quarta-feira, outubro 03, 2007

Mulher: nome comum, feminino, singular


Hoje: fiz a depilação, estiquei-me num banho quente e demorado, pintei as unhas, pus rimel nos olhos. Vesti uma saia, deixei três botões desabotoados na camisa branca justa, calcei os sapatos de salto alto. Penteei o cabelo, que estava solto e perfumado. Dei meia dúzia de voltas pela casa: sozinha e já a meia luz. Dirigi-me ao espelho de corpo inteiro que tenho escondido e olhei-me de alto a baixo. Observei-me com cuidado, atenta aos pormenores. Gostei do que vi. Gostei do que senti.

terça-feira, outubro 02, 2007

Eu abaixo assino

Não sei quem a inventou, mas criou um dos maiores e mais fascinantes mistérios que conheço. Como assinar? O que pôr? De que forma? Que critérios regem o código da boa assinatura? Os mais novos fascinam-se com este mundo por descobrir, criam inúmeras assinaturas e adoram sempre que permitimos que se expressem por meio desta espécie de marca criativa individual. A escolha da assinatura "ideal" que nos acompanhará para a vida é a previsão, a preparação para a entrada na idade adulta, conhecida e caracterizada pelos quilos de papéis e burocracias. Quando somos chamados a oficialmente apresentarmos o nosso símbolo somos avassalados por um misto de sensações: por um lado a ansiedade e o entusiasmo de quem se vai afirmar ao fim de tantos anos de treino, tanto papel e caneta gastos, por outro a vergonha do principiante inseguro que teme que a sua imagem de apresentação possa não ser bem aceite pela sociedade. Certo é que esta forma de afirmação pessoal mais cedo ou mais tarde acaba por acontecer e aí, fechamos os olhos e com a mão meia trémula, assinamos. E depois? Depois ninguém comenta, ninguém critica, não há opiniões concordantes ou discordantes. É aí que percebemos que ela depende só de nós e que é, de facto, um acto natural que só está a ser especial para nós porque o fazemos pela primeira vez. Com o tempo vamo-nos habituando e orgulhando do nosso carapau.

domingo, setembro 30, 2007

Sem como nem porquê


Há coisas sem explicação. Mas mantenho firme a certeza de que nada é por acaso. Não há coincidências.

sábado, setembro 29, 2007

Partiu-me o coração


Hoje tropecei num cachorro. Estava à chuva e ao frio, cheio de fome. Trouxe-o para casa...

quinta-feira, setembro 27, 2007

Monólogos


Quantas vezes mais terei de repetir que eu não prometo, eu cumpro. O que tenho para dar, dou. Promessas podem ser falsas expectativas de quem não sabe o que quer ou gostava de dar o que efectivamente não tem. Vive uma ilusão. Gosto das coisas terra a terra, reais. Vivamos o que temos a viver, sabe bem melhor do que viver no sonho de um amanhã que não chegar ou, chegando, venha arrefecido, turbolento e acizentado. Frustrante porque não correspondeu à imagem criada. Talvez esta frontalidade te possa assustar, sinto-o na forma como tremes e te acanhas. É engraçado perceber como de facto é muito mais fácil falar do que agir e na hora da verdade acobardam-se os valentes. É uma forma de estar como outra qualquer, uma opção. Se é isto que queres é isto que vais ter. Com esta rudeza com que te falo, com a firmeza com que te olho. Tudo isto e muito mais por uma só razão: amar-te. Razão mais do que suficiente para querer clareza, verdade e tranparência, não concordas?

Por isso... Sem promessas... Aqui me tens com tudo o que isso traz de bom e de mau.

quarta-feira, setembro 26, 2007

Porquê?


Um dia perguntei e disseram-me que a terra é redonda porque sim, que o céu e o mar são azuis porque sim e que a chuva existe porque sim.

Perguntei porque é que uma mesa é uma mesa e não uma cadeira ou um trelado ou guifote ou nalitu e disseram-me somente porque sim.

Perguntei porque sentimos um aperto no peito quando vemos o amor da nossa vida, porque nos dói a barriga quando estamos nervosos ou porque sentimos um nó na garganta num momento de ansiedade. Porque sim, disseram convictos, crentes que com isto ficaria satisfeita. Mas não fiquei...

Ainda hoje não sei porque é que a lua se colou ao nosso planeta terra, porque é que a água do mar é salgada ou porque é que o vento só se pode sentir e não se pode cheirar ou ver ou provar. Temos na algibeira uma meia dúzia de respostas prontas a sair, que sabemos poderão calar a boca do curioso, deixando-nos sempre numa posição confortável, de quem não assume uma lacuna, um desconhecimento. Resta a liberdade de uma imaginação fértil, não saciada, que vagueia e encontra as suas próprias respostas, explicações. Inventam-se novos códigos de comunicação, em que o lápis perde a sua identidade de lápis para renascer acrone ou a tesoura fruido. E porque não? Descobertas parecem já estar todas as palavras que precisamos, mas isso não é razão que chegue para abandonar este desafio de reinventar a língua, repensar o mundo.

O universo dos mais pequeninos é de facto fascinante.

terça-feira, setembro 25, 2007

Errar


É na derrota que a maior parte das coisas se passa. No falhanço. Quando se erra as questões são maiores, vêem-se coisas outrora adormecidas. É no erro que se descobre a fragilidade das coisas e se põe na balança o que é mais importante. É no erro que aprendo a rir de mim próprio.

