sábado, março 03, 2007

Nos pés de uma bailarina


Nos pés de uma bailarina conta-se uma história, vive-se um enredo. Não se caminha, flutua-se. Com uma espécie de olhar sedutor e irresistível eles convidam-nos para a sua dança. Enfeitiçados, abraçamos o desafio de os acompanharmos. Seguimo-los como crianças numa fidelidade inocente. Desejamos assim pairar, cheios da sua tranquilidade e leveza. Por momentos abandonamos a passada agreste do nosso dia-a-dia, as modas desconfortáveis e acreditamos ser possível voar assim. Parece-nos viável que também os nossos pés um dia poderão acompanhar o nosso corpo harmoniosamente como numa música, onde cada instrumento desempenha o seu papel na perfeição. Aguçamos o desejo de não sermos desajeitados e descoordenados. Eles continuam a deslizar à nossa frente e só os arrepios que nos provocam são capazes de nos trazer de volta à nossa humanidade. Contudo, depressa nos deixamos embalar pela sua magia que nos envolve e nos traz de volta ao seu argumento.
Correm-se as cortinas, arrefece a sala. Bailarina. Procuras o espelho que te viu maquilhar e passas uma toalha pelo rosto. Tiras as sapatilhas, olhas os teus pés calejados. Neles revês a tua história, aquela que, definitivamente, desejas não dar a conhecer.

O taxi que ELA apanhou

também te pode levar.

sexta-feira, março 02, 2007

Turtúlias no feminino

Juntam-se porque lhes faz bem, sentem-se felizes e sabem que será um serão muito agradável. Fala-se de tudo um pouco. Os tipos de conversas dependem das faixas etárias e da razão que as une. Ora vejamos, entre
- colegas de trabalho - fala-se do trabalho, de outros colegas, das últimas novidades (mais tarde, quando tudo foi revirado, se houver tempo, vem a vida particular à baila);
- antigas colegas de escola - fala-se dos antigos colegas de escola, recordam-se episódios ilariantes e professores que, por alguma razão em especial, nos tocaram particularmente;
- melhores amigas - fala-se de vida particular de cada uma, como vão nos relaccionamentos (e com os filhos se os houver), no fundo como se estão a conseguir realizar a nível pessoal, profissional e afectivo;
Até aqui tudo bem, nada contra. O verdadeiro problema poderá estar naquilo que é feito depois destas conversas e com que intenção. Ouvir sim, mas calar.
Porque, entre amigas, esperamos que assim seja.

quarta-feira, fevereiro 28, 2007

Provar-te

A promessa desse beijo torrão de açucar faz-me sonhar.
A doçura que só uma boca apaixonada pode ter para dar.
Perco-me nessa gula.

terça-feira, fevereiro 27, 2007

No palco da vida

A vida é um palco onde cada um é protagonista do seu próprio enredo e todos somos figurantes nas histórias dos que connosco se vão cruzando. Riquíssimo em cenários e efeitos especiais, representamos os episódios mais ilariantes e impensáveis. Rimos e choramos com vontade, representamos na perfeição. É uma espécie de longa metragem. O encenador não é muito exigente, só nos vai pedindo que caminhemos com precaução, usa-se da nossa consciência para nos fazer chegar uma meia dúzia de dicas e palpites sobre a nossa actuação. Outras vezes transmite-o através dos seus queridos figurantes que, de uma forma inteligente, captam a mensagem a fazem-na chegar ao protagonista. É tão intensa a forma como vivemos cada cena que, estou certa, que o público espectador ri e chora connosco, comove-se e arrepende-se das barbaridades que nos saem pela boca fora sem autorização. Ups, por auto recriação o protagonista lança-se numa intervenção que foge (e muito) ao guião que parecia ter-lhe sido atribuído, surpreendendo plateia e argumentista. Este depressa folheia as páginas que se perdem na baralhação das cenas e, claramente, aquela não aparece escrita em lado nenhum. Agora improvisa até eu refazer o texto, diria desconsolado com o rumo que foi dado àquela história. Como numa qualquer tragédia grega o público vai apludindo e sofrendo. História que não toque quem a escuta, não cumpre o seu objectivo.
É neste palco que tudo se vive. No teu espero que construas uma das mais belas histórias que a vida já conheceu. Eu lá estarei, na primeira fila, para a aplaudir.

segunda-feira, fevereiro 26, 2007

Fala comigo


Porque te escondes?
Tens medo de quê?

Na tua ausência



Viras costas. Deixas o rasto da gasolina que consomes para fugires de mim. Guardo este último perfume amargo. É um até já, porque ainda espero um adeus electrónico. Entro no carro ainda trémula e arranco desejando não estar a fazer aquilo. Nesta curta viagem revivo as palavras trocadas e as que ficaram por dizer. É boa a sensação de ainda não ter tudo gasto, dito. Guardamos uma meia dúzia no bolso na esperança que haja uma próxima. Três ou quatro assuntos pendentes nunca fizeram mal a ninguém.

Os sentidos estão particularmente apurados e ansiosos. Degustam-se as migalhas que foram atiradas que, claramente, souberam a muito pouco, mas que queremos que rendam pela eternidade fora.

