terça-feira, agosto 14, 2007

O calvário dos fiéis

Tenho uma estátua fluorescente da virgem maria que me dá confiança e brilha à noite.
Tenho os joelhos magoados.
O calvário dos fiéis devia ser menos árduo.
Tenho trezentos e sessenta e cinco santos numa caixa calendário daquelas em que cada dia tem um chocolate.
Tenho um lencinho branco onde limpo aslágrimas enquanto assisto a uma vigília via tv depois da minha última ceia de hoje.
Às vezes quando o vapor é muito, tenho o salvador no espelho.
Deito-me de consciência limpa, não me esqueci das velinhas, nem de deixar a moedinha na caixa, e o meu "livro de orações" tem um delicioso cheiro a mofo.
Dormirei o sono dos justos e talvez não acorde quando o galo da minha vizinha cantar três vezes e o meu senhorio o tentar apedrejar.
Sinto-me bem e deus queira que consiga não me masturbar
Ámen.

Nuno Marques

segunda-feira, agosto 13, 2007

domingo, agosto 12, 2007

Expressões que espelham um estado de alma


Ontem andei o dia todo assim.
Adormeci assim.
Acordei assim.
Tive razões para estar assim.
Tenho razões para estar assim.
Assim sim, quero viver assim.

sábado, agosto 11, 2007

Doce e perfumada fantasia

- A eterna necessidade da paixão que nos faz queimar por dentro e transpirar por fora.
- A imaginação fértil que se deixa levar e iludir.
- A incontrolável vontade de nos sentirmos desafiados e de desafiarmos.
- A vida vivida no limite para a sentirmos, quando a rotina nos atirou para um morno ameno que não desejamos, mas que nada fazemos para mudar.
- A lufada de ar fresco que nos desorienta e nos tira o sono.
- A ansiedade que nos faz um nó na garganta e nos faz suspirar.
- A meia idade incapaz de lidar com a aparência adquirida, com a monotonia que se acreditava acontecer só aos outros, com a aparição de uma terceira pessoa nada indiferente, com a tentação de uma pele suave, virgem, com tanto para dar, misturado com a saudade insuportável de um dia tudo isto ter já feito parte do dia-a-dia e hoje novamente bate à porta. É como se a vida desse uma segunda oportunidade àqueles que já esgotaram a primeira.

Como é boa esta doce e perfumada fantasia para quem se deixa envolver nela. Até acordar...

Conversas mudas

- Verdade ou consequência?
- Verdade. Sempre a verdade.
- Sentes que sempre que estiveste com alguém deste tudo o podias?
- Sim, claro.
- Aprecias a lealdade?
- Sim, muito.
- Já alguma vez te sentiste realizada?
- Sim, felizmente.
- Quando pensas no futuro, vê-lo risonho?
- Sim, sou uma optimista por natureza.
- Hoje és feliz?
- Sim, não se nota?
- De facto não se nota. Dizes sempre a verdade?
- Não, nunca.

quinta-feira, agosto 09, 2007

Fora da idade dos porquês


Por que é que as mulheres têm tanta necessidade de se sentirem constantemente amadas?

quarta-feira, agosto 08, 2007

terça-feira, agosto 07, 2007

Na completa solidão

Porque há fases deprimentes na vida...

segunda-feira, agosto 06, 2007

Quem as não tem


Cartas de amor: pedaços de papel colorido, decorados com pensamentos e desabafos adolescentes, tenras esperanças e cegas confianças, certezas absolutas e verdades inquestionáveis, vãs expectativas e puras ironias, suspiros sinceros e vagos, tudo baseado, sedeado na maior das fragilidades humanas - o sentimento. A vulneralidade das emoções, a ridicularidade das posições, a assustadora facilidade com que nos entregamos a tudo o que se apresenta mais visível e momentaneamente satisfatório. Correm rios de tinta que procuram exprimir o que o coração sente quando apenas deseja ser possuído por outra pessoa que escolheu para partilhar a vida. Porque as palavras são todas inúteis perante tanto sentimento e todas as declarações parecem insuficientes, são páginas que se querem da vida de onde brotam bonitas palavras de amor, umas mais caras que outras, mas nada disso importa na hora H de provar ao mundo e à sua cara metade que tudo o que sente é real e que nada tem valor sem o tu.

Infelizmente para a maioria tudo tem um fim e nesse dia as gavetas repletas de certezas, esvaziam-se num ápice. Não que os papéis sejam instantaneamente roídos por bichos comilões de papel ou que por artes mágicas tudo desapareça, mas o tudo que lá estava perdeu todo o sentido, deixou de ter uma razão para existir. As cartas perfumadas, algumas esborratadas pelas lágrimas de felicidade e realização derramadas na altura em que foram lidas, cartas bonitas com mensagens codificadas que apenas para aquelas duas pessoas faziam sentido. Partilhavam um código que haviam criado e em segredo, por meias palavras, diziam aquilo que a mais ninguém dizia respeito senão a ambos. Elas tinham uma história, relatavam um momento, um episódio, uma alegria, uma prespectiva de futuro que, ao que parece, deixou de se concretizar. De uma boa lembrança passam a um fardo difícil de suportar, carregam as noites mal dormidas porque se faziam planos e se construíam castelos sobre nuvens de algodão doce. Hoje tudo é amargo e cinzento, ficou um travo de estranheza, uma dor no peito, um nó na garganta, uma tristeza de morte. Tudo desmoronou menos elas. As palavras escritas duram para sempre, para a eternidade, já as ditas, essas voam com o vento e deixam apenas o vago da memória. Os sentimentos, esses andam ao sabor da maré, conforme se proporcionam momentos mais ou menos intensos, sempre em busca do prazer e da intensidade. Poucos são os que não se assustam com a radicalidade que o verdadeiro amor exige, poucos resistem, poucos sobrevivem.

