quinta-feira, julho 12, 2007

Mitos desfeitos

Estou a dar aulas de português a estrangeiros que vêm cá fazer cursos de verão. Num acto de comunicação que se quer o mais fluente possível e uma vez que a prática deve ser o mais próxima da realidade possível, eis que sou surpreendida pela aluna que tinha tanta coisa para dizer sobre este assunto, que após algum gaguejar em português e de umas frases portitalianas, abandona a Língua Portuguesa num ápice para se expressar correctamente em inglês.

- Os homens portugueses são muito bonitos.
- Achas mesmo? Olha quem fala... Vocês têm com cada italiano!
- Nada a ver. Os homens portugueses são muito melhores, trocava os italianos pelos portugueses num abrir e fechar de olhos - nesta altura o meu olhar não consegue disfarçar o espanto perante e afirmação a que acabo de assistir.
- Mas por que dizes isso?
- Os homens italianos estão ocos de cabeça, não têm lá nada, é só vaidade e manicures. Os homens portugueses são realmente homens: vestem-se à homens, transpiram masculinidade, transportam uma tranquilidade e simplicidade irresistíveis. Fazem-nos sentir mulheres pela forma como nos olham, nota-se que sabem como agradar a uma mulher.

Fiquei sem argumentos e com uma enorme desilusão - lá se foi o mito do homem italiano.

P.s. - conheço o rapaz da foto e não resisti a postá-la aqui. Encontrei por mera coincidência.

quarta-feira, julho 11, 2007

De provar e chorar por mais

Cedo percebi quão belo é o corpo de uma mulher. Senti-o no dia em que ela se deitou nua e me pediu somente que a contemplasse e ali permaneci como uma criança que não sabe o que há-de fazer. Deixei-me ficar como ela me pediu e nunca mais fui o mesmo.

Um amigo partilhava isto um dia connosco e confesso que me ficou na memória esta passagem, não sei se pelo seu conteúdo, se pela forma como ele o dizia. Certo é que volta e meia dou por mim a recordar um dos desabafos mais sentidos que já ouvi. Naquele momento também percebi que esta descoberta não é para todos, talvez apenas para aqueles que sejam capazes de afastar o olhar do seu umbigo e percebam a quantidade de coisas que há para além de nós próprios e a infinidade de sensações que podem ser despontadas em prol de uniões perfeitas e genuínas. A quem ama tudo será possível e permitido, basta querer. Felizes são aqueles que lá chegam.

terça-feira, julho 10, 2007

Há dias assim


Há dias pelos quais não damos nada. Começam como tantos outros, avançamos neles como é costume, fazemos o habitual como se nada fosse. É com uma enorme alegria que recebemos uma proposta alternativa ao plano inicialmente traçado que é completamente viável e ainda mais apetecível. Quando assim é junta-se o útil ao agradável e o melhor acontece. É importante sabermos viver na rotina, viver com ela, mas igualmente surpreendente deve ser a forma como devemos tentar trocar-lhe as voltas e apimentar a vida. Àquele que tornou isto possível o meu sincero muito obrigado...

segunda-feira, julho 09, 2007

Sim, aceito.

Ontem deram o sim que se quer definitivo. Entre lágrimas de alegria e outras que antecipam a saudade e gotas de suor que corriam pelas faces sorridentes, lá se trocaram juras de amor eterno, salgadas pelas expressões dos corpos que não continham o que sentiam. As alianças reluziam a paixão que ambos ainda sentiam fruto da intensidade do momento e do concretizar de um sonho de infância. Para trás ficava a insegurança dos jovens que não suportam a ideia de nunca encontrarem uma cara metade e de permanecerem na solidão para todo o sempre. O sentimento de pertença aquecia os seus tenros corações que progressivamente descansavam da luta dos últimas meses, do esgotamento dos preparativos, do receio de que alguma coisa pusesse em causa o dia que se quer o mais feliz das suas vidas.

Por todo o lado se espalhavam sorrisos e olhares. Os convidados passeavam-se orgulhosos das suas vestes, encantados com os penteados. Parecem efémeros momentos de fama, comparáveis aos mais nobres eventos de Hollywood, em que as passadeiras vermelhas se preparam para receber as mais ilustres personalidades. Brilhos e brilhantes iluminam os espaços calcados por finos saltos altos que na sua maioria desaparecem mal se tira a fotografia com o feliz casal contemplado a viver um verdadeiro conto de fadas.

