terça-feira, novembro 06, 2007

Menina


Menina bonita, do olhar prometedor, não sabes o quanto me deixas sem hipótese de fuga quando de mim te aproximas.
Postura terna e tentadora, apareceste sem que desse conta e hoje não me sais do pensamento.
Palavras meias ditas, pensamentos diluídos e questões por colocar, não sei se temo a tua resposta por ser afirmativa ou negativa. Sinto-me novamente um cobarde, hoje diante da tua presença.

segunda-feira, novembro 05, 2007

Oportunidades


Agarra as oportunidades que te são oferecidas. Preserva aquelas que valem a pena. Tira das que não prestam a lição que elas tiverem para te ensinar. Acima de tudo age sempre em conformidade com a tua consciência porque é com ela que terás de viver para o resto da tua vida.

domingo, novembro 04, 2007

Quatro dias depois





Quatro dias depois fica um pequeno espreitar sobre o muito que vi e vivi. É difícil de descrever o misto de coisas que se sentem. Numa única frase afirmo que valeu muito a pena. Foi bom sair da rotina e temporariamente cortar com o mesmo acordar para acordar para um novo olhar sobre a vida e sobre o mundo.

quarta-feira, outubro 31, 2007

Vou fugir


Vou fugir. Apanho boleia, parto depressa. Vou-me embora. Arrumo as malas, preparo-me. Parto. Conto os dias, oriento as coisas. Apresso-me. Não sei ao que vou, mas confio. Acredito na palavra, por isso agarro na mão forte e aperto-a o quanto posso. Olho cuidadosamente e sorrio sem pensar. Este meu sorriso que não se canso de se rasgar, este meu melhor amigo que contagia quem por ele se deixa tocar. A oportunidade desta viagem foi única, mas sofrida. Para que o amanhã fosse mais leve, teve o hoje de ser mais pesado. Reconheço-o, admiro-o. Vou contente porque vou com quem quero, porque vou leve e desafogada. Vou na esperança de encontrar um outro lado da vida raras vezes visitado e, talvez por isso, muito apreciado. Comigo vão também as boas recordações do hoje, o essencial depois do dia filtrado. Ficam muitas coisas e coisas boas: as minhas crianças, os abraços apertados que demos, os beijos com sabor a iogurte de morango; os meus adultos, as risadas descontraídas, as brincadeiras apropriadas; os meus colegas e a graça de termos ao nosso lado quem fale a mesma língua que nós, quem nos compreenda.
- Por que te ris de mim?
- Já te disse que não me rio de ti. Apenas sorrio para ti.
Quando menos esperarem estarei de volta, inevitavelmente tocada pela minha fuga.

terça-feira, outubro 30, 2007

Como uma criança


É tão bonita a alegria das crianças. A descoberta do mundo é uma coisa fantástica, tudo nos fascina, tudo nos encanta, tudo é motivo de curiosidade e por isso razão para experimentação. Com o tempo tudo habitua, deixa de trazer novidade, passa a fazer parte da rotina. Acho que o nosso maior desafio é este: conseguirmos no dia a dia, naquilo que já passou a fazer parte de nós, reencontrarmos formas diferentes de valorizarmos o simples facto de termos uma mesa farta, uma cama fofa, uma palavra amiga, uma cara metade. Fazer de todos os dias um novo acordar para o mundo que nos acolheu para sermos felizes.

segunda-feira, outubro 29, 2007

Em jogo


Afinal de contas o que é que está sempre em jogo?

domingo, outubro 28, 2007

Perfeito


Hoje apetece-me dizer-te que és linda. Quero mostrar-te que te acho perfeita, que, apesar das arestas que tens a limar, nenhuma delas é impeditora ou condicionadora ao amor que sinto por ti. Tudo fica diminuído perante o todo que és. Porque estou certo do que sinto e da opinião que já formei sobre ti, deixo-o aqui imortalizado, como uma espécie de hino que te podia cantar, que só a ti dedico.

sexta-feira, outubro 26, 2007

Pieces of me


Se há dias em que me sinto bem, este é claramente um deles. O dia esteve bonito, estou bem comigo, estou bem com o mundo. Cada bocadinho de mim vive intensamente tudo aquilo que toca ou por quem se cruza. Sou um todo dividido de forma a que eu possa ser cada vez mais feliz.

quinta-feira, outubro 25, 2007

Só damos valor quando perdemos



Eu já sabia disto, mas cada vez me convenço mais da sua veracidade: só damos valor às pessoas quando as perdemos. Mais ainda me assusta pensar naquelas que são incapazes de serem superiores ao seu próprio orgulho, sob pena de perderem quem realmente pode valer a pena. Sou e sempre fui da opinião que as coisas são para serem vividas quando têm de ser, quando nos sentimos capazes e conscientes e as pessoas de serem estimadas e de fazermos por as perpectuarmos na nossa vida se, de facto, valem a pena.

