terça-feira, julho 17, 2007

Lábios que prometem


Já pensaste no que eles têm para te oferecer?

segunda-feira, julho 16, 2007

Às vezes apetece dizer


Hey kids leave the teachers alone!

domingo, julho 15, 2007

Desculpas


Queres mesmo saber se já fui à praia?

sábado, julho 14, 2007

Amores que reflectem


Há amores que não vivem exclusivamente dentro de um coração humano, fechado num sistema circulatório entre vasos sanguíneos, artérias, veias e capilares. Ele não bombeia somente para alimentar as células aflitas que precisam do oxigénio para continuar o seu trabalho, que têm à sua responsabilidade o nosso bem estar, o nosso conforto. Ele bombeia para fazer circular em nós o calor da alegria que sente, ele tem o poder de nos fazer transpirar de entusiasmo por aquilo que vive, que experimenta.

Como é bonito e sincero este amor, que no rosto reflecte o que vai na alma e no corpo a harmonia e a leveza que só esta novidade pode trazer. Feliz de quem reflecte o que sente. Feliz de quem se deixa contagiar por quem assim o rodeia, sem inveja, sem maldade... Abraça a satisfação deste melhor amigo e congratula-se por estar também ao seu lado.

sexta-feira, julho 13, 2007

Português como Língua Estrangeira - episódio II



- Como se diz floor em português?
- Andar? 1º andar, 2º andar, é isso?
- Isso mesmo, andar. Mas eu ontem vi outra palavra, não me lembro qual... P... P...
- P...? Não me ocorre nada, não me lembro de nenhum sinónimo.
- Eu subi nas escadas rolantes e li p... mas esqueci-me, queria muito perguntar-te.
- P.... P... Piso? Foi piso que viste?
- Isso mesmo!!! Piço, piço! - a alto e bom som, como a qualquer italiano que se preze, não vá alguém não perceber que acabara de aprender uma palavra nova.
- Angélica, não... Ouve com altenção pizo, pizo. Repete, pizzzzzzo.
- Pizo, oh meu Deus, mas o que disse eu?
- Pois, disseste exactamente aquilo em que estás a pensar. A língua portuguesa pode ser traiçoeira, estamos sempre a aprender, mas não te preocupes ninguém ouviu.
- Ah, estou tão envergonhada... E ainda por cima estamos no corredor e eu falei tão alto.
- Já passou e estou certa que destas palavras nunca mais te esquecerás.

quinta-feira, julho 12, 2007

Mitos desfeitos

Estou a dar aulas de português a estrangeiros que vêm cá fazer cursos de verão. Num acto de comunicação que se quer o mais fluente possível e uma vez que a prática deve ser o mais próxima da realidade possível, eis que sou surpreendida pela aluna que tinha tanta coisa para dizer sobre este assunto, que após algum gaguejar em português e de umas frases portitalianas, abandona a Língua Portuguesa num ápice para se expressar correctamente em inglês.

- Os homens portugueses são muito bonitos.
- Achas mesmo? Olha quem fala... Vocês têm com cada italiano!
- Nada a ver. Os homens portugueses são muito melhores, trocava os italianos pelos portugueses num abrir e fechar de olhos - nesta altura o meu olhar não consegue disfarçar o espanto perante e afirmação a que acabo de assistir.
- Mas por que dizes isso?
- Os homens italianos estão ocos de cabeça, não têm lá nada, é só vaidade e manicures. Os homens portugueses são realmente homens: vestem-se à homens, transpiram masculinidade, transportam uma tranquilidade e simplicidade irresistíveis. Fazem-nos sentir mulheres pela forma como nos olham, nota-se que sabem como agradar a uma mulher.

Fiquei sem argumentos e com uma enorme desilusão - lá se foi o mito do homem italiano.

P.s. - conheço o rapaz da foto e não resisti a postá-la aqui. Encontrei por mera coincidência.

quarta-feira, julho 11, 2007

De provar e chorar por mais

Cedo percebi quão belo é o corpo de uma mulher. Senti-o no dia em que ela se deitou nua e me pediu somente que a contemplasse e ali permaneci como uma criança que não sabe o que há-de fazer. Deixei-me ficar como ela me pediu e nunca mais fui o mesmo.