David Fonseca

Concordo com ele nesta reflexão, mas até sermos capazes de nos rir-nos de nós próprios vai uma aprendizagem, uma auto-análise enorme. Sempre de nos deparamos com um falhanço temos muita dificuldade em aceitar que tenha sido fruto das nossas próprias mãos, mesmo quando desconhecemos a razão. Passando-se connosco, certamente teremos uma quota parte de culpa, consciente ou inconsciente, mais às claras ou mais disfarçada. Na maioria dos casos tememos confrontar-nos com o outro, receamos os juízos que fará acerca da nossa falha, a consequência que isto terá na forma como nos olha, como poderá alterar a imagem que já tem nossa e que tanto custou a construir. Só no dia em que realmente nos conhecemos, sabemos o que somos e o que valemos somos capazes de rir do trambolhão que demos, do açucar que substituiu o sal no guizado ou do toque no poste quando estacionávamos o carro. Um pouco mais que uma questão de atitude, é o resultado de uma caminhada que não se faz só. Estamos rodeados de pessoas e é graças a elas, que nem sempre nos apontarão somente os bonitos olhos verdes, encantadores que a mãe Natureza se lembrou de nos dar, que seremos capazes de ver aquilo que sozinhos não conseguimos. Talvez nos farão ver como podemos transformar o cinzento do céu, num azul brilhante e as nuvens carregadas, empurrá-las com um sopro de tal forma forte que se dissipam para sempre.

Palavras leva-as o vento. Elas de pouco ou nada servem para curar um coração ferido, amargo, rijo como pedra. Errar, todos erramos, não há ninguém que não carregue a lembrança de um acto que falhou, de um projecto que ficou a meio, de um tropeço no caminho. Falava hoje com um amigo que não conseguiu o lugar perto de casa que desejava. Dizia-me ele por alguma razão o meu lugar não era aqui, só tenho de esperar. Tenho de ocupar apenas o lugar que me pertence e desta forma fica pelo segundo ano a 150 km de casa. Falhou o pedido que fez, mas não desanimou. É porque não tinha de ser por ali. Compreendi-o como ninguém. Avista-se outro ano louco, difícil, marcado pela saudade e a despesa de duas casas. Uma vida solteira de trabalho para fazer face às rendas e contas. Mas um sorriso, que ainda só vi estampado no rosto daqueles que no fracasso encontram uma razão e são capazes de brincar com a situação.

segunda-feira, setembro 24, 2007

De chorar por mais...


Olha o que preparei hoje para ti. E agora? Já sabes qual é a minha côr preferida?

domingo, setembro 23, 2007

Acabado o Verão


Este dia marca o fim do Verão. Para trás ficam os dias longos, as tardes de praia, os gelados à beira mar, os cremes protectores, a areia quente, as paixões passageiras, os biquinis reduzidos, os corpos despidos, os óculos de sol, as férias, os morangos com açucar especial verão. Sossegam as esplanadas que dentro em breve receber-nos-ão encasacados, com livros e cadernos debaixo do braço em busca de um local calmo para estudar ou simplesmente o espaço ideal para pôr a leitura em dia.

Peço desculpa pelo meu desaparecimento, estive sem acesso à internet... Mas estou de volta =)

quarta-feira, setembro 19, 2007

?

Será que sentimos todos as mesmas coisas de forma igual? Uma vez humanos, feito da mesma matéria, será que a dor é igual em todos os corações? A saudade é sentida de igual forma?

Em princípio entendemos a fome e a sede como algo universal. Mas os sentimentos? São também eles passíveis de ser generalizados ou temos duas contas e duas medidas? Ou mais do que duas? Cem? Mil? Infinitas (como dirião os meus mais pequenos...)? Quando te falo num desgosto, será que o entendes como eu o entendo? Quando desabafo uma perda, sente-la como eu a sinto?

terça-feira, setembro 18, 2007

No recreio


- Professora, professora, anda connosco. Está ali um passarinho morto no recreio.
- Onde? Mostrem-me. Pois está, coitadinho...
- Não o vais deixar aí, pois não?
- É claro que não. - procurei uma folha seca, tomei-o na minha mão com todo o cuidado e levei-o comigo.
- Professora, vamos fazer-lhe um funeral...
- Então vamos fazer assim: - deito-o suavemente no chão num cantinho e cubro-o com a folhinha seca que apanhei - deixamo-lo aqui a dormir aconchegado para a eternidade.

segunda-feira, setembro 17, 2007

Mudei de vida


Mudei de vida. Pensei e pesei o que tinha e confrontei com o que deseja e virei a página. Chorei o que largava e pesava-me a consciência, mas segui em frente. Nada correspondia ao projecto que queria, nada se avistava risonho por isso dei aquele passo. Sabia o que largava, não sabia o que encontraria, mas não vacilei. Ouvi vozes concordantes e vozes discordantes, prós e contras, antes, durante e depois e mesmo assim firmei a posição.

