domingo, abril 08, 2007

A verdadeira Páscoa


Conforme havia sido dito Cristo que morre na Sexta feira Santa ressuscita ao fim de três dias. Hoje é dia de festa, alegramo-nos: a vida eterna derrota as trevas da morte.

sexta-feira, abril 06, 2007

Morto por nós


Um dos maiores sacrifícios humanos. No dia da Sua morte recolhemo-nos em oração.

Desencontros

Há dias malvados que nos trocam as voltas e nos tiram o chão. Até o mais básico dos encontros se torna impossível quando o impensável acontece.
Nos encontros e desencontros da vida o importante é saber lidar com eles e procurar a solução mais razoável, aquela que for mais justa mediante a verdade dos factos.
Às vezes tão perto e tão longe...

terça-feira, abril 03, 2007

Retirados do mundo

Partimos amanhã para retiro. Vamos fugir das nossas embrulhadas por dois dias e olhar para dentro de nós próprios.
Como vai a minha vida?
Que prioridades são as minhas?
Deixo-me reger pelo quê?
Em silêncio, num pequeno grupo, o mais familiar possível, vamos procurar caminhar em conjunto. Que abramos os nossos corações à verdadeira Páscoa.

segunda-feira, abril 02, 2007

Alma gémea


Conheci esta senhora de cara triste e vincada pelo passado. Enfrentei a humildade de um olhar e de uma boca que tudo deixavam sair sem maldade. Reencontrei-me com aquela disponibilidade infinita e gratuita que julgava não existir.
Já perdi a minha cara metade. Comentou chorosa. Gelei à sua frente. Não imagino o que seja experimentar estar com esse alguém a quem podemos chamar alma gémea. Claramente incompleta seguiu o seu caminho, numa assustadora insuficiência de vida.

domingo, abril 01, 2007

Verdades (em dia das mentiras)

Cativa e deixa-te cativar.

Nas teias da mentira


Hoje é-nos permitida uma mentirita inofensiva. Um ano inteiro danados para que este dia chegue e possamos encavar uma meia dúzia com aquilo que nos passar pela carola, sem que alguém nos leve a mal.
Já perdi algum tempo da minha vida a pensar na mentira, na razão de recorrermos tantas e tantas vezes a uma coisa (aparentemente e) à partida condenável. Danamos a cabeça das nossas criancinhas quando as apanhamos num flagrante plágio ao Pinóquio e somos os primeiros a pedir-lhes que ao telefone neguem a presença do pai ou da mãe quando o telefonema não nos interessa. Mas que coerência é a nossa? Que dupla educação é esta onde lhes pedimos que olhem para o que dizemos em vez de olharem para o que fazemos?

Estes são os nossos primeiros passos, aqueles que nos são mais queridos iniciam-nos nesta arte abstracta que é a arte do engano. Cedo percebemos que a mentira é uma coisa muito feia, mas à qual temos de recorrer para nos livrarmos daquilo que não interessa e/ou para fugirmos às nossas responsabilidades. Mais velhinhos dizemos ao professor que o cão comeu o trabalho de casa e desta forma vamos aguçando o nosso engenho.

Algumas estatísticas indicam que 60% das pessoas mentem no seu dia-a-dia em assuntos absolutamente banais. A verdade no meio disto tudo é que é a mentira pode ser verdadeiramente cómoda. Dizemos o PC ao invés de nos metermos em alhadas maiores.

- Esse penteado fica-te a matar! Estás linda com essas botas.

E só nos ocorrem coisas do género:

- Mas o que é que te passou pela ideia? Quem mais te anda a enganar para além de mim?

Muitas vezes sabemos que estamos a ser aldrabados, até porque nós próprios somos os primeiros a cair naquela tentação, só que o que nos dizem é tão agradável, que ali permanecemos contentinhos da vida naquela concha aveludada que nos protege de tudo o que nos parece ruim. Não passa de uma capa fina e transparente que desaparece no primeiro rasgo de verdade.