Um amigo partilhava isto um dia connosco e confesso que me ficou na memória esta passagem, não sei se pelo seu conteúdo, se pela forma como ele o dizia. Certo é que volta e meia dou por mim a recordar um dos desabafos mais sentidos que já ouvi. Naquele momento também percebi que esta descoberta não é para todos, talvez apenas para aqueles que sejam capazes de afastar o olhar do seu umbigo e percebam a quantidade de coisas que há para além de nós próprios e a infinidade de sensações que podem ser despontadas em prol de uniões perfeitas e genuínas. A quem ama tudo será possível e permitido, basta querer. Felizes são aqueles que lá chegam.

terça-feira, julho 10, 2007

Há dias assim


Há dias pelos quais não damos nada. Começam como tantos outros, avançamos neles como é costume, fazemos o habitual como se nada fosse. É com uma enorme alegria que recebemos uma proposta alternativa ao plano inicialmente traçado que é completamente viável e ainda mais apetecível. Quando assim é junta-se o útil ao agradável e o melhor acontece. É importante sabermos viver na rotina, viver com ela, mas igualmente surpreendente deve ser a forma como devemos tentar trocar-lhe as voltas e apimentar a vida. Àquele que tornou isto possível o meu sincero muito obrigado...

segunda-feira, julho 09, 2007

Sim, aceito.

Ontem deram o sim que se quer definitivo. Entre lágrimas de alegria e outras que antecipam a saudade e gotas de suor que corriam pelas faces sorridentes, lá se trocaram juras de amor eterno, salgadas pelas expressões dos corpos que não continham o que sentiam. As alianças reluziam a paixão que ambos ainda sentiam fruto da intensidade do momento e do concretizar de um sonho de infância. Para trás ficava a insegurança dos jovens que não suportam a ideia de nunca encontrarem uma cara metade e de permanecerem na solidão para todo o sempre. O sentimento de pertença aquecia os seus tenros corações que progressivamente descansavam da luta dos últimas meses, do esgotamento dos preparativos, do receio de que alguma coisa pusesse em causa o dia que se quer o mais feliz das suas vidas.

Por todo o lado se espalhavam sorrisos e olhares. Os convidados passeavam-se orgulhosos das suas vestes, encantados com os penteados. Parecem efémeros momentos de fama, comparáveis aos mais nobres eventos de Hollywood, em que as passadeiras vermelhas se preparam para receber as mais ilustres personalidades. Brilhos e brilhantes iluminam os espaços calcados por finos saltos altos que na sua maioria desaparecem mal se tira a fotografia com o feliz casal contemplado a viver um verdadeiro conto de fadas.

Gostei de lá ter estado. Gostei do que vi. Gosto e sempre gostei de acreditar que o amor é possível. Ele será aquilo que vocês quiserem, será o que fizerem por ele. Felicidades aos recém-casados.

sábado, julho 07, 2007

Contributo de uma amiga

Este post é dedicado à minha melhor amiga. Fomos colegas na primária, amigas inseparáveis já na altura. Um dia cerrámos as nossas mãos e jurámos que esta amizade seria para sempre e assim tem sido. Partilhámos intensamente cada etapa das nossas vidas: rimos até mais não podermos com as parvoeiras da adolescência, chorámos sempre a nossa alma o pedia. Certo é que quando nos largávamos nos sentíamos tão mais leves e confortáveis.

Este é dos compromissos de que mais me orgulho de ter abraçado e desejo honrá-lo com toda a dignidade e fidelidade, porque o mereces, porque com relações como estas a vida é mais fácil e mais cor-de-rosa.

