domingo, abril 29, 2007

Perdidos

Tantos beijos que ficaram por dar por faltas de coragem ou vergonhas castradoras.
Tantas palavras ficaram por dizer sufocadas em silêncios indesejados.
Tantos abraços perdidos para a eternidade deixando vazios inconsoláveis.
Tantas carícias reprimidas apesar das vontades apaixonadas.

Medos. Receios. Inseguranças. Acanhamentos. Fantasmas que se apoderam e nos impedem de experimentar tantas maravilhas.

sábado, abril 28, 2007

Tatuagens

Num quadro teu, traço a pincel,
a história da tua vida,
escrita, sentida, tatuada na pele.
Quem lá, escreveu, com a tua permissao,
Nem sequer, nem sequer percebeu,
e perdeu, passou-lhe a pele por entre as mãos.
Polo Norte, Pele

sexta-feira, abril 27, 2007

Sempre lá


Único. Omnipresente. Confidente.
Fiel companheiro. Melhor amigo. Ombro presente. Cara metade. Alma gémea.
Porque há quem seja insubstituível.

quinta-feira, abril 26, 2007

quarta-feira, abril 25, 2007

Encontros

Assim estava eu sentada, entretida a pensar no ontem, no hoje e no amanhã, quando levanto os meus olhos e me fixo num rosto familiar que passava. Também aqueles olhos se colaram aos meus num ápice. Reconhecemo-nos. Ele passeava apressado, com passos pesados e eu seguia cada milímetro de terreno percorrido. O filme das nossas vidas correu de uma ponta a outra, rebobinando cada face cruzada até então, cada local explorado, numa busca incessante, esgotando a memória.

Eis que me ocorreu quem eras e não pude suportar o sorriso que rasguei de imediato. Eras a recordação de um passado realizado. A minha alegria depressa te contagiou e te trouxe à lembrança quem eu era. Correste para mim.

- Olá, estás boa?
- Estou óptima e tu? Nem sei se estás a ver quem sou...
- É claro que sei quem és, mas não me recordo do teu nome.
- Principezinha.
- Claro, Principezinha...

Em breves minutos partilhámos os percursos tomados por cada um. Cinco anos condensados ao essencial.

- Então e continuas a viver o teu sonho? - perguntaste-me.
- Quem me dera... Sabes como é difícil, deixei-o adormecer. Mas dava tudo para voltar a vivê-lo.

Virámos costas. O tempo a isso nos obrigou. Trocámos números e últimos sorrisos.

Vieste acordar um velho sonho anestesiado.
Teve tanto de bom como de doloroso.

terça-feira, abril 24, 2007

Doces supresas


Comido a dois tem outro sabor.

segunda-feira, abril 23, 2007

Vazios


Olhar vago e distante
Silêncio incómodo

Horas que passam sem pedirem licensa
Terras passageiras às quais não damos importância
Tornados devastadores num coração tão frágil
Lágrimas que carregam os sonhos de uma criança

Ombros insuficientes
A impotência de quem nada pode fazer
Senão esperar...

domingo, abril 22, 2007

E agora?


Palmilhamos pelos trajectos possíveis que se nos vão oferencendo. Fazemos as opções que nos parecem mais correctas ou que esperamos que sejam sinónimo de alegria, realização e bem-estar. Contudo alturas há em que esbarramos contra o inevitável. Aí, não há nada a fazer.
Haja cabeça fria.
Haja uma mão amiga que, na hora h, nos indique o caminho da felicidade.

sábado, abril 21, 2007

Apanhei o impossível

Porque é que só valorizamos as coisas quando as perdemos?

sexta-feira, abril 20, 2007

Único


Há sabores e texturas incomparáveis e irrepetíveis.
Hoje quero-os só para mim.

quinta-feira, abril 19, 2007

Fitas do passado


Guardam-se as fitas do passado numa memória que se quer jovem e pouco saturada. Contudo, é interessante verificar como o cérebro é capaz de fazer sumir tantas palavras desagradáveis ou episódios menos felizes.