Hoje foi o primeiro dia de uma nova etapa. Apesar do coração ainda se sentir dividido, na dúvida, no receio, senti-me feliz e disponível para o que der e vier...

domingo, setembro 16, 2007

Um enlace feliz


Hoje assisti a mais um enlace de duas pessoas que um dia se encontraram, se deram a conhecer e hoje publicamente pediram a Deus que entre nas suas vidas e faça parte da sua relação. Eram muitas as testemunhas e muita a alegria. Um amor tal que nos contagiou, nos inundou o coração de coisas boas e nos fez crer que de facto o amor pode existir entre um homem e uma mulher. Já levava alguma expectativa para este casamento, um dia este amigo cortou-me por completo o fôlego quando, numa conversa informal, confessava que era incapaz de viver sem ela, já não se via sem esta rapariga/mulher diariamente na sua vida a partilhar o que de melhor e pior acontece. A verdade das suas palavras, a franqueza que transmitia aquele olhar deixou-me gelada. Não consigo ficar estática quando presencio um testemunho destes. Já por uma vez aqui deixei registado um episódio de uma senhora viúva que lamentava a morte da sua cara metade. Dias mais tarde falava-se sobre aquela história de amor e as pessoas desabafavam que nunca tinham visto nada igual. Eles eram de facto uma só carne como já a Bíblia o imortalizava.

Sou uma lamechas. Por norma não contenho a lágrima ao ver a noiva entrar na Igreja, dizia para o colega que estava comigo que hei-de fazer? Comovo-me sempre com estas entradas... A forma como o Pai entrega a filha, como o esposo a recebe e, também ele, se liberta dos pais. É, sem dúvida, um momento impressionante. Falava com a mãe do noivo e não me conseguia desligar daquele olhar ternurento, de quem deseja que este seja o princípio de uma vida realizada. É boa moça dizia consolada.

Fui feliz neste dia. É bom saber que há quem não tenha medo de se comprometer e o faz consciente.

quinta-feira, setembro 13, 2007

Nada a acrescentar


Hoje não tenho nada para dizer, nada para acrescentar, nada sobre o que escrever. Por isso remeto-me ao...... silêncio.

quarta-feira, setembro 12, 2007

Há dias assim...


Há dias a preto e branco, sem côr, sem sal, sem sabor, sem aroma, sem sorrisos, sem vontade, sem horizonte, sem saída, sem acção, sem desenvolvimento, sem hipótese, sem perspectiva, completamente sem rumo...

terça-feira, setembro 11, 2007

Declarações


Já alguém to disse: com o coração, com a boca, com o olhar, com o gesto, com o sussurro, com encanto, de quem gosta, de quem estima, de quem cuida, de quem procura, de quem protege, de quem admira, de quem acredita nas palavras que dirige, com amor.

segunda-feira, setembro 10, 2007

Escolhe uma mão


Escolhe uma mão. Sim, tenho aqui uma supresa, escolhe uma mão. Bate naquela que queres escolher. É a direita que queres? Tens a certeza? Vá, pensa lá melhor...

Então? Agora escolhes a esquerda? Não podes estar sempre a mudar de ideias, tens de te decidir SÓ por uma. Pensa e bate numa das minhas mãos.

Nas duas ao mesmo tempo? Isso é batota. Não tarda perdes o direito àquilo que tenho para ti. Mas olha que tens de acertar à primeira ou fica para mim.

A pressionar-te? Eu? É claro que não. Tenho aqui uma coisa para ti e ainda me acusas, assim hás-de ter muitos amigos... Já pensaste no tempo que investi para te trazer esta surpresa e agora não dás valor nenhum? Isto é um jogo, eu só estou a jogar contigo. Gosto disto, lembra-me do tempo em que o fazíamos por tudo e por nada. Na maioria das vezes nem tínhamos nada guardado nas mãos, mas a emoção era a mesma: ansiedade, entusiasmo. A desilusão das mãos vazias, seguida de uma palmada onde calhasse é que eram piores, mas terminávamos sempre sorridentes, afinal o que importava era a brincadeira, a diversão, mais ainda do que a promessa de um presente inesperado. Estou a senti-lo novamente e agrada-me estar assim. Vá, estou aqui a gastar o meu latim. Já te decidiste? Bate na mão que escolheste.

Boa! Aqui o tens. Esta mão aparentemente cheia de nada, tem para te oferecer a carícia que só uma mão amiga pode dar, o união que junta os membros para a eternidade. A vontade que as juntemos num aperto duradouro de quem deixa de caminhar sozinho e passa a estar acompanhado.

domingo, setembro 09, 2007

Lembras-me


Olho para ti, és o retrato vivo de tudo o que passei e vivi.

Lembras-me a leveza que tinha quando passava e a forma ingénua como olhava a vida, como interpretava o ser humano. Eu dançava ao sabor do vento, enquanto me deixava tocar suavemente pelo calor do sol que cobria o meu rosto e o meu corpo de um amarelo forte e reluzente. Nas noites quentes de Verão punha o meu vestido rodado e corria sozinha sem rumo, com um enorme sorriso no rosto e procurava sentir o que é a liberdade, rodava e enchia os pulmões de ar, deixava soltar um grito que não queria guardar e fugia.

Lembras-me das tardes bem passadas, numa toalha de praia que nos acompanhava para todo o lado, na esperança de encontrarmos um espaço verde que nos permitisse deitar e olhar o céu enquanto partilhávamos aquela que é a vida real de cada um, sem folclores ou aventuras, ou unicamente permanecíamos em silêncio a disfrutar a paz que o momento transmitia e a aproveitar a autenticidade daquelas duas pessoas que se escolheram e gozam do simples facto de estarem juntas. Lutávamos contra as formigas invasoras que teimavam em fazer cócegas enquanto trilhavam o seu percurso e nos prendavam, incluindo-nos na sua rota de trajecto. Eram tardes arco-íris, com sabor a gelado de morango e cheiro a primavera.