sexta-feira, julho 06, 2007

Evaporações

Bem vindos sejam os dias quentes. Já sentia falta do calor que só nos faz pensar em coisas frescas. Lá ia ela hoje de saia vermelha ao sabor do vento, parecia solta, como há muito não se via. O sol tocava-lhe suavemente na pele branca como se de um beijo se tratasse. Um beijo daqueles que acontecem, aquecem e nos confortam. O vento passeava-se leve, ondulava o seu cabelo e acariciava o corpo descoberto. Caminhava de passo apressado e pesado, mas o conjunto que a rodeava dava-lhe o ar simpático de quem flutua, de quem não se deixa agarrar. Tudo passa por ela, tudo lhe toca, mas nada a possui. A poça pela qual tinha passado de manhã cedo, à tardinha não passava de uma mera irregularidade do pavimento. Imagina aquela água deixa-se evaporar pelo abrasador sol de verão que dava o ar da sua graça. Como lentamente se via sem hipótese de resistir a tanto charme. Foi consumida sem perceber como. Abandonou aquela forma líquida, para se dissipar na atmosfera e fazer parte do nosso quotidiano noutro estado. Não se sabe se terá oferecido algum tipo de resistência, é possível que sim, porque uma entrega desmedida daquelas não acontece por acaso. Talvez lhe tenha sido proposta uma vida eterna em forma de gotícola transparente a quem tudo será possível, sem barreiras ou segredos. Quem sabe até um encontro misterioso com aquele que a transformou e que vive no seu imaginário. Ou então deixou-se levar sem questionar, tal não era a confiança que tinha naquele calor que a abraçava e a elevava embalada. Certamente fechou os olhos, apagou da memória os medos e lançou-se nessa aventura. Ia abraçada, ninguém tem medo de se deixar levar por quem abraça calorosamente e firma uma posição inquestionável.

Se também ela tivesse essa proposta de subir até às nuvens e por lá permanecer até ser desejada, provavelmente também aceitaria o desafio. Mas ela deixaria o rasto vermelho da sua saia que se deixa sacudir ao sabor do vento. A paixão que se arrasta e deixa um irresistível aroma a morango, doce, muito doce.

quinta-feira, julho 05, 2007

Com o coração nas mãos

Assim nos vemos tantas vezes: com o coração nas mãos. Este pobre órgão vital para a nossa existência e consequente habitação no planeta terra anda numa roda viva constante de apertos e inseguranças. Aquele que melhor devia ser tratado, com honras de realeza e protocolos cumpridos a rigor é alvo de sufocos e dos piores e mais crueis maus tratos.

Não percebo como é que uma pessoa que diz gostar de outra é capaz de deixar escapar propositadamente e com alguns instintos de maldade uma palavra ou frase indesejada que sabe que não trará indiferença. Aquela palavra dita trará dor, sofrimento e desconforto, mas este amante, envolto no seu orgulho e superioridade, não deixa de a(s) proferir, lúcido da inevitável consequência pouca própria. Que força é esta que nos cega e nos absorve, desviando-nos de tudo o que é razoável e seria desejável?

quarta-feira, julho 04, 2007

Efémero


Quão frágil pode ser uma palavra dita, um gesto ou um olhar derretido. Tudo acaba num abrir e fechar de olhos, quando menos se espera. Depois deste afastamento o vazio, a desilusão, a memória teimosa que não esquece os momentos passados.

Estas coisas do coração têm muito que se lhe diga. Nada é certo ou eterno, ninguém se oferece desmedidamente ou em troca de muito pouco. Neste jogo que se quer gratuito são altos os valores apostados e muitos aqueles que se endividam sem terem como suportar as crises vindouras. A verdade é que as outras opções não nos são mais felizes - uns encurralam-se em carapaças de vidro que estalam com cada pedrinha atirada, outros penicam aqui e acolá, mas mantêm a almofada ao lado vaga e fria.

Na fragilidade dos momentos fica a consciência tranquila de quem tudo dá porque assim deve ser, porque é isso que o seu coração pede. Se sim, se não, só o futuro o dirá...

segunda-feira, julho 02, 2007

Hungry eyes

Mais uma deliciosa cena de ver e chorar por mais. Sou mesmo insuspeita quando me refiro ao Dança Comigo...

domingo, julho 01, 2007

Breath in, breath out


Detesto fazer perguntas e ficar sem respostas.