Contudo, há situações onde parece que não há espaço para a verdade, mesmo que a tragamos a todo o custo.
É preferível uma mentira agradável, a uma verdade dolorosa.
Aqui confesso: para além de não compreender, não sei o que fazer.

quinta-feira, março 29, 2007

Estavas pronta


Já há algum tempo que aguardavas ansiosa a chegada deste comboio que te levaria para outra dimensão. A promessa irresistível de uma vida paradisíaca pela eternidade fora, junto de todos os que já tinhas deixado partir à tua frente, tornou-se bem mais aliciante que a vida terrena, fria e cruel de um passado cansado e sofrido. Guardo o último adeus que me deixaste nas quentes férias de Verão. Esta madrugada fechaste os teus olhos à nossa realidade e abriste-os para aquEle que estou certa que te acolheu com o mais caloroso dos abraços. Derreteste-te com o seu coração "algodão doce" e espero que vivas já as alegrias que te estavam reservadas. Parto para te prestar uma última homenagem.
Adeus avó.

quarta-feira, março 28, 2007

Desentendimentos


Como é que duas pessoas, numa acesa conversa, onde cada uma se julga dona da razão e da verdade pretendem chegar a um entendimento? Das duas uma:
- leva lá a bicicleta e vira costas porque não está para se chatear;
- continuam a debater-se até se esgotarem e viram costas de mal com a vida.
Cada cabeça sua sentença.

Malvados intrusos


As calorias são pequenos animais que vivem nos roupeiros e que durante a noite apertam a roupa das pessoas.

anónimo

segunda-feira, março 26, 2007

Na lista de tarefas


Que colo é esse?


Que colo é esse que procuro sem medos e onde me sinto vivo? Uma espécie de ninho feito com os melhores galhos que a Natureza já concebeu, desenhado e pensado a rigor por um lindo pássaro arco-íris, em vias de extinção, que não quer deixar de dar o seu contributo ao mundo.
Julguei que a perfeição não existia até provar esse calor que me contagiou silenciosamente, me embalou e me deixou aninhado. Suave como só um pedaço de fina seda consegue ser. Estava entregue. Fechei os olhos e desfrutei, eram pétalas aveludadas que percorriam os fios do meu cabelo, parecia que adivinhavam que aquilo era o que eu mais desejava. Dois gomos adocicados derramavam o seu néctar sob a minha testa. Sussurravam baixinho palavras que não compreendia, mas a ternura que carregavam bastava para me arrancar o sorriso que não mais consegui largar. A inconsciência tomou conta de mim. Sei que mesmo assim não desististe de me tratar como um rei. Não sei se mereço tão nobres regalias, só sei que nada paga o que estás a ser capaz de me dar hoje, neste momento da minha vida. Neste momento da minha história.

quinta-feira, março 22, 2007

Vai onde ela te levar

O convite está feito.
Caminha no seu passo seguro e decidido. Perde de vista a estrada que pisa, mas não se deixa abalar por esse infinito desconhecido. O chão é firme, essa certeza basta-lhe. Esta convicção assusta. Contudo o apelo daquela anca impede que a razão tenha sequer espaço para suspirar. Há uma espécie de desafio naqueles passos nus, caminhantes e tranquilos. A brisa traz o rasto do cheiro de um cabelo tentador. Podem não passar de meras promessas, mas o limite do imaginário é aquele que eu quiser. Tu o disseste.
O convite está feito.

quarta-feira, março 21, 2007

Passarinhos a bailar...


Quero dar as boas vindas à querida Primavera. É certo que a esperou um dia ventoso e frio, mas isso era para limpar as folhas secas e acastanhadas dos primos Outono e Inverno. Algumas mais teimosas permaneciam agarradas às árvores. Como iniciamos um novo ciclo de reprodução e renovação, havia que fazer uma limpeza a fundo para receber de braços abertos esta nova etapa. Nada melhor, nem mais adequado do que varrer com quanta força o vento tem tudo o que não interessa, deixando-nos em grande alvoroço.
Se sentes que já está tudo preparado, que venham os lindos dias primaveris que tanto mexem com a nossa gente mais nova. Não que eles precisem de particulares incentivos para entrar em épocas de maior euforia sentimental, mas o certo é que os despertas de uma forma muito particular. Revolucionas as hormonas e pões um sorriso estampado na cara destes amantes.
É a fruta da época, atrever-me-ia a dizer e que boa que ela é.

segunda-feira, março 19, 2007

Quem dá o que tem

Diz-me o que desejas que eu dar-te-ei o que sou.

