sexta-feira, dezembro 14, 2007

Momentos

Poucas alegrias há maiores que esta. Nada é comparável ao dom da vida. É de facto o milagre mais extraordinário ao qual assistimos e que raramente o vemos como tal. Que bom que é saber que ele é possível e real. Que bom que é depararmo-nos com momentos como este, que nos fazem esquecer desgraças e nos preenchem o coração de alegria e esperança.

quarta-feira, dezembro 12, 2007

(Não) Viver (Não) Pensar


Não sei se pense, se viva. Se viva evitando pensar, se pense evitando viver. Se viva pensamendo ou pense vivendo. Se vivendo pense ou pensamento viva. Talvez seja possível pensar e viver, sem que uma anule a outra, ou quem sabe consiga o impossível de não fazer uma coisa ou outra. Uma coisa é certa: muito deixamos de fazer, muito deixamos de viver, muito deixamos de sentir ou impedimos que aconteça porque pensámos em demasia. Não sei se pior, mas pelo menos igualmente mau, muito sofremos por antecipação, que nunca sequer chegou a acontecer nem de perto, nem de longe, só porque pensámos e deixámos que este pensamento tomasse conta de nós acabando com a nossa paz interior. Contudo viver sem pensar, pode nem sempre ser a solução. Ocorre-nos sempre a ideia da desilusão, daquilo que não se conseguiu evitar porque não nos dedicámos o que devíamos ao assunto. Chego à conclusão do costume: não sei, mas também não estou demasiado preocupada com o assunto. A pouca experiência de vida que tenho trouxe-me já algumas certezas, uma delas é a e que no final tudo se resolve e o bom da fita ganha sempre como nos contam as histórias de encantar. A vitória do mau é sempre temporária, provisória, aparente.

terça-feira, dezembro 11, 2007

A fonte do saber


A fonte da sabedoria? Aquilo que detem todo o saber? O poço dos saberes? O cúmulo das ideias, interpretações e análises? A nascente de onde brotam as certezas absolutas e as verdades inquestionáveis? O livro da vida que explicita o culminar de toda uma experiência? A lucidez? A clareza? A exactidão? A génese? A origem?

Não sei onde está. Também não sei se quero saber. Gostava de me encontrar com quem me pudesse tocar com aquilo a que já sobreviveu, me abrisse os olhos no dia em que por vontade própria eu os deixasse fechar, me mandasse um encontrão quando eu fosse descaradamente pôr o pé na poça, me desse o estalo que me acalmasse no dia da esteria e do descontrolo. É bom termos quem nos abane. Sempre fui da opinião de que esta passagem por cá é mais difícil quando nos vemos sozinhos e isto porque há tanta coisa que nos passa ao lado e que alguém nos pode mostrar. Assim só podemos ser pessoas melhores. E esse livro dos insaciáveis também não é para mim. Quero que os meus olhos, que os meus lábios, que o meu corpo, que o meu tacto, que o meu pensamento sejam desafiados e desafiem. Só assim passarei dos livros à prática, da conversa ao acto, da teoria à vida.

segunda-feira, dezembro 10, 2007

Destacados


Destacados de entre a multidão. Poucos se destacam, mas esses não nos passam despercebidos, vemo-los, sentimo-nos, somos por eles contagiados. Há diferenças que valem a pena.

sexta-feira, dezembro 07, 2007

Linda


Olá boneca, bom dia. Estás mais deslumbrante do que nunca. Sei que os nossos olhos não vêem o mesmo, que os pormenores que me saltam à vista, passam-te ao lado, que não valorizamos as mesmas coisas. Mas hoje, pela primeira vez, falámos a mesma língua, sem sequer proferirmos palavra. Achaste-te perfeita e isso é o princípio de um futuro que certamente se avizinha risonho. E eu não quero deixar de estar ao lado. Nunca.

quinta-feira, dezembro 06, 2007

Dodói


Conheço uma pessoa que está de castigo. Não se portou mal, não foi mal educada, comeu a sopa toda, mas um jeito mal dado atirou-a para um sossego que ela não desejava. A vida correria, o tempo voava, os desafios aconteciam e ela sentia-se ali presa à dor que sentia que a impedia de correr atrás das borboletas, rodopiar sobre si mesma, saltar e pular o mais alto que podia. Diz o ditado que o que não tem remédio, remediado está. Abraçou o seu fiel companheiro e juntos foram para o sofá ver filmes, comer pipocas e rir até doer a barriga. Importa que cada segundo na vida seja vivido, com maior ou menor intensidade, como pudermos, mas sempre aproveitado.

