quarta-feira, fevereiro 21, 2007
terça-feira, fevereiro 20, 2007
Na terra dos sonhos

Queria contar uma história que não é a tua. Contar a vida de uma mulher que se realizou. Mas esta não és tu. A tua memória é um saco de frustrações que consomem o teu coração e o enfraquecem a olhos vistos. Por isso escondes a tua cara, não aguentas a vergonha de seres falada, de todos olharem para ti como uma coitada. Cada ruga guarda o segredo das lágrimas que derramaste.
Foste arruinada por ela. Pouco a pouco deixaste-te degradar como mulher, porque os olhos daquele que escolheste, dispersavam-se em tentações mundanas. Viste o alimento que te mataria a fome, ganhar pernas e fugir, para sustentar a gula de quem se dava a isso. Seguiste em silêncio e guardaste o rancor da memória daquelas tardes quentes em que os viste partilhar a mesma sombra. E por entre becos e ruelas te metias tu, transparente como só uma mulher sabe ser. Desfeita, voltavas para casa, perdida na tua fragilidade.
Hoje velha e cansada, não suportas a imagem que vês reflectida no espelho, porque em cada traço do teu rosto vês tatuado o pecado que mora debaixo dos teus lençois, do teu lado direito. Cuspo de nojo a mulher e o homem que te fizeram e fazem isso e, de cara lavada, passeiam-se como se nada fosse. Morram engasgados no veneno que derramam e que envenenou o teu sorriso e a tua vontade de viver. Sei o que mais anseias e revolta-me esse teu desejo, essa tua entrega. Anseias descansar junto do Pai, a quem sempre recorreste e procuraste ser fiel.
Estou pronta
Point of no return
Quando damos por nós já tínhamos ultrapassado o limite. Não temos como voltar atrás. Uma vez decidida, a nossa cabeça leva-nos a caminhar por ali. Seguimos. Para a frente é que é o caminho e depois logo se vê.
Quem nunca experimentou a violação deste limite que nos corta a respiração e nos faz tremer por dentro. A fragilidade humana levada ao extremo. Cegos, surdos e mudos permitimos que a paixão exacerbada se apodere de cada poro e a vontade das hormonas impõe-se ao que tínhamos estabelecido.
Até onde posso ir eu? Vamos até onde queremos ou até onde nos deixam ir. Apalpamos o terreno com uma delicadeza mestra, não queremos deitar por terra os limites que em comum construímos. Imposto está o limite. Imposta poderá estar a tentação de o romper e de experimentar essa ousadia rebelde e impura de bloquearmos a inteligência. Uma vez superado o pudor é espantosa a velocidade que tudo pode atingir. Contudo, a Voz da Verdade continua a sussurrar-nos ao ouvido
agora é tarde...
segunda-feira, fevereiro 19, 2007
O meu problema de expressão
Faço deste pequeno espaço uma sincera homenagem a todas e todos que valem a pena. Pode parecer estranha a minha atitude, mas tenho dado por mim a encontrar sérias dificuldades em perceber tantos e tantos seres humanos como eu. Qual Torre de Babel. Não percebo, não compreendo e custa-me a crer que todos tenhamos razão. Não há dia em que não aplique a expressão "anda tudo parvo", também me procuro incluir neste role de personagens alienadas que não sabe bem o que anda a fazer, nem o porquê. Muitos sabem e continuam a fazer mal e esses ainda me assustam mais, tal não é o disparate daquelas criaturas. Graças a Deus há uma meia dúzia que me enche de esperança. Excepções que não esqueço e a quem me agarro para sentir que vale a pena deambular por aí. Dou o testemunho que posso, consciente do meu calcanhar de Aquiles. Está nas minhas mãos alinhar nesta carneirada que ruma em direcção ao matadouro ou remar contra a maré e firmar a minha posição. A todos os "extraordinários" da minha vida vos deixo o meu sincero Muito Obrigado!
P.S. - Por falar em problemas de expressão, fica a sugestão para uma tarde de cinema, pipocas, gomas, cobertores (tudo aquilo a que tenham direito) com o filme Babel. Vale muito a pena
Paragem
Fugi. Tem sido comum a necessidade de me tornar temporariamente invisível, de ser esquecida e esquecer. O habitual recurso a este retiro espiritual interno tem-me ajudado a organizar as ideias e a pôr os "pontos nos is". Não foi uma noite fácil aquela. Julgo que a primeira e única noite de directa na minha vida, o coração não descansou, os olhos não se mantinham fechados, sentia molas que separavam as minhas pálpebras ao ponto de elas sentirem a falta uma da outra.
Vira e tomba e volta a rebolar.
E nada. Nada que não as horas a passar e a penúmbria em que me encontrava.
Vira e roda e torna a tombar.
O torbilhão de ideias consumiam a minha inteligência e razoabilidade. Chateei-me a sério. Nem o peso de uma semana e uma mão cheia de responsabilidades se conseguia impôr a tanta confusão. A lógica e a razão enfrentavam a paixão, mas qual força sobrehumana que nos retira o tapete em três tempos e nos desarma. A minha mãe sempre me disse "é pior uma mulher atrapalhada que um homem bêbado". Assim me via eu, pior que uma barata tonta numa constante luta interna.
Vira e rebola e torna a rodar.
Sol posto, é dia. Depois desta tormenta, a tua mensagem que me rasga o sorriso e me deixa ainda pior. A explosão eufórica termina gélida com aquele telefonema temido. Notícias menos más permitem que o "brilhozinho nos olhos" se apodere daqueles que há vinte e quatro horas não sabem o que o descanso é. Faço e malas e abalo numa viagem que me transformou.
sexta-feira, fevereiro 16, 2007
Cromos e cromas
Prof - Vá meu amigo, toca a arrumar esses cromos todos. Se eles não desaparecerem fico com todos para mim que eu também faço colecção.
Pipi das Meias Altas - A professora costuma mentir?
Prof -Claro que não!
Pipi das Meias Altas - E tem para a troca?
quinta-feira, fevereiro 15, 2007
quarta-feira, fevereiro 14, 2007
Professora, não percebo