A experiência de trabalhar com adultos tem mexido um bocado comigo, sinto-me uma esponja a absorver cada gota de água que se lhe é salpicada, sinto-me desafiada. É normal, faz parte do habitual percurso da paixão, da novidade, neste caso adaptado à minha actual situação profissional. Com o tempo virão os problemas e as adversidades, o cansaço, a rotina e a habituação às pessoas e aos espaços. O que hoje é imprevisível, amanhã é só mais uma confirmação, é mais um item a acrescentar à ideia que já formei em relação àquelas pessoas. Que isto faz parte da vida já todos sabemos e que muitas são as pessoas que entram e saem e poucas são as que permanecem, também não é novidade para ninguém, mas assusta-me a ideia de perdermos apenas porque as não soubemos estimar na altura certa. E depois do adeus esforçamo-nos para que o sentimento de culpa nos abandone para podermos continuar a viver bem connosco próprios. A semana passada dizia-me uma pessoa que o fracasso dos nossos projectos é culpa de uma só pessoa: nossa. E não vale a pena estarmos a arranjar outras desculpas, nem a culpar terceiros. Eu percebi o que ele me disse. A culpa é e será sempre nossa na medida em que não fizemos como devia de ser a parte que nos competia. Falhámos, fracassámos. Por isso, fica o conselho para mim e para todos porque é muito desagradável um amargo de boca destes...

quarta-feira, outubro 24, 2007

Convites


Eu já dei a primeira dentada. Queres dar tu a próxima?

terça-feira, outubro 23, 2007

Talks


- Olá minha querida. Que bom encontrar-te por aqui. Ainda não me deste um beijinho hoje. Então, como correu o teu fim de semana? Esperava que me ligasses, não o fizeste. Fico feliz por saber que estás bem, mas isso não compensa a falta que me fizeste, a saudade que senti.
- Não te procurei, de facto, mas não quero com isso dizer que não me tenha lembrado de ti. Peço-te encarecidamente um favor. Pára com essa atenção, pára com essa doçura, não quero e não posso continuar a ouvir as tuas palavras ternas, a sentir o calor do teu olhar. Mede a consequência dos teus actos. Em parte não tens culpa, a minha revolta não é contigo ou por tua causa. Vens somente ressuscitar o que sou e o que tento que à viva força desapareça da minha vida. Portanto, e porque sei que me estimas muito, farás o que te peço.
- É um erro o que me pedes, mas fá-lo-ei por ti. Derreto-me com a tua inocente forma de estar, com a gentileza do teu gesto e o teu sorriso incomparável. Estás a voltar as costas à delícia de pessoa em te tornaste, em prol de um muito pouco. Olho-te porque te admiro, porque não consigo conter a alegria de te conhecer. Dou-te o espaço que me pedes, mas sei que o tempo falará por si e, nesse dia, sabes quem vais procurar.

segunda-feira, outubro 22, 2007

Qualidades e defeitos II


- Então diga-me lá o que é que a senhora ganha pelo facto de ser uma mulher humilde, trabalhadora e honesta?
- Bem, acho que as pessoas confiam mais em mim. Sou uma pessoa em quem se pode confiar.
- Muito bem. E agora diga-me de que forma é que pode moderar estes seus defeitos? Como é que a senhora pode ser melhor? Menos impulsiva ou teimosa?
- Eu? Como é que eu posso mudar os meus defeitos? Só conheço uma maneira. Pedindo a Deus, só Ele pode-me ajudar, mais ninguém. É a Ele que eu recorro para ser uma pessoa melhor.

domingo, outubro 21, 2007

Qualidades e defeitos


Esta semana estava com os meus alunos e tinha de os levar à reflexão sobre os defeitos e as qualidades. Dividimos o quadro a meio e conforme lhes vinham à ideia íamos distribuindo as características ora numa, ora noutra coluna.
- Mentiroso, ladrão, invejoso, orgulhoso, impulsivo.
Aos poucos a coluna dos defeitos atingiu uma proporção significativa. Achei o episódio curioso, não pude deixar de os chamar a atenção para aquilo.
- Meus amigos, temos dez defeitos e três qualidades. Não acham isto interessante? - isto é o reflexo da nossa sociedade. Nós somos assim: capazes de encontrar uma infinidade de defeitos, incapazes de muitas vezes admitirmos as qualidades que apreciamos nos outros. Na hora da discórdia saem-nos pela boca fora tudo o que pensamos de mal, tudo o que odiamos naquela pessoa. Raras vezes somos capazes de a procurar para lhe dizermos como é inteligente, aplicada ou trabalhadora. Humilde, carinhosa ou admirável. Pior ainda quando nos referiamos às pessoas com quem vivemos todos os dias, com quem temos de partilhar este que é o mistério da vida. A rotina e o hábito de coabitarmos impedem-nos de termos gestos e palavras de apreço, mas levam-nos com facilidade ao insulto e ao ataque quando, por alguma razão, alguma coisa mal. - Todos os meus alunos olhavam-me firmes e fixos. Todos abanavam a cabeça, como que a manifestar que concordavam comigo, que este é o retrato das suas vidas, é o filme que vivem e sabem de cór. Eu não falava necessariamente deles, deixei-me levar pelo fenómeno que tinha à minha frente, via-os enumerar defeitos e quando eu pedia qualidades parece que pedia uma coisa difícil, parece que era estranho estar a pedir uma lista de coisas boas, de coisas das quais nos deveríamos orgulhar.