Quando deixas de estar por perto sinto o desconforto desse vazio. Fico irrequieta e prefiro nem pensar. Tudo parece morno, insonso e acinzentado e as migalhas, mesmo poupadas, lentamente dissolvem-se. Resto, zero!
Aguardo o adeus. Não tardou. Fecho os olhos e durmo. Amanhã é dia de trabalho.

domingo, fevereiro 25, 2007

No seu melhor

Entrevista a um Jacobino:

Entrev.: caro jacobino, o que tem a dizer sobre as mais recentes descobertas da ciência?

Jacob.: Uma grande derrota para a Igreja.

Entrev.: E sobre as novas tendências da arte?

Jacob.:Uma grande derrota para a Igreja.

E: E que tal o Gato Fedorento?

Jacob.:Uma grande derrota para a Igreja.

E: Bom. E que tal a lei das finanças locais?

Jacob.:Uma grande derrota para a Igreja.

E: tem horas que me diga?

Jacob.:Uma grande derrota para a Igreja.

E: Gosta mais do Papá ou da Mamã?

Jacob.:Uma grande derrota para a Igreja.

Que diabo! Já viu que o bicho só sabe esta lenga-lenga.

Hugo Chelo in, http://cachimbodemagritte.blogspot.com/2007/02/derrota-da-igreja.html

Adoça-me


Quando me amarga a boca
Quando sou tocada pela mediocridade

Quando cego

Quando me perco

Quando me disperso
E quando nada parece ter solução
Tu adoças-me

Momento "cognac" com...

a nossa timidez...

sexta-feira, fevereiro 23, 2007

Engana meninos



Cedo fantasiamos com super heróis e histórias de encantar. Fadas, princípes e princesas, todo um imaginário de beleza e perfeição que nos seduz e nos faz sonhar. Desejamos estas personagens fantásticas, fazemos de conta que aquele é o nosso dia-a-dia e nada nos falta.

Talvez porque vivemos isto tão a sério e com tanta dedicação, anos mais tarde, depois da explosão hormanal a que a puberdade nos obriga, homens e mulheres já feitos trememos com estas questões. Muitos desanimados com o triste fado que lhes foi batendo à porta suspiram as certezas de uma perfeição que não existe, contudo uma coisa é certa: uma vez tocados por um rasgo de perfeição não há quem o suporte. Ai pernas para que vos quero!!! Certamente possível de comparar a um qualquer sprint final de uma corrida. Os argumentos vindouros que pretendem justificar este ataque inexplicável são dos melhores que há:

- És bom/a demais para mim

- Eu não mereço tanto.

- Não serei capaz de te fazer feliz.

Se lermos o que para aqui vai nas entrelinhas choraríamos a rir. Mas não estamos aqui para isso. Uma vida inteira à procura de um modelo de perfeição quando, uma vez encontrado, recusamos a vivê-lo. É estranho, mas é verdade. Preferimos viver e sonhar as nossas fantasias ao invés de investirmos e exigirmos o melhor para nós. VIDAS!!!

Quanto tempo o tempo tem



É provavelmente o teu desafio quaresmal: esperar. Detestas esperar. Não esperas, desesperas. Mas eu compreendo a tua atitude pouco receptiva às esperas, elas têm sido de facto inúteis.
Tudo gasto para nada. Esperas que deram em coisa nenhuma.
Desanima-te que o discurso se repita, porque conheces o final de cor e salteado e não gostas nada de o rever. É o tipo de filmes que preferias que não existisse na tua vida, fazes por esquecê-lo, por não lhe dares importância, mas o certo é que ele está a rodar e nem a pipocas tens direito.
Passam os segundos, os minutos, as horas que depressa se tranformam em dias, semanas e meses. E lá estás tu, firme na tua espera inútil.
Ousaria a dizer:
"Bem-aventurados os pacientes porque persistem numa espera desesperante"

quarta-feira, fevereiro 21, 2007

Tentados a tentar

É chegado o momento da paragem e da conversão. Entreguemo-nos.

terça-feira, fevereiro 20, 2007

Flower power



Bem-me-queres

ou

mal-me-queres?

Na terra dos sonhos


Queria contar uma história que não é a tua. Contar a vida de uma mulher que se realizou. Mas esta não és tu. A tua memória é um saco de frustrações que consomem o teu coração e o enfraquecem a olhos vistos. Por isso escondes a tua cara, não aguentas a vergonha de seres falada, de todos olharem para ti como uma coitada. Cada ruga guarda o segredo das lágrimas que derramaste.
Foste arruinada por ela. Pouco a pouco deixaste-te degradar como mulher, porque os olhos daquele que escolheste, dispersavam-se em tentações mundanas. Viste o alimento que te mataria a fome, ganhar pernas e fugir, para sustentar a gula de quem se dava a isso. Seguiste em silêncio e guardaste o rancor da memória daquelas tardes quentes em que os viste partilhar a mesma sombra. E por entre becos e ruelas te metias tu, transparente como só uma mulher sabe ser. Desfeita, voltavas para casa, perdida na tua fragilidade.
Hoje velha e cansada, não suportas a imagem que vês reflectida no espelho, porque em cada traço do teu rosto vês tatuado o pecado que mora debaixo dos teus lençois, do teu lado direito. Cuspo de nojo a mulher e o homem que te fizeram e fazem isso e, de cara lavada, passeiam-se como se nada fosse. Morram engasgados no veneno que derramam e que envenenou o teu sorriso e a tua vontade de viver. Sei o que mais anseias e revolta-me esse teu desejo, essa tua entrega. Anseias descansar junto do Pai, a quem sempre recorreste e procuraste ser fiel.
Estou pronta

Point of no return

Agora é tarde.