sábado, junho 30, 2007

Etapas

Reeencontro. Diálogo. Saudade. Abraço. Beijo. Refúgio. Silêncio. Abraço. Carícia. Calor. Sorriso. Beijo. Medo. Suspiro. Calor. Coragem. Mensagem. Intensidade. Ansiedade. Desejo. Procura. Encontro. Auge. Carícia. Abraço. Silêncio. Refúgio. Beijo. Abraço. Saudade. Diálogo. Reencontro.

sexta-feira, junho 29, 2007

De uma amiga

Partilho o texto de uma grande amiga, que num momento de silêncio deixou que o seu coração gritasse o que sentia:

Finalmente encontro-me nesta casa onde deixei há muito as recordações da minha infância… Este lar onde cresci, deitada nesta mesma cama de rede olhando para o mar, para o sol nascido… para o sol posto…

E aqui estou eu… repousando, relembrando… sinto algo a percorrer-me o rosto… uma lágrima que arrasta recordações, ternura, saudade… Um sentimento mágico percorre o meu corpo aqui e agora… estas paredes sabem todos os meus segredos, os meus anseios, os meus medos, as minhas alegrias, a minha vida – feliz, talvez.

Aqui regresso esperando dias melhores… ao longe vejo o Mundo em movimento, o tempo que não pára para tanta gente apressada… Não, não é essa a minha vida! Preciso parar com o tempo, viver o que me resta com quem me faz feliz, nesta cama de rede onde vejo o sol a despedir-se de mais um dia agitado… algures, bem longe da minha memória… Aqui fico até encontrar um Mundo que me abrace e que me faça sentir amada como fui, como sou neste aconchego…

Ao abrir os olhos temo o que me espera… acordar de um sonho… um Mundo renascido, novidade talvez…

Ritinha

Obrigada :)

Smarties


Para os mais gulosos, que já nem se lembravam que eles um dia fizeram parte da nossa imaginação e da nossa realidade. Doces momentos que valem a pena recordar.

quarta-feira, junho 27, 2007

Encantos


O encanto de um momento que não se julgava tão bonito como efectivamente se manifestou. A procura de um espaço mais ou menos deserto e mais ou menos povoado que nos faça encarar a vida com outros olhos. O equilíbrio perdido e reencontrado na pausa encontrada e disfrutada. Como uma criança que se maravilha com a descoberta do mundo e é capaz de contagiar tudo e todos à sua volta, com o brilho que espalha e o sorriso que não abandona, nem deixa escapar. Num mundo onde proliferam os condados, onde há mais imperadores que impérios, não adbico de procurar aqueles que não entregam a sua dignidade, nem verdade. Ao invés de palácios de pedra e betão, poltronas e tapetes vermelhos, revejo-me naquilo que a Natureza de melhor criou para nos oferecer e que devemos cuidar como nosso.

terça-feira, junho 26, 2007

segunda-feira, junho 25, 2007

Gulodices


Foram-nos gentilemente oferecidas as cerejas mais fabulosas que alguma vez já tive a oportunidade de provar. Adivinhem lá o que reservei para a sobremesa de hoje...

domingo, junho 24, 2007

Momentos Fnac...


...em mais um cinzenta tarde, agora de Verão. Escolhe uma companhia agradável, paga-lhe um café, põe a conversa em dia e respira o que aqueles livros têm para te oferecer. Ouve os suspiros de tantas personagens em aflição, escuta os desabafos dos seus autores em permanente dúvida e crescimento, encara a realidade e delira com a fantasia. Prateleiras repletas de sonhos, pesadelos e histórias na primeira pessoa que alguém não quis guardar só para si.

sexta-feira, junho 22, 2007

Fica comigo...


Nem todos os desejos são expressos convictamente, num dia ou num local que não têm de ser necessariamente os certos. Estas certezas também se fazem e se constroem, pouco ou nada nos vem parar à mão gratuitamente, sem esforço ou dedicação. E mesmo essas borlas que a vida estranhamente nos dá, não são por nós valorizadas (ou muito raramente o são). No dia em que partirmos levaremos connosco tantas frases bonitas e sentimentos reprimidos, por causa de teimosias infundadas ou timidezes castradoras.