O que lhes fazer na hora do aperto? Não sei... Compete a cada um encontrar o final que o fizer mais feliz, aquele que não lhe traga o remorso segundos, minutos, horas, dias, semanas, meses, anos, décadas mais tarde.

domingo, agosto 05, 2007

O amor acontece

Este é indiscutivelmente um dos meus filmes preferidos e esta cena é das mais impressionantes que já vi. Pensei guardar este post até à época do ano mais adequada, mas confesso que não aguentei e por isso aqui vai:

Adoro esta cena. Adoro.

sábado, agosto 04, 2007

Corpo


O meu corpo? Costumo dizer que não é defeito, é feitio. Sabes que não gosto de o exibir, de o mostrar, sou reservada. Não creio que complexada, mas quieta no meu canto, no meu decote contido, no comprimento da saia confortável e no biquini que não me envergonha. Tenho tudo isto em consideração, não gosto que reparem quando passo, desejo ser discreta e por isso a escolha da endumentária para mim tem muita importância. Há quem procure a visibilidade na esperança de se sentir desejado de uma qualquer forma e assim alimente o ego e a auto-estima porque não foi indiferente a sua passagem, o bocado de corpo nú que passou, chamou a atenção. Eu sei que o Verão apela às coisas frescas e reduzidas, também as procuro para me sentir melhor, mas interessa-me a forma como as combino, como me posiciono. As atitudes e os objectivos sentem-se, notam-se, sabes bem disso... Dizias-me no outro dia que o andar é importantíssimo, revelador de muita coisa, de muitas intenções. Hoje não consigo apagar da memória o que me disseste e também eu reparo. Sabes que às vezes sou distraída, não ando com maldade. Tenho comigo o natural instinto feminino da observação, entre mulheres comunicamos muito só com o olhar, transmitimos imenso umas às outras, é inevitável, não deixamos de ser animais (uns mais racionais do que outros) com estas características dentro de nós disfarçadas por posturas, maquilhagens, roupas e perfumes. De ilusões também se vive.
Aprecio a mulher que passa e apela aos sentidos pelo que apresenta, manifesta naturalmente, sem exacerbar o que tem ou fazer por ter o que desejava e não foi providenciado. Outras há que com tanto e tão bom, ainda insatisfeitas e invejosas, estragam o que de melhor lhes foi concedido embuídas por vontades imitadoras ou chamarizes estilisticos pouco agradáveis à vista. Acho que as mulheres se devem produzir, se devem cuidar, mas todos somos sensíveis àquilo que indirectamente transmitem, ao que procuram pela forma como se apresentam e colocam.
Sou a favor que cada um deve andar com aquilo que o/a faz sentir bem, feliz, mas anda por aí muita gente enganada...

sexta-feira, agosto 03, 2007

Fidelidade


A fidelidade aparece muitas vezes associada à imagem do cão que não larga o dono, que assume um papel protector e que é capaz de entregar a própria vida por aquele que um dia assumiu um compromisso com ele e que este deseja que seja honrado até ao último dia da sua vida. É a posição feliz dos olhos vigilantes que acompanham os passos do humano que o adoptou. Os cães são comumente conhecidos como os melhores amigos do Homem e eu adoro esta imagem fiel de entrega de uma vida por opção. Agrada-me ver como vivem satisfeitos, sem deitar culpas a nada nem a ninguém, nem a olhar para o lado a manifestar invejas porque o outro dono é mais bonito ou mais rico. A vida é por ali e assim age com tranquillidade, caminhante firme e realizado. Fossemos nós todos assim nos relacionamentos que assumimos.

quinta-feira, agosto 02, 2007

A Cidade dos Anjos

Mais dois impressionantes momentos cinematográficos:

(peço desculpa pela legendagem no segundo video...)

quarta-feira, agosto 01, 2007

10 coisas que odeio em ti

Eu adoro este filme. Esta cena é das mais lindas que alguma vez já vi, vejo-a e revejo-a vezes em conta. E porque é tão especial para mim partilho-a aqui, neste espaço que não é só meu, mas que espero que seja também de todos aqueles que mais ou menos assíduos acompanham o que vou postando. Obrigada.



Trancrevo também o poema:

10 things I hate about you

I hate the way you talk to me,
and the way you cut your hair.
I hate the way you drive my car,
I hate it when you stare.
I hate your big dumb combat boots
and the way you read my mind.
I hate you so much it makes me sick,
it even makes me rhyme.
I hate the way youre always right,
I hate it when you lie.
I hate it when you make me laugh,
even worse when you make me cry.
I hate it when youre not around,
and the fact that you didnt call.
But mostly I hate the way I dont hate you,
not even close
not even a little bit
not even at all.

Queres que defina saudade?