Lembras-me das brincadeiras de criança que nascem por tudo e por nada e que fazem as alegrias dos mais novos. Eram jogos de palavras, olhares, gestos, expressões, todo um código inventado por nós, para nós, para nossa satisfação e realização, que sustentava tudo que já tínhamos assumido.

Lembras-me do tempo em que as camisas de dormir apareciam rasgadas sem que ninguém se lembrasse ao certo do que tinha acontecido ou da razão de estarem assim. Seguiam-se longas horas de gargalhadas sentidas e incontroláveis quando nos deparávamos com aquele cenário. Acabávamos novamente enrolados entre os lençóis ainda mornos da noite de sono, envoltos na risada e nos segredos que fazias questão de me dizer só porque sabias o quanto me arrepiava o teu suspiro.

Lembras-me de uma juventude que já passou e te entreguei. Não me arrependo nem um bocadinho da opção que fiz. Hoje, passada a tenra idade, continuamos firmes no compromisso que queríamos para nós e olha que não sinto falta do que vivemos. Tudo tem um tempo, uma hora certa para que seja vivido. Hoje olho para ti e desejo apenas que faças aquilo a que me habituaste. A loucura e a excentricidade foram um capítulo, que recordo com saudade, mas não mais do que isso.

sábado, setembro 08, 2007

Doces desejos


Toma esta colher, ajuda-me a dar cabo disto que sozinha não sei se sou capaz. Partilhado contigo tem outro sabor: é claramente mais doce, mais apetitoso, mais irresitível.

sexta-feira, setembro 07, 2007

Vou-te contar um segredo


O essencial é invisível aos olhos.
É pena que não sejamos capazes de ver também com o coração...

quinta-feira, setembro 06, 2007

Triste fim


No meio da confusão, sem rumo ou direcção - desorientação.
Desejar e não ter, procurar e não encontrar - desespero.
Baralhação, prioridades trocadas - desordem.
Estranha atitude repentina e irreflectida - desilusão.
Motivação arrefecida e indiferença- desinteresse.

Quando já nada importa, nada vale o esforço ou empenho, vem a desistência. Resultado inevitável e mais do que esperado quando todas as condições se reunem e nada foi feito para inverter esta tendência.

quarta-feira, setembro 05, 2007

Trazido do fundo do baú

Este post é especialmente dedicado a um grande amigo que me proporcionou este momento fantástico. Um filme que, apesar de fazer parte da minha infância/adolescência, nunca mais recordei e por isso vivi um momento impressionante. Não posso deixar de o partilhar, certamente fará também as vossas delícias. Obrigada Vasco.

Aceita, é teu


Primeiro dia: dúvida, insegurança, aperto no estômago.
Primeira semana: reecontro, sorriso, tentativa.
Primeiro mês: alegria porque esse já foi conquistado, investimento, consolação.
Terceiro mês: reconhecimento, certeza, felicidade.
Meio ano: confirmação, tranquilidade, projecto.

Ontem, hoje e sempre.

terça-feira, setembro 04, 2007

Decide-te

Tu até podes não saber o que queres, andares baralhado, confuso e perdido. Mas pelo menos que saibas aquilo que definitivamente não queres na tua vida.

segunda-feira, setembro 03, 2007

domingo, setembro 02, 2007

A queimar os últimos cartuchos


Doces e irresistíveis momentos, naquele que foi o último dia de férias.

sábado, setembro 01, 2007

Deita-te aqui comigo


Deita-te aqui comigo. Sabes como me sinto confiante quando arrastas o teu braço forte para perto de mim e me tomas num abraço como jamais tive igual. Não me deixes aqui abandonada ao frio quando sabes que tens tanto para me dar e eu tanto para te oferecer. Saiste só porque me querias ver de longe, apreciar a forma que o meu tomou depois de teres aparecido. Julgo-o igual, mas tu dizes que não. Acha-lo mais irresistível, sedutor. Talvez tenhas razão. Aos teus olhos sou e serei o que tu também fizeres de mim, fizeres por mim. Gostas de me fazer esperar, por isso permaneces aí como um bom felino ou ave de rapina aguarda pela sua presa, a diferença é que eu quero esse ataque, aguardo por ele. É díficil suportar esse teu olhar, sou incapaz de te enfrentar. Nesta luta entre titãs sou o elo mais fraco. Estou a arrefecer, já pensaste na quantidade de coisas que estamos a deixar de viver só porque e apetece estar aí. Eu sei que não vês as coisas assim, para ti este compasso de espera alimenta a tua fantasia e aquece-me sem que ainda sequer me tenhas tocado. Ficas silencioso, comunicas só com a respiração. É impressionante a quantidade de coisas que me dás a conhecer sem proferires uma só palavra. Aumenta a ansiedade, por isso escondo a cara na minha almofada. Não sei se por vergonha, se para melhor respeitar o espaço que pedes e não te agarrar.