Pai és um pilar na minha vida


A todos aqueles que acolheram no coração o verdadeiro desafio da paternidade fica aqui a minha mais sincera admiração. Vocês sim são os heróis do ontem, do hoje e do amanhã, sem capas, espadas ou efeitos especiais. O vosso segredo é o amor incondicional e a dedicação àqueles que ajudaram a trazer ao mundo.
E porque este dia é-vos particularmente dirigido, deixo-vos a minha amizade e apreço.

domingo, março 18, 2007

Fim do dia

Melhor que muitos finais de tarde de Verão. Uma toalha, dois corpos, uma praia, um sol encolhido na sua timidez. Uma boa conversa, trivial, mas quem é que nos disse que a partilha da rotina é uma coisa desinteressante?

Do melhor que já vivi e experimentei. Inspirava tranquilidade, expirava saúde e boa disposição.

sexta-feira, março 16, 2007

Momento "cognac"...

... na praia com este sorriso.

Coisas no feminino

Porque é que pomos sempre as mãos entre as pernas?

quinta-feira, março 15, 2007

Rituais

Não dispenso o meu café depois de almoço. É o único que tomo. Comecei aos dezoito anos esta práctica, mas hoje é claramente muito mais do que isso.

É, provavelmente, o meu momento preferido. A seguir à refeição, aqueles minutos de pausa à volta de uma mesa (se estiver acompanhada de dois dedos de conversa e meia dúzia de sorrisos, melhor) fazem as delícias do meu dia. É enorme o prazer que sinto, a calma que me é transmitida.
Diz o ditado que de médicos e de loucos todos temos um pouco eu, de médica estou certa que nada terei, fico-me exclusivamente pela parte da loucura.
- É um café cheio, por favor.
Tiro o pacote do açúcar, analiso a embalagem e lembro-me de um grande amigo que é coleccionador. Se for digno de uma colecção penso logo:
- Deixa-me rasgar isto com jeitinho.
Lá danifico o pacote o menos possível. Ao de leve, verto o açúcar para a chávena e derreto-me a vê-lo cair naquela espuma. Brinco com o pacote, sacudindo-o ora para um lado, ora para outro, para o ir espalhando e aprecio como este se deixa envolver, enterrar, até se entregar completamente ao café a que estava destinado. Ele cai sob uma cama tão macia e aveludada até que se deixa desaparecer, consumir na totalidade. E aquele a quem se entregou não voltou a ser o mesmo. Ganhou sabor, doçura. Provavelmente nunca terá noção da grandeza daquele acto de despojamento total, mas isso também não lhe importa. Foi criado com este objectivo e aceita o seu destino sem manifestar grande hesitação.
Depois de apreciar este episódio, cuidadosamente mexo o meu café e preparo-me para o tomar. Aquela união perfeita em breve fará parte de mim e acompanhar-me-á na minha rotina. Bebo o meu café e parto feliz. Como é que uma coisa tão pequena pode fazer tanta diferença. O simples facto de isto deixar de fazer parte do meu dia, já é motivo para me sentir incompleta.

terça-feira, março 13, 2007

Desejos




Percorro lentamente cada fio de cabelo meu como se de um pedaço teu se tratasse. Sinto a sua textura, descubro a quantidade de coisas que consigo fazer com os meus lábios, com os meus dentes. Molho o meu cabelo e continuo a saboreá-lo. Não é um gesto bonito nem muito higiénico, bem o sei, mas sabe-me bem.


Trinco-os um a um, usufruo, brinco com eles. Assim desejava estar eu contigo ao meu lado, a descobrir-te, a gozar as maravilhas que a paixão tem para nos oferecer. Através do meu tacto vibrar com todos os milímetros que tens para mim. Enquanto assim não puder estar, fico-me pelo meu cabelo. Trago-o à minha boca e desfruto da satisfação de ficar ali a brincar como uma criança que não larga o vicío.


Agora seco. Depois molhado. A seguir, espero que ao teu lado.

domingo, março 11, 2007

Entre risos e sorrisos



- Porque te ris?

