Acordas. Sozinho.Trabalhas. Sozinho.
Almoças. Sozinho.
Trabalhas. Sozinho.
Jantas. Sozinho.
Adormeces. Sozinho.
Terminaste mais um dia. Sozinho.
porque nada é por acaso
Há tanta alegria no disfrutar de uma carícia
Olha o que eu colhi para te dar. É singelo, mas é dado com muito carinho. Se provares sabe a algodão doce, derrete-se com uma enorme facilidade. Foi criado especialmente para ser gentilmente oferecido àqueles que merecem. A sua constituição permanece no segredo dos deuses, por isso é irrepetível.
Tantos beijos que ficaram por dar por faltas de coragem ou vergonhas castradoras.
Assim estava eu sentada, entretida a pensar no ontem, no hoje e no amanhã, quando levanto os meus olhos e me fixo num rosto familiar que passava. Também aqueles olhos se colaram aos meus num ápice. Reconhecemo-nos. Ele passeava apressado, com passos pesados e eu seguia cada milímetro de terreno percorrido. O filme das nossas vidas correu de uma ponta a outra, rebobinando cada face cruzada até então, cada local explorado, numa busca incessante, esgotando a memória.


Quantas árvores choraram o desperdício


Há dias malvados que nos trocam as voltas e nos tiram o chão. Até o mais básico dos encontros se torna impossível quando o impensável acontece.
Partimos amanhã para retiro. Vamos fugir das nossas embrulhadas por dois dias e olhar para dentro de nós próprios. 






Melhor que muitos finais de tarde de Verão. Uma toalha, dois corpos, uma praia, um sol encolhido na sua timidez. Uma boa conversa, trivial, mas quem é que nos disse que a partilha da rotina é uma coisa desinteressante?