Se não é para reter para a posterioridade, também não fica aqui a fazer nada. E assim desaparecem com a brisa do final da tarde. Viajam para terras distantes, para junto de línguas estranhas e enroladas que certamente nunca compreenderão aquelas tamanhas maldades. Bom para eles, melhor para nós que nos purificamos dos maus pensamentos e das noites mal dormidas.

Reservam-se fotos de momentos queridos, dos sorrisos intensos e sinceros, da alegria dos olhares partihados. A não ser que se procurem, ficam onde as deixarmos ficar a ganhar pó e a degradarem-se como os sentimentos já o fizeram.

Engavetaram-se os postais carregados de sonhos e saudades. Cartas datando marcos da nossa história, mas que hoje não passam de aglumerados de letras sem nexo. Estas acho-as as mais difíceis de enfrentar. Lá sobrevivem, sei onde estão, mas não as procuro. Também não sou capaz de as fazer evaporar com um toque de magia e uns pózinhos de prelim pim pim.

Tudo isto e mais alguma coisa vive num sítio muito especial, reservado só para este efeito: o nada.

quarta-feira, abril 18, 2007

terça-feira, abril 17, 2007

No meu jardim secreto


No jardim das cores

há espaço para todas
para que cada uma contribua com a sua alegria
na construção de um monumento à diversidade

Neste jardim das surpresas

associam-se cores a sabores, sentimentos e sensações
baralham-se preferências nas tonalidades
rasgam-se sorrisos pelos amores à primeira vista

No jardim do arco-íris

colhe um pequena flor
leva-a para casa
dá-lhe o destaque que ela merecer

Lembra-te que ela já fez parte de um todo
e que hoje faz parte de ti

More than words


Já te disse que gosto de ti?

domingo, abril 15, 2007

Temporariamente meu

- De quem é este garfo?
- É meu.

Não há nada como uma mesa cheia de utensílios temporariamente nossos. Ai de quem no-los queira tirar. São tantas estas pequenas diárias adopções.

O que será efectivamente nosso?

Folhas amarrotadas

Quantas árvores choraram o desperdício
Pilhas de baralhados sentimentos e vagas reflexões
Entre tintas coloridas e rabiscos a carvão
Decorados com desenhos primários reveladores de uma infância feliz

Desabafos, preocupações, inquietações
Avalanches de vãs esperanças num qualquer ecoponto
Algumas celadas a cadeado por escorregadias amostras de chaves
Essas ficaram trancadas para a eternidade

Hoje as folhas são telas brancas onde o gasto é a energia
Poupam-se as lágrimas outrora derramadas
Ganha-se em canetas, lápis, borrachas e afias

Contudo nada paga o prazer de uma mão que se arrepende
E corre a rasurar com quanta força tem
Aquela palavra escrita
Que não era propriamente dirigida a ninguém

Tudo isto e mais alguma coisa
No tempo das folhas amarrotadas
E das mãos sarapintadas por canetas que rebentavam

sábado, abril 14, 2007

Entre mares e marés


Hoje o sorriso ia sendo derrubado por uma apurada onda de coisas ruins.
Foi surpreendida por um inesperado sopro que a levou para terras logínquas.
Nunca mais se ouviu falar dela.

quinta-feira, abril 12, 2007

Pieces of me


Como se de um sonho se tratasse
Fechar os olhos e pôr de lado a consciência
Para viver o que se calcula e o que já se ouviu dizer
Como se não houvesse amanhã

Agarrar uma pequena ponta de lençol perdido
E deixar-se enrolar só para se poder ser descoberto
Experimentar a euforia duma paixão nunca antes vivida ou já esquecida
Como se não houvesse amanhã

Produzir-se e embebedar-se de doces aromas
Que à certeza trarão quantas maravilhas há para degustar
Entregar-se em perfeitos pedaços humanos
Como se não houvesse amanhã