- Enganaste... Não me estou a rir. Estou a sorrir.

sexta-feira, março 09, 2007

Desculpem qualquer coisinha

Lamento a minha ausência no blog esta semana. Trabalhadora durante o dia, estudante à noite, comecei agora o 2º semestre e vi-me completamente consumida por isso. Precisarei de algum tempo até me habituar novamente à ideia de chegar tardíssimo a casa e ainda trazer trabalhos para fazer (para além dos habituais que qualquer professor já traz). Mas não vou resistir à tentação de dar umas escapadelas por fora e ir postando o que me estiver na alma.

quinta-feira, março 08, 2007

Dia da Mulher

Apesar de não ligar a estas datas e de não lhes encontrar grande sentido, não quis deixar de a marcar aqui de qualquer forma. Partilho um dos poemas mais fantásticos que conheço que, na minha opinião, retrata na perfeição o que é capaz de sentir uma mulher. É uma linguagem muito nossa.

O meu amor
Tem um jeito manso que é só seu
E que me deixa louca
Quando me beija a boca
A minha pele toda fica arrepiada
E me beija com calma e fundo
Até minh'alma se sentir beijada


O meu amor
Tem um jeito manso que é só seu
Que rouba os meus sentidos
Viola os meus ouvidos
Com tantos segredos lindos e indecentes
Depois brinca comigo
Ri do meu umbigo
E me crava os dentes

Eu sou sua menina, viu?
E ele é o meu rapaz
Meu corpo é testemunha
Do bem que ele me faz
O meu amor
Tem um jeito manso que é só seu
De me deixar maluca
Quando me roça a nuca
E quase me machuca com a barba malfeita
E de pousar as coxas entre as minhas coxas
Quando ele se deita

O meu amor
Tem um jeito manso que é só seu
De me fazer rodeios
De me beijar os seios
Me beijar o ventre
E me deixar em brasa
Desfruta do meu corpo
Como se o meu corpo fosse a sua casa

Eu sou sua menina, viu?
E ele é o meu rapaz
Meu corpo é testemunha
Do bem que ele me faz

Chico Buarque

segunda-feira, março 05, 2007

Momento "cognac" com...

o abraço que eu tanto desejava.

domingo, março 04, 2007

Diários de uma mulher ao volante



Hoje fui abordada por um anjo em forma de homem. Olhei para ele e estranhei estar ali. Era portador de fracas notícias... Eu já calculava que tinha furado o pneu, mas o meu lado optimista não me permitia admitir a realidade. Contra factos não há argumentos, diz o ditado e muito bem. Restava-me começar a elaborar o Plano B. Foi então que este enviado de Deus põe um enorme sorriso no rosto e se voluntaria com uma bondade e uma disponibilidade como eu nunca antes tinha visto na minha vida. Fui incapaz de recusar a oferta.

Ali ficámos à chuva a mudar a roda. O meu anjo da guarda para além de ensopado, estava também todo enlameado. Perdi-me em agradecimentos. Por estranho que pareça estava-me a fazer confusão a gratuidade daquele gesto. A nossa sociedade tem-nos habituado a que tudo tem um preço e eu estava perante o oposto e não sabia o que havia de fazer.

Encharcados. Troquei o último obrigado e vim para casa com um sabor insuficiente na boca. Alguém tinha feito imenso por mim e eu sinto que nada fiz por esse alguém. Faço agora, faço o que posso. Rezo por ele.

Bem-nos-queremos

Bem-me-queres
Bem-te-quero
Bem-nos-queremos

sábado, março 03, 2007

Nos pés de uma bailarina


Nos pés de uma bailarina conta-se uma história, vive-se um enredo. Não se caminha, flutua-se. Com uma espécie de olhar sedutor e irresistível eles convidam-nos para a sua dança. Enfeitiçados, abraçamos o desafio de os acompanharmos. Seguimo-los como crianças numa fidelidade inocente. Desejamos assim pairar, cheios da sua tranquilidade e leveza. Por momentos abandonamos a passada agreste do nosso dia-a-dia, as modas desconfortáveis e acreditamos ser possível voar assim. Parece-nos viável que também os nossos pés um dia poderão acompanhar o nosso corpo harmoniosamente como numa música, onde cada instrumento desempenha o seu papel na perfeição. Aguçamos o desejo de não sermos desajeitados e descoordenados. Eles continuam a deslizar à nossa frente e só os arrepios que nos provocam são capazes de nos trazer de volta à nossa humanidade. Contudo, depressa nos deixamos embalar pela sua magia que nos envolve e nos traz de volta ao seu argumento.
Correm-se as cortinas, arrefece a sala. Bailarina. Procuras o espelho que te viu maquilhar e passas uma toalha pelo rosto. Tiras as sapatilhas, olhas os teus pés calejados. Neles revês a tua história, aquela que, definitivamente, desejas não dar a conhecer.