Quando damos por nós já tínhamos ultrapassado o limite. Não temos como voltar atrás. Uma vez decidida, a nossa cabeça leva-nos a caminhar por ali. Seguimos. Para a frente é que é o caminho e depois logo se vê.
Quem nunca experimentou a violação deste limite que nos corta a respiração e nos faz tremer por dentro. A fragilidade humana levada ao extremo. Cegos, surdos e mudos permitimos que a paixão exacerbada se apodere de cada poro e a vontade das hormonas impõe-se ao que tínhamos estabelecido.

Até onde posso ir eu? Vamos até onde queremos ou até onde nos deixam ir. Apalpamos o terreno com uma delicadeza mestra, não queremos deitar por terra os limites que em comum construímos. Imposto está o limite. Imposta poderá estar a tentação de o romper e de experimentar essa ousadia rebelde e impura de bloquearmos a inteligência. Uma vez superado o pudor é espantosa a velocidade que tudo pode atingir. Contudo, a Voz da Verdade continua a sussurrar-nos ao ouvido
agora é tarde...

segunda-feira, fevereiro 19, 2007

O meu problema de expressão

Faço deste pequeno espaço uma sincera homenagem a todas e todos que valem a pena. Pode parecer estranha a minha atitude, mas tenho dado por mim a encontrar sérias dificuldades em perceber tantos e tantos seres humanos como eu. Qual Torre de Babel. Não percebo, não compreendo e custa-me a crer que todos tenhamos razão. Não há dia em que não aplique a expressão "anda tudo parvo", também me procuro incluir neste role de personagens alienadas que não sabe bem o que anda a fazer, nem o porquê. Muitos sabem e continuam a fazer mal e esses ainda me assustam mais, tal não é o disparate daquelas criaturas.


Graças a Deus há uma meia dúzia que me enche de esperança. Excepções que não esqueço e a quem me agarro para sentir que vale a pena deambular por aí. Dou o testemunho que posso, consciente do meu calcanhar de Aquiles. Está nas minhas mãos alinhar nesta carneirada que ruma em direcção ao matadouro ou remar contra a maré e firmar a minha posição. A todos os "extraordinários" da minha vida vos deixo o meu sincero Muito Obrigado!
P.S. - Por falar em problemas de expressão, fica a sugestão para uma tarde de cinema, pipocas, gomas, cobertores (tudo aquilo a que tenham direito) com o filme Babel. Vale muito a pena

Paragem

Fugi. Tem sido comum a necessidade de me tornar temporariamente invisível, de ser esquecida e esquecer. O habitual recurso a este retiro espiritual interno tem-me ajudado a organizar as ideias e a pôr os "pontos nos is". Não foi uma noite fácil aquela. Julgo que a primeira e única noite de directa na minha vida, o coração não descansou, os olhos não se mantinham fechados, sentia molas que separavam as minhas pálpebras ao ponto de elas sentirem a falta uma da outra.
Vira e tomba e volta a rebolar.
E nada. Nada que não as horas a passar e a penúmbria em que me encontrava.
Vira e roda e torna a tombar.
O torbilhão de ideias consumiam a minha inteligência e razoabilidade. Chateei-me a sério. Nem o peso de uma semana e uma mão cheia de responsabilidades se conseguia impôr a tanta confusão. A lógica e a razão enfrentavam a paixão, mas qual força sobrehumana que nos retira o tapete em três tempos e nos desarma. A minha mãe sempre me disse "é pior uma mulher atrapalhada que um homem bêbado". Assim me via eu, pior que uma barata tonta numa constante luta interna.
Vira e rebola e torna a rodar.
Sol posto, é dia. Depois desta tormenta, a tua mensagem que me rasga o sorriso e me deixa ainda pior. A explosão eufórica termina gélida com aquele telefonema temido. Notícias menos más permitem que o "brilhozinho nos olhos" se apodere daqueles que há vinte e quatro horas não sabem o que o descanso é. Faço e malas e abalo numa viagem que me transformou.

sexta-feira, fevereiro 16, 2007

Cromos e cromas

Prof - Vá meu amigo, toca a arrumar esses cromos todos. Se eles não desaparecerem fico com todos para mim que eu também faço colecção.

Pipi das Meias Altas - A professora costuma mentir?

Prof -Claro que não!

Pipi das Meias Altas - E tem para a troca?

Momento "cognac" con...

tigo