quarta-feira, dezembro 05, 2007

Gestos


Há gestos falantes, marcados segredos que acabam em suspiros mansos. São calados desejos, minuciosamente pensados, mas raramente denunciados. Os trambolhões esquecidos já não nos visitam e, se o fazem, é às escondidas, na calada da noite, onde todos se abandonaram ao relaxe do corpo, ao descanso da mente. A timidez dos gestos revela a genuidade dos corações, a gratuidade dos passos, a frontalidade dos amantes. Quem ama só quer bem e, por isso, entrega ao outro tudo o que pode, marca a diferença de entre os comuns mortais porque ambos estão marcados pelo que de melhor há no mundo e são privilegiados porque se encontraram na hora certa, no sítio certo, na altura certa das suas vidas. As poucas coincidências e os nulos acasos da vida, que apesar de tudo por vezes nos tenta fazer crer que sim, que existem, que fazem parte do percurso, preparam-nos para o mais farto dos banquetes, o mais doce dos manjares, mas somente no dia em que estivermos preparados para o comermos e o apreciarmos como ele merece. Até lá trilhamos os caminhos tropeçados, sobrevivemos às areias movediças, deslizamos por pantanos lamacentos. Mas no final da caminhada vemo-nos sujos e mal cheirosos. É aí que nos cai sobre a testa a chuva intensa, mas revitalizadora que culmina num raiar de sol abrasador que nos seca num ápice e nos perfuma a primavera. Quando abrimos os olhos temos uma flor que nos é entregue com um sorriso. Lentamente estendemos a mão, ainda a medo, para a acolher e abrimos o coração para o der e vier.

segunda-feira, dezembro 03, 2007

Endiabrada


Tenho o diabo no corpo. E agora?

domingo, dezembro 02, 2007

No final do dia


Um dia perfeito. Conversas amenas. Luzes de Natal. Uma paz inexplicável. Um jantar a gosto. Um abraço quente. Uma palavra sincera. Um beijo de boa noite. Um regresso a casa. Um sorriso nos lábios. Uma doce sensação que nos embala até à cama com uma terna certeza de que tudo valeu a pena. E que bom que foi.

sábado, dezembro 01, 2007

Este fim de semana

http://www.fcsh.unl.pt/cadeiras/ciberjornalismo/ciber2000/voluntariado/Imagens/ba.jpg

Não custa ajudar e podemos contribuir para acabar com a fome no nosso país.

quinta-feira, novembro 29, 2007

Enquanto dormias


Olhei-te séria enquanto dormias. Estavas tão lindo que quis eternizar o momento. A tranquilidade que transmitias nessa posição em que abandonaste o nosso mundo presente para te entregares aos sonhos cor-de-rosa. Mereces estar nesse bocadinho de paraíso, onde todos os desejos se concretizam e onde ninguém nos faz mal. Como sei que não te encontras no meio de um pesadelo a preto e branco? É fácil. Nenhum monstro mau se atreveria a meter-se com uma criança tão querida quanto tu e nem eu o deixaria. Eu filtro os teus visitantes nocturnos, como a um bom porteiro compete.
- Onde vai? O que deseja? O que traz consigo?
E só dou autorização de passagem às mais belas fadas madrinhas, ursos de peluche, bolas de algodão doce e gominhass gelatinosas que te dão os mais saborosos beijos melados. O teu ligeiro sorrido denuncia as maravilhas que estás a viver. É por isso que tiro esta fotografia, para que amanhã, já homem feito, a possas recordar e, por breves instantes, revivas o quanto foste feliz enquanto dormias...