O taxi que ELA apanhou

também te pode levar.

sexta-feira, março 02, 2007

Turtúlias no feminino

Juntam-se porque lhes faz bem, sentem-se felizes e sabem que será um serão muito agradável. Fala-se de tudo um pouco. Os tipos de conversas dependem das faixas etárias e da razão que as une. Ora vejamos, entre
- colegas de trabalho - fala-se do trabalho, de outros colegas, das últimas novidades (mais tarde, quando tudo foi revirado, se houver tempo, vem a vida particular à baila);
- antigas colegas de escola - fala-se dos antigos colegas de escola, recordam-se episódios ilariantes e professores que, por alguma razão em especial, nos tocaram particularmente;
- melhores amigas - fala-se de vida particular de cada uma, como vão nos relaccionamentos (e com os filhos se os houver), no fundo como se estão a conseguir realizar a nível pessoal, profissional e afectivo;
Até aqui tudo bem, nada contra. O verdadeiro problema poderá estar naquilo que é feito depois destas conversas e com que intenção. Ouvir sim, mas calar.
Porque, entre amigas, esperamos que assim seja.

quarta-feira, fevereiro 28, 2007

Provar-te

A promessa desse beijo torrão de açucar faz-me sonhar.
A doçura que só uma boca apaixonada pode ter para dar.
Perco-me nessa gula.

terça-feira, fevereiro 27, 2007

No palco da vida

A vida é um palco onde cada um é protagonista do seu próprio enredo e todos somos figurantes nas histórias dos que connosco se vão cruzando. Riquíssimo em cenários e efeitos especiais, representamos os episódios mais ilariantes e impensáveis. Rimos e choramos com vontade, representamos na perfeição. É uma espécie de longa metragem. O encenador não é muito exigente, só nos vai pedindo que caminhemos com precaução, usa-se da nossa consciência para nos fazer chegar uma meia dúzia de dicas e palpites sobre a nossa actuação. Outras vezes transmite-o através dos seus queridos figurantes que, de uma forma inteligente, captam a mensagem a fazem-na chegar ao protagonista. É tão intensa a forma como vivemos cada cena que, estou certa, que o público espectador ri e chora connosco, comove-se e arrepende-se das barbaridades que nos saem pela boca fora sem autorização. Ups, por auto recriação o protagonista lança-se numa intervenção que foge (e muito) ao guião que parecia ter-lhe sido atribuído, surpreendendo plateia e argumentista. Este depressa folheia as páginas que se perdem na baralhação das cenas e, claramente, aquela não aparece escrita em lado nenhum. Agora improvisa até eu refazer o texto, diria desconsolado com o rumo que foi dado àquela história. Como numa qualquer tragédia grega o público vai apludindo e sofrendo. História que não toque quem a escuta, não cumpre o seu objectivo.
É neste palco que tudo se vive. No teu espero que construas uma das mais belas histórias que a vida já conheceu. Eu lá estarei, na primeira fila, para a aplaudir.

segunda-feira, fevereiro 26, 2007

Fala comigo


Porque te escondes?
Tens medo de quê?

Na tua ausência



Viras costas. Deixas o rasto da gasolina que consomes para fugires de mim. Guardo este último perfume amargo. É um até já, porque ainda espero um adeus electrónico. Entro no carro ainda trémula e arranco desejando não estar a fazer aquilo. Nesta curta viagem revivo as palavras trocadas e as que ficaram por dizer. É boa a sensação de ainda não ter tudo gasto, dito. Guardamos uma meia dúzia no bolso na esperança que haja uma próxima. Três ou quatro assuntos pendentes nunca fizeram mal a ninguém.

Os sentidos estão particularmente apurados e ansiosos. Degustam-se as migalhas que foram atiradas que, claramente, souberam a muito pouco, mas que queremos que rendam pela eternidade fora.

Quando deixas de estar por perto sinto o desconforto desse vazio. Fico irrequieta e prefiro nem pensar. Tudo parece morno, insonso e acinzentado e as migalhas, mesmo poupadas, lentamente dissolvem-se. Resto, zero!
Aguardo o adeus. Não tardou. Fecho os olhos e durmo. Amanhã é dia de trabalho.

domingo, fevereiro 25, 2007

No seu melhor

Entrevista a um Jacobino:

Entrev.: caro jacobino, o que tem a dizer sobre as mais recentes descobertas da ciência?