- Preciso de falar contigo, pode ser?
- Claro que sim - mas que quererá esta miniatura sorridente, desta vez tão séria - dá só um minuto à professora que está a levar os meninos lá para fora. Pronto, já podemos conversar.
- O que é o aborto?
(Agora é que me entalaste) - Sabes, o aborto é quando uma senhora tem um bebé na barriga e não o quer e, quando ele ainda está muito pequenino, a mãe pede a um doutor para lho tirar.
- Mas como é que uma mãe não quer o seu bebé?
- Pois, minha querida. Isso a professora já não te sabe explicar...
Quem vê caras...
És um miúdo esperto, muito esperto. Sempre o achei. Há pessoas com as quais desenvolvemos mais empatia, não há nada a fazer: aceitamos e aprendemos a viver com isso, descobrindo a melhor estratégia para evitarmos revelar esta nossa afinidade. Não imaginava a maldade que está por detrás do teu olhar, o filme de terror onde acabaste por ser vítima, o fruto de um pecado. Custa-me a tua história porque já um dia me foi contada na primeira pessoa por quem, sem dó nem piedade, assume a brutalidade de um acto que comete com alegria.- Sabes, é tão fácil enganar uma mulher.
- Desculpa, porque dizes isso.
- Porque o experimentei e é tão fácil enganar-vos.
- É, não é...
- É só eu querer.
- É só eu querer.
- Até um dia...
(até nunca)
- Sabes porque dizes isso?
- Porquê?
- Porque amas uma só pessoa neste mundo.
- Sim, eu sei. Eu próprio.
terça-feira, fevereiro 13, 2007
Ligo-te e conto-te o que se passou
Faço o que posso... Estou aqui para o que precisares. Rezo por ela.
Adeus

Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.
Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro;
era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes.
E eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.
Mas isso era no tempo dos segredos,
era no tempo em que o teu corpo era um aquário,
era no tempo em que os meus olhos
eram realmente peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.
Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor,
já não se passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.
Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.
Adeus.
Eugénio de Andrade
segunda-feira, fevereiro 12, 2007
Amanhã à mesma hora
A minha primeira morada
Aceitámos o desafio que nos fizeram e aqui está o resultado do trabalho das minhas meninas do 6º Ano. Muitos parabéns pelo vosso esforço e dedicação. Só por tudo o que conseguimos partilhar e desenvolver já valeu a pena participar no concurso http://www.dos0aos9.org/.
domingo, fevereiro 11, 2007
Este espaço é vosso
Por todos vocês que nunca chegarão a ver a luz do sol ou a sentir o calor de um abraço. Este espaço é vosso. A todos os que já lá estão, que viram a sua vida reduzida e limitada por um desejo de não se ser desejado. Este espaço é vosso.A todas as mães que choram o remorso de nunca ter conhecido aquele sorriso. Este espaço é vosso. A vocês futuras mães espero que percebam, na hora da verdade, que este espaço pode não ser para vocês…
Estranhamente nas nossas mãos
sexta-feira, dezembro 03, 2004
Confiança
Ouvia agora uma música sobre confiança. A confiança é tão importante, mas sinto que é uma coisa tão difícil. Confiar totalmente é uma enorme desafio. A nossa condição humana é sempre desculpa para tudo. De facto somos humanos, mas caímos com facilidade nesta tentação. Penso nesta questão várias vezes e assusta-me ver como os nossos medos tomam conta de nós e não permitem que confiemos. Talvez seja insegurança, falta de maturidade, mas o certo é que na hora da verdade (muitas vezes) vacilamos.
Pode ser desconfortante, mas nunca é demais empreendermos algum do nosso tempo a pensar naquilo que somos...
Pode ser desconfortante, mas nunca é demais empreendermos algum do nosso tempo a pensar naquilo que somos...
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