Quando menos espero, eis que vens de mansinho, como esse felino que se esconde entre as ervas secas e surpreende a presa. Tudo deixa de ter importância naquele momento. Só agora consigo dar valor àquela pausa. Tinhas razão.

sexta-feira, agosto 31, 2007

Obrigada


O meu profundo agradecimento a este melhor amigo pelo texto que deixou fluir e que não podia melhor retratar aquilo que fomos e somos. Menina

quinta-feira, agosto 30, 2007

Ausência


Indivíduo que abandona o local em que se encontra. Ausência é um lugar vago que fica, é um sofá vazio, uma cama fria, um silêncio repentino. O apagão acontece, as paredes gelam, os olhos fecham, a lágrima seca e o grito cala-se porque já não vale a pena, porque já não faz sentido, se não para aliviar a alma do presente. Depois do desaparecimento a fome, a sede, o arrepio quando se constacta que a distância entre o tudo e o nada se faz num ápice. Depois da ausência começa a busca dos que acreditam que vale a pena esperar. Sobrevivem da promessa de que em breve conquistarão a abundante ceia dos eternos teimosos que enquanto sentirem uma réstia de esperança, não a largam, não a abandonam, não permitem que também ela se ausente. Até lá, fica a firme aparência do corpo morto e arrastado que se estende entre dois lençóis gastos e comidos pela traça. O acto da ausência trouxe o efeito desesperado do desânimo. Às vezes é preciso cair, bater no fundo, bem no fundo, morrer por dentro para se renascer e começar do zero. Todos temos essa oportunidade. Diz o ditado que Deus fecha uma porta, mas abre uma janela. Como aprecio esta máxima...

E enquanto sucumbe envolto neste emaranhado que não desejava, entre dentes cantarolava, consumia aquela frase que acreditava ter sido escrita a pensar em si e na situação em que se encontrava. É a mania que temos de tudo transportarmos para nós e adaptarmos ao tamanho do nosso umbigo. É impressionante a capacidade escultora que temos para limar as arestas necessárias e alisarmos as curvas indesejadas, só para tudo encaixe no nosso pequeno mundo. Assim permitiu que as horas passassem e, embriagado de sono, deixou-se dormir embalado pela frase que um dia foi pensada, acreditava, a pensar em si. Haja o que houver eu estou aqui... Espero por ti.

quarta-feira, agosto 29, 2007

Etapas


Perfumei-me. Vesti-me a rigor, tirei o perfume e pu-lo.
Revesti-me. Preparei tudo, respirei fundo e enfrentei-o.
Preparei-me. Sabia ao que ia, sabia o que queria e vivi.
Surpreendi-me. Afinal não tinha a noção de tudo aquilo que era capaz de fazer.

terça-feira, agosto 28, 2007

Love at first sight

Uma imagem muito romântica do que é isto do amor à primeira. Um episódio muito interessante.

segunda-feira, agosto 27, 2007

Perspectiva


E desta perspectiva, gostas?

domingo, agosto 26, 2007

Juntos


Juntos estivemos numa manhã, numa tarde, numa noite, num dia que se passou e se foi construindo com calma, com amor, com respeito, com cooperação, com alegria, para nosso bem, para bem da nossa relação, para nossa satisfação, porque nos quisemos e nos queremos, porque faz sentido, porque vale a pena, porque nos encontrámos, porque é isto que desejamos...

Tantos são os porques e os porquês, os quandos, os ondes, os paras e os coms que impedem que o resumo aconteça, que o texto flua, que as ideias encaixem e a compreensão impere.

Nada interessa na fase em que apenas os amantes importam, na altura em que sentem que estão capazes de enfrentar a vida, de cabeça levantada e fazer face ao amanhã com o olhar fixo no futuro, de mão dada a quem mais precisam e o coração cheio de tudo. Os dias estão em fila de espera, um a um vão-se seguindo e anseiam que deles façamos o melhor que pudermos e soubermos para que eles sejam recordados com carinho e ternura. Um dia banal, um dia comum ou mal passado não deixa saudade a ninguém. Um dia especial dificilmente é esquecido. Assim foi este fim-de-semana.

Estivemos juntos.

sexta-feira, agosto 24, 2007

Quando me conheceste

Conheceste-me numa altura em que eu não questionava o que se dizia, nunca tinha pensado na vida e qualquer tema me fascinava, principalmente aqueles que aparentavam ser mais profundos, de gente intelectual, importante e sabida. Assim fui-me abrindo ao exterior, fui enriquecendo como pessoa, fui colhendo tudo o que podia. O caminho era longo, tudo era tão novo e eu assemelhava-me a uma esponja que absorve quase sem filtrar. Digo quase porque nem tudo o me era vendido era comprado ao preço que se oferecia, também fui impondo uma meia dúzia de exigências na esperança de não ser atropelada abruptamente, sem dó nem piedade. Sabes, sinto falta daquele tempo e daquilo que éramos. Mudámos tanto: tinhas risco ao lado e usavas suspensórios, eu passarinhava-me de ténis e roupa dois números acima do meu porque ainda não reconhecia o meu corpo. Lembras-te das horas que passavam sem darmos conta e dos quilómetros percorridos só porque nos dava gozo? Com eles vinham as conversas que saltitavam, a partilha, as risadas incontroláveis fruto das babuseiras que algum deixava escapar espontaneamente.

Hoje não queremos fazer contas aos anos que passaram entretanto porque nos lembram o hoje. Não que ele nos desagrade, bem pelo contrário, estamos bem, somos uns felizardos, podemos dizer que temos quase tudo. É só que para trás deixamos a saudade daquele tempo descomprometido e hoje carregamos o peso e a responsabilidade que a idade transporta e em nós deposita. É a certeza de que não o voltaremos a ter, mas a alegria de o termos experimentado é tanta que vive connosco e, cada vez que nos vem à lembrança, nos rasga o sorriso e nos faz dar graças porque o que somos hoje é também consequência daqueles momentos que ontem, hoje e sempre estão eternizados nos nossos corações. Obrigada.