Gostei de lá ter estado. Gostei do que vi. Gosto e sempre gostei de acreditar que o amor é possível. Ele será aquilo que vocês quiserem, será o que fizerem por ele. Felicidades aos recém-casados.

sábado, julho 07, 2007

Contributo de uma amiga

Este post é dedicado à minha melhor amiga. Fomos colegas na primária, amigas inseparáveis já na altura. Um dia cerrámos as nossas mãos e jurámos que esta amizade seria para sempre e assim tem sido. Partilhámos intensamente cada etapa das nossas vidas: rimos até mais não podermos com as parvoeiras da adolescência, chorámos sempre a nossa alma o pedia. Certo é que quando nos largávamos nos sentíamos tão mais leves e confortáveis.

Este é dos compromissos de que mais me orgulho de ter abraçado e desejo honrá-lo com toda a dignidade e fidelidade, porque o mereces, porque com relações como estas a vida é mais fácil e mais cor-de-rosa.

sexta-feira, julho 06, 2007

Evaporações

Bem vindos sejam os dias quentes. Já sentia falta do calor que só nos faz pensar em coisas frescas. Lá ia ela hoje de saia vermelha ao sabor do vento, parecia solta, como há muito não se via. O sol tocava-lhe suavemente na pele branca como se de um beijo se tratasse. Um beijo daqueles que acontecem, aquecem e nos confortam. O vento passeava-se leve, ondulava o seu cabelo e acariciava o corpo descoberto. Caminhava de passo apressado e pesado, mas o conjunto que a rodeava dava-lhe o ar simpático de quem flutua, de quem não se deixa agarrar. Tudo passa por ela, tudo lhe toca, mas nada a possui. A poça pela qual tinha passado de manhã cedo, à tardinha não passava de uma mera irregularidade do pavimento. Imagina aquela água deixa-se evaporar pelo abrasador sol de verão que dava o ar da sua graça. Como lentamente se via sem hipótese de resistir a tanto charme. Foi consumida sem perceber como. Abandonou aquela forma líquida, para se dissipar na atmosfera e fazer parte do nosso quotidiano noutro estado. Não se sabe se terá oferecido algum tipo de resistência, é possível que sim, porque uma entrega desmedida daquelas não acontece por acaso. Talvez lhe tenha sido proposta uma vida eterna em forma de gotícola transparente a quem tudo será possível, sem barreiras ou segredos. Quem sabe até um encontro misterioso com aquele que a transformou e que vive no seu imaginário. Ou então deixou-se levar sem questionar, tal não era a confiança que tinha naquele calor que a abraçava e a elevava embalada. Certamente fechou os olhos, apagou da memória os medos e lançou-se nessa aventura. Ia abraçada, ninguém tem medo de se deixar levar por quem abraça calorosamente e firma uma posição inquestionável.

Se também ela tivesse essa proposta de subir até às nuvens e por lá permanecer até ser desejada, provavelmente também aceitaria o desafio. Mas ela deixaria o rasto vermelho da sua saia que se deixa sacudir ao sabor do vento. A paixão que se arrasta e deixa um irresistível aroma a morango, doce, muito doce.

quinta-feira, julho 05, 2007

Com o coração nas mãos

Assim nos vemos tantas vezes: com o coração nas mãos. Este pobre órgão vital para a nossa existência e consequente habitação no planeta terra anda numa roda viva constante de apertos e inseguranças. Aquele que melhor devia ser tratado, com honras de realeza e protocolos cumpridos a rigor é alvo de sufocos e dos piores e mais crueis maus tratos.

Não percebo como é que uma pessoa que diz gostar de outra é capaz de deixar escapar propositadamente e com alguns instintos de maldade uma palavra ou frase indesejada que sabe que não trará indiferença. Aquela palavra dita trará dor, sofrimento e desconforto, mas este amante, envolto no seu orgulho e superioridade, não deixa de a(s) proferir, lúcido da inevitável consequência pouca própria. Que força é esta que nos cega e nos absorve, desviando-nos de tudo o que é razoável e seria desejável?

quarta-feira, julho 04, 2007

Efémero


Quão frágil pode ser uma palavra dita, um gesto ou um olhar derretido. Tudo acaba num abrir e fechar de olhos, quando menos se espera. Depois deste afastamento o vazio, a desilusão, a memória teimosa que não esquece os momentos passados.

Estas coisas do coração têm muito que se lhe diga. Nada é certo ou eterno, ninguém se oferece desmedidamente ou em troca de muito pouco. Neste jogo que se quer gratuito são altos os valores apostados e muitos aqueles que se endividam sem terem como suportar as crises vindouras. A verdade é que as outras opções não nos são mais felizes - uns encurralam-se em carapaças de vidro que estalam com cada pedrinha atirada, outros penicam aqui e acolá, mas mantêm a almofada ao lado vaga e fria.