quarta-feira, novembro 28, 2007

O MEU MARIDO



A expressão o meu marido, se analisada com cuidado, não só daria para uma excelente reflexão, como bem trabalhadinha até para uma qualquer tese sobre o assunto. A frase é a mesma, não muda, não tem de mudar, nem tem como mudar. Muda, e muito, é a entoação com que esta é proferida, as vezes em que é feita, os motivos que a evocam e o público alvo. Com naturalidade numa conversa trazemos aqueles que nos são mais queridos por variadíssimas razões, temos prazer e orgulho em falarmos sobre eles. A diferença reside em dizer-se no outro dia o meu marido chegou atrasado ao emprego ou o meu marido ligou-me para saber se eu estava bem porque passei mal a noite e dizer-se no outro dia O MEU MARIDO ligou-me porque passei mal a noite, ou ainda, O mEu MaRiDo fez isto e aquilo, o MeU mArIdO, o MEU marido, O meu MARIDO e por aí em diante. Nalguns casos mais gritantes os olhares femininos cruzam-se de imediato, nalgum tom de crítica, muito subtil como é costumes entre senhoras. A feliz contemplada com UM MARIDO fê-lo saber, a alto e bom som, para que não restassem dúvidas entre as presentes, as que por acaso passavam, as que estavam no corredor e as do andar de cima. Aquela senhora era uma premiada, foi importante sabê-lo.

Outros casos, não menos interessantes, são os daquelas que, por alguma razão, não viram oficializado o seu enlace e, por isso, estão juntas, amantizadas, em união de facto, ainda em fase de namoro prolongado, mas por acaso já a partilhar a vida. São várias as formas existentes para descrever a situação actual do casal, eu gosto particularmente do sou junta, não sou casada. Uma vez não tendo sido proferidas sobre as suas cabeças as palavras declaro-vos marido e mulher, principalmente a mulher, vê-se um bocado às aranhas quando se quer referir à sua cara metade. Ele não é meu marido porque não casámos, defendem-se algumas quando se nos escapa um então, como está o teu marido? Nestes casos são também curiosos os nomes por que são chamados: o meu companheiro, o meu namorado, o meu parceiro, qualquer coisa menos o meu marido.

Os homens para além de não complicarem tanto por Natureza neste tipo de coisas, têm a vida duplamente facilitada porque a minha mulher para aqui, a minha mulher para ali não ofende a ninguém e está o assunto resolvido. E é muito interessante porque não me recordo de nenhum episódio em que A MINHA MULHER alguma vez tenha sido efectivamente dito, com a intenção com que uma mulher o pode dizer.

São, de facto, dois mundos muito diferentes nalgumas coisas. Acho que parceiro, marido ou namorado importa é que as pessoas sejam felizes. Se se encontraram, que façam por perpectuar os compromissos que assumiram, com lealdade e, também, um pouco de humildade.

segunda-feira, novembro 26, 2007

Jantar


Só pus a mesa a contar comigo hoje. O jantar é mais pobre, a casa está fria, o teu lugar está vago. As loiças fui buscá-las ao armário que raramente é aberto. Quis fazer especial este momento, já que a solidão ninguém ma tira.

domingo, novembro 25, 2007

Perspectivas II

- Quando olho para esta imagem realça-me logo a bonita pulseira que ela traz. Acho um pormenor fenomenal, não concordas?
- Sim, claro.
- Acho muito importante a cor dos olhos e o cabelo esticado. Assim, caído sobre os ombros fica muito bem, o que dizes?
- Sim, pois...
- Está um bonito retrato, ela certamente ficou muito satisfeita com o resultado final. É uma fotografia da qual se deve orgulhar, não achas?
- Sim, acho.
- E tu? Não dizes nada? Não comentas? Só concordas?
- Sinceramente? Vejo uma gaja boa, um olhar provocador e um fio dental. Não consigo ver muito mais do que isto. E só tenho pena que não seja tua amiga porque faria muito gosto em fazer parte do seu círculo de amizades. Desculpa se estou a ser demasiado redutor, mas tu é que perguntaste.

sexta-feira, novembro 23, 2007

Vá lá


Está bem, não peças mais que não a pena, já me convenceste. Sabes que acho deliciosa a forma como levas a água ao teu moinho. Acho incrível a maneira como me deixo seduzir por ti, mas tem valido muito a pena, fá-lo-ei sempre e todos os dias porque só para ter o teu sorriso rasgado, tudo é válido. Pede que eu dou, mas com carinho...

