
Tudo isto e muito mais porque: Deus é e só pode ser amor.
porque nada é por acaso

Não sei quem a inventou, mas criou um dos maiores e mais fascinantes mistérios que conheço. Como assinar? O que pôr? De que forma? Que critérios regem o código da boa assinatura? Os mais novos fascinam-se com este mundo por descobrir, criam inúmeras assinaturas e adoram sempre que permitimos que se expressem por meio desta espécie de marca criativa individual. A escolha da assinatura "ideal" que nos acompanhará para a vida é a previsão, a preparação para a entrada na idade adulta, conhecida e caracterizada pelos quilos de papéis e burocracias. Quando somos chamados a oficialmente apresentarmos o nosso símbolo somos avassalados por um misto de sensações: por um lado a ansiedade e o entusiasmo de quem se vai afirmar ao fim de tantos anos de treino, tanto papel e caneta gastos, por outro a vergonha do principiante inseguro que teme que a sua imagem de apresentação possa não ser bem aceite pela sociedade. Certo é que esta forma de afirmação pessoal mais cedo ou mais tarde acaba por acontecer e aí, fechamos os olhos e com a mão meia trémula, assinamos. E depois? Depois ninguém comenta, ninguém critica, não há opiniões concordantes ou discordantes. É aí que percebemos que ela depende só de nós e que é, de facto, um acto natural que só está a ser especial para nós porque o fazemos pela primeira vez. Com o tempo vamo-nos habituando e orgulhando do nosso carapau.



Será que sentimos todos as mesmas coisas de forma igual? Uma vez humanos, feito da mesma matéria, será que a dor é igual em todos os corações? A saudade é sentida de igual forma?








Conheceste-me numa altura em que eu não questionava o que se dizia, nunca tinha pensado na vida e qualquer tema me fascinava, principalmente aqueles que aparentavam ser mais profundos, de gente intelectual, importante e sabida. Assim fui-me abrindo ao exterior, fui enriquecendo como pessoa, fui colhendo tudo o que podia. O caminho era longo, tudo era tão novo e eu assemelhava-me a uma esponja que absorve quase sem filtrar. Digo quase porque nem tudo o me era vendido era comprado ao preço que se oferecia, também fui impondo uma meia dúzia de exigências na esperança de não ser atropelada abruptamente, sem dó nem piedade. Sabes, sinto falta daquele tempo e daquilo que éramos. Mudámos tanto: tinhas risco ao lado e usavas suspensórios, eu passarinhava-me de ténis e roupa dois números acima do meu porque ainda não reconhecia o meu corpo. Lembras-te das horas que passavam sem darmos conta e dos quilómetros percorridos só porque nos dava gozo? Com eles vinham as conversas que saltitavam, a partilha, as risadas incontroláveis fruto das babuseiras que algum deixava escapar espontaneamente.
Um jantar a dois, sem mais ninguém que distraia, com aquilo que ambos desejam. Tudo está bem, acaba bem porque tudo o que mais precisam está ali mesmo ao lado. Com aquela pessoa podem ser autênticos, genuínos sinceros. Dois garfos sobre a mesa aguardam os dois destinatários que já bem merecem aquele espaço, aquela oportunidade. 


Tenho uma estátua fluorescente da virgem maria que me dá confiança e brilha à noite.
Tenho os joelhos magoados.
O calvário dos fiéis devia ser menos árduo.
Tenho trezentos e sessenta e cinco santos numa caixa calendário daquelas em que cada dia tem um chocolate.
Tenho um lencinho branco onde limpo aslágrimas enquanto assisto a uma vigília via tv depois da minha última ceia de hoje.
Às vezes quando o vapor é muito, tenho o salvador no espelho.
Deito-me de consciência limpa, não me esqueci das velinhas, nem de deixar a moedinha na caixa, e o meu "livro de orações" tem um delicioso cheiro a mofo.
Dormirei o sono dos justos e talvez não acorde quando o galo da minha vizinha cantar três vezes e o meu senhorio o tentar apedrejar.
Sinto-me bem e deus queira que consiga não me masturbar
Ámen.
- Verdade ou consequência?