sexta-feira, abril 20, 2007

Único


Há sabores e texturas incomparáveis e irrepetíveis.
Hoje quero-os só para mim.

quinta-feira, abril 19, 2007

Fitas do passado


Guardam-se as fitas do passado numa memória que se quer jovem e pouco saturada. Contudo, é interessante verificar como o cérebro é capaz de fazer sumir tantas palavras desagradáveis ou episódios menos felizes.

Se não é para reter para a posterioridade, também não fica aqui a fazer nada. E assim desaparecem com a brisa do final da tarde. Viajam para terras distantes, para junto de línguas estranhas e enroladas que certamente nunca compreenderão aquelas tamanhas maldades. Bom para eles, melhor para nós que nos purificamos dos maus pensamentos e das noites mal dormidas.

Reservam-se fotos de momentos queridos, dos sorrisos intensos e sinceros, da alegria dos olhares partihados. A não ser que se procurem, ficam onde as deixarmos ficar a ganhar pó e a degradarem-se como os sentimentos já o fizeram.

Engavetaram-se os postais carregados de sonhos e saudades. Cartas datando marcos da nossa história, mas que hoje não passam de aglumerados de letras sem nexo. Estas acho-as as mais difíceis de enfrentar. Lá sobrevivem, sei onde estão, mas não as procuro. Também não sou capaz de as fazer evaporar com um toque de magia e uns pózinhos de prelim pim pim.

Tudo isto e mais alguma coisa vive num sítio muito especial, reservado só para este efeito: o nada.

quarta-feira, abril 18, 2007

terça-feira, abril 17, 2007

No meu jardim secreto


No jardim das cores

há espaço para todas
para que cada uma contribua com a sua alegria
na construção de um monumento à diversidade

Neste jardim das surpresas

associam-se cores a sabores, sentimentos e sensações
baralham-se preferências nas tonalidades
rasgam-se sorrisos pelos amores à primeira vista

No jardim do arco-íris

colhe um pequena flor
leva-a para casa
dá-lhe o destaque que ela merecer

Lembra-te que ela já fez parte de um todo
e que hoje faz parte de ti

More than words


Já te disse que gosto de ti?

domingo, abril 15, 2007

Temporariamente meu

- De quem é este garfo?
- É meu.

Não há nada como uma mesa cheia de utensílios temporariamente nossos. Ai de quem no-los queira tirar. São tantas estas pequenas diárias adopções.

O que será efectivamente nosso?

Folhas amarrotadas

Quantas árvores choraram o desperdício
Pilhas de baralhados sentimentos e vagas reflexões
Entre tintas coloridas e rabiscos a carvão
Decorados com desenhos primários reveladores de uma infância feliz

Desabafos, preocupações, inquietações
Avalanches de vãs esperanças num qualquer ecoponto
Algumas celadas a cadeado por escorregadias amostras de chaves
Essas ficaram trancadas para a eternidade

Hoje as folhas são telas brancas onde o gasto é a energia
Poupam-se as lágrimas outrora derramadas
Ganha-se em canetas, lápis, borrachas e afias

Contudo nada paga o prazer de uma mão que se arrepende
E corre a rasurar com quanta força tem
Aquela palavra escrita
Que não era propriamente dirigida a ninguém

Tudo isto e mais alguma coisa
No tempo das folhas amarrotadas
E das mãos sarapintadas por canetas que rebentavam

sábado, abril 14, 2007

Entre mares e marés


Hoje o sorriso ia sendo derrubado por uma apurada onda de coisas ruins.
Foi surpreendida por um inesperado sopro que a levou para terras logínquas.
Nunca mais se ouviu falar dela.

quinta-feira, abril 12, 2007

Pieces of me


Como se de um sonho se tratasse
Fechar os olhos e pôr de lado a consciência
Para viver o que se calcula e o que já se ouviu dizer
Como se não houvesse amanhã

Agarrar uma pequena ponta de lençol perdido
E deixar-se enrolar só para se poder ser descoberto
Experimentar a euforia duma paixão nunca antes vivida ou já esquecida
Como se não houvesse amanhã

Produzir-se e embebedar-se de doces aromas
Que à certeza trarão quantas maravilhas há para degustar
Entregar-se em perfeitos pedaços humanos
Como se não houvesse amanhã

Sem horas marcadas ou sítios comprometidos
Até que o fôlego atraiçoe e que todos os membros estremeçam
É a terna alegria de quem se preparou para se dar
Como se não houvesse amanhã

quarta-feira, abril 11, 2007

Put*s e vinho verde


Vivem-se loucos cabarets nessas esquinas esquecidas. Os mais básicos instintos humanos reinam nesta era associada à cultura e à literacia. Sob um humilde serão de estudo, de costas alargadas, vive escondido um segredo que muitos não querem que seja revelado. Uns mais às claras, outros provavelmente mais às escuras, na nossa língua ou numa qualquer língua erasma, a malta depressa se mobiliza. Há linguagens claramente universais e eles sabem-nas melhor que ninguém. São matérias onde o nível de absentismo é baixíssimo e o de motivação, de tão elevado que é, nunca nenhum ministério alguma vez terá impresso em folhas de papel arquivadas em armários de madeira frios e empoeirados.
É este o panorama que se cruza por mim mal passo os portões da faculdade. Uma desenfreada cópia dos anos 50, grupos de pequenas pin ups artificais, decorativos livros debaixo dos braços ou nas cadeiras das esplanadas. Moços e rebeldes, estes são a geração pós-Bolonha.
Suados anos de faculdade...

segunda-feira, abril 09, 2007

Momento "cognac" com...


muito estilo.