Que nada fique por dizer. Que os corações libertos, respirem a alegria de terem partilhado o que de mais bonito fizeram brotar.

quinta-feira, junho 21, 2007

Becos com saída


Por que há quem viva as coisas, quem viva para as coisas, com medo de viver as pessoas, de viver para as pessoas.

quarta-feira, junho 20, 2007

Bom dia alegria!


O melhor despertar de sempre é aquele que nos reserva o beijo mais doce, o abraço mais quente e o sorriso mais bonito do mundo. Porque as palavras são escassas e o raciocínio permanece ainda meio adormecido, nada há a acrescentar de novo. Agarrem-se os apaixonados e deixem que o desejo da manhã fale por si, manifeste a sua vontade e vos encaminhe até ao efémero mundo das palavras repetidas que nos saem pela boca fora sem darmos por isso. Os lençóis amarrotados guardam ainda o calor dos corpos que deles se despediram há minutos. Talvez ainda se reencontrem, num fugaz momento de cegueira. Que bom que foi, que bom que é, que bom que será o primeiro encontro do dia ao lado de quem mais o merecer.

terça-feira, junho 19, 2007

Na pausa para o café



Pequenos prazeres no vazio amargo dos dias apressados, em que a luz espreita com timidez e o calor teima em não se impôr.
Momentos pausados sem companhia, mas onde o reencontro com o eu é possível. Silêncios instalados num balcão ou numa mesa de um café ainda molhada do pano que o empregado acabou de passar rapidamente, atirando com violência as migalhas para o chão. Um trapo velho que limpa os restos das conversas que ali se deram e espera que pouco ou nada reste para que um novo começar possa ter o seu tempo e o seu espaço. Sobras adocicadas e marcas dos copos vazios fazem lembrar o que ali se passou.
Olhares que se evitam com receio das mensagens ocultas que se transmitem ou com medo de más interpretações. Estranhos que alimentam os seus vícios ou saciam os seus corpos ao ritmo a que foram habituados. Moedas que saem das carteiras e trocos que acabam nos bolsos por uma questão de poupança temporal.
Situações quotidianas que passam por nós sem que nos deixemos tocar particularmente por elas, mas que não deixam de marcar mais um dia, mais uma rotina.

segunda-feira, junho 18, 2007

Identidades


- O meu nome? É isso que queres que te diga? Na minha família sou a Esperança, para os estranhos a Amável, na casa dos meus amigos a Benvinda. Entre os pessimistas a Felizarda, numa escura noite de Verão a Estrela, depois de uma discussão a Piedade. Para ti posso ser a Encarnação Feliz daquilo que tens andado à procura.

domingo, junho 17, 2007

Amélie Poulain

Partilho uma deliciosa cena deste filme que adoro. Nestes casos sinto as palavras inúteis perante imagens tão esclarecedoras. Espero que seja igualmente do vosso agrado.

sábado, junho 16, 2007

Vigilante

Sinto-me tão pequenino e frágil. Os meus movimentos são todos condicionados pela pouca energia que tenho e pelo ínfimo controlo sobre os meus membros. Fecho os olhos constantemente porque não os aguento dispertos para o mundo durante muito tempo. Há muita informação à minha volta, não a consigo processar toda. A vida gira a uma velocidade alucinante, mas eu sinto que não a consigo acompanhar como gostaria. Sinto-me perdido nesta imensidão... Não percebo porque fui obrigado a abandonar o quente e acolhedor ventre da minha mãe para enfrentar a frieza das manhãs invernosas ou o stress acumulado de um final de tarde impaciente e rezingão.

Contudo, aprecio a forma como constantemente me sinto observado, é como se algo superior me acompanhasse. Não sei o que é, só sinto um firme e caloroso olhar que não me abandona e a brisa fresca de um bater de asas que me perfuma e me alivia. Não sei onde estás, nem quem serás, mas sonho com o dia em que me possa impôr à fraca vontade do meu corpo em construção e me possa virar para ti e contemplar-te. Tenho tanto para te agradecer. Vejo-te nos meus sonhos mais profundos, apareces-me como uma bonita visão que me faz sentir mais seguro e certo de que nada me fará mal porque tu estás aí, de olhos atentos a quem por mim passa e me toca.