- Saudade? O que é a saudade? Todos os portugueses falam-me dela, mas não a compreendo.
- Boa pergunta. Acho que é das palavras de que mais nos orgulhamos de ter, como portugueses. Cada vez que nos falam dela os nossos olhos brilham e rapidamente saimos em defesa dizendo que não há palavras que a definam, é uma coisa que se sente, é indescritível. Por um lado continuamos no nosso saudosismo, por outro assemelhamo-nos a crianças que guardam um brinquedo precioso e raro, contentes porque até podemos não ter mais nada que realmente valha a pena, mas a saudade... Essa ninguém nos tira. Essa acompanha-nos em cada momento, no fado da vida. Mas este não se canta, vive no coração dos sonhadores, que olham o passado e o desejam como a mais nada, uma vez que o futuro não aparenta reservar nada que nos marque. Por isso perante o vazio do nada, temos o tudo que um dia já foi nosso, que nos marcou e nos alimenta. A saudade é o sabor insípido e desconsolado de quem sozinho não sabe para onde se virar, uma revolução estrangeira incapaz de se reconhecer na situação actual em que se encontra e vivendo a dicotomia entre a vontade desejada e o possível que é claramente insuficiente e mediocre. Saudade é a vivência de uma revolta interior porque não se compreende como é que o corpo não acompanha o ciclo natural das coisas e a mente teima em trazer de volta a terna lembrança daquela coisa boa, que hoje deveria ser uma mera recordação encurralada num baú decorado a pó e teias de aranha, com cheiro a mofo e que dá medo só de pensar na aventura de o abrir porque não sabemos o que nos reserva. Saudade é o suspiro que nos preenche os pulmões num silencioso desabafo de desespero, num grito que queríamos que nos aliviasse a alma, mas que é inútil. Enchemos os pulmões até mais não, até que nos doam, até que nos falte o ar, na esperança de que assim nos sintamos mais completos porque tudo em nós é a preto e branco, num morno assustador que ou nos dá para não reagirmos ou nos engrena num beco sem saída de aflição e tristeza. É a lágrima que se chora porque não se controla ou aquela que não é derramada, mas que o coração absorveu, numa impressionante tentativa de consumir o que perdeu. Saudade é um oh tempo volta para trás porque se calhar não demos o devido valor ao que tivemos, não demos o que podíamos dar, não dissemos o que podíamos dizer e hoje arrependemo-nos e custa-nos viver com isso, com essa triste realidade e incapazes de cortar esse cordão umbilical. Saudade é abraçarmos aquilo que perdemos com toda a verdade e o vigor do nosso coração, sem medo de deixarmos transparecer o que sentimos porque a sua ausência foi insuportável e o nosso orgulho vale nada. Só sente saudade quem ama, mas ama a sério porque se amou permitiu que aquilo fizesse parte do seu universo e, uma vez desaparecido, a dor daquela perda, daquela falha é incrivelmente dolorosa e dificílima de preencher. Isto é a saudade.
- Obrigada pelo sinónimo que me dás. Sim, sei o que ela é, já a compreendo. Ela também vive dentro de mim.

terça-feira, julho 31, 2007

Conta-me uma história

Conta-me uma história. Sim, uma história. Não te lembras de nenhuma? Não faz mal não estou interessada nisso. Só te pedi uma história, não custa assim tanto. Não quero saber se as personagens são verdadeiras ou fictícias, se te baseias em factos da vida real ou se te inspiras nos contos fantásticos e tradicionais. Conheces os meus problemas de insónia, habituaste-me em pequenina a deixar-me embalar pela tua imaginação fértil que se deixava levar em aventuras impressionantes. Ainda hoje sei de cor as aventuras daquele menino traquina que todos os dias aprontava alguma à coitada da professora primária ou os amores e desamores da menina das tranças pretas que tinha um esquilo como confidente Nunca te questionei sobre a sua veracidade, elas encantavam-me e eu vivia cada uma como se fosse minha e sempre admirei a tua capacidade de, do nada, fazeres o tudo e introduzires-me num sono leve e feliz. Os meus sonhos eram tranquilos, eu flutuava em nuvens de algodão doce e assistia de longe, como a uma boa espectadora compete, cada um desses episódios que se faziam brotar da tua cabeça e que não guardavas só para ti, eram meus também. Eram nossos, como um segredo que se quer silencioso. Hoje não me importa a idade que tenho, nem a tua disposição. Sei que as minhas noites nunca mais foram as mesmas e preciso de as reviver, preciso que me guies até ao sono profundo que amanhã fará de mim uma mulher mais feliz. Quem olhar para mim verá que transporto a alegria dos recuperados. Hoje não passo da coitada das olheiras que carrega o negro das noites mal dormidas e dos problemas mal resolvidos. Já não sou visitada pela menina das tranças pretas, ela hoje parece-me magra, de cabelo curto descolorado, já não me transmite a paixão das descobertas e a euforia das melhores amigas e das confidências contados debaixo da cama para que ninguém ouvisse. Os risinhos comprometedores deram lugar a um olhar vazio de quem já não tem nada para aprender e se sente esgotado da monotonia. As amigas deixaram de lhe falar e hoje caminha sozinha. Estranhamente (ou não) és aquela que menos mudou. O teu sorriso é o mesmo e, mais importante ainda, tudo o que prometes, cumpres. Não olhes assim para mim, detesto que sejas tão expressiva, mas adoro quando não escondes o que sentes, a tua verdade. Vá, senta-te aqui ao meu lado. O que tens reservado para mim hoje?

segunda-feira, julho 30, 2007

Rosas para a minha rosa

Pequenino botão de rosa que colhi, perdido no meio de tantas folhas e flores: umas já secas, outras viçosas e cintilantes, mas tu eras claramente aquela que mais despertou a minha atenção. Talvez nem sejas a mais bela, a mais apelativa à primeira vista, mas és aquela que mais promete, que mais me desafia. Por isso te tomei nos meus braços. Cuidadosamente cortei o elo que te ligava às raizes que te criaram e fizeram de ti o que és hoje e trouxe-te comigo. Pode parecer um acto egoísta da minha parte, roubar-te de quem te viu nascer, mas não podia deixar-te lá, é como se não consegui seguir sem ti. Fiquei tocado pela tua cor, pelo aroma que emanavas e me cativou. Não te queixaste quando te separei das tuas origens. Esse caule que sempre te alimentou derramou uma pequena lágrima. Não sei como a interpretar: se a saudade que já sentia da tua presença, se seria fruto da alegria de quem gerou e vê partir na esperança de que vá para melhor. É o que todos desejamos, que esses passos decisivos sejam mudanças felizes, sinónimos de realização e encontro. Quero crer na minha segunda hipótese, talvez seja mais uma manifestação do meu egoísmo humano, de quem se quer ver livre de responsabilidades e pesos de consciência, pois então que seja...