Fotografias


Informo que a maioria das fotografias aqui publicadas são retiradas do site www.olhares.com .

quinta-feira, agosto 23, 2007

Advogado do diabo


Este episódio é impressionante. Como é fácil entrarmos em tentação...

quarta-feira, agosto 22, 2007

O desconhecido


E tu, tinhas coragem para abrir?

segunda-feira, agosto 20, 2007

Deixaste-nos


O post de hoje é dedicado a este fiel companheiro que partilhou a nossa casa e a nossa vida durante seis anos e que hoje, vencido pela velhice, nos abandona e me deixa uma enorme saudade.

domingo, agosto 19, 2007

Num jantar a dois

Um jantar a dois, sem mais ninguém que distraia, com aquilo que ambos desejam. Tudo está bem, acaba bem porque tudo o que mais precisam está ali mesmo ao lado. Com aquela pessoa podem ser autênticos, genuínos sinceros. Dois garfos sobre a mesa aguardam os dois destinatários que já bem merecem aquele espaço, aquela oportunidade.

sábado, agosto 18, 2007

Atitudes

Quem espera sempre alcança, será?

sexta-feira, agosto 17, 2007

Um passado marcante


Não chores. Isto não é um adeus, é só um até breve. Até sempre.

quinta-feira, agosto 16, 2007

Gestos


Como uma criança que morde a manga da camisola de vergonha, encolhida nela própria.
Como um pequenino que não encontra coragem para qualquer coisa e desta forma empata tempo e concentra-se.
Como alguém que tem frio e procura uma maneira de se aquecer, de reunir todo o calor possível para se sentir mais confortável.
Um gesto tão familiar e tão significativo. Tão simples e tão revelador.

quarta-feira, agosto 15, 2007

Amor terreno


Amor. Amado. Amoroso. Amante.

Amor amigo. Amor companheiro. Amor verdadeiro. Amor sincero. Amor confiante. Amor paciente. Amor compreensivo. Amor persistente. Amor transparente. Amor do fundo do coração.

Que assim sejamos todos capazes de amar. Que assim seja o amor que nutrimos uns pelos outros: um amor terreno, um amor humano capaz de tudo isto e muito mais, capaz de olhar o próximo com respeito, capaz de analisar as duas faces da moeda. Incapaz de girar à volta de um umbigo.

terça-feira, agosto 14, 2007

O calvário dos fiéis

Tenho uma estátua fluorescente da virgem maria que me dá confiança e brilha à noite.
Tenho os joelhos magoados.
O calvário dos fiéis devia ser menos árduo.
Tenho trezentos e sessenta e cinco santos numa caixa calendário daquelas em que cada dia tem um chocolate.
Tenho um lencinho branco onde limpo aslágrimas enquanto assisto a uma vigília via tv depois da minha última ceia de hoje.
Às vezes quando o vapor é muito, tenho o salvador no espelho.
Deito-me de consciência limpa, não me esqueci das velinhas, nem de deixar a moedinha na caixa, e o meu "livro de orações" tem um delicioso cheiro a mofo.
Dormirei o sono dos justos e talvez não acorde quando o galo da minha vizinha cantar três vezes e o meu senhorio o tentar apedrejar.
Sinto-me bem e deus queira que consiga não me masturbar
Ámen.

Nuno Marques

segunda-feira, agosto 13, 2007

domingo, agosto 12, 2007

Expressões que espelham um estado de alma


Ontem andei o dia todo assim.
Adormeci assim.
Acordei assim.
Tive razões para estar assim.
Tenho razões para estar assim.
Assim sim, quero viver assim.

sábado, agosto 11, 2007

Doce e perfumada fantasia

- A eterna necessidade da paixão que nos faz queimar por dentro e transpirar por fora.
- A imaginação fértil que se deixa levar e iludir.
- A incontrolável vontade de nos sentirmos desafiados e de desafiarmos.
- A vida vivida no limite para a sentirmos, quando a rotina nos atirou para um morno ameno que não desejamos, mas que nada fazemos para mudar.
- A lufada de ar fresco que nos desorienta e nos tira o sono.
- A ansiedade que nos faz um nó na garganta e nos faz suspirar.
- A meia idade incapaz de lidar com a aparência adquirida, com a monotonia que se acreditava acontecer só aos outros, com a aparição de uma terceira pessoa nada indiferente, com a tentação de uma pele suave, virgem, com tanto para dar, misturado com a saudade insuportável de um dia tudo isto ter já feito parte do dia-a-dia e hoje novamente bate à porta. É como se a vida desse uma segunda oportunidade àqueles que já esgotaram a primeira.

Como é boa esta doce e perfumada fantasia para quem se deixa envolver nela. Até acordar...

