quarta-feira, fevereiro 14, 2007

Quem vê caras...

És um miúdo esperto, muito esperto. Sempre o achei. Há pessoas com as quais desenvolvemos mais empatia, não há nada a fazer: aceitamos e aprendemos a viver com isso, descobrindo a melhor estratégia para evitarmos revelar esta nossa afinidade. Não imaginava a maldade que está por detrás do teu olhar, o filme de terror onde acabaste por ser vítima, o fruto de um pecado. Custa-me a tua história porque já um dia me foi contada na primeira pessoa por quem, sem dó nem piedade, assume a brutalidade de um acto que comete com alegria.
- Sabes, é tão fácil enganar uma mulher.
- Desculpa, porque dizes isso.
- Porque o experimentei e é tão fácil enganar-vos.
- É, não é...
- É só eu querer.
- Até um dia...


(até nunca)


- Sabes porque dizes isso?
- Porquê?
- Porque amas uma só pessoa neste mundo.
- Sim, eu sei. Eu próprio.

terça-feira, fevereiro 13, 2007

Ligo-te e conto-te o que se passou

Mesmo contra a minha própria vontade fi-lo. Sabes como sou, como me zango a sério comigo. Sou a única pessoa com quem me chateio. Dobrei a minha pouca teimosia e imediatamente percebi que algo não estava bem. Senti-o no primeiro instante. Se calhar tinha mesmo de ceder a esta tentação para perceber o que te consome. Eu sei que lidas mal nestas situações, eu também. Somos iguais nisto. Sinto-me impotente quando percebo que não há nada a fazer, é esperar que o tempo cure as feridas. Estás abalado, fragilizado, perdido. Tremi. Foste apanhado de surpresa. Fui apanhada de surpresa. Fomos apanhados de supresa.
Faço o que posso... Estou aqui para o que precisares. Rezo por ela.

Adeus





Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.

Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro;
era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes.
E eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.

Mas isso era no tempo dos segredos,
era no tempo em que o teu corpo era um aquário,
era no tempo em que os meus olhos
eram realmente peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.

Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor,
já não se passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.

Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.

Adeus.
Eugénio de Andrade

Momento "cognac" com...


Rodrigo Santoro

segunda-feira, fevereiro 12, 2007

Amanhã à mesma hora



- Amanhã à mesma hora?
- Sim, amanhã à mesma hora.


(Como é bom saber que lá estarás amanhã à mesma hora)

A minha primeira morada



Aceitámos o desafio que nos fizeram e aqui está o resultado do trabalho das minhas meninas do 6º Ano. Muitos parabéns pelo vosso esforço e dedicação. Só por tudo o que conseguimos partilhar e desenvolver já valeu a pena participar no concurso http://www.dos0aos9.org/.

domingo, fevereiro 11, 2007

Este espaço é vosso

Por todos vocês que nunca chegarão a ver a luz do sol ou a sentir o calor de um abraço. Este espaço é vosso. A todos os que já lá estão, que viram a sua vida reduzida e limitada por um desejo de não se ser desejado. Este espaço é vosso.

A todas as mães que choram o remorso de nunca ter conhecido aquele sorriso. Este espaço é vosso. A vocês futuras mães espero que percebam, na hora da verdade, que este espaço pode não ser para vocês…

Estranhamente nas nossas mãos




De volta ao fim de três anos... Reabro com uma questão complexa, numa data decisiva. Neste dia em que somos todos chamados a votar em consciência peço-Te, em forma de oração, que seja feita a Tua vontade... Somente a Tua vontade!

sexta-feira, dezembro 03, 2004

Confiança

Ouvia agora uma música sobre confiança. A confiança é tão importante, mas sinto que é uma coisa tão difícil. Confiar totalmente é uma enorme desafio. A nossa condição humana é sempre desculpa para tudo. De facto somos humanos, mas caímos com facilidade nesta tentação. Penso nesta questão várias vezes e assusta-me ver como os nossos medos tomam conta de nós e não permitem que confiemos. Talvez seja insegurança, falta de maturidade, mas o certo é que na hora da verdade (muitas vezes) vacilamos.

Pode ser desconfortante, mas nunca é demais empreendermos algum do nosso tempo a pensar naquilo que somos...

segunda-feira, novembro 15, 2004

No Silêncio

Há alturas em que o silêncio só é quebrado pelo som das teclas. Este é um falso silêncio porque, na verdade, muitas vezes, é mais aquilo que aqui dizemos, que o que é dito "frente a frente". É um estranho fenómeno, ou talvez não... É a possibilidade de nunca estarmos realmente sós: aquela ausente companhia está do outro lado a partilhar o que é e o que pode. E tantas vezes sentimos a sua falta. Isto não é necessariamente mau, porque também é bom sentirmos a falta, pararmos para pensar na sua importância e, em consciência, darmos graças pelo que temos.

Obrigada pela companhia que fazes...

domingo, novembro 14, 2004

Só para começar

A hora já vai avançada mas não resisti a deixar aqui "qualquer coisinha".


Espero que este seja o primeiro (de muitos) textos, de pequenas reflexões. Aquilo que tantas vezes guardamos só para nós... Ou aquilo que passa para o papel, mas acaba no papelão!

E assim termino hoje, sem nada de especial (até porque a hora já não me permite grandes reflexões). Fica a promessa de um "até breve"! =)