Vieste comigo, sentia um olhar fixo em mim, de quem nem pestaneja. Não sei se esperava uma resposta, se simplesmente me contemplava, só sei que aquele olhar acompanhou-me todo o caminho e eu fui incapaz de proferir uma única palavra. Voltei a tomá-la nos meus braços e suavemente levei-a até casa. Refrequei-a, deixei-a à vontade, quis que se sentisse confortável, que se sentisse em casa, na sua própria casa. Ela nem sonhava com aquilo que a esperaria, nem eu o revelei. Coisas há que têm outro sabor quando são descobertas. Adoro surpreender.

domingo, julho 29, 2007

Prometida há muito tempo...

Se eu voltasse atrás
Por minha vontade
Trocava alguns anos desta vida
Por um só dia na tua idade
dedicada ao meu cunhado

sábado, julho 28, 2007

Uma verdade inocente

Sabes, sempre gostei de ti...

sexta-feira, julho 27, 2007

É pegar ou largar


Porque há oportunidades que dificilmente se repetirão, pessoas que poderão desaparecer, vivências que virão semelhantes, mas nunca iguais. Por isso (e porque há para vários gostos e feitios):

- olha - mede - pesa - reflecte - observa - pensa - escolhe - actua
OU
olha - actua - pensa

quinta-feira, julho 26, 2007

Bed of roses


Um dia como no conto de fadas
Dormias tranquila, cerrada em ti
Sempre muito céptica às histórias encantadas
Ou a seres fantásticos tranzidos por um colibri

Vestiste esse traje branco, imaculado
Caminhaste sozinha sem parar
Mas nem imaginavas quem caminhava ao teu lado
Surgiu do nada, como se viesse do ar

Olharam-se e nenhuma palavra foi proferida
Nenhum sorriso trocado
Cada um rebobinava o filme da sua vida
Ficaram estáticos por um bom bocado

Foram minutos intensos e dolorosos
Caras sisudas sobre pernas trémulas
Nenhum compreendia o gozo
Dos olhares fixos e das conversas nulas

Acordou estava sozinha
Não passava de um sonho bom
Não se importou, sentiu-se rainha
Desejou que isto fosse um presságio
Mas duvida ter esse dom

quarta-feira, julho 25, 2007

Olho bonito


Menino do olho bonito,

não sei se elogie, se guarde em silêncio, se tranque atrás da porta do meu quarto ou feche num baú e engula a chave. Olhar firme e sério, outras tão cheio de tudo, tão brilhante e incomparável. Assim são os olhos que espelham o que vai na alma. Quantas maravilhas se partilham nessa troca perfeita, que tantas vezes evito porque à sua frente fico nua, impotente em esconder o meu brilho, a minha alegria, incapaz de lhe resistir.

terça-feira, julho 24, 2007

Fresca


Segui o teu conselho: enfiei-me na banheira e por lá fiquei de molho de olhos fechados, a pensar em nada. Isto de se dizer que as mulheres estão sempre a pensar em qualquer coisa não é necessariamente verdade, dou por mim muitas vezes de cabeça vazia, forço-me a isso, acho que me faz falta. Alturas há em que quanto mais pensamos mais complicamos, pomos hipóteses descabidas e quando damos por nós são depressões e choros e sabe Deus mais o quê.

Ontem estive com esta amiga que me dizia estar nesse estado depressivo. Eu nunca a ouvi dizer outra coisa que não isto e conhecemo-nos há onze anos. "Olha, estou com uma depressão". Não compreendo o porquê de uma rapariga na situação dela sentir-se bem em viver neste constante estado de inquietude e desilusão. Questionei-me de imediato qual seria a origem de mais uma depressão: tem trabalho, é convenientemente remunerada pelo que faz (não é certamente um avantajado ordenado de fazer cair o queixo e tudo mais o possível, mas para uma profissional estagiária, em início de carreira, a correr o risco de receber nada - que é o que é suposto infelizmente - nem me parece mesmo nada mal), tem uma família estável, conforto, um namorado incansável, que gosta dela até mais não, têm prespectivas futuras felizes, tem saúde, resumindo e concluindo, tem tudo. Acho que falta o principal: gratidão. Se ela efectivamente valorizasse o que hoje é seu, o percurso feliz que tem caminhado e o futuro que a espera e que espera que ela o abrace de sorriso rasgado para também ele lhe sorrir, ela certamente não entraria nestas crises desnecessárias e inúties, esgotantes para ela, que é tão jovem, e para os que a rodeiam que um dia poderão cansar-se de tanto lhe dar e de ver como nada é suficiente, nada satisfaz. Olhamos para o lado e tanta gente vive privações, chora desgostos ou sonha com a saúde perdida. Enfim, cada um saberá de si...

Depois do banho e de mais um dia de trabalho assim me sinto: fresca e, espero, descomplicada.

segunda-feira, julho 23, 2007

Dança do ventre


A origem da dança oriental que é uma das danças mais antigas do mundo e que combina elementos de diferentes países do Medio Oriente e Norte de África. Nos países árabes, esta dança é conhecida como Raks Sharki que significa literalmente, dança oriental. O nome "Dança do ventre" começou a ser utilizado no século XIX pelos europeus que viajaram aos países exóticos em busca de novas culturas. Estes viajantes atribuíram este nome à dança devido aos surprendentes movimentos do ventre e ancas que não existíam nas danças europeias. (...) As mulheres mais talentosas na arte da dança eram apelidadas de odaliscas, e por vezes, quando finalizavam a dança nas celebrações ou durante o seu tempo livre, frequentemente reuniam-se dentro do harém e dançavam para elas próprias. As danças realizadas entre elas, eram um meio de escape, para poder suportar a vida de clausura que levavam dentro dos haréns nos quais viviam. Em alguns povos da antiguidade pensava-se que a fertilidade humana estava directamente relacionada com a terra. Às mulheres, que eram quem criava novas vidas, eram-lhes atribuídos poderes mágicos. O propósito destas cerimónias era trazer o poder das deusas à terra e favorecer a fertilidade. Hoje em dia, tanto no oriente como no ocidente, a dança árabe, também apelidada de bellydance, tem-se desenvolvido e popularizado. Actualmente existem muitas mulheres e homens ocidentais que se dedicam à práctica desta dança.
Salaam Aleikom