Sem horas marcadas ou sítios comprometidos
Até que o fôlego atraiçoe e que todos os membros estremeçam
É a terna alegria de quem se preparou para se dar
Como se não houvesse amanhã

quarta-feira, abril 11, 2007

Put*s e vinho verde


Vivem-se loucos cabarets nessas esquinas esquecidas. Os mais básicos instintos humanos reinam nesta era associada à cultura e à literacia. Sob um humilde serão de estudo, de costas alargadas, vive escondido um segredo que muitos não querem que seja revelado. Uns mais às claras, outros provavelmente mais às escuras, na nossa língua ou numa qualquer língua erasma, a malta depressa se mobiliza. Há linguagens claramente universais e eles sabem-nas melhor que ninguém. São matérias onde o nível de absentismo é baixíssimo e o de motivação, de tão elevado que é, nunca nenhum ministério alguma vez terá impresso em folhas de papel arquivadas em armários de madeira frios e empoeirados.
É este o panorama que se cruza por mim mal passo os portões da faculdade. Uma desenfreada cópia dos anos 50, grupos de pequenas pin ups artificais, decorativos livros debaixo dos braços ou nas cadeiras das esplanadas. Moços e rebeldes, estes são a geração pós-Bolonha.
Suados anos de faculdade...

segunda-feira, abril 09, 2007

Momento "cognac" com...


muito estilo.

Na cama dos sonhos


Adormeceste nesta cama de lençois puros e perfumados. A pouca roupa que te cobria era mais do que suficiente. Sentiste uma estranha sensualidade. Todo o teu corpo emanava um turbilhão de promessas irresistíveis que te faziam sentires-te bem, sentires-te mulher. Deste leito não queres sair porque é apetitoso e suculento, mas não o queres só para ti. Ele está disponível para esse alguém de olhos bonitos que suavemente te envolveu com a sua meiguice.
Aguardas a sua chegada, esperas irrequieta.

domingo, abril 08, 2007

Corações que se derretem

Se me acolheres no colo da tua mão e com cuidado me abraçares, sabes que vou derreter.

A verdadeira Páscoa


Conforme havia sido dito Cristo que morre na Sexta feira Santa ressuscita ao fim de três dias. Hoje é dia de festa, alegramo-nos: a vida eterna derrota as trevas da morte.

sexta-feira, abril 06, 2007

Morto por nós


Um dos maiores sacrifícios humanos. No dia da Sua morte recolhemo-nos em oração.

Desencontros

Há dias malvados que nos trocam as voltas e nos tiram o chão. Até o mais básico dos encontros se torna impossível quando o impensável acontece.
Nos encontros e desencontros da vida o importante é saber lidar com eles e procurar a solução mais razoável, aquela que for mais justa mediante a verdade dos factos.
Às vezes tão perto e tão longe...

terça-feira, abril 03, 2007

Retirados do mundo

Partimos amanhã para retiro. Vamos fugir das nossas embrulhadas por dois dias e olhar para dentro de nós próprios.
Como vai a minha vida?
Que prioridades são as minhas?
Deixo-me reger pelo quê?
Em silêncio, num pequeno grupo, o mais familiar possível, vamos procurar caminhar em conjunto. Que abramos os nossos corações à verdadeira Páscoa.

segunda-feira, abril 02, 2007

Alma gémea


Conheci esta senhora de cara triste e vincada pelo passado. Enfrentei a humildade de um olhar e de uma boca que tudo deixavam sair sem maldade. Reencontrei-me com aquela disponibilidade infinita e gratuita que julgava não existir.
Já perdi a minha cara metade. Comentou chorosa. Gelei à sua frente. Não imagino o que seja experimentar estar com esse alguém a quem podemos chamar alma gémea. Claramente incompleta seguiu o seu caminho, numa assustadora insuficiência de vida.

domingo, abril 01, 2007

Verdades (em dia das mentiras)

Cativa e deixa-te cativar.