Não sei que diga. De facto não sei. A impressão que tenho é a de que as pessoas têm vergonha de expressar o que sentem, têm medo de parecerem ridículas porque admitem que amam, porque reconhecem que a pessoa tal tem esta qualidade, porque elogiam um filho, uma esposa, um companheiro. Mas na hora do disparate não nos poupamos ao insulto, cegos pelo momento, dizemos o que queremos e o que não queremos.

É a história de tantas vidas.

sábado, outubro 20, 2007

Gestos que marcam


Obrigada por esta flor que me dás. Obrigada pelas palavras bonitas e sinceras que me dizes. Obrigada por todos os dias te importares com aquilo que sinto. Obrigada por te esforçares por perceberes quem sou, o que quero, espero e desejo. Obrigada pelo gesto meigo com que tocas a minha face e me apertas o rosto. Obrigada pelo beijo que me mandas num sinal de carinho. Obrigada pelo braço que pões sobre o meu ombro quando me falas e que permite que não apenas comuniquemos através do diálogo, através do olhar, como através do próprio corpo. Obrigada.

sexta-feira, outubro 19, 2007

Procurado e ainda não achado


Procura-se homem, por dentro e por fora. Sincero, honesto, fiel, companheiro, carinhoso, humilde, atencioso, trabalhador, educado, cumpridor dos seus deveres, conhecedor dos seus direitos, exigente, nobre, forte, inteligente, romântico, interessante, culto, meigo, amigo, confiante, respeitador, sensível, bom comunicador, bom ouvinte, bom coração, efectivamente bom, com sentido de justiça e de crítica. Atento ao mundo, à actualidade e às necessidades de uma mulher. Apreciamos também que seja dinânico, criativo, irresistível imaginativo, imprevisível (no bom sentido da palavra), atento, observador e másculo.

Se acredita reunir estas condições ou conhece algum detentor de tais virtudes, faça o favor de entrar urgentemente em contacto connosco. O sexo feminino está claramente à sua espera há anos para o colocarmos no Livro do Guiness ou o impormos num qualquer pedestal envolto numa redoma de cristal para que todas o possam apreciar e sonhar consigo, mas nenhuma lhe possa chegar. Qual David, com um Homem como o senhor! Não hesite porque você é uma espécie única, rara e é um desperdício andar por aí perdido. Vamos encontrar um espaço quentinho e acolhedor, que esteja à sua altura e onde possa ficar. Esperamos por si, apresse-se que já se faz tarde. Obrigada.

quinta-feira, outubro 18, 2007

Parabéns


Há 25 anos abriste os olhos para o mundo pela primeira vez. Quis o destino que as nossas vidas se cruzassem novamente. Hoje a minha já está marcada pela tua. Pela tua existência. Pela tua passagem e permanência.