Acho esta dança deliciosa... Este fim de semana tive a oportunidade de assistir e, de facto, é fantástico observar a forma como elas se entregam àquela dança. É de tal forma envolvente que me sinto completamente impelida a experimentá-la. É claramente um projecto a realizar a curto/médio prazo e... Com tudo a que tenho direito!!! ;)

domingo, julho 22, 2007

Não tenhas medo

Se queres desabafar - fá-lo.
Se tens uma dúvida - pergunta.
Se tens um sonho - concretiza-o.
Se tens uma tarefa - executa-a.
Se tens um compromisso - honra-o.
Se tens uma idea - partilha-a.
Se tens uma preocupação - esclarece-a.
Se tens um problema - resolve-o.

Se te perdeste - encontra-te porque a construção do teu futuro está nas tuas mãos. Colherás somente aquilo que semeares.

sábado, julho 21, 2007

Ser adulto


Poucos adultos são capazes de:
- aceitar uma crítica;
- assumir uma culpa;
- ouvir um conselho.

Valerá a pena insistir?

sexta-feira, julho 20, 2007

O fruto proibido


Fidelidade? Isso é muito complicado. Sabes que eu como homem casado que sou já pensei nisso várias vezes. Tudo deve ser medido e pesado e, por isso, atribuído somente o peso e a importância necessárias. Alturas há em que a infidelidade é inevitável quando se cruzam duas almas gémeas e a atracção é fatal. Aí não há nada a fazer, temos é de nos deixar levar pelo impulso que sentimos e aproveitarmos a alegria de nos termos encontrado. Não podemos desperdiçar oportunidades.

Se me pesa a consciência? Nem pode... Primeiro porque a minha mulher nunca saberá e depois porque isto só acontece uma vez na vida. Sei que só estou casado há um ano e já o sinto contigo, mas não há mal nenhum em fazermos o que nos apetece, ela nunca descobrirá, não sofrerá e nós seremos felizes nos braços um do outro. Depois cada um vai para seu lado e prosseguimos com as nossas vidas como se nada fosse. E digo-te mais: é bem pior a traição enquanto namorados do que depois de casados. Porquê? É tão simples, porque o namorado pode sempre pôr um ponto final no relacionamento e o casado não, assumiu um compromisso e tem de o levar em diante. É um homem sem liberdade, logo sem hipótese de escolha, não pode voltar atrás.

Pensa bem no que te digo. Para quê resistirmos a esta vontade que nos une?

Eu ouço com cada teoria que até parecem duas ou três. Os argumentos que um caramelo é capaz de arranjar só para levar a melhor. Eu até fico estúpida...

quarta-feira, julho 18, 2007

Parabéns a todos os que fazem anos hoje


Hoje é dia de festa, cantam as nossas almas...

Esta ideia de reduzirmos o ser humano a uma alma é muito interessante. Somo-lo de facto, mas estas almas rouxinantes, são muito mais do que isso, são também um corpo que canta, que sofre e que ama, que transpira, que deseja e que reage. A todos os que pela primeira vez sentiram o toque na sua pele neste dia e pela primeira vez foram abraçados e sentiram o quanto é extraordinária a sensação do acolhimento de dois braços que amam e por isso acolhem, os meus parabéns.

Somos já todos vencedores porque alguém nos desejou e, acima de tudo, permitiu que hoje cá estejamos e possamos fazer outros felizes.

Quem quer?


Há para todos os gostos e feitos, cores, tamanhos e sabores. Basta encontrarmos entre tantos que passam por nós ou que passam e permanecem, aquele que tenha a côr complementar à nossa. O problema é sabermos qual a tonalidade predominante cá dentro, para identificarmos a existente do outro e fazermos a combinação perfeita. Houvesse uma ou outra senhora vendedeira, regateira do amor que exibisse uma panóplia considerável de dons que nos facilitassem a árdua tarefa da busca daquele que se quer eterno. Como não as há, cabe a cada um esse trabalho e aos dois a construção e manutenção do que já foi conquistado.

terça-feira, julho 17, 2007

Já agora...

Aproveito para explicitar que pouquíssimos são os posts que directamente têm a ver comigo ou com a minha vida pessoal. Um ou outro são fruto de alguma experiência, mas nesses casos faço questão que isso fique bem claro. Todos os outros são reflexões sobre o quotidiano, um ou outro pensamento que paire pela minha cabeça ou apenas aquilo que as fotografias me sugerem. A maioria é resultado daquilo que as imagens me transmitem, no fundo é procurar o casamento perfeito entre a fotografia e o comentário e/0u texto que a possa complementar. Obrigada.

Lábios que prometem


Já pensaste no que eles têm para te oferecer?

segunda-feira, julho 16, 2007

Às vezes apetece dizer


Hey kids leave the teachers alone!

domingo, julho 15, 2007

Desculpas


Queres mesmo saber se já fui à praia?

sábado, julho 14, 2007

Amores que reflectem


Há amores que não vivem exclusivamente dentro de um coração humano, fechado num sistema circulatório entre vasos sanguíneos, artérias, veias e capilares. Ele não bombeia somente para alimentar as células aflitas que precisam do oxigénio para continuar o seu trabalho, que têm à sua responsabilidade o nosso bem estar, o nosso conforto. Ele bombeia para fazer circular em nós o calor da alegria que sente, ele tem o poder de nos fazer transpirar de entusiasmo por aquilo que vive, que experimenta.