Nas teias da mentira


Hoje é-nos permitida uma mentirita inofensiva. Um ano inteiro danados para que este dia chegue e possamos encavar uma meia dúzia com aquilo que nos passar pela carola, sem que alguém nos leve a mal.
Já perdi algum tempo da minha vida a pensar na mentira, na razão de recorrermos tantas e tantas vezes a uma coisa (aparentemente e) à partida condenável. Danamos a cabeça das nossas criancinhas quando as apanhamos num flagrante plágio ao Pinóquio e somos os primeiros a pedir-lhes que ao telefone neguem a presença do pai ou da mãe quando o telefonema não nos interessa. Mas que coerência é a nossa? Que dupla educação é esta onde lhes pedimos que olhem para o que dizemos em vez de olharem para o que fazemos?

Estes são os nossos primeiros passos, aqueles que nos são mais queridos iniciam-nos nesta arte abstracta que é a arte do engano. Cedo percebemos que a mentira é uma coisa muito feia, mas à qual temos de recorrer para nos livrarmos daquilo que não interessa e/ou para fugirmos às nossas responsabilidades. Mais velhinhos dizemos ao professor que o cão comeu o trabalho de casa e desta forma vamos aguçando o nosso engenho.

Algumas estatísticas indicam que 60% das pessoas mentem no seu dia-a-dia em assuntos absolutamente banais. A verdade no meio disto tudo é que é a mentira pode ser verdadeiramente cómoda. Dizemos o PC ao invés de nos metermos em alhadas maiores.

- Esse penteado fica-te a matar! Estás linda com essas botas.

E só nos ocorrem coisas do género:

- Mas o que é que te passou pela ideia? Quem mais te anda a enganar para além de mim?

Muitas vezes sabemos que estamos a ser aldrabados, até porque nós próprios somos os primeiros a cair naquela tentação, só que o que nos dizem é tão agradável, que ali permanecemos contentinhos da vida naquela concha aveludada que nos protege de tudo o que nos parece ruim. Não passa de uma capa fina e transparente que desaparece no primeiro rasgo de verdade.

Contudo, há situações onde parece que não há espaço para a verdade, mesmo que a tragamos a todo o custo.
É preferível uma mentira agradável, a uma verdade dolorosa.
Aqui confesso: para além de não compreender, não sei o que fazer.

quinta-feira, março 29, 2007

Estavas pronta


Já há algum tempo que aguardavas ansiosa a chegada deste comboio que te levaria para outra dimensão. A promessa irresistível de uma vida paradisíaca pela eternidade fora, junto de todos os que já tinhas deixado partir à tua frente, tornou-se bem mais aliciante que a vida terrena, fria e cruel de um passado cansado e sofrido. Guardo o último adeus que me deixaste nas quentes férias de Verão. Esta madrugada fechaste os teus olhos à nossa realidade e abriste-os para aquEle que estou certa que te acolheu com o mais caloroso dos abraços. Derreteste-te com o seu coração "algodão doce" e espero que vivas já as alegrias que te estavam reservadas. Parto para te prestar uma última homenagem.
Adeus avó.

quarta-feira, março 28, 2007

Desentendimentos


Como é que duas pessoas, numa acesa conversa, onde cada uma se julga dona da razão e da verdade pretendem chegar a um entendimento? Das duas uma:
- leva lá a bicicleta e vira costas porque não está para se chatear;
- continuam a debater-se até se esgotarem e viram costas de mal com a vida.
Cada cabeça sua sentença.

Malvados intrusos


As calorias são pequenos animais que vivem nos roupeiros e que durante a noite apertam a roupa das pessoas.

anónimo

segunda-feira, março 26, 2007

Na lista de tarefas


Que colo é esse?