Certa companhia que sempre desejei. Obrigada por me fazeres tão feliz.

sexta-feira, junho 15, 2007

Folhas


Relíquias que a Natureza desenhou. O trevo de quatro folhas traz-te sorte. Imagina o que uma destas te reserva...

quinta-feira, junho 14, 2007

Numa tarde de Primavera



Pipocas e cerejas numa chuvosa tarde de Primavera.
Sestas e preguiças numa possível tarde de Primavera
Bocejos e suspiros numa tristonha tarde de Primavera.
Pensamentos e reflexões numa chuvosa, possível e tristonha tarde de Primavera.

quarta-feira, junho 13, 2007

Sabores


Numa tenra tentiva de tudo provar
Envolta pelo impulso dos sentidos
Procurei nos meus desejos mais escondidos
Inesperados encontros numa mesa de jantar

Preciosos frutos do mar e da terra
Que a Natureza escolheu propositadamente
Mas nem toda a gente
A procura, a experimenta e a encerra

Línguas que tocam e exploram a medo
Percorrendo texturas e degustando iguarias
Que permanecem na memória por diversos dias
E que desejamos não terminem num gosto azedo

Tanta coisa ou tão pouca
Saboreada por quem se aventura a tal
Aceitando o desafio de um momento divinal
E que assim conhece o mundo, desta forma louca

terça-feira, junho 12, 2007

Escada sem corrimão


É uma escada em caracol
E que não tem corrimão.
Vai a caminho do Sol
Mas nunca passa do chão.

Os degraus, quanto mais altos,
Mais estragados estão,
Nem sustos nem sobressaltos
servem sequer de lição.

Quem tem medo não a sobe
Quem tem sonhos também não.
Há quem chegue a deitar fora
O lastro do coração.

Sobe-se numa corrida.
Corre-se p'rigos em vão.
Adivinhaste: é a vida
A escada sem corrimão.
DAVID MOURÃO-FERREIRA

Diálogos pela manhã



- Chatos dos pássaros de manhã não se calam. Acordo com eles e não consigo adormecer.
- Só estão a dar as boas vindas ao novo dia que se abre alegre para nós.

domingo, junho 10, 2007

De volta...


Terminados estão os dias alienados. Hoje fazem já parte de um passado recente, sinto-me marcada por isso. O início desta semana é adocicado, é feliz. A cabeça está descansada e o coração em reconciliação consigo próprio. O corpo reencontrou algum descanso, dormiu as horas que merecia, deu-se a preguiças como há muito não fazia. Luxos a que me dei numa brusca tentativa de procurar uma serenidade há muito perdida. Objectivo alcançado com sucesso. Espero pelos próximos episódios e pelos frutos desta oportunidade que não desperdicei.

quinta-feira, junho 07, 2007

Pelos caminhos de Portugal...


Estou de partida para fim de semana prolongado. Uma paragem que desejava há muito, sinto-a preciosa para conseguir responder com alguma dignidade aos próximos desafios. Espero conseguir a transparência possível para não ser vista ou reconhecida e a invisibilidade necessária para me sentir só no meio de quem por lá estiver. A cabeça vai cheia e cansada, um comum diálogo assemelha-se a uma bela anedota de tanta palavra trocada ou baralhada, sinais mais do que suficientes para comigo nada mais levar do que uns trapinhos na mala e um livro de cabeceira. Um caderno pesado de trabalhos de casa também me acompanhará - não suporto o peso da minha consciência trabalhada. Conforme os ventos e marés, logo verei o espaço que este terá nos próximos dias da minha vida. Pouco ou nada sei do que me espera. Nem quero saber, não o sinto importante... Interessa-me que me reencontre com alguma tranquilidade, naturalmente esquecida entre todos os deveres e obrigações. Motiva-me pensar que daqui sairei para um lugar desconhecido. Alegra-me a possibilidade de dar mais um passo de discernimento nos projectos que abracei.