Jacob.: Uma grande derrota para a Igreja.

Entrev.: E sobre as novas tendências da arte?

Jacob.:Uma grande derrota para a Igreja.

E: E que tal o Gato Fedorento?

Jacob.:Uma grande derrota para a Igreja.

E: Bom. E que tal a lei das finanças locais?

Jacob.:Uma grande derrota para a Igreja.

E: tem horas que me diga?

Jacob.:Uma grande derrota para a Igreja.

E: Gosta mais do Papá ou da Mamã?

Jacob.:Uma grande derrota para a Igreja.

Que diabo! Já viu que o bicho só sabe esta lenga-lenga.

Hugo Chelo in, http://cachimbodemagritte.blogspot.com/2007/02/derrota-da-igreja.html

Adoça-me


Quando me amarga a boca
Quando sou tocada pela mediocridade

Quando cego

Quando me perco

Quando me disperso
E quando nada parece ter solução
Tu adoças-me

Momento "cognac" com...

a nossa timidez...

sexta-feira, fevereiro 23, 2007

Engana meninos



Cedo fantasiamos com super heróis e histórias de encantar. Fadas, princípes e princesas, todo um imaginário de beleza e perfeição que nos seduz e nos faz sonhar. Desejamos estas personagens fantásticas, fazemos de conta que aquele é o nosso dia-a-dia e nada nos falta.

Talvez porque vivemos isto tão a sério e com tanta dedicação, anos mais tarde, depois da explosão hormanal a que a puberdade nos obriga, homens e mulheres já feitos trememos com estas questões. Muitos desanimados com o triste fado que lhes foi batendo à porta suspiram as certezas de uma perfeição que não existe, contudo uma coisa é certa: uma vez tocados por um rasgo de perfeição não há quem o suporte. Ai pernas para que vos quero!!! Certamente possível de comparar a um qualquer sprint final de uma corrida. Os argumentos vindouros que pretendem justificar este ataque inexplicável são dos melhores que há:

- És bom/a demais para mim

- Eu não mereço tanto.

- Não serei capaz de te fazer feliz.

Se lermos o que para aqui vai nas entrelinhas choraríamos a rir. Mas não estamos aqui para isso. Uma vida inteira à procura de um modelo de perfeição quando, uma vez encontrado, recusamos a vivê-lo. É estranho, mas é verdade. Preferimos viver e sonhar as nossas fantasias ao invés de investirmos e exigirmos o melhor para nós. VIDAS!!!

Quanto tempo o tempo tem



É provavelmente o teu desafio quaresmal: esperar. Detestas esperar. Não esperas, desesperas. Mas eu compreendo a tua atitude pouco receptiva às esperas, elas têm sido de facto inúteis.
Tudo gasto para nada. Esperas que deram em coisa nenhuma.
Desanima-te que o discurso se repita, porque conheces o final de cor e salteado e não gostas nada de o rever. É o tipo de filmes que preferias que não existisse na tua vida, fazes por esquecê-lo, por não lhe dares importância, mas o certo é que ele está a rodar e nem a pipocas tens direito.
Passam os segundos, os minutos, as horas que depressa se tranformam em dias, semanas e meses. E lá estás tu, firme na tua espera inútil.
Ousaria a dizer:
"Bem-aventurados os pacientes porque persistem numa espera desesperante"

quarta-feira, fevereiro 21, 2007

Tentados a tentar

É chegado o momento da paragem e da conversão. Entreguemo-nos.

terça-feira, fevereiro 20, 2007

Flower power



Bem-me-queres

ou

mal-me-queres?