Que colo é esse que procuro sem medos e onde me sinto vivo? Uma espécie de ninho feito com os melhores galhos que a Natureza já concebeu, desenhado e pensado a rigor por um lindo pássaro arco-íris, em vias de extinção, que não quer deixar de dar o seu contributo ao mundo.
Julguei que a perfeição não existia até provar esse calor que me contagiou silenciosamente, me embalou e me deixou aninhado. Suave como só um pedaço de fina seda consegue ser. Estava entregue. Fechei os olhos e desfrutei, eram pétalas aveludadas que percorriam os fios do meu cabelo, parecia que adivinhavam que aquilo era o que eu mais desejava. Dois gomos adocicados derramavam o seu néctar sob a minha testa. Sussurravam baixinho palavras que não compreendia, mas a ternura que carregavam bastava para me arrancar o sorriso que não mais consegui largar. A inconsciência tomou conta de mim. Sei que mesmo assim não desististe de me tratar como um rei. Não sei se mereço tão nobres regalias, só sei que nada paga o que estás a ser capaz de me dar hoje, neste momento da minha vida. Neste momento da minha história.

quinta-feira, março 22, 2007

Vai onde ela te levar

O convite está feito.
Caminha no seu passo seguro e decidido. Perde de vista a estrada que pisa, mas não se deixa abalar por esse infinito desconhecido. O chão é firme, essa certeza basta-lhe. Esta convicção assusta. Contudo o apelo daquela anca impede que a razão tenha sequer espaço para suspirar. Há uma espécie de desafio naqueles passos nus, caminhantes e tranquilos. A brisa traz o rasto do cheiro de um cabelo tentador. Podem não passar de meras promessas, mas o limite do imaginário é aquele que eu quiser. Tu o disseste.
O convite está feito.

quarta-feira, março 21, 2007

Passarinhos a bailar...


Quero dar as boas vindas à querida Primavera. É certo que a esperou um dia ventoso e frio, mas isso era para limpar as folhas secas e acastanhadas dos primos Outono e Inverno. Algumas mais teimosas permaneciam agarradas às árvores. Como iniciamos um novo ciclo de reprodução e renovação, havia que fazer uma limpeza a fundo para receber de braços abertos esta nova etapa. Nada melhor, nem mais adequado do que varrer com quanta força o vento tem tudo o que não interessa, deixando-nos em grande alvoroço.
Se sentes que já está tudo preparado, que venham os lindos dias primaveris que tanto mexem com a nossa gente mais nova. Não que eles precisem de particulares incentivos para entrar em épocas de maior euforia sentimental, mas o certo é que os despertas de uma forma muito particular. Revolucionas as hormonas e pões um sorriso estampado na cara destes amantes.
É a fruta da época, atrever-me-ia a dizer e que boa que ela é.

segunda-feira, março 19, 2007

Quem dá o que tem

Diz-me o que desejas que eu dar-te-ei o que sou.

Pai és um pilar na minha vida


A todos aqueles que acolheram no coração o verdadeiro desafio da paternidade fica aqui a minha mais sincera admiração. Vocês sim são os heróis do ontem, do hoje e do amanhã, sem capas, espadas ou efeitos especiais. O vosso segredo é o amor incondicional e a dedicação àqueles que ajudaram a trazer ao mundo.
E porque este dia é-vos particularmente dirigido, deixo-vos a minha amizade e apreço.

domingo, março 18, 2007

Fim do dia

Melhor que muitos finais de tarde de Verão. Uma toalha, dois corpos, uma praia, um sol encolhido na sua timidez. Uma boa conversa, trivial, mas quem é que nos disse que a partilha da rotina é uma coisa desinteressante?

Do melhor que já vivi e experimentei. Inspirava tranquilidade, expirava saúde e boa disposição.

sexta-feira, março 16, 2007

Momento "cognac"...

... na praia com este sorriso.

Coisas no feminino

Porque é que pomos sempre as mãos entre as pernas?

quinta-feira, março 15, 2007

Rituais

Não dispenso o meu café depois de almoço. É o único que tomo. Comecei aos dezoito anos esta práctica, mas hoje é claramente muito mais do que isso.