Como é bonito e sincero este amor, que no rosto reflecte o que vai na alma e no corpo a harmonia e a leveza que só esta novidade pode trazer. Feliz de quem reflecte o que sente. Feliz de quem se deixa contagiar por quem assim o rodeia, sem inveja, sem maldade... Abraça a satisfação deste melhor amigo e congratula-se por estar também ao seu lado.

sexta-feira, julho 13, 2007

Português como Língua Estrangeira - episódio II



- Como se diz floor em português?
- Andar? 1º andar, 2º andar, é isso?
- Isso mesmo, andar. Mas eu ontem vi outra palavra, não me lembro qual... P... P...
- P...? Não me ocorre nada, não me lembro de nenhum sinónimo.
- Eu subi nas escadas rolantes e li p... mas esqueci-me, queria muito perguntar-te.
- P.... P... Piso? Foi piso que viste?
- Isso mesmo!!! Piço, piço! - a alto e bom som, como a qualquer italiano que se preze, não vá alguém não perceber que acabara de aprender uma palavra nova.
- Angélica, não... Ouve com altenção pizo, pizo. Repete, pizzzzzzo.
- Pizo, oh meu Deus, mas o que disse eu?
- Pois, disseste exactamente aquilo em que estás a pensar. A língua portuguesa pode ser traiçoeira, estamos sempre a aprender, mas não te preocupes ninguém ouviu.
- Ah, estou tão envergonhada... E ainda por cima estamos no corredor e eu falei tão alto.
- Já passou e estou certa que destas palavras nunca mais te esquecerás.

quinta-feira, julho 12, 2007

Mitos desfeitos

Estou a dar aulas de português a estrangeiros que vêm cá fazer cursos de verão. Num acto de comunicação que se quer o mais fluente possível e uma vez que a prática deve ser o mais próxima da realidade possível, eis que sou surpreendida pela aluna que tinha tanta coisa para dizer sobre este assunto, que após algum gaguejar em português e de umas frases portitalianas, abandona a Língua Portuguesa num ápice para se expressar correctamente em inglês.

- Os homens portugueses são muito bonitos.
- Achas mesmo? Olha quem fala... Vocês têm com cada italiano!
- Nada a ver. Os homens portugueses são muito melhores, trocava os italianos pelos portugueses num abrir e fechar de olhos - nesta altura o meu olhar não consegue disfarçar o espanto perante e afirmação a que acabo de assistir.
- Mas por que dizes isso?
- Os homens italianos estão ocos de cabeça, não têm lá nada, é só vaidade e manicures. Os homens portugueses são realmente homens: vestem-se à homens, transpiram masculinidade, transportam uma tranquilidade e simplicidade irresistíveis. Fazem-nos sentir mulheres pela forma como nos olham, nota-se que sabem como agradar a uma mulher.

Fiquei sem argumentos e com uma enorme desilusão - lá se foi o mito do homem italiano.

P.s. - conheço o rapaz da foto e não resisti a postá-la aqui. Encontrei por mera coincidência.

quarta-feira, julho 11, 2007

De provar e chorar por mais

Cedo percebi quão belo é o corpo de uma mulher. Senti-o no dia em que ela se deitou nua e me pediu somente que a contemplasse e ali permaneci como uma criança que não sabe o que há-de fazer. Deixei-me ficar como ela me pediu e nunca mais fui o mesmo.

Um amigo partilhava isto um dia connosco e confesso que me ficou na memória esta passagem, não sei se pelo seu conteúdo, se pela forma como ele o dizia. Certo é que volta e meia dou por mim a recordar um dos desabafos mais sentidos que já ouvi. Naquele momento também percebi que esta descoberta não é para todos, talvez apenas para aqueles que sejam capazes de afastar o olhar do seu umbigo e percebam a quantidade de coisas que há para além de nós próprios e a infinidade de sensações que podem ser despontadas em prol de uniões perfeitas e genuínas. A quem ama tudo será possível e permitido, basta querer. Felizes são aqueles que lá chegam.

terça-feira, julho 10, 2007

Há dias assim


Há dias pelos quais não damos nada. Começam como tantos outros, avançamos neles como é costume, fazemos o habitual como se nada fosse. É com uma enorme alegria que recebemos uma proposta alternativa ao plano inicialmente traçado que é completamente viável e ainda mais apetecível. Quando assim é junta-se o útil ao agradável e o melhor acontece. É importante sabermos viver na rotina, viver com ela, mas igualmente surpreendente deve ser a forma como devemos tentar trocar-lhe as voltas e apimentar a vida. Àquele que tornou isto possível o meu sincero muito obrigado...

segunda-feira, julho 09, 2007

Sim, aceito.

Ontem deram o sim que se quer definitivo. Entre lágrimas de alegria e outras que antecipam a saudade e gotas de suor que corriam pelas faces sorridentes, lá se trocaram juras de amor eterno, salgadas pelas expressões dos corpos que não continham o que sentiam. As alianças reluziam a paixão que ambos ainda sentiam fruto da intensidade do momento e do concretizar de um sonho de infância. Para trás ficava a insegurança dos jovens que não suportam a ideia de nunca encontrarem uma cara metade e de permanecerem na solidão para todo o sempre. O sentimento de pertença aquecia os seus tenros corações que progressivamente descansavam da luta dos últimas meses, do esgotamento dos preparativos, do receio de que alguma coisa pusesse em causa o dia que se quer o mais feliz das suas vidas.

Por todo o lado se espalhavam sorrisos e olhares. Os convidados passeavam-se orgulhosos das suas vestes, encantados com os penteados. Parecem efémeros momentos de fama, comparáveis aos mais nobres eventos de Hollywood, em que as passadeiras vermelhas se preparam para receber as mais ilustres personalidades. Brilhos e brilhantes iluminam os espaços calcados por finos saltos altos que na sua maioria desaparecem mal se tira a fotografia com o feliz casal contemplado a viver um verdadeiro conto de fadas.