Na terra dos sonhos


Queria contar uma história que não é a tua. Contar a vida de uma mulher que se realizou. Mas esta não és tu. A tua memória é um saco de frustrações que consomem o teu coração e o enfraquecem a olhos vistos. Por isso escondes a tua cara, não aguentas a vergonha de seres falada, de todos olharem para ti como uma coitada. Cada ruga guarda o segredo das lágrimas que derramaste.
Foste arruinada por ela. Pouco a pouco deixaste-te degradar como mulher, porque os olhos daquele que escolheste, dispersavam-se em tentações mundanas. Viste o alimento que te mataria a fome, ganhar pernas e fugir, para sustentar a gula de quem se dava a isso. Seguiste em silêncio e guardaste o rancor da memória daquelas tardes quentes em que os viste partilhar a mesma sombra. E por entre becos e ruelas te metias tu, transparente como só uma mulher sabe ser. Desfeita, voltavas para casa, perdida na tua fragilidade.
Hoje velha e cansada, não suportas a imagem que vês reflectida no espelho, porque em cada traço do teu rosto vês tatuado o pecado que mora debaixo dos teus lençois, do teu lado direito. Cuspo de nojo a mulher e o homem que te fizeram e fazem isso e, de cara lavada, passeiam-se como se nada fosse. Morram engasgados no veneno que derramam e que envenenou o teu sorriso e a tua vontade de viver. Sei o que mais anseias e revolta-me esse teu desejo, essa tua entrega. Anseias descansar junto do Pai, a quem sempre recorreste e procuraste ser fiel.
Estou pronta

Point of no return

Agora é tarde.

Quando damos por nós já tínhamos ultrapassado o limite. Não temos como voltar atrás. Uma vez decidida, a nossa cabeça leva-nos a caminhar por ali. Seguimos. Para a frente é que é o caminho e depois logo se vê.
Quem nunca experimentou a violação deste limite que nos corta a respiração e nos faz tremer por dentro. A fragilidade humana levada ao extremo. Cegos, surdos e mudos permitimos que a paixão exacerbada se apodere de cada poro e a vontade das hormonas impõe-se ao que tínhamos estabelecido.

Até onde posso ir eu? Vamos até onde queremos ou até onde nos deixam ir. Apalpamos o terreno com uma delicadeza mestra, não queremos deitar por terra os limites que em comum construímos. Imposto está o limite. Imposta poderá estar a tentação de o romper e de experimentar essa ousadia rebelde e impura de bloquearmos a inteligência. Uma vez superado o pudor é espantosa a velocidade que tudo pode atingir. Contudo, a Voz da Verdade continua a sussurrar-nos ao ouvido
agora é tarde...

segunda-feira, fevereiro 19, 2007

O meu problema de expressão

Faço deste pequeno espaço uma sincera homenagem a todas e todos que valem a pena. Pode parecer estranha a minha atitude, mas tenho dado por mim a encontrar sérias dificuldades em perceber tantos e tantos seres humanos como eu. Qual Torre de Babel. Não percebo, não compreendo e custa-me a crer que todos tenhamos razão. Não há dia em que não aplique a expressão "anda tudo parvo", também me procuro incluir neste role de personagens alienadas que não sabe bem o que anda a fazer, nem o porquê. Muitos sabem e continuam a fazer mal e esses ainda me assustam mais, tal não é o disparate daquelas criaturas.


Graças a Deus há uma meia dúzia que me enche de esperança. Excepções que não esqueço e a quem me agarro para sentir que vale a pena deambular por aí. Dou o testemunho que posso, consciente do meu calcanhar de Aquiles. Está nas minhas mãos alinhar nesta carneirada que ruma em direcção ao matadouro ou remar contra a maré e firmar a minha posição. A todos os "extraordinários" da minha vida vos deixo o meu sincero Muito Obrigado!
P.S. - Por falar em problemas de expressão, fica a sugestão para uma tarde de cinema, pipocas, gomas, cobertores (tudo aquilo a que tenham direito) com o filme Babel. Vale muito a pena