É, provavelmente, o meu momento preferido. A seguir à refeição, aqueles minutos de pausa à volta de uma mesa (se estiver acompanhada de dois dedos de conversa e meia dúzia de sorrisos, melhor) fazem as delícias do meu dia. É enorme o prazer que sinto, a calma que me é transmitida.
Diz o ditado que de médicos e de loucos todos temos um pouco eu, de médica estou certa que nada terei, fico-me exclusivamente pela parte da loucura.
- É um café cheio, por favor.
Tiro o pacote do açúcar, analiso a embalagem e lembro-me de um grande amigo que é coleccionador. Se for digno de uma colecção penso logo:
- Deixa-me rasgar isto com jeitinho.
Lá danifico o pacote o menos possível. Ao de leve, verto o açúcar para a chávena e derreto-me a vê-lo cair naquela espuma. Brinco com o pacote, sacudindo-o ora para um lado, ora para outro, para o ir espalhando e aprecio como este se deixa envolver, enterrar, até se entregar completamente ao café a que estava destinado. Ele cai sob uma cama tão macia e aveludada até que se deixa desaparecer, consumir na totalidade. E aquele a quem se entregou não voltou a ser o mesmo. Ganhou sabor, doçura. Provavelmente nunca terá noção da grandeza daquele acto de despojamento total, mas isso também não lhe importa. Foi criado com este objectivo e aceita o seu destino sem manifestar grande hesitação.
Depois de apreciar este episódio, cuidadosamente mexo o meu café e preparo-me para o tomar. Aquela união perfeita em breve fará parte de mim e acompanhar-me-á na minha rotina. Bebo o meu café e parto feliz. Como é que uma coisa tão pequena pode fazer tanta diferença. O simples facto de isto deixar de fazer parte do meu dia, já é motivo para me sentir incompleta.

terça-feira, março 13, 2007

Desejos




Percorro lentamente cada fio de cabelo meu como se de um pedaço teu se tratasse. Sinto a sua textura, descubro a quantidade de coisas que consigo fazer com os meus lábios, com os meus dentes. Molho o meu cabelo e continuo a saboreá-lo. Não é um gesto bonito nem muito higiénico, bem o sei, mas sabe-me bem.


Trinco-os um a um, usufruo, brinco com eles. Assim desejava estar eu contigo ao meu lado, a descobrir-te, a gozar as maravilhas que a paixão tem para nos oferecer. Através do meu tacto vibrar com todos os milímetros que tens para mim. Enquanto assim não puder estar, fico-me pelo meu cabelo. Trago-o à minha boca e desfruto da satisfação de ficar ali a brincar como uma criança que não larga o vicío.


Agora seco. Depois molhado. A seguir, espero que ao teu lado.

domingo, março 11, 2007

Entre risos e sorrisos



- Porque te ris?

- Enganaste... Não me estou a rir. Estou a sorrir.

sexta-feira, março 09, 2007

Desculpem qualquer coisinha

Lamento a minha ausência no blog esta semana. Trabalhadora durante o dia, estudante à noite, comecei agora o 2º semestre e vi-me completamente consumida por isso. Precisarei de algum tempo até me habituar novamente à ideia de chegar tardíssimo a casa e ainda trazer trabalhos para fazer (para além dos habituais que qualquer professor já traz). Mas não vou resistir à tentação de dar umas escapadelas por fora e ir postando o que me estiver na alma.

quinta-feira, março 08, 2007

Dia da Mulher

Apesar de não ligar a estas datas e de não lhes encontrar grande sentido, não quis deixar de a marcar aqui de qualquer forma. Partilho um dos poemas mais fantásticos que conheço que, na minha opinião, retrata na perfeição o que é capaz de sentir uma mulher. É uma linguagem muito nossa.