Aqui vos espero no próximo Domingo. Deixo os votos de um excelente feriado e fim de semana. Até sempre...

terça-feira, junho 05, 2007

Vestida para amar


Uma rara peça de vestuário, criada por um competente estilista que a pensou e desenhou especialmente para aqueles que se amam. Muitos são enganados por falsas réplicas que algumas mais astutas apresentam como sendo peças genuínas. Não passam de meras aparências, fúteis e vazias. O perfume das autênticas é irresistível, viciante... Um aroma delicioso que nos faz querer o possível e o impossível, numa ânsia desmesurada. As mãos seguram o que tem para oferecer. Quando estas se deixarem perder no abraço que espera, todo o tecido cairá a seus pés. Lá permanecerá até de que dele se voltem a lembrar.

Posto está o vestido vermelho que ela escolheu para ti. Faz por merecê-lo. Fá-la feliz.

Luz condutora

Luz terna, suave, no meio da noite,
Leva-me mais longe...
Não tenho aqui morada permanente
Leva-me mais longe. Leva-me mais longe...
Hino das Completas

segunda-feira, junho 04, 2007

Requintes



- Posso servi-la?
- Concerteza. Sabe como aprecio a forma sensual com que me serve.
- Sei. Sinto-o. Faço-o porque é isso que você desperta em mim. Uma estranha vontade de cair aos seus pés e cobri-la com o que há de melhor.
- Então faça-o. Sou uma mulher com gostos requintados.

domingo, junho 03, 2007

Descasca-te


O Verão está a chegar. Descasca-te.
(Post pedido pela minha irmã.
Aqui está ele.)

sexta-feira, junho 01, 2007

No dia da criança



Lembra-te que um dia já o foste e que ela ainda pode viver dentro de ti. Não deixes apagar na totalidade a inocência e a novidade que só esses olhos e esse coração podem sentir.

Indignada


Volta à carga a Educação sexual às nossas crianças. Ontem assisti ao programa Sociedade Civil na RTP2 a propósito de um programa de desenhos animados de será exibido esta noite às 20h30 na mesma estação. Mostraram o filme que passarão (que pretende explicar às crianças como nascem os bebés) e posteriormente um grupo de entendidos debatia o assunto. O objectivo era o de ajudar os pais a decidir se deverão ver o filme com os filhos ou não. Estava presente o senhor Daniel Sampaio. Estou impressionadíssima com a falta de educação deste ser humano e com a intolerância perante opiniões divergentes às suas.

Eu não aconselho este filme a crianças com menos de 9/10 anos. Se tiverem oportunidade de o visualizar façam-no, como cidadãos que são, e vejam aquilo que querem dar às nossas crianças.

http://www.sociedade-civil.blogspot.com/

quinta-feira, maio 31, 2007

Pirilampo


Eu comprei o meu. E tu?

quarta-feira, maio 30, 2007

Make a wish


Acolhe-me como só tu o sabes fazer. Na palma da tua mão aveludada e curiosa. Estendo-me sem receio de ser deixado cair ao chão. Sabes o quanto custa essa queda desamparada e, por isso, tratas-me com o máximo cuidado.
Sentimo-nos separados do mundo a preto e branco que nos rodeia, pode ser que a nossa cor os contagie ou que se deixem tocar pelo simples e astuto desejo de eu ser tudo e de seres tudo em cada coisa que fazemos ou tocamos.
O fino vestido que te cobre salienta a perfeição das tuas formas e a brancura da tua pele. Esse revestimento apetecível que tens guardado só para mim, para aquele que um dia te encantaria como num conto de fadas.
Observas-me ternamente. Nessa imensa contemplação murmuras-me aquilo que nunca acreditei que me pudesse ser comunicado:

Pede um desejo.