Gostei de lá ter estado. Gostei do que vi. Gosto e sempre gostei de acreditar que o amor é possível. Ele será aquilo que vocês quiserem, será o que fizerem por ele. Felicidades aos recém-casados.

sábado, julho 07, 2007

Contributo de uma amiga

Este post é dedicado à minha melhor amiga. Fomos colegas na primária, amigas inseparáveis já na altura. Um dia cerrámos as nossas mãos e jurámos que esta amizade seria para sempre e assim tem sido. Partilhámos intensamente cada etapa das nossas vidas: rimos até mais não podermos com as parvoeiras da adolescência, chorámos sempre a nossa alma o pedia. Certo é que quando nos largávamos nos sentíamos tão mais leves e confortáveis.

Este é dos compromissos de que mais me orgulho de ter abraçado e desejo honrá-lo com toda a dignidade e fidelidade, porque o mereces, porque com relações como estas a vida é mais fácil e mais cor-de-rosa.

sexta-feira, julho 06, 2007

Evaporações

Bem vindos sejam os dias quentes. Já sentia falta do calor que só nos faz pensar em coisas frescas. Lá ia ela hoje de saia vermelha ao sabor do vento, parecia solta, como há muito não se via. O sol tocava-lhe suavemente na pele branca como se de um beijo se tratasse. Um beijo daqueles que acontecem, aquecem e nos confortam. O vento passeava-se leve, ondulava o seu cabelo e acariciava o corpo descoberto. Caminhava de passo apressado e pesado, mas o conjunto que a rodeava dava-lhe o ar simpático de quem flutua, de quem não se deixa agarrar. Tudo passa por ela, tudo lhe toca, mas nada a possui. A poça pela qual tinha passado de manhã cedo, à tardinha não passava de uma mera irregularidade do pavimento. Imagina aquela água deixa-se evaporar pelo abrasador sol de verão que dava o ar da sua graça. Como lentamente se via sem hipótese de resistir a tanto charme. Foi consumida sem perceber como. Abandonou aquela forma líquida, para se dissipar na atmosfera e fazer parte do nosso quotidiano noutro estado. Não se sabe se terá oferecido algum tipo de resistência, é possível que sim, porque uma entrega desmedida daquelas não acontece por acaso. Talvez lhe tenha sido proposta uma vida eterna em forma de gotícola transparente a quem tudo será possível, sem barreiras ou segredos. Quem sabe até um encontro misterioso com aquele que a transformou e que vive no seu imaginário. Ou então deixou-se levar sem questionar, tal não era a confiança que tinha naquele calor que a abraçava e a elevava embalada. Certamente fechou os olhos, apagou da memória os medos e lançou-se nessa aventura. Ia abraçada, ninguém tem medo de se deixar levar por quem abraça calorosamente e firma uma posição inquestionável.

Se também ela tivesse essa proposta de subir até às nuvens e por lá permanecer até ser desejada, provavelmente também aceitaria o desafio. Mas ela deixaria o rasto vermelho da sua saia que se deixa sacudir ao sabor do vento. A paixão que se arrasta e deixa um irresistível aroma a morango, doce, muito doce.

quinta-feira, julho 05, 2007

Com o coração nas mãos

Assim nos vemos tantas vezes: com o coração nas mãos. Este pobre órgão vital para a nossa existência e consequente habitação no planeta terra anda numa roda viva constante de apertos e inseguranças. Aquele que melhor devia ser tratado, com honras de realeza e protocolos cumpridos a rigor é alvo de sufocos e dos piores e mais crueis maus tratos.

Não percebo como é que uma pessoa que diz gostar de outra é capaz de deixar escapar propositadamente e com alguns instintos de maldade uma palavra ou frase indesejada que sabe que não trará indiferença. Aquela palavra dita trará dor, sofrimento e desconforto, mas este amante, envolto no seu orgulho e superioridade, não deixa de a(s) proferir, lúcido da inevitável consequência pouca própria. Que força é esta que nos cega e nos absorve, desviando-nos de tudo o que é razoável e seria desejável?

quarta-feira, julho 04, 2007

Efémero


Quão frágil pode ser uma palavra dita, um gesto ou um olhar derretido. Tudo acaba num abrir e fechar de olhos, quando menos se espera. Depois deste afastamento o vazio, a desilusão, a memória teimosa que não esquece os momentos passados.

Estas coisas do coração têm muito que se lhe diga. Nada é certo ou eterno, ninguém se oferece desmedidamente ou em troca de muito pouco. Neste jogo que se quer gratuito são altos os valores apostados e muitos aqueles que se endividam sem terem como suportar as crises vindouras. A verdade é que as outras opções não nos são mais felizes - uns encurralam-se em carapaças de vidro que estalam com cada pedrinha atirada, outros penicam aqui e acolá, mas mantêm a almofada ao lado vaga e fria.

Na fragilidade dos momentos fica a consciência tranquila de quem tudo dá porque assim deve ser, porque é isso que o seu coração pede. Se sim, se não, só o futuro o dirá...

segunda-feira, julho 02, 2007

Hungry eyes

Mais uma deliciosa cena de ver e chorar por mais. Sou mesmo insuspeita quando me refiro ao Dança Comigo...

domingo, julho 01, 2007

Breath in, breath out


Detesto fazer perguntas e ficar sem respostas.

sábado, junho 30, 2007

Etapas

Reeencontro. Diálogo. Saudade. Abraço. Beijo. Refúgio. Silêncio. Abraço. Carícia. Calor. Sorriso. Beijo. Medo. Suspiro. Calor. Coragem. Mensagem. Intensidade. Ansiedade. Desejo. Procura. Encontro. Auge. Carícia. Abraço. Silêncio. Refúgio. Beijo. Abraço. Saudade. Diálogo. Reencontro.

sexta-feira, junho 29, 2007

De uma amiga

Partilho o texto de uma grande amiga, que num momento de silêncio deixou que o seu coração gritasse o que sentia:

Finalmente encontro-me nesta casa onde deixei há muito as recordações da minha infância… Este lar onde cresci, deitada nesta mesma cama de rede olhando para o mar, para o sol nascido… para o sol posto…

E aqui estou eu… repousando, relembrando… sinto algo a percorrer-me o rosto… uma lágrima que arrasta recordações, ternura, saudade… Um sentimento mágico percorre o meu corpo aqui e agora… estas paredes sabem todos os meus segredos, os meus anseios, os meus medos, as minhas alegrias, a minha vida – feliz, talvez.