Num certo dia


Certo dia, numa certa praia, num certo lugar, numa certa esplanada estava eu certamente a olhar para o horizonte quando reparo que uma certa rapariga não tirava os olhos de cima de mim. Senti-me observado a certa altura e não descansei enquanto não percebia a razão de tal desconforto. Lá estava ela, sentada, sozinha, sempre fixa no meu olhar, na forma como estava. Incomoda-me saber que alguém reparou em mim. Discretamente olhei à minha volta na esperança de encontrar um modelo humano de cortar a respiração, alguém que merecesse tal admiração, mas não encontrei. Aquele olhar era mesmo meu. Naturalmente desviei o olhar e fixei-me na fantástica paisagem que tinha à minha frente: o mar, a areia, o sol que me encadeava, as pessoas que partilhavam a mesma vista que eu, umas sentadas, outras passeavam-se à beira mar. Não conseguia tirar da ideia o facto de ter uma pessoa que me observava. Eu que estava tão sossegado a organizar a minha vida, a estabelecer as minhas prioridades, os próximos passos que darei, tinha agora o meu pensamente invadido por uma estranha qualquer que se estava a intrometer na minha paz interior, sem que eu lhe tivesse dado ordem para tal. Achei uma invasão de privacidade. Volto a procurá-la com o olhar e ela continua firme na sua missão. Leva à boa o copo de sumo que tem à sua frente, agarra a palhinha com os dentes e faz questão que eu assista ao espectáculo de borla. Refresca-se e pousa o copo com cuidado. Sorri-me. Mantenho a minha cara séria, de quem não está a aprovar nem um bocadinho aquele tipo de comportamento e volto-me com frieza sem lhe dar qualquer tipo de confiança. Estava-me a irritar aquela mulher, mas a verdade é que não parava de pensar que ela continuava ali. Fechei os olhos e concentrei-me no calor que sentia na minha cara, fruto do sol quente que me abraçava ternamente. Neste momento vem-me à cabeça a imagem daquela mulher nua. Assustei-me com este pensamento, abri os olhos perturbado e olho-a novamente. Continuava a tentar-me, ela sabia que conseguiria o que queria. Detesto esta certeza que as mulheres têm: a certeza da nossa fraqueza, a certeza de que farão de nós o que quiserem, desde que o saibam fazer. Se pudesse mudava esta minha natureza fraca, humana. Se pudesse firmava a minha posição e ignorava o facto dela existir, mas não consigo. Diz o ditado que se não os podes vencer, junta-te a eles. Já me sentia envolto naquela situação que não queria e, de cada vez que pestanejava, já a encontrava com menos uma peça de roupa. Eu já pestanejava compulsivamente só para a encontrar novamente mais nua, mais despita, mais irresistível. Isto era só o princípio de algo que se viria a revelar muito interessante. O tempo passou e eu nem dei conta. Abandonei o projecto de organizar a minha vida, para me entregar à fantasia de uma estranha que me penetrou sem ordem, violou o meu pensamento e me conduziu a espaços inacreditáveis onde tudo é possível, sem pudor. Fui interrompido pelo telefonema que me lembrou um compromisso para o qual já estava atrasado. Desculpa, vou já, atrasei-me. Chamei o empregado, paguei o café e o bolo que tinha pedido. Passei por ela, parei à sua frente e sorri-lhe pela primeira vez. Ela retribuiu o sorriso. Percebi que vivemos um momento inesquecível sem que sequer nos tivéssemos tocado, sem termos trocado uma única palavra. Com o olhar agradeci-lhe o momento. Levei-a comigo. Foi dentro da minha cabeça, foi na recordação de uma tarde bem passada, numa certa esplanada, num certo lugar, numa certa praia, num certo dia em que eu certamente olhava para o horizonte.

quarta-feira, outubro 17, 2007

In manus tuas Pater


Quando o ritmo de absorver e sentes que não és capaz de responder com razoabilidade às rasteiras e aos desafios que a vida te traz: entrega-te às mãos daquEle que pode fazer alguma coisa por ti. AquEle que não te abandona.

segunda-feira, outubro 15, 2007

Gatos Fedorentos

Não resisto a colocar este vídeo como o post de hoje. Está muito bem conseguido.


domingo, outubro 14, 2007

Entre o sono e o sonho


No limite do desejo vive um sonho que se desenrola com princípio, meio e fim no fundo do nosso inconsciente. É uma pequena história de amor: criada, inspirada e enraizada nas histórias infantis contadas na cama antes de dormir. Os protagonistas e figurantes são aqueles que participam no nosso quotidiano. Ali assumem posturas diferentes, têm atitudes inesperadas, relevam aquilo que vive na nossa mente, mas não sabemos ou estamos esquecidos ou apenas queremos ignorar a razão deste porquê.

No sono profundo todos ressuscitam lentamente e ocupam os lugares que lhes competem. O sonhador expressa no rosto as aventuras a que é obrigado a viver, julgando estar a descansar, vê o seu universo invadido por todos os problemas que não conseguiu resolver sozinho, por todas as pessoas que ficaram pendentes e teimam em o revisitar sem ordem, hora ou local marcado. Outros sonhos manifestam verdades ocultadas, mascaradas com maquilhagens baratas e de fraca qualidade. As roupas do disfarce são antigas, cheiram a mofo, têm pó e estão fora de moda. No dia-a-dia vivemos com estas aparências, mas à noite, sem o querermos, vemo-nos nús, vemo-nos tal como somos. No dia seguinte quando acordamos e nos vemos ao espelho vem-nos a lembrança do sonho atropelado, ofegante e, aparentemente, sem nexo. Certo é que ele só nos quis mostrar o que temos por resolver, o que não nos abandona todas as vezes que cerramos os olhos para os abrirmos para um novo dia.

São filmes, séries ou episódios isolados, uns de fazer cortar a respiração, outros mais atrapalhados e sequenciais. Tantas vezes desejamos sonhar, tão raras vezes desejamos que eles sejam o que são, como são.