Conversas mudas

- Verdade ou consequência?
- Verdade. Sempre a verdade.
- Sentes que sempre que estiveste com alguém deste tudo o podias?
- Sim, claro.
- Aprecias a lealdade?
- Sim, muito.
- Já alguma vez te sentiste realizada?
- Sim, felizmente.
- Quando pensas no futuro, vê-lo risonho?
- Sim, sou uma optimista por natureza.
- Hoje és feliz?
- Sim, não se nota?
- De facto não se nota. Dizes sempre a verdade?
- Não, nunca.

quinta-feira, agosto 09, 2007

Fora da idade dos porquês


Por que é que as mulheres têm tanta necessidade de se sentirem constantemente amadas?

quarta-feira, agosto 08, 2007

terça-feira, agosto 07, 2007

Na completa solidão

Porque há fases deprimentes na vida...

segunda-feira, agosto 06, 2007

Quem as não tem


Cartas de amor: pedaços de papel colorido, decorados com pensamentos e desabafos adolescentes, tenras esperanças e cegas confianças, certezas absolutas e verdades inquestionáveis, vãs expectativas e puras ironias, suspiros sinceros e vagos, tudo baseado, sedeado na maior das fragilidades humanas - o sentimento. A vulneralidade das emoções, a ridicularidade das posições, a assustadora facilidade com que nos entregamos a tudo o que se apresenta mais visível e momentaneamente satisfatório. Correm rios de tinta que procuram exprimir o que o coração sente quando apenas deseja ser possuído por outra pessoa que escolheu para partilhar a vida. Porque as palavras são todas inúteis perante tanto sentimento e todas as declarações parecem insuficientes, são páginas que se querem da vida de onde brotam bonitas palavras de amor, umas mais caras que outras, mas nada disso importa na hora H de provar ao mundo e à sua cara metade que tudo o que sente é real e que nada tem valor sem o tu.

Infelizmente para a maioria tudo tem um fim e nesse dia as gavetas repletas de certezas, esvaziam-se num ápice. Não que os papéis sejam instantaneamente roídos por bichos comilões de papel ou que por artes mágicas tudo desapareça, mas o tudo que lá estava perdeu todo o sentido, deixou de ter uma razão para existir. As cartas perfumadas, algumas esborratadas pelas lágrimas de felicidade e realização derramadas na altura em que foram lidas, cartas bonitas com mensagens codificadas que apenas para aquelas duas pessoas faziam sentido. Partilhavam um código que haviam criado e em segredo, por meias palavras, diziam aquilo que a mais ninguém dizia respeito senão a ambos. Elas tinham uma história, relatavam um momento, um episódio, uma alegria, uma prespectiva de futuro que, ao que parece, deixou de se concretizar. De uma boa lembrança passam a um fardo difícil de suportar, carregam as noites mal dormidas porque se faziam planos e se construíam castelos sobre nuvens de algodão doce. Hoje tudo é amargo e cinzento, ficou um travo de estranheza, uma dor no peito, um nó na garganta, uma tristeza de morte. Tudo desmoronou menos elas. As palavras escritas duram para sempre, para a eternidade, já as ditas, essas voam com o vento e deixam apenas o vago da memória. Os sentimentos, esses andam ao sabor da maré, conforme se proporcionam momentos mais ou menos intensos, sempre em busca do prazer e da intensidade. Poucos são os que não se assustam com a radicalidade que o verdadeiro amor exige, poucos resistem, poucos sobrevivem.

O que lhes fazer na hora do aperto? Não sei... Compete a cada um encontrar o final que o fizer mais feliz, aquele que não lhe traga o remorso segundos, minutos, horas, dias, semanas, meses, anos, décadas mais tarde.

domingo, agosto 05, 2007

O amor acontece

Este é indiscutivelmente um dos meus filmes preferidos e esta cena é das mais impressionantes que já vi. Pensei guardar este post até à época do ano mais adequada, mas confesso que não aguentei e por isso aqui vai:

Adoro esta cena. Adoro.

sábado, agosto 04, 2007

Corpo


O meu corpo? Costumo dizer que não é defeito, é feitio. Sabes que não gosto de o exibir, de o mostrar, sou reservada. Não creio que complexada, mas quieta no meu canto, no meu decote contido, no comprimento da saia confortável e no biquini que não me envergonha. Tenho tudo isto em consideração, não gosto que reparem quando passo, desejo ser discreta e por isso a escolha da endumentária para mim tem muita importância. Há quem procure a visibilidade na esperança de se sentir desejado de uma qualquer forma e assim alimente o ego e a auto-estima porque não foi indiferente a sua passagem, o bocado de corpo nú que passou, chamou a atenção. Eu sei que o Verão apela às coisas frescas e reduzidas, também as procuro para me sentir melhor, mas interessa-me a forma como as combino, como me posiciono. As atitudes e os objectivos sentem-se, notam-se, sabes bem disso... Dizias-me no outro dia que o andar é importantíssimo, revelador de muita coisa, de muitas intenções. Hoje não consigo apagar da memória o que me disseste e também eu reparo. Sabes que às vezes sou distraída, não ando com maldade. Tenho comigo o natural instinto feminino da observação, entre mulheres comunicamos muito só com o olhar, transmitimos imenso umas às outras, é inevitável, não deixamos de ser animais (uns mais racionais do que outros) com estas características dentro de nós disfarçadas por posturas, maquilhagens, roupas e perfumes. De ilusões também se vive.
Aprecio a mulher que passa e apela aos sentidos pelo que apresenta, manifesta naturalmente, sem exacerbar o que tem ou fazer por ter o que desejava e não foi providenciado. Outras há que com tanto e tão bom, ainda insatisfeitas e invejosas, estragam o que de melhor lhes foi concedido embuídas por vontades imitadoras ou chamarizes estilisticos pouco agradáveis à vista. Acho que as mulheres se devem produzir, se devem cuidar, mas todos somos sensíveis àquilo que indirectamente transmitem, ao que procuram pela forma como se apresentam e colocam.
Sou a favor que cada um deve andar com aquilo que o/a faz sentir bem, feliz, mas anda por aí muita gente enganada...