Aqui regresso esperando dias melhores… ao longe vejo o Mundo em movimento, o tempo que não pára para tanta gente apressada… Não, não é essa a minha vida! Preciso parar com o tempo, viver o que me resta com quem me faz feliz, nesta cama de rede onde vejo o sol a despedir-se de mais um dia agitado… algures, bem longe da minha memória… Aqui fico até encontrar um Mundo que me abrace e que me faça sentir amada como fui, como sou neste aconchego…

Ao abrir os olhos temo o que me espera… acordar de um sonho… um Mundo renascido, novidade talvez…

Ritinha

Obrigada :)

Smarties


Para os mais gulosos, que já nem se lembravam que eles um dia fizeram parte da nossa imaginação e da nossa realidade. Doces momentos que valem a pena recordar.

quarta-feira, junho 27, 2007

Encantos


O encanto de um momento que não se julgava tão bonito como efectivamente se manifestou. A procura de um espaço mais ou menos deserto e mais ou menos povoado que nos faça encarar a vida com outros olhos. O equilíbrio perdido e reencontrado na pausa encontrada e disfrutada. Como uma criança que se maravilha com a descoberta do mundo e é capaz de contagiar tudo e todos à sua volta, com o brilho que espalha e o sorriso que não abandona, nem deixa escapar. Num mundo onde proliferam os condados, onde há mais imperadores que impérios, não adbico de procurar aqueles que não entregam a sua dignidade, nem verdade. Ao invés de palácios de pedra e betão, poltronas e tapetes vermelhos, revejo-me naquilo que a Natureza de melhor criou para nos oferecer e que devemos cuidar como nosso.

terça-feira, junho 26, 2007

segunda-feira, junho 25, 2007

Gulodices


Foram-nos gentilemente oferecidas as cerejas mais fabulosas que alguma vez já tive a oportunidade de provar. Adivinhem lá o que reservei para a sobremesa de hoje...

domingo, junho 24, 2007

Momentos Fnac...


...em mais um cinzenta tarde, agora de Verão. Escolhe uma companhia agradável, paga-lhe um café, põe a conversa em dia e respira o que aqueles livros têm para te oferecer. Ouve os suspiros de tantas personagens em aflição, escuta os desabafos dos seus autores em permanente dúvida e crescimento, encara a realidade e delira com a fantasia. Prateleiras repletas de sonhos, pesadelos e histórias na primeira pessoa que alguém não quis guardar só para si.

sexta-feira, junho 22, 2007

Fica comigo...


Nem todos os desejos são expressos convictamente, num dia ou num local que não têm de ser necessariamente os certos. Estas certezas também se fazem e se constroem, pouco ou nada nos vem parar à mão gratuitamente, sem esforço ou dedicação. E mesmo essas borlas que a vida estranhamente nos dá, não são por nós valorizadas (ou muito raramente o são). No dia em que partirmos levaremos connosco tantas frases bonitas e sentimentos reprimidos, por causa de teimosias infundadas ou timidezes castradoras.

Que nada fique por dizer. Que os corações libertos, respirem a alegria de terem partilhado o que de mais bonito fizeram brotar.

quinta-feira, junho 21, 2007

Becos com saída


Por que há quem viva as coisas, quem viva para as coisas, com medo de viver as pessoas, de viver para as pessoas.

quarta-feira, junho 20, 2007

Bom dia alegria!


O melhor despertar de sempre é aquele que nos reserva o beijo mais doce, o abraço mais quente e o sorriso mais bonito do mundo. Porque as palavras são escassas e o raciocínio permanece ainda meio adormecido, nada há a acrescentar de novo. Agarrem-se os apaixonados e deixem que o desejo da manhã fale por si, manifeste a sua vontade e vos encaminhe até ao efémero mundo das palavras repetidas que nos saem pela boca fora sem darmos por isso. Os lençóis amarrotados guardam ainda o calor dos corpos que deles se despediram há minutos. Talvez ainda se reencontrem, num fugaz momento de cegueira. Que bom que foi, que bom que é, que bom que será o primeiro encontro do dia ao lado de quem mais o merecer.

terça-feira, junho 19, 2007

Na pausa para o café



Pequenos prazeres no vazio amargo dos dias apressados, em que a luz espreita com timidez e o calor teima em não se impôr.
Momentos pausados sem companhia, mas onde o reencontro com o eu é possível. Silêncios instalados num balcão ou numa mesa de um café ainda molhada do pano que o empregado acabou de passar rapidamente, atirando com violência as migalhas para o chão. Um trapo velho que limpa os restos das conversas que ali se deram e espera que pouco ou nada reste para que um novo começar possa ter o seu tempo e o seu espaço. Sobras adocicadas e marcas dos copos vazios fazem lembrar o que ali se passou.
Olhares que se evitam com receio das mensagens ocultas que se transmitem ou com medo de más interpretações. Estranhos que alimentam os seus vícios ou saciam os seus corpos ao ritmo a que foram habituados. Moedas que saem das carteiras e trocos que acabam nos bolsos por uma questão de poupança temporal.
Situações quotidianas que passam por nós sem que nos deixemos tocar particularmente por elas, mas que não deixam de marcar mais um dia, mais uma rotina.