Quando quiseres.
Onde quiseres.
Como quiseres.

terça-feira, maio 29, 2007

Fases


Inevitavelmente apaixonada pela vida.

segunda-feira, maio 28, 2007

Message in a bottle


Apesar de estarmos na era das telecomunicações, onde pouca ou nenhuma informação é perdida, são ainda inúmeras as mensagens que vagueiam em pequenas garrafas perdidas no imenso oceano. Mensagens flutuantes que para ali foram atiradas a muito custo e que nunca encontraram quem as quisesse receber ou por ali foram ficando na esperança da vinda de melhores dias. Dão à costa salgadas lágrimas humanas que se misturaram ao infinito mar azul, heróicas sobreviventes às correntes e marés, aos monstros marinhos, mas que morrem cansadas na fina areia à beira mar. Umas mais transparentes, outras quase invisíveis, gritos mudos entoados no silêncio do coração. Uma boca fechada que remói cada momento passado e recordado e apela por quem a procure e a retire de tal solidão.
Pedidos de socorro, numa praia perto de si...

domingo, maio 27, 2007

Doces momentos

Doces momentos numa ansiosa tarde de Domingo.

sexta-feira, maio 25, 2007

Dirty Dancing

Hoje numa enorme necessidade de encontrar algum espaço para mim e na tentativa de fazer alguma coisa de que realmente goste, fui ao baú mais recondido que tenho e lá encontrei esta pequena relíquia. Sou uma fã incondicional do filme Dirty Dancing, que conta já com uns aninhos valentes. Decadas passadas mantenho-o fiel no meu pódio de eleição.

Partilho uma das cenas mais fantásticas que o cinema alguma vez já criou. Palavras para quê... Ela fala por si...


Comida

Como comer uma maçã em três simples passos:

1 - Escolha a peça de fruta que mais seja do seu agrado. Aprecie a sua textura, sinta o aroma que emana.
2 - Depois de devidamente apreciada, e uma vez ganha alguma confiança e intimidade com a peça em questão, lave-a cuidadosamente, em água corrente. Seque-a, passando suavemente uma tolha ou folha de papel pela sua superfície.
3 - Uma vez já criada uma relação entre vocês, procure-a desejoso/a, com uma cresente água na boca, tal não é a ânsia de cuidadosamente a possuir. Trinque-a uma vez, duas, três... As que forem necessárias até que esta o/a satisfaça na plenitude. Terminada a tarefa, prossiga com a sua vida levando na lembrança este momento e no organismo esta refeição.

quinta-feira, maio 24, 2007

Quando se juntam


Pessoas há que, uma vez unidas em prol de uma qualquer situação ou causa, encaixam na perfeição. Há compatibilidades que se treinam, que se educam, mas aquelas inatas que são despontadas, sem possível explicação aparente, são das mais extraodinárias que há. A simetria conseguida quando se juntam, para além de deixar qualquer um boquiaberto de tão inacreditável que é, transmite uma enorme tranquilidade e segurança a quem as rodeia. Aquela aparente coincidência não nos deixa indiferentes, somos tocados pela sua plenitude.

São olhares que comunicam só de se tocarem na brevidade de um momento.
São almas que se lêem sem pudores.
São pensamentos partilhados num mero suspiro.
São opiniões transmitidas numa expressão, num gesto.

Nada disto lhes passa ao lado. Conhecem-se e reconhecem-se nos nadas e nos tudos do dia-a-dia. Assim acontece, quando se juntam, nessas uniões perfeitas.

quarta-feira, maio 23, 2007

terça-feira, maio 22, 2007

Espelho meu, espelho meu


Espelho meu, espelho meu
há alguém mais estúpido do que eu? Eu que na altura em que podia salvar, deixei afundar. Eu que quando podia agarrar uma mão, soltei-a para que se perdesse no nada.

Espelho meu, espelho meu
há alguém mais vazio do que eu? Eu que sempre que via o que não queria fechava os meus olhos e enterrava-me na minha escuridão. Eu que mal sentia a carência ou a privação, ignorava friamente.

Espelho meu, espelho meu
há alguém mais estranho do que eu? Eu que me acomodei ao que me era confortável, ao invés de conquistar diariamente. Eu que centrei o mundo no meu umbigo e me esqueci de tudo e todos que estavam à minha volta.

Espelho meu que me reflectes. Outrora confidente em tantas habilidades e feitos gloriosos. Sustentaste o meu ego quando me descobria para ti e me passeava. Hoje és o reflexo do falhado em que me tornei. Recordas-me aquilo que me aliciou, trazes-me um passado recente que alterou o futuro longínquo com que sempre desejei.