O meu amor
Tem um jeito manso que é só seu
E que me deixa louca
Quando me beija a boca
A minha pele toda fica arrepiada
E me beija com calma e fundo
Até minh'alma se sentir beijada


O meu amor
Tem um jeito manso que é só seu
Que rouba os meus sentidos
Viola os meus ouvidos
Com tantos segredos lindos e indecentes
Depois brinca comigo
Ri do meu umbigo
E me crava os dentes

Eu sou sua menina, viu?
E ele é o meu rapaz
Meu corpo é testemunha
Do bem que ele me faz
O meu amor
Tem um jeito manso que é só seu
De me deixar maluca
Quando me roça a nuca
E quase me machuca com a barba malfeita
E de pousar as coxas entre as minhas coxas
Quando ele se deita

O meu amor
Tem um jeito manso que é só seu
De me fazer rodeios
De me beijar os seios
Me beijar o ventre
E me deixar em brasa
Desfruta do meu corpo
Como se o meu corpo fosse a sua casa

Eu sou sua menina, viu?
E ele é o meu rapaz
Meu corpo é testemunha
Do bem que ele me faz

Chico Buarque

segunda-feira, março 05, 2007

Momento "cognac" com...

o abraço que eu tanto desejava.

domingo, março 04, 2007

Diários de uma mulher ao volante



Hoje fui abordada por um anjo em forma de homem. Olhei para ele e estranhei estar ali. Era portador de fracas notícias... Eu já calculava que tinha furado o pneu, mas o meu lado optimista não me permitia admitir a realidade. Contra factos não há argumentos, diz o ditado e muito bem. Restava-me começar a elaborar o Plano B. Foi então que este enviado de Deus põe um enorme sorriso no rosto e se voluntaria com uma bondade e uma disponibilidade como eu nunca antes tinha visto na minha vida. Fui incapaz de recusar a oferta.

Ali ficámos à chuva a mudar a roda. O meu anjo da guarda para além de ensopado, estava também todo enlameado. Perdi-me em agradecimentos. Por estranho que pareça estava-me a fazer confusão a gratuidade daquele gesto. A nossa sociedade tem-nos habituado a que tudo tem um preço e eu estava perante o oposto e não sabia o que havia de fazer.

Encharcados. Troquei o último obrigado e vim para casa com um sabor insuficiente na boca. Alguém tinha feito imenso por mim e eu sinto que nada fiz por esse alguém. Faço agora, faço o que posso. Rezo por ele.

Bem-nos-queremos

Bem-me-queres
Bem-te-quero
Bem-nos-queremos

sábado, março 03, 2007

Nos pés de uma bailarina


Nos pés de uma bailarina conta-se uma história, vive-se um enredo. Não se caminha, flutua-se. Com uma espécie de olhar sedutor e irresistível eles convidam-nos para a sua dança. Enfeitiçados, abraçamos o desafio de os acompanharmos. Seguimo-los como crianças numa fidelidade inocente. Desejamos assim pairar, cheios da sua tranquilidade e leveza. Por momentos abandonamos a passada agreste do nosso dia-a-dia, as modas desconfortáveis e acreditamos ser possível voar assim. Parece-nos viável que também os nossos pés um dia poderão acompanhar o nosso corpo harmoniosamente como numa música, onde cada instrumento desempenha o seu papel na perfeição. Aguçamos o desejo de não sermos desajeitados e descoordenados. Eles continuam a deslizar à nossa frente e só os arrepios que nos provocam são capazes de nos trazer de volta à nossa humanidade. Contudo, depressa nos deixamos embalar pela sua magia que nos envolve e nos traz de volta ao seu argumento.
Correm-se as cortinas, arrefece a sala. Bailarina. Procuras o espelho que te viu maquilhar e passas uma toalha pelo rosto. Tiras as sapatilhas, olhas os teus pés calejados. Neles revês a tua história, aquela que, definitivamente, desejas não dar a conhecer.

O taxi que ELA apanhou

também te pode levar.