Paragem

Fugi. Tem sido comum a necessidade de me tornar temporariamente invisível, de ser esquecida e esquecer. O habitual recurso a este retiro espiritual interno tem-me ajudado a organizar as ideias e a pôr os "pontos nos is". Não foi uma noite fácil aquela. Julgo que a primeira e única noite de directa na minha vida, o coração não descansou, os olhos não se mantinham fechados, sentia molas que separavam as minhas pálpebras ao ponto de elas sentirem a falta uma da outra.
Vira e tomba e volta a rebolar.
E nada. Nada que não as horas a passar e a penúmbria em que me encontrava.
Vira e roda e torna a tombar.
O torbilhão de ideias consumiam a minha inteligência e razoabilidade. Chateei-me a sério. Nem o peso de uma semana e uma mão cheia de responsabilidades se conseguia impôr a tanta confusão. A lógica e a razão enfrentavam a paixão, mas qual força sobrehumana que nos retira o tapete em três tempos e nos desarma. A minha mãe sempre me disse "é pior uma mulher atrapalhada que um homem bêbado". Assim me via eu, pior que uma barata tonta numa constante luta interna.
Vira e rebola e torna a rodar.
Sol posto, é dia. Depois desta tormenta, a tua mensagem que me rasga o sorriso e me deixa ainda pior. A explosão eufórica termina gélida com aquele telefonema temido. Notícias menos más permitem que o "brilhozinho nos olhos" se apodere daqueles que há vinte e quatro horas não sabem o que o descanso é. Faço e malas e abalo numa viagem que me transformou.

sexta-feira, fevereiro 16, 2007

Cromos e cromas

Prof - Vá meu amigo, toca a arrumar esses cromos todos. Se eles não desaparecerem fico com todos para mim que eu também faço colecção.

Pipi das Meias Altas - A professora costuma mentir?

Prof -Claro que não!

Pipi das Meias Altas - E tem para a troca?

Momento "cognac" con...

tigo

quinta-feira, fevereiro 15, 2007

Flutuo


Afinal ainda não ouvi o som da tua voz.
Nem eu o som da tua. Tenho medo.

quarta-feira, fevereiro 14, 2007

Professora, não percebo


- Preciso de falar contigo, pode ser?
- Claro que sim - mas que quererá esta miniatura sorridente, desta vez tão séria - dá só um minuto à professora que está a levar os meninos lá para fora. Pronto, já podemos conversar.
- O que é o aborto?
(Agora é que me entalaste) - Sabes, o aborto é quando uma senhora tem um bebé na barriga e não o quer e, quando ele ainda está muito pequenino, a mãe pede a um doutor para lho tirar.
- Mas como é que uma mãe não quer o seu bebé?
- Pois, minha querida. Isso a professora já não te sabe explicar...

Esquece lá isso



- Xixa, me! Me! Me!

- É titxer, meu querido, TITXER.

- Sim, xixa, mas me! Me! Me!

Quem vê caras...

És um miúdo esperto, muito esperto. Sempre o achei. Há pessoas com as quais desenvolvemos mais empatia, não há nada a fazer: aceitamos e aprendemos a viver com isso, descobrindo a melhor estratégia para evitarmos revelar esta nossa afinidade. Não imaginava a maldade que está por detrás do teu olhar, o filme de terror onde acabaste por ser vítima, o fruto de um pecado. Custa-me a tua história porque já um dia me foi contada na primeira pessoa por quem, sem dó nem piedade, assume a brutalidade de um acto que comete com alegria.
- Sabes, é tão fácil enganar uma mulher.
- Desculpa, porque dizes isso.
- Porque o experimentei e é tão fácil enganar-vos.
- É, não é...
- É só eu querer.
- Até um dia...


(até nunca)


- Sabes porque dizes isso?
- Porquê?
- Porque amas uma só pessoa neste mundo.
- Sim, eu sei. Eu próprio.

terça-feira, fevereiro 13, 2007

Ligo-te e conto-te o que se passou

Mesmo contra a minha própria vontade fi-lo. Sabes como sou, como me zango a sério comigo. Sou a única pessoa com quem me chateio. Dobrei a minha pouca teimosia e imediatamente percebi que algo não estava bem. Senti-o no primeiro instante. Se calhar tinha mesmo de ceder a esta tentação para perceber o que te consome. Eu sei que lidas mal nestas situações, eu também. Somos iguais nisto. Sinto-me impotente quando percebo que não há nada a fazer, é esperar que o tempo cure as feridas. Estás abalado, fragilizado, perdido. Tremi. Foste apanhado de surpresa. Fui apanhada de surpresa. Fomos apanhados de supresa.
Faço o que posso... Estou aqui para o que precisares. Rezo por ela.

Adeus





Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.

Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro;
era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes.
E eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.

Mas isso era no tempo dos segredos,
era no tempo em que o teu corpo era um aquário,
era no tempo em que os meus olhos
eram realmente peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.

Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor,
já não se passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.

Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.

Adeus.
Eugénio de Andrade

Momento "cognac" com...


Rodrigo Santoro