Na fragilidade dos momentos fica a consciência tranquila de quem tudo dá porque assim deve ser, porque é isso que o seu coração pede. Se sim, se não, só o futuro o dirá...

segunda-feira, julho 02, 2007

Hungry eyes

Mais uma deliciosa cena de ver e chorar por mais. Sou mesmo insuspeita quando me refiro ao Dança Comigo...

domingo, julho 01, 2007

Breath in, breath out


Detesto fazer perguntas e ficar sem respostas.

sábado, junho 30, 2007

Etapas

Reeencontro. Diálogo. Saudade. Abraço. Beijo. Refúgio. Silêncio. Abraço. Carícia. Calor. Sorriso. Beijo. Medo. Suspiro. Calor. Coragem. Mensagem. Intensidade. Ansiedade. Desejo. Procura. Encontro. Auge. Carícia. Abraço. Silêncio. Refúgio. Beijo. Abraço. Saudade. Diálogo. Reencontro.

sexta-feira, junho 29, 2007

De uma amiga

Partilho o texto de uma grande amiga, que num momento de silêncio deixou que o seu coração gritasse o que sentia:

Finalmente encontro-me nesta casa onde deixei há muito as recordações da minha infância… Este lar onde cresci, deitada nesta mesma cama de rede olhando para o mar, para o sol nascido… para o sol posto…

E aqui estou eu… repousando, relembrando… sinto algo a percorrer-me o rosto… uma lágrima que arrasta recordações, ternura, saudade… Um sentimento mágico percorre o meu corpo aqui e agora… estas paredes sabem todos os meus segredos, os meus anseios, os meus medos, as minhas alegrias, a minha vida – feliz, talvez.

Aqui regresso esperando dias melhores… ao longe vejo o Mundo em movimento, o tempo que não pára para tanta gente apressada… Não, não é essa a minha vida! Preciso parar com o tempo, viver o que me resta com quem me faz feliz, nesta cama de rede onde vejo o sol a despedir-se de mais um dia agitado… algures, bem longe da minha memória… Aqui fico até encontrar um Mundo que me abrace e que me faça sentir amada como fui, como sou neste aconchego…

Ao abrir os olhos temo o que me espera… acordar de um sonho… um Mundo renascido, novidade talvez…

Ritinha

Obrigada :)

Smarties


Para os mais gulosos, que já nem se lembravam que eles um dia fizeram parte da nossa imaginação e da nossa realidade. Doces momentos que valem a pena recordar.

quarta-feira, junho 27, 2007

Encantos


O encanto de um momento que não se julgava tão bonito como efectivamente se manifestou. A procura de um espaço mais ou menos deserto e mais ou menos povoado que nos faça encarar a vida com outros olhos. O equilíbrio perdido e reencontrado na pausa encontrada e disfrutada. Como uma criança que se maravilha com a descoberta do mundo e é capaz de contagiar tudo e todos à sua volta, com o brilho que espalha e o sorriso que não abandona, nem deixa escapar. Num mundo onde proliferam os condados, onde há mais imperadores que impérios, não adbico de procurar aqueles que não entregam a sua dignidade, nem verdade. Ao invés de palácios de pedra e betão, poltronas e tapetes vermelhos, revejo-me naquilo que a Natureza de melhor criou para nos oferecer e que devemos cuidar como nosso.

terça-feira, junho 26, 2007

segunda-feira, junho 25, 2007

Gulodices


Foram-nos gentilemente oferecidas as cerejas mais fabulosas que alguma vez já tive a oportunidade de provar. Adivinhem lá o que reservei para a sobremesa de hoje...

domingo, junho 24, 2007

Momentos Fnac...


...em mais um cinzenta tarde, agora de Verão. Escolhe uma companhia agradável, paga-lhe um café, põe a conversa em dia e respira o que aqueles livros têm para te oferecer. Ouve os suspiros de tantas personagens em aflição, escuta os desabafos dos seus autores em permanente dúvida e crescimento, encara a realidade e delira com a fantasia. Prateleiras repletas de sonhos, pesadelos e histórias na primeira pessoa que alguém não quis guardar só para si.

sexta-feira, junho 22, 2007

Fica comigo...


Nem todos os desejos são expressos convictamente, num dia ou num local que não têm de ser necessariamente os certos. Estas certezas também se fazem e se constroem, pouco ou nada nos vem parar à mão gratuitamente, sem esforço ou dedicação. E mesmo essas borlas que a vida estranhamente nos dá, não são por nós valorizadas (ou muito raramente o são). No dia em que partirmos levaremos connosco tantas frases bonitas e sentimentos reprimidos, por causa de teimosias infundadas ou timidezes castradoras.

Que nada fique por dizer. Que os corações libertos, respirem a alegria de terem partilhado o que de mais bonito fizeram brotar.

quinta-feira, junho 21, 2007

Becos com saída


Por que há quem viva as coisas, quem viva para as coisas, com medo de viver as pessoas, de viver para as pessoas.