palavra, mas as coisas têm de ser esclarecidas. Em criança, era rapaz traquina e pouco ligava às miúdas porque o homem aranha parecia-me bem mais interessante que aquelas brincadeiras irritantes às famílias, mas se alguém me perguntasse no meu íntimo se acreditava na mulher ideal, talvez fosse capaz de dar a mão à palmatória e assumir que sim. Uns anos mais tarde, já me dedicava aos amassos atrás dos pavilhões e percebi que afinal estas coisas das raparigas são mais complexas que aquilo que eu inicialmente julgava. Eram umas queridas e eu adorava estar ali com a anatomia feminina toda nas minhas mãos, eram autênticas aulas práticas das ciências da natureza, aprendi imenso, mas depois metiam-se sentimentos, ciúmes, confusões, amigas e até ser capaz de gerir estas baralhações todas ainda percorri um caminho algo doloroso. Agora que já estava convencido da imperfeição humana, da impossibilidade de me cruzar com alguém especial, acima da média, detentor de todas as verdades e qualidades do mundo, vem esta personagem pôr tudo em causa outra vez? Tive vontade de me virar a ela dizer-lhe uma meia dúzia de coisas menos afáveis, na esperança de que desmentisse o que havia afirmado e me deixasse em paz. Não o fiz, preferi pedir-lhe explicações, não fosse ela ter razão e eu até ter acesso a esta pessoa. Mexeu os cordelinhos e mostrou-me através de imagens passageiras quem esta mulher era, mas o seu rosto nunca me aparecia definido na cabeça. Queria vê-la para podê-la reconhecer na rua de imediato e agarra-la para sempre. Isso nunca aconteceu. Levantei-me e bati-lhe, estava irritado com aquela situação e já me sentia um palhaço nas suas mãos. Ela olhou-me com tristeza e desapareceu. Não fiquei nada satisfeito com a minha atitude, mas às vezes não consigo controlar a minha impulsividade, reajo sem pensar. Nesse preciso momento vieram-me à ideia todas as raparigas que já tinham passado pela minha vida e que, por alguma razão, também elas desapareceram, como fui eu que tratei de as pôr bem longe só porque sim e porque não. Algumas bem o mereceram, serviram para o que tinham a servir, foi bom, obrigado, mas agora quero-as o mais longe possível. Ocorreu-me a terrível ideia de já ter sido visitado por esta pessoa e de a ter deixado escapar. Nesse instante sou novamente visitado por esta fada irritante, vinha com um saco de gelo na cara e com algum mau aspecto. Olhei-a de lado, senti alguma pena por assistir àquele triste espectáculo, mas fiz questão de mostrar o meu desprezo. Só me disse ainda vais a tempo e volta a sumir-se no infinito. Acordei sozinho e lavado em lágrimas, como só podia estar...