sexta-feira, agosto 03, 2007

Fidelidade


A fidelidade aparece muitas vezes associada à imagem do cão que não larga o dono, que assume um papel protector e que é capaz de entregar a própria vida por aquele que um dia assumiu um compromisso com ele e que este deseja que seja honrado até ao último dia da sua vida. É a posição feliz dos olhos vigilantes que acompanham os passos do humano que o adoptou. Os cães são comumente conhecidos como os melhores amigos do Homem e eu adoro esta imagem fiel de entrega de uma vida por opção. Agrada-me ver como vivem satisfeitos, sem deitar culpas a nada nem a ninguém, nem a olhar para o lado a manifestar invejas porque o outro dono é mais bonito ou mais rico. A vida é por ali e assim age com tranquillidade, caminhante firme e realizado. Fossemos nós todos assim nos relacionamentos que assumimos.

quinta-feira, agosto 02, 2007

A Cidade dos Anjos

Mais dois impressionantes momentos cinematográficos:

(peço desculpa pela legendagem no segundo video...)

quarta-feira, agosto 01, 2007

10 coisas que odeio em ti

Eu adoro este filme. Esta cena é das mais lindas que alguma vez já vi, vejo-a e revejo-a vezes em conta. E porque é tão especial para mim partilho-a aqui, neste espaço que não é só meu, mas que espero que seja também de todos aqueles que mais ou menos assíduos acompanham o que vou postando. Obrigada.



Trancrevo também o poema:

10 things I hate about you

I hate the way you talk to me,
and the way you cut your hair.
I hate the way you drive my car,
I hate it when you stare.
I hate your big dumb combat boots
and the way you read my mind.
I hate you so much it makes me sick,
it even makes me rhyme.
I hate the way youre always right,
I hate it when you lie.
I hate it when you make me laugh,
even worse when you make me cry.
I hate it when youre not around,
and the fact that you didnt call.
But mostly I hate the way I dont hate you,
not even close
not even a little bit
not even at all.

Queres que defina saudade?


- Saudade? O que é a saudade? Todos os portugueses falam-me dela, mas não a compreendo.
- Boa pergunta. Acho que é das palavras de que mais nos orgulhamos de ter, como portugueses. Cada vez que nos falam dela os nossos olhos brilham e rapidamente saimos em defesa dizendo que não há palavras que a definam, é uma coisa que se sente, é indescritível. Por um lado continuamos no nosso saudosismo, por outro assemelhamo-nos a crianças que guardam um brinquedo precioso e raro, contentes porque até podemos não ter mais nada que realmente valha a pena, mas a saudade... Essa ninguém nos tira. Essa acompanha-nos em cada momento, no fado da vida. Mas este não se canta, vive no coração dos sonhadores, que olham o passado e o desejam como a mais nada, uma vez que o futuro não aparenta reservar nada que nos marque. Por isso perante o vazio do nada, temos o tudo que um dia já foi nosso, que nos marcou e nos alimenta. A saudade é o sabor insípido e desconsolado de quem sozinho não sabe para onde se virar, uma revolução estrangeira incapaz de se reconhecer na situação actual em que se encontra e vivendo a dicotomia entre a vontade desejada e o possível que é claramente insuficiente e mediocre. Saudade é a vivência de uma revolta interior porque não se compreende como é que o corpo não acompanha o ciclo natural das coisas e a mente teima em trazer de volta a terna lembrança daquela coisa boa, que hoje deveria ser uma mera recordação encurralada num baú decorado a pó e teias de aranha, com cheiro a mofo e que dá medo só de pensar na aventura de o abrir porque não sabemos o que nos reserva. Saudade é o suspiro que nos preenche os pulmões num silencioso desabafo de desespero, num grito que queríamos que nos aliviasse a alma, mas que é inútil. Enchemos os pulmões até mais não, até que nos doam, até que nos falte o ar, na esperança de que assim nos sintamos mais completos porque tudo em nós é a preto e branco, num morno assustador que ou nos dá para não reagirmos ou nos engrena num beco sem saída de aflição e tristeza. É a lágrima que se chora porque não se controla ou aquela que não é derramada, mas que o coração absorveu, numa impressionante tentativa de consumir o que perdeu. Saudade é um oh tempo volta para trás porque se calhar não demos o devido valor ao que tivemos, não demos o que podíamos dar, não dissemos o que podíamos dizer e hoje arrependemo-nos e custa-nos viver com isso, com essa triste realidade e incapazes de cortar esse cordão umbilical. Saudade é abraçarmos aquilo que perdemos com toda a verdade e o vigor do nosso coração, sem medo de deixarmos transparecer o que sentimos porque a sua ausência foi insuportável e o nosso orgulho vale nada. Só sente saudade quem ama, mas ama a sério porque se amou permitiu que aquilo fizesse parte do seu universo e, uma vez desaparecido, a dor daquela perda, daquela falha é incrivelmente dolorosa e dificílima de preencher. Isto é a saudade.
- Obrigada pelo sinónimo que me dás. Sim, sei o que ela é, já a compreendo. Ela também vive dentro de mim.