quinta-feira, novembro 22, 2007

quarta-feira, novembro 21, 2007

Leva-me daqui


Esta noite sonhei que me levavam para bem longe daqui. Não sei para onde me levavam, não sei quem me levava, só sei que sentia uma enorme confiança, sentia-me segura. Não fiz perguntas, não inventei desculpas ou me precipitei em disparates. Deixei que a oportunidade tomasse conta de mim e que a sensação de aventura me guiasse a um lugar desconhecido que eu pressentia confortável. Deixei que o vento batesse suavemente no meu rosto, as minhas tranças pretas voavam como os pássaros, ondulavam ligeiramente ao sabor da brisa. Sei que a expressão da minha cara era feliz, sentia-me cheia por dentro, nada mais cabia dentro do meu peito, acho que é esta a sensação de realização. Momentaneamente sentimos que nada nos fará mais felizes do que aquilo: temos tudo. Era isso que sentia nesta pequena viagem.

Sentia-me como num conto de fadas, talvez porque tenha lido muitas histórias encantadas em miúda ou me tenha deixado influenciar pelos desenhos animados e as suas histórias com finais felizes. Adoro finais felizes. Mas este passeio acabou mal. Levada por vários balões de cores garridas vi aproximar-se lentamente um pássaro azul. Sorri-lhe de imediato, queria-o comigo nesta etapa. Assobiei-lhe e ele aproximou-se. Um a um picou todos os meus balões, caí desamparada no chão. Nesta aflicção acordo com o despertador mal disposto. Malvado, foi ele que me estragou o sonho, todos os dias acorda rabugento e é em mim que descarrega. Calei-o, mas desta vez não lhe dei o murro do costume. Silenciei-o só, pode ser que amanhã ele se lembre e me acorde com outros modos.

terça-feira, novembro 20, 2007

Páginas a preto e branco


Quando no livro da tua vida encontrares uma página a preto e branco vai àquela gaveta que nunca abres, onde depositaste os lápis de côr gastos de tanto afiar, as canetas de feltro que já só borram, os restos de lápis de cera partidos que sobraram e os guaches secos e apertados e atribui-lhes as cores que mais gostares, aquelas que queres que marquem aquele dia específico que, por alguma razão, saiu descolorado. Se precisares de ajuda procura quem te dê uma mãozinha para cumprires esta tarefa com sucesso, importa que seja alguém especial, alguém que naturalmente já te ilumina só pela sua presença. A dois para além da nova côr, poder-lhe-ás dar outro sabor, outra luz. Um novo perfume à página seca do livro da tua vida.

segunda-feira, novembro 19, 2007

Tiro eu ou tiras tu?


Tiro eu ou tiras tu?
Quando se cumpre a promessa há muito feita, mas nunca dita.
Quando a vontade se instala e o momento acontece.

Tiro eu ou tiras tu?
Talvez nem seja uma pergunta relevante ou até o seja.
Talvez não seja o momento mais apropriado ou até o seja.

Tiro eu ou tiras tu?
Não esperavas a pergunta, nestas situações não se pensa.
Não sabendo o que haverias de responder, tiraste e ficou o problema resolvido.

sábado, novembro 17, 2007

Chegado o Outono


Começamos a sentir o Outono mais a sério. Começa o frio e os dias cinzentos, cada vez mais curtos, às 17h30 é de noite e a vontade de nos aconchegarmos começa cedo. As bebidas frescas são trocadas por chávenas de chás aromáticos, cafés cada vez mais sofisticados ou canecas de chocolate quente que não só nos confortam por dentro, como nos maravilham pelo seu sabor forte e intenso. Quando penso nestes serões vejo-os serenos. Na rua as pessoas caminham encolhidas, evitam parar porque quietas arrefecem muito facilmente. Aglomeram-se para que o calor que exista se concentre, procuram quem as acolha num abraço que se quer eterno. Em casa as mantas são fiéis companheiras, uma lareira acesa, uma televisão, um filme que não cansa, uma caneca na mão que apertamos com força, uma sala a meia luz, um nariz gelado. Nos meses frios do ano são momentos como estes que naturalmente procuramos, que inevitavelmente passam a fazer parte do quotidiano.