Na cama dos sonhos


Adormeceste nesta cama de lençois puros e perfumados. A pouca roupa que te cobria era mais do que suficiente. Sentiste uma estranha sensualidade. Todo o teu corpo emanava um turbilhão de promessas irresistíveis que te faziam sentires-te bem, sentires-te mulher. Deste leito não queres sair porque é apetitoso e suculento, mas não o queres só para ti. Ele está disponível para esse alguém de olhos bonitos que suavemente te envolveu com a sua meiguice.
Aguardas a sua chegada, esperas irrequieta.

domingo, abril 08, 2007

Corações que se derretem

Se me acolheres no colo da tua mão e com cuidado me abraçares, sabes que vou derreter.

A verdadeira Páscoa


Conforme havia sido dito Cristo que morre na Sexta feira Santa ressuscita ao fim de três dias. Hoje é dia de festa, alegramo-nos: a vida eterna derrota as trevas da morte.

sexta-feira, abril 06, 2007

Morto por nós


Um dos maiores sacrifícios humanos. No dia da Sua morte recolhemo-nos em oração.

Desencontros

Há dias malvados que nos trocam as voltas e nos tiram o chão. Até o mais básico dos encontros se torna impossível quando o impensável acontece.
Nos encontros e desencontros da vida o importante é saber lidar com eles e procurar a solução mais razoável, aquela que for mais justa mediante a verdade dos factos.
Às vezes tão perto e tão longe...

terça-feira, abril 03, 2007

Retirados do mundo

Partimos amanhã para retiro. Vamos fugir das nossas embrulhadas por dois dias e olhar para dentro de nós próprios.
Como vai a minha vida?
Que prioridades são as minhas?
Deixo-me reger pelo quê?
Em silêncio, num pequeno grupo, o mais familiar possível, vamos procurar caminhar em conjunto. Que abramos os nossos corações à verdadeira Páscoa.

segunda-feira, abril 02, 2007

Alma gémea


Conheci esta senhora de cara triste e vincada pelo passado. Enfrentei a humildade de um olhar e de uma boca que tudo deixavam sair sem maldade. Reencontrei-me com aquela disponibilidade infinita e gratuita que julgava não existir.
Já perdi a minha cara metade. Comentou chorosa. Gelei à sua frente. Não imagino o que seja experimentar estar com esse alguém a quem podemos chamar alma gémea. Claramente incompleta seguiu o seu caminho, numa assustadora insuficiência de vida.

domingo, abril 01, 2007

Verdades (em dia das mentiras)

Cativa e deixa-te cativar.

Nas teias da mentira


Hoje é-nos permitida uma mentirita inofensiva. Um ano inteiro danados para que este dia chegue e possamos encavar uma meia dúzia com aquilo que nos passar pela carola, sem que alguém nos leve a mal.
Já perdi algum tempo da minha vida a pensar na mentira, na razão de recorrermos tantas e tantas vezes a uma coisa (aparentemente e) à partida condenável. Danamos a cabeça das nossas criancinhas quando as apanhamos num flagrante plágio ao Pinóquio e somos os primeiros a pedir-lhes que ao telefone neguem a presença do pai ou da mãe quando o telefonema não nos interessa. Mas que coerência é a nossa? Que dupla educação é esta onde lhes pedimos que olhem para o que dizemos em vez de olharem para o que fazemos?

Estes são os nossos primeiros passos, aqueles que nos são mais queridos iniciam-nos nesta arte abstracta que é a arte do engano. Cedo percebemos que a mentira é uma coisa muito feia, mas à qual temos de recorrer para nos livrarmos daquilo que não interessa e/ou para fugirmos às nossas responsabilidades. Mais velhinhos dizemos ao professor que o cão comeu o trabalho de casa e desta forma vamos aguçando o nosso engenho.

Algumas estatísticas indicam que 60% das pessoas mentem no seu dia-a-dia em assuntos absolutamente banais. A verdade no meio disto tudo é que é a mentira pode ser verdadeiramente cómoda. Dizemos o PC ao invés de nos metermos em alhadas maiores.

- Esse penteado fica-te a matar! Estás linda com essas botas.

E só nos ocorrem coisas do género:

- Mas o que é que te passou pela ideia? Quem mais te anda a enganar para além de mim?

Muitas vezes sabemos que estamos a ser aldrabados, até porque nós próprios somos os primeiros a cair naquela tentação, só que o que nos dizem é tão agradável, que ali permanecemos contentinhos da vida naquela concha aveludada que nos protege de tudo o que nos parece ruim. Não passa de uma capa fina e transparente que desaparece no primeiro rasgo de verdade.

Contudo, há situações onde parece que não há espaço para a verdade, mesmo que a tragamos a todo o custo.
É preferível uma mentira agradável, a uma verdade dolorosa.
Aqui confesso: para além de não compreender, não sei o que fazer.